La Petite Mort

7 Entre tapas na cara e goles de vinho...


Notas iniciais
Boa noite, pessoal... Como vocês estão? Espero que todos estejam bem... Bem, agradeço pelos comentários no último capítulo e espero que gostem desse. Sobre esse capítulo, ele foi dividido em duas partes porque, se eu o postasse inteiro, ficaria enorme (algo em torno de 10000 palavras Hahahaha). Porém, não fiquem desesperados... Ainda tem muito a acontecer nessa noite. Boa leitura!

Hermione conheceu uma face de Fleur Delacour que julgava não existir.

Abandonando toda a postura defensiva, agressiva e arrogante, a chefe podia ser resumida em gentileza e elegância. Fleur, agora, a tratava com educação sempre que a via caminhar pela cidade, as duas também se reuniram duas vezes, juntamente com Bill, para discutir os aspectos do caso.

Aliás, quanto a esse aspecto, a relação das duas estava, em muito, atrasada. Hermione mal conseguia falar com Bill e Fleur, ambos estavam envolvidos na organização de uma festa da cidade. Pelo que Hermione soube pelas conversas que escutou pelas calçadas de pedra de Ottery St. Catchpole, a chegada do outono era comemorada na cidade. O motivo? Estava relacionada com a fundação do povoado.

E essa festa parecia ser um grande evento que envolvia feiras de alimentação, apresentações musicais e teatrais além de exposições. Hermione tinha dor de cabeça só de pensar na quantidade de turistas que chegariam à cidade nos próximos dias. E, na semana final de preparação da festa e no segundo mês de Hermione e Harry na cidade, eles chegaram.

Hermione viu a cidade se encher e a estalagem de Madame Rosmerta ficar abarrotada de gente. Outras hospedarias também se encheram e as ruas da cidade, instantaneamente, estavam repletas de gente. A maioria vinha do próprio Reino Unido, mas havia alguns turistas de outras regiões da Europa. A cidade enfeitou-se para recebê-los, existiam bandeirolas avermelhadas suspensas por todas as ruas da cidade, a praça recebera iluminação especial e as ruas próximas a ela haviam sido isoladas para que o trânsito de pedestres pudesse ser livre.

Ottery St. Catchpole havia se transformado em uma mescla de Londres, com seus pub’s e Paris, com sua arte transbordando pelas ruas, também tinha um pouco da Roma com seus restaurantes apetitosos.

O “La Petite Mort” sempre estava cheio, naquela semana da festa, Hermione não conseguiu tomar uma refeição sequer no local. A morena já estava amaldiçoando a festa quando soube, por Harry, que durante a noite de sábado existiria uma apresentação musical na praça. Hermione tentou se animar e prometeu acompanhar Harry que parecia excitado o bastante para encontrar Gina no evento.

A própria Hermione estava angustiada, sabia muito bem que queria encontrar Fleur naquela festa e trocar pelo menos uma palavra com ela... Já fazia dias que não conversava com a chefe e todas as vezes que a vira, era um borrão que passava pela janela do dinner apressado e sem olhar para os lados. E também tinha Bill, Hermione estava sentindo falta da companhia dele.

Agarrando-se a esses pensamentos, Hermione terminou de tomar seu banho e arrumou-se em seu quarto. Com a chegada do outono, o clima frio tornara-se mais agressivo e ela serviu-se de calça jeans escura, sobretudo pesado preto cobrindo uma fina camiseta branca, de mangas compridas e lã que era alguns números maiores que seu tamanho, deixando seu pescoço descoberto. Fechou o sobretudo, enrolou um cachecol marrom ao redor do pescoço e colocou uma touca nos cabelos castanhos, enrolando as pontas com os dedos, olhou-se no espelho e tentou sorrir. Apenas fez uma careta, estava insegura... Nervosa. Preocupou-se, então, em calçar as botas.

Hermione chacoalhou a cabeça e desceu as escadas. Harry estava parado ao lado da lareira, aquecendo-se com um copo de uísque. A morena revirou os olhos para o amigo quando ele olhou para ela, surpreso. Hermione o impediu de fazer qualquer comentário ao bronquear:

– Está frio lá fora, você não vai sair daqui com esse pescoço descoberto. Depois eu que tenho que cuidar de sua garganta.

– Nenhum homem usa cachecol... Quer dizer, nenhum homem que se respeite. Draco Malfoy é uma exceção. — Harry respondeu atrevido, com um sorriso brincalhão. Hermione o ignorou e foi até os ganchos ao lado da porta de entrada, voltando com um cachecol de lã avermelhado que ela ajeitou, grosseiramente, no pescoço de Harry. Ele bufou enquanto ela dizia:

– Eu acho homens que usam cachecóis charmosos.

– Isso porque você é lésbica, Mione. — Harry respondeu com uma risada rouca e os olhos verdes, por debaixo das lentes dos óculos, brilhando em diversão. Hermione fez uma careta desgostosa para ele e o esmurrou no ombro, o rapaz nem se mexeu e a empurrou pela sala, rindo. — A propósito, você está linda.

Os dois caminharam pela orla blasfemando contra o vento litorâneo frio e úmido, chegaram à cidade rapidamente e, conforme se aproximavam, os sons da festa tornavam-se mais altos e a iluminação mais clara.

Postes com luzes alaranjadas iluminavam quatro quarteirões ao norte, sul, leste e oeste da praça. Esta estava no centro de tudo, repleta de pessoas que já seguravam copos de cerveja e outras bebidas. Os participantes se acomodavam como podiam, em pé ou sentados nos bancos de pedras e muretas entre os jardins, formavam um aglomerado ao redor de um rústico palco de madeira ao centro, onde já existia uma banda tocando música folk. As conversas eram altas e animadas, aqueles que não estavam na praça encontravam-se nos estandes de comida que se estendiam pelas ruas que contornavam o centro da festa.

Hermione, imediatamente, desviou os olhos da massa festeira e procurou o “La Petite Mort”, teve um vislumbre de sua fachada fechada e apagada. Seu coração acelerou e ela ofegou, Harry acompanhou o seu olhar e sorriu discretamente. O rapaz abraçou-a pelos ombros e a puxou para uma das barracas, entrando na fila.

– Vai querer tomar alguma coisa? — Harry perguntou educado, olhando de lado para Hermione e rompendo o abraço apenas para apanhar a carteira. Sua amiga segurou-lhe as mãos e disse severa:

– Você sabe que eu não gosto que pague as coisas para mim.

– Eu juro que se você não me deixar pagar, vai escutar boas piadas a respeito de você e certa francesa. — Harry disparou bem humorado, conseguindo uma expressão de choque vinda de Hermione. A morena, emburrada, observou o brilho nos olhos dele e, no mesmo minuto, abrandou a expressão porque percebeu que ele estava feliz.

E um Harry feliz era, aparentemente, um Harry piadista, cujo principal alvo era a melhor amiga.

– Eu vou querer uma cerveja, Sir Harry. — Hermione zombou com um sorriso, agarrando-se ao braço do amigo, Harry arqueou a sobrancelha para ela, mas permitiu-se rir em seguida. O rapaz estendeu o dinheiro ao homem e recebeu dois copos de plástico e entregou um a Hermione. Os dois, em posse de suas bebidas, caminharam até o centro da praça.

Hermione, deixando de lado a confusão instalada em seus sentimentos, apreciava sua bebida enquanto escutava a música agitada chegar aos seus ouvidos. Harry, ao seu lado, observava a multidão com olhos atentos, à procura de cabelos ruivos. A morena tomou um gole de sua cerveja e, animada, disse:

– Isso me lembra as festas da faculdade.

– Quais festas? Eu não me lembro de você ir a muitas... — Harry comentou com a voz levemente sarcástica, Hermione olhou de soslaio para ele, a testa franzida e os lábios formando um beicinho desgostoso. Harry não se intimidou e beijou-lhe a têmpora, ainda sorrindo. — Sempre vou me lembrar de você trancada no dormitório, estudando, enquanto todos nós ficávamos bêbados nos pubs próximos a Cambridge.

– Eu também me lembro de ter que organizar um plantão de dúvidas para você, Oliver, Alicia e Angelina porque vocês estavam muito ocupados aproveitando as festas nas vésperas de nossos testes. — Hermione retrucou de forma imatura, apenas para arrancar um revirar dos olhos verdes de Harry. O moreno cutucou a amiga nas costelas, por debaixo do sobretudo e a puxou para que caminhassem. Hermione permitiu-se ser arrastada enquanto escutava:

– O que é surpreendente, visto que Oliver, Alicia e Angelina eram nossos veteranos e você cursava matérias com eles por ser inteligente demais.

– Finalmente um elogio! Obrigada, Harry. — Hermione disse em tom jocoso, levando o copo aos lábios e tomando mais um gole de sua cerveja antes de olhar mais uma vez para Harry e acompanhar o amigo em uma gargalhada. O clima leve entre eles só refletia quão divertida a festa estava revelando-se ser.

Harry e Hermione continuaram a caminhar até encontrarem um local para se sentarem, acomodaram-se em uma das bancadas que circundavam os jardins bem-cuidados da praça. Continuaram a conversar entre goles de cerveja até que os copos de ambos esvaziaram-se, Harry fez menção de levantar para apanhar mais um, mas Hermione segurou-lhe o braço, deixando claro que era a vez de ela pagar. A advogada acabara de se levantar quando escutou uma voz familiar divertida dizer:

– Aproveite e pegue uma para mim ou Fleur vai me fazer beber vinho francês a noite toda!

Hermione ficou totalmente paralisada quando reconheceu a voz de Bill e escutou o nome de sua cliente na frase. Lentamente, a advogada virou-se em direção a voz. Seus olhos castanhos encontraram Bill com um sorriso largo e as bochechas rosadas, ele usava uma combinação estranha de calças largas, jaqueta de couro e coturnos, não parecia o mesmo sujeito sério que trajava social quando trabalhava.

E, ao seu lado, Fleur estava parada com uma taça a caminho dos lábios que sorriam enquanto a outra mão segurava uma garrafa de vinho. Hermione engoliu em seco, observando-a da cabeça aos pés. Fleur usava uma calça escura colada e um moletom de tricô azul-escuro que chegava até os seus joelhos. Nos pés, ela calçava coturnos marrons. Estava muito diferente da figura sempre elegante que Hermione estava acostumada a ver... Na realidade, Hermione tinha que admitir que ela parecia mais a vontade e mais bonita.

Como se Fleur Delacour precisasse ficar ainda mais bonita.

– Eu não tenho culpa se você não sabe apreciar um bom vinho, mon prefere idiot! — Fleur retrucara sarcástica após o gole de vinho, os lábios avermelhados pelo líquido se abriram em um sorriso. Bill percebeu o tom usado e fez uma careta dramaticamente ofendida que só provocou um sorriso em Hermione e fez Fleur apertar a sua bochecha. A morena olhou para a francesa, os olhos azuis estavam do jeito que ela se lembrava.

Famintos, viscerais... Animalescos.

Hermione sentia como se estivesse afogando-se nas profundezas dos olhos azuis e se eletrocutando em sua eletricidade, arrepios foram traçados por todo o seu corpo e o seu coração começou mais uma marcha desenfreada e sem rumo. A morena respirou fundo e viu Fleur diminuir o sorriso, agora, a graça brincava no canto dos lábios cheios, as duas trocaram coisas pelos olhares que lançaram uma para outra e Hermione não conseguiu interpretar metade delas.

A advogada sentiu a região das costelas doer e virou-se indignada para Harry, seu melhor amigo tinha uma expressão interessada no rosto, mas os olhos verdes estavam brilhando, excitados. Hermione semicerrou os olhos castanhos para ele e, indignada, perguntou:

– O que levou você a me espancar?

– Sua falta de educação. — Harry retrucou brincalhão e, pelo canto de seus olhos, Hermione pode ver Fleur arquear a sobrancelha direita e Bill sufocar uma risada diante da interação dos dois. — Você ainda não me apresentou Fleur formalmente.

Hermione sufocou, com sucesso, a vontade de matar Harry. Ele era sey melhor amigo, mas esse fato não lhe dava o direito de envergonhá-la na frente de seus... Clientes. A morena colocou o pior de seus sorrisos falsos no rosto e, virando-se para Bill e Fleur, anunciou pomposa:

– Fleur Delacour, este é Harry. Meu colega de escritório e, infelizmente, meu melhor amigo.

– Pare com o drama, Mione. Eu sei que você me ama. — Harry brincou, piscando para a amiga enquanto apertava a mão de Bill e de Fleur. Hermione revirou os olhos e Harry, sempre atento, observou o franzir da testa da francesa, assim como se sentiu abalado pela beleza dela. Hermione estava certa quando a descreveu.

Um silêncio desconfortável estava prestes a se instalar entre os quatro quando Bill, sabiamente, sugeriu:

– Eu sou britânico, adoro cerveja e realmente preciso de uma agora... Mas esse maldito vinho francês que Fleur trouxe é muito bom. E ela trouxe duas garrafas, Hermione... Acho bom ajudá-la ou ela vai acabar bêbada.

– Bill! — Fleur exclamou irritadiça, com as bochechas avermelhando-se de um jeito que destacou ainda mais a intensidade de seus olhos azuis. Harry gargalhou roucamente junto com Bill e Hermione engoliu em seco, a morena podia sentir o calor chegando à região de seu pescoço. A advogada pigarreou e respondeu educada:

– Eu estou acompanhando Harry na cerveja.

– E você sempre disse que não era uma grande apreciadora de cerveja... — Harry comentou tranquilamente, Hermione virou para ele tão rapidamente que escutou suas vértebras, no pescoço, estalarem. A morena olhou desesperada para o amigo, apenas para encontrar a maldade brincalhona nos olhos dele. Harry, insatisfeito, virou-se para Bill e Fleur e sorriu. — Na realidade, eu acho que Mione sempre foi muito refinada para beber cerveja.

Hermione abaixou a cabeça, respirando profundamente enquanto tentava conter o rubor que rapidamente chegaria ao seu rosto e a faria explodir. Harry estava certo, ela não bebia muita cerveja, mas tampouco era refinada para beber somente vinho.

Entretanto, esses pensamentos desapareceram da cabeça da advogada quando seu olfato foi invadido pelo cheiro de lavanda já conhecido. Fleur lhe estendia uma taça parcialmente cheia de vinho. Hermione, sem poder negar diante dos olhares atentos de Bill e Harry, aceitou com um discreto aceno da cabeça. Fleur, imediatamente, sorriu para ela e disse:

– Prove, eu tenho certeza que você vai adorar.

Hermione levou a taça aos lábios e deixou que o líquido rubro e naturalmente gelado tocasse seu paladar. O vinho era suave e existia um quê de sedutor em seu sabor, Hermione fechou os olhos e deixou o gosto da uva, levemente ácido, preencher toda a sua boca. Assim que engoliu e sentiu a sua garganta esquentar, voltou-se para Fleur que a observava com um sorriso satisfeito nos lábios enquanto tomava um gole de sua própria taça.

A advogada desviou os olhos, ofegante. Olhou ao seu redor apenas para constatar que Bill e Harry tinham desaparecido. Hermione respirou fundo, tentando escutar outra coisa que não fossem seus batimentos cardíacos ecoando em seus ouvidos. Em vão, voltou seu olhar para Fleur mais uma vez. Ela sentou-se e olhou para frente, os olhos azuis refletiam as luzes dos lampiões que iluminavam a praça, a francesa tomou mais um gole de sua taça e lambeu os lábios, em seguida, disse irônica:

– É um vinho de Chinon produzido a partir das uvas Cabernet Franc no Vale do Rio Loire... Gosto dele porque me traz algumas lembranças de casa. Bem, nem todas as lembranças, ele é mais suave do que o clima que perpetuava em minha casa.

– Acho que você não quer e nem precisa falar a respeito de sua casa. Vamos nos contentar em apenas apreciar o vinho. — Hermione comentou discretamente, sentando-se ao lado de Fleur e observando as pessoas que passavam por elas. Fleur finalizou sua taça e encheu-a novamente com gestos delicados e elegantes, Hermione continuou a beber da sua. A francesa suspirou e respondeu:

– Obrigada por perceber.

Hermione ergueu a taça no ar em direção a Fleur que, imediatamente, brindou. As duas sorriram uma para a outra e olharam-se por cima de suas taças enquanto bebiam. Conforme o vinho descia através de suas gargantas, os olhos de ambas tornavam-se mais escuros, mais penetrantes. Hermione não desviou o contato visual daquela vez e permaneceu estudando o rosto de Fleur. As sobrancelhas claras, os cílios enormes, o nariz reto...

– Minha intuição nunca falha. Estava mais do que na cara que você não estava aqui para visitar Bill. — A voz feminina dura e sarcástica imediatamente quebrou qualquer coisa que Fleur e Hermione tivesse estabelecido entre si naquele momento. A advogada procurou Fleur com os olhos, a francesa parecia um pouco desnorteada quando olhou para a recém-chegada. Mas assim que os olhos azuis reconheceram a figura ruiva, Fleur colocou-se em pé, a postura tensa e os punhos fechados.

Hermione, por outro lado, ficou em pé de maneira lenta e calculada, a morena respirou fundo e, com a expressão impassível, encarou Gina Weasley que a observava de braços cruzados. A advogada não se abalou e, de forma polida, cumprimentou:

– Boa noite, Gina.

– Você estava nos espionando, não é mesmo? — Gina não se deu ao trabalho de responder ao cumprimento e deixou que o seu gênio falasse, a voz estava estridente, esganiçada, fora do controle. — Eu não esperava que o Bill fosse tão baixo a ponto de trair toda a família.

– Bill não está traindo vocês, gosse ingrat!– Fleur exclamou agressiva, avançando um passo em direção a Gina. A ruiva virou-se para ela e também assumiu uma posição de ataque ao cerrar os punhos, as duas se encararam furiosas e Hermione colocou-se entre elas ao dizer:

– Por favor, não estrague a noite de todas nós, Miss Weasley!

– Ah sim... E você acha que eu vou deixar você e essa francesinha cretina estragarem a vida da minha família?! — Gina contra-atacou, o rosto estava quase da mesma cor dos cabelos ruivos. Algumas pessoas perceberam a confusão e observavam, preocupadas. Hermione empurrou Gina pelos ombros enquanto a ruiva lutava, Fleur acompanhou as duas com um caminhar venenoso e, maldosa, comentou:

– Só porque você não foi capaz de fazer nada, isso não lhe dá o direito de me ofender por finalmente dar algum dinheiro a sua família. Aceite o fato de que eu cumpri o seu papel, Ginevra!

Gina parou de se desvencilhar dos empurrões de Hermione e, agora, olhava chocada para Fleur. A advogada ficou no meio, entre uma Fleur que sorria friamente de forma vitoriosa e uma Gina que parecia quebrada e paralisada. Entretanto, Gina foi tomada por uma fúria animal e avançou contra Fleur. Hermione observou, atônita, a ruiva acertar um tapa no rosto imaculado de Fleur. A francesa estava avançando contra ela quando Bill e Harry finalmente apareceram. Bill puxou Fleur e Harry segurou Gina pela cintura.

Entre os xingamentos e os comentários daqueles que passavam, Bill esbravejou:

– O que está acontecendo aqui?

– Você é um traidor, Bill! — Gina gritou transtornada, lágrimas de fúria manchavam seu rosto avermelhado. Hermione observou Harry tentar falar com ela ao pé do ouvido, sem sucesso. — Eu tenho nojo de você!

– Parece que seu joelho não está tão ruim assim, não é, Gina? — Fleur atacou sem piedade, sorrindo maldosamente. Sua bochecha esquerda estava avermelhada e ela estava descabelada, Hermione não conseguiu imaginar outro adjetivo que não fosse “selvagem” para ela. Bill olhou de uma para a outra sem saber o que fazer.

Hermione finalmente saiu de sua inércia e segurou o pulso fino de Fleur, puxando-a para longe da multidão. A francesa lutou até olhar surpresa para a figura que a arrastava. As duas caminharam para longe dos curiosos, de Gina, de Bill e de Harry.

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– Obrigada! — Hermione agradeceu educadamente o saco de gelo que lhe fora gentilmente cedido por um dos donos das barracas de bebidas que estavam na festa. A advogada não deu tempo para que ele comentasse algo, apenas deu-lhe às costas e voltou a caminhar para onde deixara Fleur.

Fleur estava em uma das ruas sem saída de Ottery St. Catchpole, Hermione encontrar um caixote de madeira e a deixara sentada nele enquanto ia atrás de gelo. Voltou e encontrou-a na mesma posição que antes, sentada ereta sobre o caixote, uma das mãos sobre a bochecha esquerda que fora atingida pelo tapa de Gina e a outra sobre o colo. Hermione caminhou até ela enquanto desenrolava o cachecol do pescoço e embolou o saco de gelo nele, entregando-a para Fleur.

– Coloque sobre a sua bochecha, eu tenho a impressão que já estava começando a inchar... — A advogada tinha o tom de voz preocupado e os olhos ansiosos por alcançar cada pedaço de Fleur e certificar-se de que ela estava bem. A francesa estendeu a mão que repousava sobre o colo e apanhou a bolsa, colocou-a de forma desajeitada sobre a bochecha, resmungando:

Pardonnez-moi... Eu não queria que presenciasse isso.

– Minha carreira de advogada já me fez presenciar brigas piores e até mais agressivas. — Hermione respondeu gentilmente, agachando-se para poder corrigir o posicionamento de gelo, ocupando o local onde a mão de Fleur estava até então. Seus olhos castanhos, exatamente como ímãs, foram atraídos para os olhos cerúleos de Fleur que pareciam frágeis e solitários, perdidos. — Eu só queria ter sido mais intuitiva para prevenir o tapa que você levou. Gina nos pegou desprevenidas.

Conforme falava, um sorriso sincero brotou nos lábios de Fleur até preencher completamente seus lábios e inevitavelmente, provocar dor em sua bochecha. Por instinto, a mão de Fleur foi levada até o local, ficando sobre a mão fria de Hermione. A francesa observou o rubor chegar às bochechas de sua advogada e, a partir daí, não conseguiu tirar mais os olhos dela. Fleur observou cada detalhe em Hermione, incluindo os pequenos pontinhos mais claros que circundavam a íris escura de seus olhos, hipnotizada por eles, a francesa inclinou-se mais em direção a Hermione, querendo enxergá-la melhor, querendo-a por completo. O cheiro amadeirado preencheu seus sentidos e ela fechou os olhos, o calor do ar respirado por Hermione tocou seus lábios e ela os mordeu, voraz.

Uma vontade e um desejo inumanos envolveram Fleur. Estava embriagada em sensações que jamais tivera enquanto vivera como esposa de Bill. Tudo era novo e convidativo para ela, tudo a fazia se aproximar mais e mais de Hermione Granger... A advogada, por outro lado, tentava lutar contra a sua vontade, mas também se aproximava e seu corpo também ansiava. A ética da relação advogado-cliente não fazia muito sentido para Hermione no momento, assim como o fato de Fleur ainda ser casada.

Algo as impulsionava em direção a outra. Algo que não era passível de controle. Era irracional, justamente o que Hermione abominava e o que Fleur adorava...

– Fico preocupado com você, mas vejo que Hermione está cuidando muito bem da sua ahm... Bochecha. — A voz risonha de Bill Weasley assustou as duas. Hermione colocou-se em pé rapidamente, o saco de gelo caiu aos seus pés e Fleur olhou repreensiva para ele que apenas continuou a sorrir e deu de ombros. Apenas a francesa percebeu a sombra triste que passava pelos brilhantes olhos castanhos de seu marido, Cedric, ao seu lado, ria contido. Hermione entregou o gelo a Fleur e, desconcertada, perguntou:

– Harry não está com você?

– Acho que ele está tentando recuperar, seja lá o que ele tinha com Gina. — Bill respondeu com pesar, ele caminhou até Fleur e, como um perfeito cavalheiro, estendeu a mão a ela e a ajudou a se levantar do caixote. Hermione olhou de lado para os dois e, ainda vermelha, anunciou:

– Bem, eu acho que ele realmente precisa de mim agora... De qualquer forma, você está em boas mãos, espero que o inchaço cesse, Fleur.

Fleur sorriu de lado para Hermione, sendo invadida por uma timidez que despencou o vermelhidão na bochecha alva que ainda podia ser vista. Bill e Cedric trocaram um olhar compreensivo e sorriram um para o outro, Hermione acenou para ele e voltou para festa.

Bill apanhou a garrafa de vinho ainda intacta e perguntou:

– Onde você colocou as taças, Fleur?

– Eu não preciso delas agora. — Fleur murmurou entre dentes, apanhando a garrafa e a abrindo antes de tomar um gole direto do gargalo. Cedric arregalou os olhos e Bill apenas sorriu, apanhou o cachecol de Hermione, abraçou a mulher pelos ombros e, com o tom de voz brincalhão, sibilou:

C’est la vie, chérie.

Fleur não o respondeu, estapeou o braço dele que repousava em seu ombro e voltou para a festa a passos largos e agressivos, Bill e Cedric correram para acompanharem e ao alcançarem-na, apenas notaram que um terço da garrafa de vinho já fora consumido.

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Notas finais
Eu tinha que dar um pouquinho de fofura para vocês, certo? Hahahaha O que acharam do capítulo? Eu, particularmente, estou apaixonada pelo Harry e pelo Bill que eu estou "criando" nessa fanfic... Os dois são muito fofos, certo? E foi somente eu que achei a Fleur estupidamente sexy ao oferecer o vinho e falar sobre ele para a Hermione? Hahahahaha Deixem-me saber o que vocês acham sobre a fanfic! Comentem, recomendem se acharem necessário e façam propaganda... Quanto mais, melhor! :D Vejo vocês na próxima, beijos, FerRedfield