La Reine du Monde
12 Capítulo 12
“O que?” Disse Julieta. Ginevra, chocada, segurou as mãos da prima, para lhe dar apoio.
“Teo, como...” Disse Ginevra. Teobaldo passou a mão pelos cabelos.
“O Signor Capuleto foi o primeiro. Causas naturais. Já nossa tia ela, ficou muito doente depois que o Signor morreu. Ela se foi alguns meses depois.” Contou.
Julieta estava chorando e Ginevra fez o possível para consolá-la, abraçando a menina enquanto Romeu se levantava para pegar uma água para ela se acalmar.
“Desculpe pela forma abrupta que dei a mensagem, eu não esperava ter que fazê-lo”
“Compreendemos.” Respondeu Benvólio, meio sem graça.
Romeu voltou e entregou um copo cheio para Julieta que tomou alguns goles e pareceu se acalmar um pouco.
“Há quanto tempo isso tudo aconteceu?” Perguntou Romeu.
“Uns seis meses.” Respondeu Teobaldo.
“Tenho que voltar.” Murmurou Julieta. Todos arregalaram os olhos.
“O que?” Perguntou Teobaldo.
“Para Verona. Tenho que voltar para Verona.” Esclareceu a menina.
“Como assim, Julieta, esse é nosso lar!” Ginevra exclamou.
“Verona é o nosso lar.” Mercúcio retrucou, espantando a esposa.
“Eu sou a herdeira direta da família. Tenho que estar lá. Eu fui criada para assumir a casa dos Capuleto, não Teobaldo. É meu dever.”
Todos se entreolharam.
“Tem certeza disso? Posso me virar.” Disse Teobaldo.
A expressão no rosto de Julieta mudou, ela não parecia mais a menina assustada de alguns minutos atrás. Sua expressão agora era determinada. Ela se levantou.
“Absoluta. Vou fazer minhas malas. Consegue uma carruagem para Verona ainda hoje?” Perguntou para ninguém em específico.
“A-acho que eu consigo.” Benvólio respondeu. Julieta apenas fez um aceno com a cabeça e se direcionou para seu quarto.
Ginevra e Teobaldo se entreolharam, um tanto preocupados com a menina. Romeu se levantou, limpando as mãos nas calças e rindo, sem graça.
“Bem, vou ajuda-la” E se retirou.
Benvólio também se levantou e foi até o cabideiro próximo à porta e vestiu seu sobretudo.
“Parece que terei que procurar um cocheiro.” Suspirou e saiu, deixando Ginevra sozinha na sala com o irmão e Mercúcio, uma situação um tanto desconfortável.
“Bem, eu vou arrumar nossas coisas no quarto, pode arrumar aqui em baixo?” Perguntou ao marido. Mercúcio relutantemente assentiu.
A menina se levantou e ao subir as escadas, parou bem no meio do caminho.
“Faça Teo se sentir em casa, e por favor, se comportem” Pediu aos dois. Mercúcio revirou os olhos e Teobaldo educadamente apenas balançou a cabeça.
Ginevra chegou em seu quarto e começou a encher o baú que ficava ao pé da cama com suas roupas e outros pertences, que não eram muitos.
Quando se mudaram para Mantua, foram com apenas a roupa do corpo, então tiveram que recomeçar do zero, talvez com medo de serem descobertos e terem que fugir de novo, resolveram possuir o mínimo possível, para que não fizesse tanta falta caso tivessem que deixar tudo para trás novamente.
Não demorou muito para as coisas estivessem arrumadas, o casal possuía apenas algumas mudas de roupa, livros e cadernos de desenho que pertenciam à Ginevra, tudo coube perfeitamente no baú.
Com facilidade, ela o puxou escada abaixo e logo Mercúcio estava ao seu lado.
“Não deveria fazer esforço!” Brigou, tirando o baú de suas mãos.
“Não fiz esforço algum, está bem leve, na verdade.” Respondeu revirando os olhos. De canto de olho ela pôde ver Teobaldo a olhando, desconfiado.
“Enquanto estava lá em cima, mandei uma pequena carta para Pedro explicando os acontecimentos e avisando que voltaria para Verona com vocês hoje.”
Logo depois, Romeu desceu as escadas puxando um grande baú, que aparentava estar completamente cheio, o rapaz tinha suor escorrendo pelo rosto. Ao chegar ao fim da escada ele respirou fundo e enxugou a testa. Ginevra levantou a sobrancelha para ele.
“Ainda tem mais um igual a este lá em cima” Resmungou subindo lentamente as escadas, fazendo todos rirem, inclusive Teobaldo, que escondeu um sorriso com a mão.
Benvólio retornou pouco tempo depois, acompanhado de um senhor que havia feito um bom preço para levá-los de volta para Verona. O rapaz foi para seu quarto arrumar suas coisas e nesse meio tempo, Julieta desceu com Lucia no colo e Romeu vinha com Antonio logo atrás.
Os rapazes ajudaram o cocheiro a colocar os baús na carruagem enquanto as moças e as crianças entravam e se sentavam, esperando apenas por Benvólio.
“Ben! Venha logo ou vamos deixa-lo aqui” Gritou Mercúcio na porta de casa. Puderam ouvir então o barulho de algo batendo nos degraus da escada e logo Benvólio apareceu, esbaforido e arrastando um baú atrás de si.
“Finalmente” Mercúcio reclamou pegando o baú da mão do amigo e o jogando na carruagem sem o menor cuidado.
“Ei!” Protestou Benvólio, sendo empurrado para dentro do veículo. Teobaldo, Romeu e Mercúcio entraram logo depois.
Antonio se aconchegou ao lado de Ginevra, que o abraçou.
“Para onde vamos?” Perguntou o menino.
“Para Verona” Respondeu Ginevra, passando a mão pelos cabelos do garoto.
A viagem ocorreu tranquilamente, Lucia e Antonio dormiram a maior parte do caminho, este último deitado com as pernas no colo de Ginevra e a cabeça no colo de Teobaldo, que primeiro hesitou um pouco com o contato do menino mas logo depois cedeu e tinha uma mão protetora sobre ele, evitando que caísse do banco com o balançar da carruagem.
Ao adentrarem Verona, o coração de Ginevra apertou. Ela não pensou que fosse voltar jamais, e ela tinha que admitir, ela sentiu falta. A primeira coisa que reparou porém foi que as ruas pareciam estar bem calmas, quase melancólicas, algo que não era comum de se ver.
“O que aconteceu por aqui?” Perguntou Romeu também notando a diferença no clima da cidade.
Teobaldo suspirou.
“As coisas mudaram desde que foram embora. As brigas entre Montecchio e Capuleto acabaram”
Mercúcio que até o dado momento estava admirando a paisagem se virou para prestar atenção no que Teobaldo dizia.
“Com o corpo de Julieta desaparecido, o sumiço dos herdeiros dos Montecchio e a morte dos Capuleto, os servos e apoiadores das famílias acabaram perdendo a vontade de brigar e iniciaram um luto que dura até hoje”
“Vamos mudar isso.” Disse Julieta, confiante. Ginevra olhou para a prima e a ofereceu um pequeno sorriso.
Não demorou muito para logo estarem em uma zona da cidade que Ginevra conhecia muito bem. Ela se segurou com firmeza no banco enquanto a carruagem passava por uma rua de pedra, o balanço começando a deixa-la enjoada.
“Estamos perto da mansão dos Capuleto, avisou para alguém que estávamos vindo?” Perguntou Mercúcio. Teobaldo ficou tenso.
“Hm...não.” Respondeu.
Mercúcio revirou os olhos.
“Espero realmente que a gente não mate ninguém de susto” Murmurou.
Chegaram em frente à mansão e logo alguns criados saíram da casa curiosos para ver quem estava na carruagem.
“Deixem que eu lide com isso” Disse Teobaldo saindo da carruagem e se juntando aos servos, provavelmente explicando o que estava acontecendo. O estômago de Ginevra se revirou.
“Está bem? Está verde” Apontou Romeu com uma mão na perna de Ginevra, que abriu um pequeno sorriso.
“Estou sim”
Ele não pareceu muito convencido com a resposta, mas deixou pra lá.
Do lado de fora, Teobaldo fez um sinal para que eles saíssem da carruagem, e respirando fundo, obedeceram. Mercúcio saiu primeiro, seguido por Benvólio. Ginevra veio depois, e por último Romeu com Antonio ainda adormecido no colo e Julieta com Lucia.
Os criadores ficaram surpresos, de repente uma voz conhecida soa vindo de dentro da mansão.
“O que estão fazendo aqui fora? Voltem ao trabalho!”
Uma senhora rechonchuda sai de dentro da casa balançando os braços, fazendo menção para os criados voltarem para dentro. Ela parou de repente vendo os recém-chegados, levando uma mão ao peito.
“Eu...o que...” Em choque, não conseguia formar uma frase.
Julieta entrega a pequena Lucia para Benvólio, que segura a bebê meio sem jeito, e corre em direção à mulher, a abraçando com lágrimas nos olhos.
“Ama, senti tanto sua falta.”
A senhora começou a chorar também, apertando a menina.
“Eu também minha criança, eu também”
A ama levantou o olhar para Ginevra, que sorriu e correu para abraça-la também.
“Não creio que tenho minhas meninas aqui novamente, achei que fosse vê-las novamente apenas quando morresse” Disse beijando a cabeça das duas.
Os outros ficaram apenas observando meio sem graça. Mercúcio tossiu levemente.
“Ai que cabeça a minha, entrem por favor, vou preparar algo para lancharem! Precisamos conversar, quero que me contem tudo...”
Ao pensar em comida, o estômago de Ginevra revirou-se novamente e a menina murmurou uma desculpa enquanto cambaleava para próximo de um canteiro de flores e botava para fora o que havia sido o seu almoço mais cedo. Mercúcio correu rapidamente até ela e afastou seus cabelos de seu rosto.
Em algum momento enquanto ela expelia violentamente o conteúdo de seu estômago, Teobaldo entrou em casa e voltou com um copo de água, oferecendo para ela, que aceitou assim que começou a se sentir melhor.
“Melhor?” Perguntou seu irmão, preocupado. Ela assentiu.
“Foi uma viagem intensa apenas, vai passar” Respondeu. Ele concordou, franzindo as sobrancelhas.
“Oh minha menina, tem que descansar, vamos, eu irei preparar um chá de jasmim para você.” Disse a ama a guiando para dentro, o resto do grupo seguindo atrás delas.
Ginevra mal podia acreditar que depois desse tempo todo, finalmente ela estava em casa e por mais que não quisesse admitir, ela sentia muita falta de Verona.
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