La Reine du Monde
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Ginevra acordou no dia seguinte se sentindo incrível. Ela se vestiu e foi se encontrar com a família para o café da manhã.
"Bom dia, Gina" Disse Julieta, Ginevra sorriu, porém sua tia repreendeu Julieta.
"Sua tia lhe deu o nome de Ginevra, então é assim que deve chamá-la, e não usando apelidos infantis." Julieta corou e abaixou a cabeça enquanto murmurava desculpas. Ginevra ignorou a tia e continuou à comer.
Conde Páris, que para o desgosto de Ginevra, havia passado a noite na mansão, se juntou à eles logo depois,os cumprimentando e se sentando à mesa ao lado de Teobaldo.
Este, por sua vez, parecia incomodado quando Páris redirecionou toda a sua atenção para a jovem Julieta. Ginevra riu baixinho ao ver que Julieta nem ao menos olhava na direção doConde e o ignorava completamente.
Após terminar sua refeição Ginevra pediu licença e disse que iria dar um passeio pela cidade. Embora sua tia insistisse que ela levasse alguns criados conssigo por segurança, ela gentilmente recusou, pois não queria que mais ninguém soubesse que ela iria visitar os Montecchio.
Ela por sorte ainda se lembrava aonde os meninos moravam, eles costumavam brincar no pátio de trás da mansão dos Montecchio. O pai de Romeu nunca viu problema da menina os visitar, pois ele sabia que ela não se importava com a rivalidade das famílias.
Ao chegar lá, encontrou Romeu do lado de fora, sentado perto do portão e Benvólio lutava com espadas com Romeu. Ginevra ficou assistindo de longe. Minutos depois os dois acabaram largando as espadas e partindo para luta corporal, rindo enquanto o faziam.
Ginevra resolveu se aproximar deles.
Benvólio foi o primeiro a vê-la andando em sua direção e parou para falar com ela, porém Romeu usou isso como uma vantagem e chutou a perna de Benvólio, fazendo com que ele perdesse o equilíbrio e caísse no chão.
"O que é isso Benvólio? Você nunca foi distraído! O que faz com que você perca toda a sua atenção amigo?" Olhou então na direção de Ginevra e acenou para ela.
"Bom dia" Disse. Benvólio se levantou de onde estava e foi cumprimentá-la. Os dois então a chamaram para ir para a casa dos Montecchio. Enquanto os três estavam na sala conversando, uma pessoa entrou na sala, não uma simples pessoa, a mãe de Romeu.
"Romeu, pensei que havia saído com Ben-" Ela parou assim que notou Ginevra ali. Ela franziu as sobrancelhas e Ginevra abriu um pequeno sorriso.
"E quem seria a senhorita?" Perguntou. Benvólio riu.
"Tia, deve se lembrar de Ginevra, a única Capuleto que realmente presta" Disse e levou um leve tapa de Ginevra por insultar sua família.
"Como esquecer? Ginevra foi a filha que nunca tive. Senti muita falta de trançar seus cabelos" Disse apertando uma de suas bochechas. Ginevra riu, envergonhada. Signora Montecchio então deixou o trio sozinho novamente.
Mesmo que por alguns segundos antes que a porta da frente fosse aberta com força e uma figura entrasse aos pulos e gargalhadas.
Este "ser" se jogou com tudo no sofá, em cima de Benvólio, que resmungou e empurrou a pessoa para o chão.
"Mercúcio, comporte-se! Não vê que temos visita?" Perguntou Romeu, parecendo um pouco incomodado.
"Oh sim, perdão...senhorita" Disse Mercúcio analisando Ginevra dos pés à cabeça, fazendo a menina se sentir desconfortável.
"Faça uma pintura, dura mais" Ela disse cruzando os braços. Mercúcio soltou uma gargalhada estridente que fez Ginevra dar um pequeno pulo e Romeu e Benvólio se entreolharam.
"Desculpe pelo Mercúcio, ele é..." Benvólio tentou explicar porém foi interrompido por Mercúcio, que riu novamente, sem se preocupar em se levantar do chão.
"Bizarro, tempestuoso e completamente louco! Você sempre me diz isso" Disse se sentando e estendendo a mão para Ginevra, que mesmo relutante, a segurou, recebendo nela um leve beijo.
"Mercúcio Escalus ao seu dispor senhorita" Disse com um sorriso galanteador no rosto. Ginevra revirou os olhos.
"Escalus? Como o príncipe?" Ela perguntou. Ele acentiu animadamente.
"Sim senhora, sou o sobrinho dele. E você? Qual seria seu sobrenome?" Perguntou. Ginevra sentiu calafrios correrem por sua espinha.
"Isso é para eu saber e você descobrir com o tempo" Respondeu por fim. Mercúcio deu de ombros.
"Enfim, porque entrou aqui comemorando como se fosse carnaval?" Perguntou Romeu mudando de assunto. Mercúcio se levantou em um pulo e se sentou ao seu lado.
"Ah, mas é quase um carnaval! Veja, os Capuleto darão um baile de máscaras hoje à noite e eu fui convidado, ou seja, vocês virão comigo!" Ginevra se sentiu aliviada por não ter que levar os meninos escondidos ela mesma.
"Olha Mercúcio, acho melhor não" Romeu disse cabisbaixo. Ginevra franziu as sobrancelhas e Benvólio tentou explicar.
"Romeu está apaixonado por uma moça chamada Rosalina porém ela é...bem..." Tentou encontrar uma palavra para descrevê-la.
"Uma grande pu-"
"Mercúcio!" Benvólio reclamou apontando para Ginevra. Mercúcio fez uma reverência exagerada.
"Oh, mil perdões!" Disse, rindo.
"Romeu está melancólico por não ter o amor correspondido." Finalizou. Ginevra entendeu então.
"Ora Romeu, vão ter outras dezenas de mulheres bonitas no baile. Tente se divertir." Ginevra tentou animá-lo. O moreno abriu um pequeno sorriso.
"Agora vamos sair por favor porque não pretendo passar a tarde inteira dentro de casa" Mercúcio disse puxando Benvólio e Romeu até ficarem de pé e depois indo na direção de Ginevra e fazendo o mesmo com ela.
O problema foi que quando ele a puxou, acabou fazendo força demais e isso fez com que ela fosse parar de pé com o rosto bem próximo ao dele, embora ainda ouvesse uma certa distância pelo fato de ela ser um pouco mais baixa.
"Desculpe" Ela riu, se afastando rapidamente dele, que abriu um sorriso. Os quatro então saíram para caminhar.
Benvólio, Romeu e Ginevra andando mais atrás enquanto Mercúcio corria, pulava e rodopiava por entre as pessoas.
"Sim Romeu, você tem que esquecer Rosalina. Aposto que encontrará uma bela donzela e a levará para a cama ainda hoje" Falou Mercúcio, se virando para o trio.
"Mercúcio!" Disse Benvólio olhando para Ginevra que ria baixinho. Ela não estava acostumada à discutir esses assuntos, não que ela se importasse, mas mesmo assim... Mercúcio olhou para ela e piscou um dos olhos.
"Ah, mas será muito divertido! Terá comida, música e muita dança." Mercúcio segurou Benvólio pelas mãos e, mesmo sob protestos do loiro, saiu rodopiando com ele como se estivessem dançando em um baile. Romeu e Ginevra riram.
"Vocês sabem que isso vai dar problema não é? Irmos nesse baile..." Benvólio disse empurrando Mercúcio para longe de si.
"Sim, e isso significa também que o príncipe terá uma crise" Completou Romeu. Ginevra franziu as sobrancelhas.
"Ah sim! Por que todos da realeza acabam ficando chatos e mandões com o tempo?" Mercúcio falou fazendo uma pose dramática, porém parou de repente como se tivesse tido uma ideia.
"Parem pra pensar, nós já somos reis. Os reis das ruas, reis do nosso mundo...e rainha" Disse após notar Ginevra de braços cruzados.
"Obrigada" Ela agradeceu com um sorrisinho no rosto.
"Nós podemos fazer o que quisermos!" Mercúcio gritou, atraindo olhares de algums pessoas que passavam por perto.
"Os reis do mundo vivem lá em cima, eles tem uma bela vista mas tem um porém...eles não sabem o que a gente pensa deles. Eles não sabem que aqui nós é que somos reis" Disse Romeu. Ginevra levantou a sobrancelha para esse comentário...até que fazia sentido.
"Os reis do mundo fazem o que querem. Eles tem um mundo à sua volta porém estão sozinhos. Ficam em seus castelos, entediados. Enquanto aqui em baixo dançamos a noite toda!" Completou Benvólio com um sorriso no rosto.
"Nós fazemos amor e vivemos a vida, dia após dia e noite após noite." Disseram Mercúcio, Benvólio e Romeu ao mesmo tempo, Ginevra apenas prestava atenção no que falavam.
"Qual o motivo de estar na terra se é para ficar de joelhos, dizem que o tempo é como o vento, viver é o que importa. Não ligamos para ética pois não irá nos fazer mal " Terminaram os três, porém Ginevra também queria falar.
"Os reis do mundo tem medo de tudo, eles confundem cães com lobos. Eles criam armadilhas onde eles mesmos cairão um dia" Disse, surpreendendo os três amigos, pois até agora ela havia permanecido calada.
"Eles se protegem de tudo, inclusive do amor." Mercúcio disse, pondo a mão no ombro de Ginevra, a fazendo sorrir.
"Tudo bem, os pombinhos já podem parar com isso" Benvólio interviu. Somente assim Ginevra percebeu que ela e Mercúcio estavam olhando nos olhos um do outro por tempo demais.
Os quatro continuaram a caminhar até Romeu parar bruscamente. Os outros três direcionaram o olhar para onde ele olhava. Uma menina da idade deles estava aos beijos com um homem mais velho, que parecia ser nobre, pelas vestes que usava.
"Quem é aquela?" Sussurrou Ginevra para Benvólio, tentando fazer com que Romeu não escutasse.
"Rosalina" Ele sussurrou de volta. Romeu então saiu andando rapidamente, sem nem ao menos falar nada com os amigos. Quando Mercúcio foi sair atrás dele, foi segurado no lugar por Benvólio e Ginevra.
"Deixa ele ir. Ele precisa de um tempo sozinho" Disse para Mercúcio, que bufou porém não insistiu.
Conforme o tempo foi passando, Mercúcio se despediu dos dois pois devia fazer alguns serviços para o príncipe. Benvólio e Ginevra continuaram caminhando. Isto é, até notarem uma confusão no meio de uma feira.
Os dois se aproximaram e repararam que dois servos lutavam com espadas enquanto outros dois pareciam discutir. O pior é que dois eram servos dos Capuleto e os outros dois dos Montecchio.
"O que estão fazendo? Parém já!" Benvólio gritou, porém o ignoraram completamente. Ginevra também queria gritar, porém não queria chamar atenção para si, já que não devia estar ali.
Ginevra notou o público se afastando do local. Apareceu então, no meio da multidão, Teobaldo.
"Merda" Murmurou Ginevra saindo de perto de Benvólio e se escondendo atrás de uma barraca de frutas.
"O que um Montecchio faz aqui?" Teobaldo tinha um pequeno sorriso no rosto.
"Esses dois servos estavam lutando. Apenas resolvi apartar a briga" Respondeu, calmo.
"Sim, com a espada desembainhada?" Perguntou, cínico. Benvólio não tinha uma desculpa.
"Vamos, lute comigo!" Disse Teobaldo, atacando Benvólio logo em seguida. Ginevra fez o possível para ficar quieta e não chamar atenção, secretamente torcendo para que Benvólio ganhasse.
Para piorar a situação é claro, os tios de Ginevra e o chefe dos Montecchio apareceram e começaram a discutir. Ginevra não conseguia ouvir o que falavam da distância em que estava.
Não demorou muito para ouvirem o som de cavalos se aproximando e o príncipe surgir, montado em seu cavalo, com uma expressão de raiva no rosto, Mercúcio ao seu lado, parecia entediado e batia o pé como se não quisesse estar ali.
"O que vocês pensam que estão fazendo?" Perguntou o Príncipe. Benvólio e Teobaldo se afastaram.
"Exijo que parem com essa rixa sem sentido. Se eu souber que pertubaram a paz novamente, irão pagar com suas vidas. Capuleto, você vem comigo, e Montecchio, falarei com você mais tarde." Disse, indo embora logo em seguida, Mercúcio logo atrás, sorria e mostrava a língua para Teobaldo. Os tios de Ginevra o acompanharam enquanto os Montecchio seguiram seu caminho.
O público que antes estava curioso, tentando ver a briga foi se dispersando. Teobaldo, com raiva, foi embora para casa.
Ginevra saiu de seu esconderijo e se juntou à Benvólio.
"Acho melhor eu voltar para casa. Daqui a pouco vão começar a me procurar e exigir que eu me arrume para o baile." Deu um beijo na bochecha do amigo e seguiu seu caminho para casa.
Ao entrar pelo portão, viu Teobaldo gritando de raiva e discutindo com os empregados. Típico...
"O que aconteceu dessa vez?" Ela perguntou ao se aproximar dele.
"Os Montecchio foram o que me aconteceram!" Gritou, jogando um vaso de flores no chão. Ginevra respirou fundo, pensando no trabalho que daria para limpar aquilo. Ela fingiu não saber do que ele se referia e se dirigiu ao seu quarto, ignorando a crise de Teobaldo.
No meio do caminho, encontrou, ou melhor, quase derrubou Julieta.
"Para onde vai com tanta pressa?" Perguntou para a prima, que parecia nervosa.
"Estou fugindo de Páris. Ele está me procurando à pelo menos uma hora.
Não quero ter que lidar com ele hoje" Respondeu olhando para os lados nervosa, com medo que alguém a visse e notificace o conde. Ginevra riu e seguiu seu caminho.
Passou o resto da tarde pensando no que o príncipe havia dito. Irão pagar com suas vidas. Ela realmente esperava, torcia para que não houvesse mais nenhuma confusão entre as duas famílias.
Logo ouviu uma batida na porta e uma criada entrou, carregando algo que ela não conseguiu bem identificar, porém parecia ser um tecido branco.
"Minha senhora, vim lhe arrumar para o baile" Disse se curvando levemente. Pobre Ginevra não teve outra opção senão deixar a moça lhe vestir.
Ginevra não tinha nada contra, porém também não gostava muito de vestidos chiques, ela gostava dos mais simples, que eram mais confortáveis e menos chamativos. Porém a intenção dessa festa era ser chamativa, então mesmo protestando quanto ao vestido, ela não teve escolha.
Era um vestido branco, comprido e com fios dourados formando um tipo de padrão na saia. As mangas eram compridas e largas, brancas como o resto do vestido e com laços dourados às enfeitando. Quando Ginevra achou que já estava bom de coisas chamativas, a criada pegou um corset e o preparou para que ela o vestisse.
"Oh não, por favor não" Implorou. A criada deu uma leve risada, porém continuou segurando o corset na frente de Ginevra até ela bufar, irritada e o pegar das mãos dela.
"Pode deixar que eu termino de me arrumar sozinha" Disse dispensando a criada. Assim que ela saiu, a porta se abriu novamente e Teobaldo entrou, já arrumado para o baile.
"O que quer?" Perguntou Ginevra.
"Não posso querer conversar com minha irmãzinha?" Perguntou. Isso era estranho. Teobaldo a ignorava quase tanto quanto ela mesma o ignorava, os dois quase nunca conversavam, e quando o faziam, era porque eram obrigados.
Ele se sentou na cama e se preparou para começar a falar até notar a irmã lutando com os laços do corset para tentar amarrá-lo. Ele se levantou e a ajudou à amarrá-los.
Isso supreendeu Ginevra, pois ela não estava acostumada com os atos bondosos de Teobaldo. Ele terminou e ela se sentou frente à penteadeira para terminar de arrumar seu cabelo.
"Então, o que quer me falar?" Ela perguntou trançando o cabelo. Teobaldo suspirou.
"É sobre o baile. Há alguém que só foi convidado por ser parente do príncipe, portanto quero que me prometa que não irá conversar com ele." Disse.
"Tudo bem" Ela respondeu, confusa. Teobaldo se levantou e foi em direção à porta, porém antes que ele pudesse sair, ela o chamou.
"Mas quem seria esse convidado" Perguntou.
"Mercúcio Escalus" Respondeu, saindo logo em seguida. Por mais que ela quisesse agradar ao irmão, ela não iria deixar de falar com seus amigos por isso.
Ginevra terminou o penteado, calçou seus sapatos e colocou uma máscara no rosto. Os convidados logo chegariam, então ela precisava ir para o salão onde seus familiares estariam aguardando.
(...)
O baile havia acabado de começar e nenhum sinal de Mercúcio, Benvólio e Romeu. Ginevra já havia rodado o salão pelo menos umas três vezes procurando por eles. Ela voltou para a grande mesa onde todos os Capuleto estavam e se sentou ao lado do irmão.
"Procurando por alguém irmãzinha?" Teobaldo perguntou, tomando um gole de vinho de seu copo, porém ela pode ver um pequeno sorriso em seu rosto.
"A pessoa que procuro não está aqui" Ela respondeu, pegando o cálice da mão de Teobaldo e tomando um gole dele, fazendo o irmão ficar irritado.
"Porque não vai dançar e me deixa em paz? Arranje um rapaz bonito e divirta-se" Ele disse. Ginevra se levantou e voltou para o meio das pessoas que rodopiavam enquanto dançavam. Não demorou muito e ela sentiu alguém pôr a mão em seu ombro.
"Procurando alguém?" A voz perguntou. Ela se virou e demorou um pouco para reconhecer Romeu com a máscara. Ao seu lado estava Benvólio e Mercúcio estava entrando no salão, saltitante.
"Sim, vocês! Por que demoraram tanto?" Perguntou. Benvólio riu.
"Você acha que foi fácil entrar aqui?" Respondeu. Mercúcio chegou perto dos três e analisou Ginevra.
"Aah, Gina! O que faz aqui? Não sabia que havia sido convidada" Disse. Ginevra sorriu ao ouvir o apelido do qual apenas Romeu e Julieta à chamavam.
Antes que ela pudesse responder, o Conde Páris se aproximou do grupo.
"Ginevra, você viu sua prima? Eu não à encontro em lugar algum" Perguntou.
"Não a vi, mas se por acaso eu a encontrar eu lhe aviso" Ela respondeu. Páris se virou para Mercúcio.
"Ah, primo, é bom ver você aqui" Sorriu Páris antes de voltar a procurar Julieta. Mercúcio a olhou surpreso.
"Você é prima da Julieta? Você é uma Capuleto?" Perguntou. Ginevra corou, envergonhada.
"Bom, é, eu não queria contar logo de cara pois você poderia passar a me tratar diferente sabendo quem é a minha família" Ela disse. Mercúcio soltou uma gargalhada.
"Eu jamais faria isso. Embora eu prefira os Montecchio, não vejo nada de mal em ser amigo de uma Capuleto, isso é claro se você não for o rei dos gatos..." disse. Ginevra não entendeu porém achou melhor não tocar mais no assunto.
Não demorou muito e o grupo se separou. Romeu saiu para dar uma caminhada, Benvólio foi pegar bebidas para eles e Ginevra foi deixada no meio do salão com Mercúcio.
"E então signora, gostaria de dançar?" Mercúcio perguntou. Embora fosse uma péssima dançarina Ginevra não conseguiu dizer não aos grandes olhos pidões de Mercúcio, e fez um sinal positivo com a cabeça.
Os dois começaram a rodopiar e rir enquanto iam de um lado a outro do salão. Porém Ginevra notou algo que Mercúcio não havia visto, Teobaldo havia visto os dois, e parecia furioso, vindo em sua direção.
"Rápido, quando eu contar até três nós dois vamos sair daqui, mas não corra, não quero chamar atenção" Ginevra sussurrou em seu ouvido enquanto apontava para a porta que levava à ala leste da mansão. Mercúcio pareceu confuso porém não a questionou e começaram a andar. Ginevra percebeu que não só Teobaldo, mas alguns guardas também os estavam seguindo.
Antes de alcançarem o seu destino, passaram por Benvólio, que tentava equilibrar três garrafas de vinho nas mãos. Mercúcio segurou no braço do amigo e o puxou junto com ele.
Os três andaram pelos corredores e pelo jardim, passaram o portão e foram caminhando pela floresta, ainda rindo e olhando para trás para ver se não estavam sendo seguidos.
Os três se cansaram de andar logo quando chegaram próximo à um rio. Ginevra se sentou na grama, bufando, suando e corada por ter andado rápido. Mercúcio se sentou ao seu lado enquanto Benvólio se deitou no chão, ainda agarrado às garrafas. Os três tiraram as máscaras e começaram a rir. Benvólio então entregou uma garrafa para cada um.
"Roubou isso?" Perguntou Ginevra levantando uma sobrancelha, porém tirando a rolha da garrafa.
"Bom...sim" Riu, abrindo sua própria garrafa e tomando um enorme gole. Ginevra imitou o movimento e depois foi a vez de Mercúcio.
Mais ou menos uma hora depois os três já estavam alterados por causa da bebida, rindo e contando piadas. De repente Mercúcio se levantou, se equilibrando em um tronco de madeira próximo à eles.
"Quando eu for o rei de vocês, eu irei impedir que moças frágeis sejam obrigadas a obedecer tudo o que os homens mandam" Disse, a fala enrolada. Ginevra riu.
"Quem está chamando de frágil?" Perguntou, colocando as mãos na cintura. Mercúcio fez uma breve reverência, e voltou ao chão, porém começou a tirar a camisa.
"O que está fazendo?" Perguntou Benvólio curioso.
"Indo nadar" Mercúcio disse e continuou a se despir, as botas, o cinto, a calça, até o ponto de Ginevra ter um pouco de decência e fechar os olhos.
"Tente não se afogar" Benvólio comentou.
Logo ela ouviu o som de Mercúcio entrando na água e se atreveu a abrir os olhos.
Mercúcio estava com a água até a cintura para a sorte de Ginevra. "Ou azar, já que não seria nada mal ver seu corpo nu". Ela corou com o próprio pensamento e rapidamente o afastou da cabeça. Mercúcio se virou para os dois e sorriu.
"Não vão entrar? Vão me deixar aqui na água sozinho?" Perguntou fazendo um bico. Benvólio olhou para Ginevra rapidamente e depois se levantou, tirando a própria roupa. Ginevra, mesmo relutante se levantou também.
Por mais estranho que pareça, Ginevra já havia sim visto Benvólio e até Romeu sem roupa. Foi em um dia quando os três brincavam na chuva e acabaram cobertos de lama. No fim, uma das empregadas dos Montecchio acabou dando um banho nos três juntos.
Benvólio foi o primeiro a entrar na água. Ginevra continuou parada olhando para eles.
"Vocês podem virar de costas...por favor?" Perguntou. Por ser a única menina ali, ela obviamente estava envergonhada. Ela tirou o vestido, o jogou no chão e entrou lentamente na água. Ela parou logo quando a água a atingiu nos ombros e pigarreou para que os meninos soubessem que podiam se virar. Mercúcio abriu um sorriso e começou uma guerra de água.
Após se cansarem, Mercúcio e Benvólio começaram a tentar afundar um ao outro, fazendo Ginevra rir. Porém quando ela achou que ia se safar de ser afogada, ela sentiu alguém fazer força sobre seus ombros e de repente ela estava submersa.
Para a sua sorte ela conseguia prender a respiração por um bom tempo. Ela voltou à superfície em busca de ar e se deparou logo com o familiar sorriso de lado de Mercúcio. Ela começou a notar o jeito que ele lambia os lábios ressecados e a forma como seus cabelos mesmo molhados continuavam com pequenos cachinhos que caíam em uma cascata sobre seus ombros.
"Deve ser por causa do álcool que estou assim" Pensou, ela então se lembrou do estado de nudez dos dois e se afastou. Pelo menos Benvólio estava muito ocupado mergulhando e tentando encostar no fundo do rio e não notou.
Os três não ficaram por muito tempo na água, pois estava começando a esfriar. Mercúcio saiu da água rapidamente, não dando nem tempo de Ginevra cobrir os olhos ou se virar, e vestiu sua roupa, os longos cabelos pingando e encharcando a camisa.
Depois foi Benvólio, também se vestiu rapidamente porém pegou o vestido de Ginevra e o colocou sobre o ombro.
"O que está fazendo? Me dê aqui" Ela disse, estendendo a mão de dentro da água. Ela se recusava a sair para pegar o vestido e deixar que eles a vissem nua.
"Se quer vesti-lo vai ter que vir aqui pegá-lo" Disse. Ginevra bufou e corou. Mercúcio cruzou os braços, como se esperasse que ela fizesse alguma coisa. Ginevra desistiu e saiu da água, cruzando os braços na frente do corpo tentando se cobrir o máximo possível. Como cruzar os braços não cobria muita coisa, ela simplesmente desistiu e parou, levantando os braços como se estivesse se rendendo.
"Pronto, felizes?" Perguntou pegando o vestido e o enfiando pela cabeça o mais rápido possível.
"Entretido" Respondeu Mercúcio e Ginevra teve que reprimir a vontade de matá-lo. Ela então começou a bater nos dois, os perseguindo de volta ao jardim da mansão.
Notaram que não dava mais para ouvir a música, aparentemente ficaram tanto tempo na floresta que a festa havia terminado.
"Oh céus, perdemos o fim da festa" Mercúcio murmurou. Ginevra tremeu um pouco com uma brisa que passou.
"Estamos encharcados, não querem se secar antes de ir embora?" Perguntou esfregando os braços para se esquentar.
"Não dá, tenho que procurar Romeu e levá-lo para casa" Benvólio disse rindo levemente.
"Romeu deve estar dormindo bêbado em algum beco. Ou se ele tiver tido sorte esta noite, na cama de uma mulher rica" Mercúcio brincou, fazendo os amigos rirem. Benvólio mesmo assim insistiu em procurar o primo, deixando Mercúcio e Ginevra sozinhos.
"Então, você quer se secar?" Ela perguntou. Mercúcio fez um sinal positivo com a cabeça e a seguiu até chegarem em uma janela. Eles entraram por ela e foram parar em um dos corredores da mansão.
"Faça silêncio, ninguém pode te encontrar aqui" Ginevra sussurrou. Os dois andaram por mais alguns corredores e logo chegaram ao quarto dela.
Ginevra abriu seu armário e de lá tirou duas toalhas e uma delas ela entregou para Mercúcio.
"Você precisa ir embora daqui logo, antes que alguém venha aqui e te encontre" Disse. Mercúcio que nesse momento já estava com a toalha enrolada na cabeça como um turbante enquanto tentava secar os cabelos a olhou triste e fez um bico.
"Você realmente vai me fazer andar pelas perigosas ruas de Verona à essa hora da noite?" Perguntou colocando uma mão acima do coração.
"Você é o que, uma donzela? Acho que pode muito bem voltar para casa" Disse indo para detrás de uma cortina e tirando seu vestido molhado, colocando uma camisola no lugar. Quando voltou, Mercúcio estava deitado em sua cama, sem se mover e de olhos fechados.
Ginevra foi para o seu lado e o cutucou.
"Mercúcio acorde, você tem que ir pra casa" Disse. Ela então se sentou ao seu lado na cama e continuou a tentar acordá-lo. Ele de repente abriu os olhos e a puxou, fazendo com que ela caísse em cima dele. Os dois começaram a rir e logo estavam brigando, rindo e rolando pela cama. A brincadeira acabou com Mercúcio por cima de Ginevra.
A risada da menina morreu e ela afastou uma mecha do cabelo de Mercúcio do rosto do mesmo, este por sua vez acariciou sua bochecha. Ginevra então fechou o espaço entre os dois o beijando.
Mercúcio se surpreendeu no início e demorou um pouco para corresponder o beijo, porém quando o fez, foi extremamente intenso, suas mãos se entrelaçando no cabelo de Ginevra enquanto as dela o puxavam para mais perto pela sua camiseta. Ela se afastou, arrumando os cabelos.
"Pode dormir aqui se quiser, mas saiba que se alguém entrar aqui, estaremos mortos" Disse enquanto desamassava a camisola. Mercúcio deu uma de suas gargalhadas porém foi silenciado pela mão de Ginevra sobre a sua boca.
"Não se preocupe, irei embora assim que o primeiro raio de sol bater na janela. Ninguém suspeitará de nada" Disse a beijando novamente. Ginevra riu e engatinhou para debaixo das cobertas, Mercúcio se juntando a ela logo depois.
Assim, os dois dormiram naquela noite fria, abraçados e aquecidos pelo corpo um do outro.
Fale com o autor