La Petite Mort
3 Sobre as ressacas de cada um
Notas iniciais
Fleur estava impaciente enquanto esperava por Bill. O cigarro entre os dedos de sua mão direita estava trêmulo e ela tinha uma taça de vinho, pela metade, na mão esquerda. Seu olhar ia da porta de entrada da casa para o chão, sucessivamente. Estava inquieta e ansiosa, emocionalmente instável pela quantia de vinho que ingerira naquele dia.
Chegara em casa há pouco tempo e sabia que Bill não chegaria tão cedo, não só porque ele aproveitava qualquer que fosse o tempo com Cedric, mas também devido à presença daquela advogada vinda de Londres.
Só de pensar na advogada, os nervos de Fleur se exaltavam ainda mais e ela perdia o pouco do controle emocional que já estava por um fio naqueles últimos dias. Fleur não sabia como explicar a antipatia à primeira vista, só conseguia compreender que todo o ar prestativo e auto-suficiente da jovem advogada a incomodavam, e muito.
As sensações pelas quais Fleur foi submetida só pioraram o seu humor. Seu orgulho era uma das suas maiores qualidades e, talvez, um dos seus piores defeitos. Não gostava de se sentir inferior, muito menos de ser tratada como frágil. E Hermione Granger começara tudo de forma muito errada ao tratá-la daquela forma, isso sem mencionar aqueles olhos castanhos que a observavam com uma irritante surpresa.
Fleur não tolerava esse tipo de julgamento. E o que mais lhe tirava do sério era que Bill parecia não conhecê-la bem o bastante, afinal, fora capaz de lhe trair daquela forma. Era uma facada pelas costas que não só deixava Fleur furiosa como, também, entristecia.
A chefe tomou mais um gole de sua taça e tragou o cigarro mais uma vez antes de escutar a porta de entrada abrir-se lentamente e lançar uma suave corrente de ar no hall. Em seguida, a porta fechou-se devagar, quase silenciosamente. Bill mal tinha chego à sala de estar, onde Fleur o esperava e já fora interceptado no corredor pela figura incontrolável da futura ex-esposa. Fleur bateu o pé no chão e tragou o cigarro, de braços cruzados e exalando a fumaça, perguntou indignada:
– Onde você estava com a cabeça quando trouxe aquela mulher para cá?
– Por favor, Fleur... Eu não quero discutir. — Bill resmungou cansado e massageando as têmporas enquanto passava pela francesa e caminhava até a cozinha. Ele serviu-se de um copo de água enquanto escutava o caminhar furioso de Fleur as suas costas, a chefe voltou a confrontá-lo com os olhos azuis elétricos. Bill pareceu notar o cigarro entre os dedos dela e franziu o nariz. — E você sabe que eu não gosto quando fuma dentro de casa.
– E, pelo que eu sei, nós dois estamos prestes a nos separarmos. O fato de eu fumar e onde eu fumo não lhe diz mais a respeito. Je ai raison? — Fleur respondeu rude e, como se fosse irritar ainda mais Bill, tragou o cigarro longamente e expirou a fumaça pelo nariz. O ar da cozinha foi impregnado pelo cheiro de nicotina e cerejas.
Bill olhou de esguelha para Fleur, os lábios crispados e as feições ocupadas pelo desagrado. As palavras dela cravaram profundas feridas dentro de seu peito, por mais que tudo entre eles tivesse tomado um rumo inesperado e, de certa forma, cruel para a história de amor que eles prometeram viver quando se conheceram... Ele ainda a amava como a melhor amiga que tivera e, principalmente, se importava muito com o seu bem estar, ainda mais Fleur vindo da família que vinha. O ruivo agitou a cabeça, várias vezes, e passou a mão pelos fios compridos.
Era atentamente observado pela francesa que preferira o silêncio diante das conseqüências de suas palavras no ambiente anteriormente hostil entre eles. Fleur sabia que acabara ferindo Bill na iminência e na irracionalidade de sua fúria, não podia duvidar do amor que ele sentia por ela que, por mais que fosse fraternal, era sincero... Mas ele também a machucara quando resolvera agir em suas costas. Fleur acreditava que, desde o começo da relação dos dois, deixara bem claro que não deveria ser deixada para trás, em momento algum.
Ela não era uma dona de casa que ficaria quieta diante das decisões do marido. E jamais seria. Esperava que Bill soubesse disso.
– Eu não vou me desculpar pelo que eu fiz, Fleur... — Bill anunciou enérgico, ou o mais enérgico que seu ar cansado pudesse representar. O ruivo retomou a coragem e olhou para Fleur, foi a vez dela em desviar os olhos dele e focar-se na escuridão do corredor da casa dos dois. — Eu estava pensando no seu bem quando decidi chamar Hermione à cidade. Eu não quero que você perca tudo pelo qual trabalhou.
– Da forma como eu perdi anos de sucesso ficando a sua sombra? — Fleur sabia que suas palavras estavam machucando Bill da pior forma, mas ela não conseguia segurar a crescente de fúria em seu peito. Ela estava cansada de tudo que tinha vivido naqueles últimos anos... Quando saíra de sua casa, procurara por algo novo e agora, deparava-se com o nada. Ela não tinha nada e não tinha mais ninguém.
Os olhos castanhos de Bill revelaram toda a dor que ele estava sentindo e recusava-se a manifestar, também existia um pouco de surpresa e culpa mesclando-se à umidade de seus orbes. O rapaz respirou fundo e tomou mais um gole de sua água antes de anunciar desgastado:
– Eu não vou ficar aqui e escutar o vinho falar por você, Fleur... Amanhã conversamos.
– Vai passar a noite com Cedric? — Fleur perguntou friamente, o sarcasmo brincando em suas palavras e no sorriso maldoso que ela direcionou ao rapaz. Ela estava parecendo com a suposta “vadia francesa” a qual Molly sempre se referia, encostada ao portal da cozinha, com um cigarro em uma mão e uma taça de vinho na outra, visivelmente fora de controle. Bill agitou a cabeça e passou por ela, novamente. Apanhou a jaqueta e antes, de sair, resmungou:
– Vou. Ele parece acreditar que eu o amo e quero o melhor para ele.
A porta se fechara e Fleur tragara o cigarro pela última vez antes de jogá-lo na madeira. A pequena área circular carbonizada na imaculada madeira branca a hipnotizou por alguns segundos antes de ela levar a taça à cozinha e voltar à sala.
Fleur encolheu os joelhos junto ao corpo e abraçou suas pernas. Respirou fundo e descansou a cabeça sobre suas rótulas, fechou os olhos e dois filetes de lágrimas escorreram pela sua face alva.
Estava sozinha, como sempre.
# # # # #
Quando o dia amanheceu, Hermione demorou um pouco para situar onde estava. Mal abriu os olhos e já os fechou novamente, sua cabeça reclamou uma dor leve e irritante, não estava acostumada a consumir vinho durante a noite e aquele incômodo parecia ser uma espécie de bronca de seu corpo àquela saída de linha.
A morena despertou perfeitamente somente após sua higiene matinal e um bom banho. Seus olhos procuraram o relógio, na mesa da cabeceira e surpreendeu-se ao notar que já eram quase dez horas da manhã. Não estava acostumada a acordar tão tarde assim em Londres.
Hermione atravessou o pequeno e confortável quarto de hotel até chegar à janela. Como a atendente lhe prometera, era a melhor vista de Ottery St. Catchpole. A pequena cidade tinha um aspecto interiorano, comum aos povoados da região de Devon e Hermione observou o pequeno pedaço de areia que recebia ondas calmas, de um mar azul límpido que se estendia além de sua visão... Era tudo tão diferente da cinzenta Londres. Por mais que existissem nuvens, o sol parecia mais forte. O clima também estava ameno para aquela época do ano, apesar do frio que recepcionara a advogada na noite anterior.
Pensar na noite anterior fez Hermione lembrar-se, subitamente, do enigma que atendia pelo nome de Fleur Delacour. Antes de ser abruptamente interrompida pela chegada enérgica da mulher, Hermione conversava com Bill a respeito dela. E tinha certeza que escutara o futuro ex-marido dizer que ela era uma mulher encantadora. A advogada sabia que não era muito do seu feitio, mas estava realmente curiosa para compreender porque os dois estavam se separando. Não era uma especialista em desvendar emoções humanas, Hermione era do tipo que preferia o conhecimento, mas os dois não pareciam em nada com os casais que ela já vira se divorciar.
Eles pareciam bons amigos. Tão bons a ponto de Bill estar preocupado com o futuro da ex-mulher após o divórcio. Os dois eram incógnitas e, apesar de seu trabalho se tratar somente de orientar Fleur judicialmente na disputa pelo “La Petite Mort”, ela realmente queria entender os dois.
Entretanto, Hermione também tinha que admitir que Fleur parecera um animal selvagem acuado que atacava em vez de aceitar ajuda. A chefe fora bastante arrogante e muito direta ao dizer que não aceitaria a sua presença na cidade, de forma alguma. Bill praticamente implorou para que ficasse e desse mais uma chance a Fleur.
Hermione tinha a impressão de que ela era orgulhosa demais e estava irredutível em sua decisão e que o tempo não mudaria o que decidira.
A advogada bufou impaciente e terminou de se vestir ao colocar um blazer escuro por cima da camisa social, amaldiçoou-se por não ter trazido algo, fora jeans, para vestir. Arrumou a cama e sentou-se sobre os lençóis recém arrumados, alcançou o celular e rapidamente discou um número particular com o código de Londres. Foi atendida no segundo toque.
– Finalmente, Hermione! Achei que tivesse se perdido no meio do caminho!
A voz preocupada de Harry fez Hermione sorrir de lado, geralmente, era ela quem bronqueava daquela forma. A morena deitou-se na cama e argumentou:
– Cheguei ontem, mas fui conversar com Bill e acabei cansada demais para lhe ligar. Desculpe.
– Não faça mais isso, eu fiquei preocupado com você... – Harry insistiu e ele soava bastante decepcionado. Hermione revirou os olhos para ele, os sons de pedestres e automóveis, do outro lado da linha, indicavam que ele não estava no escritório. — Mas, então? Qual a sua opinião sobre toda a sua situação?
– Não parece ser difícil. Eu acho que posso persuadir a Família Weasley. — Hermione respondeu tranquilamente, Harry até achou que ela soou um pouco egocêntrica... Mas ela era Hermione Granger, ele sabia como ela podia ser agressivamente persuasiva em seus argumentos. A advogada respirou profundamente e fechou os olhos, o furacão que era Fleur Delacour interrompeu seus pensamentos. — O problema é a minha suposta cliente.
O silêncio que a recepcionou fez Hermione temer pela resposta de Harry. Ela sabia que, quando Harry resolvia ficar quieto, era porque ele estava realmente concentrado em alguma coisa. E odiava ser o objeto de julgamento dele.
– O que quer dizer com isso?– Para o alívio de Hermione, Harry preferiu deixar os julgamentos dentro da própria cabeça. A advogada suspirou baixinho, sua mente ainda perdida nos olhos azuis que a olharam, feridos e agressivos. Pensando neles, ela respondeu confusa:
– Ela não quer a minha ajuda. Acha que pode lidar com tudo sozinha... Aparentemente, Bill não contou a ela que havia me contatado e ela levou isso como uma ofensa.
– Se é assim, deixe que ela se resolva sozinha e volte para cá. – Harry sugeriu rapidamente, fazendo Hermione ficar extremamente cautelosa. Não era do feitio de seu melhor amigo responder algo do tipo, ele tinha algo em mente. — As noites de Londres não são as mesmas sem a sua companhia pelos pubs da cidade.
Hermione acabou rindo do falso tom saudoso do amigo. Imaginara que, de fato, Harry deveria estar sem saber muito que fazer agora que não tinha mais a companhia dela para sair ou comer fora. Contudo, ela voltou a se sentar, esperando que aquela atitude desse um pouco de lógica para sua mente. Em vão, pois sua mente não tirou o foco destinado à chefe. A morena bufou um pouco impaciente e, disse obstinada:
– Eu não posso, Bill me pediu para ficar e... Eu acho que posso amolecer aquela francesa arrogante que acha que me assusta com um olharzinho gélido.
– Ahn, francesa arrogante? Mione... – Harry resmungou em um tom que mesclava a decepção e o jocoso. Hermione amaldiçoou o seu melhor amigo mentalmente, quase conseguia enxergar aquele sorrisinho convencido e cheio de intenções dele. — E você conseguiu reparar nos olhos dela enquanto ela disparava mil e uma afrontas contra a sua pessoa?
Hermione preferiu não responder e ignorou a pergunta do melhor amigo, retrucando:
– Eu tenho mais o que fazer, Potter.
Nem deu a chance de Harry responder, mas escutou as risadas despreocupadas dele antes de desligá-lo. Hermione olhou mais uma vez para a janela e, quando estava quase pensando novamente em Fleur, ficou em pé e calçou os sapatos. Trancou a porta atrás de si e desceu as escadas do hotel.
Ela realmente precisava se distrair. Trabalhar.
# # # # #
“Vou passar o dia fora. Bom trabalho, Bill.”
Fleur praticamente arrancou o papel colado, na porta da cozinha do dinner, quando terminou de lê-lo. Tinha acabado de chegar e seu dia já começara de mal. Além da dor de cabeça, devido à quantidade exagerada de vinho que consumira, Fleur ainda tinha que lidar com as conseqüências de suas atitudes embriagadas que só faziam sua ressaca emocional tornar-se ainda pior.
Bill era educado e cavalheiro demais para enfrentá-la quando estava decepcionado. Fleur até preferia daquela forma, porque ela não precisaria enxergar toda a dor que infligira ao ruivo durante o período em que o álcool falou por ela, a francesa sabia muito bem o que fizera, mas jamais admitiria que estava totalmente errada naquela discussão.
Mas, mesmo imersa no peso de sua consciência, o fato de Bill ter decidido deixá-la de lado naquele dia, depois de tais acontecimentos, incomodou Fleur. Ela não queria ficar sozinha diante de toda a solidão que, inconscientemente, a preenchia e a saturava.
E, naquele país estranho e que, em raras ocasiões, ela odiava... Bill era o mais próximo que ela podia ter de casa.
Fleur caminhou lentamente pela cozinha e deixou deu corpo encontrar o metal frio de sua bancada. Ela passou uma das mãos sobre o rosto e respirou fundo, depois, seus olhos azuis, que hoje estavam opacos, encontraram a parede do local. A jovem suspirou e deixou que, automaticamente, seu corpo a conduzisse até o fogão.
Aquele dia ia ser mais um da série dos dias longos que ela, ultimamente, andava tendo.
Ottery St. Catchpole conseguia fazer qualquer um se sentir em casa. Hermione caminhava tranquilamente pelas ruas estreitas da cidade, observando as construções pequenas e bucólicas. O ar puro lhe causava estranheza, assim como os cumprimentos que recebia ao longo de sua caminhada... Era tudo tão diferente de Londres e Hermione percebeu que, inexplicavelmente, gostava daquela calmaria e daquele dia parcialmente ensolarado.
Mesmo diante da recusa de Fleur Delacour, talvez pudesse aproveitar sua estadia na pequena cidade da melhor forma possível.
Ela também percebeu que por mais que a cumprimentassem, também recebia olhares bem curiosos em troca. Hermione observou seu reflexo na vitrine de uma das pequenas lojas e percebeu que era evidente quão londrina era.
Hermione continuou a caminhar até chegar à praça que ficava no centro de um cruzamento de quatro ruas. Em uma dessas, o pequeno dinner de Bill e Fleur estava localizado. A advogada parou abruptamente no centro da praça, indecisa entre caminhar até o estabelecimento ou esperar, entretanto, sua indecisão foi subitamente interrompida com um esbarrão.
A advogada virou-se abruptamente assim que conseguiu se recuperar do empurrão, sua expressão séria denotava que ela estava próxima a discutir com quem lhe empurrara. Os olhos de Hermione encontraram um jovem ruivo que compartilhava muitas semelhanças com Bill, como o nariz comprido e a cor dos cabelos, entretanto, ele possuía olhos azuis. E estava muito corado no momento.
– Deveria olhar por onde anda. — Hermione resmungou irritada, ajeitando o blazer no corpo e apanhando a carteira, que havia caído, aos seus pés. A advogada apalpou os bolsos e suspirou aliviada quando sentiu os contornos de seu celular seguros em seu bolso. O jovem coçou a cabeça e corou ainda mais, o vermelho em sua face quase chegando à mesma cor de seus cabelos. Sem jeito, respondeu:
– Desculpe... Mas você não deveria ter parado no meio do caminho.
– Rony! Não fale assim com ela! — Hermione escutou a voz de Bill atrás da enorme figura que trombara com ela, o outro olhou para os dois lados da sua antes de atravessá-la correndo e alcançar os dois. Bill ofegou, as olheiras embaixo dos olhos revelavam que ele não dormira muito bem à noite. — Imagine o que mamãe diria se visse você tratando uma garota tão rudemente.
Rony fez uma careta para a bronca do irmão, não percebendo que Hermione o estudava atentamente. Aquele era um dos componentes da Família Weasley? Ele não parecia tão ameaçador... Rony resmungou algo antes de continuar seu trajeto através da praça, sem se despedir. Hermione não se ofendeu e continuou a observá-lo com afinco, Bill percebeu seu olhar e, com um sorriso, disse:
– Ronald é um dos mais novos e é inofensivo. No começo, ele nutria uma espécie de paixão inabalável e irracional pela Fleur.
Hermione virou-se lentamente para Bill que ainda sorria abertamente enquanto observava o irmão caminhar desajeitado até virar a esquina. Depois, Bill tornou a olhar para Hermione que abriu um sorriso relutante ao cumprimentá-lo:
– Bom dia, Sr. Weasley.
– Apenas Bill, por favor. — O ruivo disse gentilmente e estendeu o braço para acompanhá-la, como um perfeito cavalheiro. Hermione olhou desconfiada para ele, mas aceitou o gesto, posicionando a mão sobre o braço dele. Os dois atravessaram a praça, mas não tomaram a direção do dinner. Hermione franziu a expressão e perguntou curiosa:
– Achei que fôssemos almoçar.
– Acabei de sair do restaurante e não pretendo voltar lá hoje. — Bill respondeu sério, com o sorriso gentil desaparecendo dos lábios. Hermione direcionou o olhar para frente, desconfortável com a atitude dele. Bill cumprimentou alguns passantes com um aceno de cabeça. — Eu e Fleur não estamos nos nossos melhores dias, como pode perceber.
– Vocês estão se separando, óbvio que não estão bem. — Hermione comentou racionalmente, focando o olhar na rua que se estendia diante de seus passos. Bill sorriu para o chão e esperou um automóvel passar para respondê-la:
– Eu e Fleur somos complicados, mas não dessa forma como imagina. Somos amigos antes de sermos marido e mulher e é justamente por causa disso que estamos nos separando... Os eventos de ontem só fragilizaram um pouco mais a confusão em que nos metemos.
– Você fala como se escondesse algo, Bill. — Hermione comentou discreta, aproximando-se de Bill em uma tentativa de manter aquela conversa entre eles.
Os dois viraram uma esquina e Hermione percebeu que estavam em uma região mais residencial do pequeno povoado. O ruivo olhou para os céus, parecia angustiado e sem palavras, quando voltou a olhar para Hermione, ele trazia certa melancolia ao responder:
– Nós dois nos amamos, mas eu me apaixonei por outra pessoa. Fleur veio sozinha da França e, quando se separar de mim, vai permanecer sozinha em um país que não é dela... E, nesses cinco anos que ficamos casados, eu tirei algo dela que pretendo devolver ao mantê-la no restaurante. Eu devo muito a ela, compreende?
Hermione parou a caminhada dos dois diante da intensidade das palavras de Bill, ele tinha a expressão derrotada e seus olhos estavam opacos. O que ele dissera aguçara ainda mais a sua curiosidade, Bill entregava o tesouro aos poucos, ao mesmo tempo em que escondia as verdadeiras pedras preciosas. A advogada recuou um passo do ruivo e disse séria:
– Você precisa ser sincero comigo, Bill. Eu não posso ajudar se Fleur não quer e se você me esconde o jogo.
– Eu estou fazendo o que é necessário e ainda acredito que você e Fleur se darão bem o bastante para meus supostos segredos permanecerem seguros. — Bill respondeu com um ar mais leve, brincalhão. O brilho voltou lentamente aos seus olhos enquanto rugas de preocupação formavam-se na testa de Hermione.
Bill caminhou mais alguns passos e Hermione o acompanhou relutante, o ruivo parou em frente a um sobradinho antigo e, com um sorriso largo e irônico, anunciou:
– Você irá almoçar com os Weasleys hoje, seja bem-vinda e que Deus lhe ilumine, Hermione.
A advogada arregalou os olhos e engoliu em seco. Odiava ser pega de surpresa.
# # # # #
Fale com o autor