La Mer Et L'Enfant

1 Completamente Feliz. Ou não.


Notas iniciais
Aí está, né? Estou tentando. Minha primeira fic CarlEsme.

Depois de quase quatro anos complicados a sensação de paz que reinava em nossa casa era deliciosa. Claro que havia as exceções como quando Emmett importunava alguém, ou quando Alice ajudava alguém – que não fosse Edward claro – enquanto jogavam xadrez. Jacob estava sempre por ali e sempre que chegava eu lhe preparava algo para comer. Renesmee estava ainda mais linda e muito, muito feliz. Na verdade, todos nós estávamos. Charlie vinha uma vez ou outra nos ver quando Bella demorava a levar Nessie para vê-lo. Um dia, assim que chegou da casa do avô paterno, minha pequena disse:

–Vovó, eu queria ir caçar com a senhora.

Eu abri um sorriso terno e falei:

–Vamos apenas esperar o vovô chegar e iremos todos. Estamos precisando.

Ela sorriu e deitou em meu colo. Nessie tinha um apego muito grande por mim, talvez porque desde muito pequenina tenha se acostumado a sempre dormir nos meus braços, e ser acordada pelos carinhos do avô loiro babão que era Carlisle. Ou apenas porque, desde sempre, eu a protegi de tudo. Vi Edward revirar os olhos e eu sorri para ele que se sentou ao meu lado. De todos os filhos eu tinha a sensação de que era o mais apegado a mim, mas tinha uma dúvida cruel se Alice não vencia.

–Não. Sou eu. – Ele disse sorrindo baixinho para que só nós dois escutássemos. – A senhora sabe.

–Eu sei querido. Afinal são muitos anos. – Falei tocando seu rosto.

–São mãe, e muitos virão ainda, se prepare.

Eu sorri mais ainda. Antes que eu pudesse responde-lo ouvimos o barulho de pneus chegando em casa e o ronco do motor da Mercedes de Carlisle cessar.

–Mal posso curtir minha mãe que ele já chega. – Edward brincou.

Nessie colocou a mão em meu rosto para perguntar: “O vovô chegou?”.

Assenti para ela que já se levantou e foi para a porta correndo abraçar o avô como fazia todos os dias. Depois de alguns minutos com Nessie ele veio até mim e beijou suavemente. Abracei-o e falei:

–Nessie quer ir caçar comigo, mas acho que todos deveríamos ir sabe.

Ele sorriu e brincou:

–Vamos todos então. Estou precisando de um urso bem grande.

–Opa! Alguém disse urso? – Emmett disse já se pondo de pé. – Duvido que você consiga pegar um urso Jake.

Jacob revirou os olhos e falou:

–Eu duvido que VOCÊ consiga.

E sim, essa discussão durou até que Emmett, Carlisle e Jacob foram para outro rumo. Bella e Edward se afastaram um pouco junto com Rose, Alice e Jasper enquanto eu e Nessie ficamos ali. Ela caçou primeiro, assim que vi que já tinha sua presa sobre controle eu fui atrás da minha e, quando atacamos o mesmo cervo ela sorriu.

–Acho que estou satisfeita. – Falou passando a mão na barriga.

Sorri e quando dei um passo para perto dela ouvi passos rápidos. Não reconheci. Antes que eu pudesse chegar perto de Nessie vi o rosto que menos esperava ver no mundo.

–Ainda mais linda que antes. – Ele disse.

Eu não sabia o que falar, o que fazer. Minha cabeça não funcionava direito e eu me senti tonta.

–Ah, minha doce Esme. Como sonhei em te achar novamente. Poder te tocar. – Falou se aproximando de mim.

–Não encosta em mim. – Falei dando um passo para trás. Vi Nessie andando lenta e cautelosamente para pedir ajuda e eu decidi que precisava distrair aquele vampiro.

–Não tem medo de mim, tem? – Ele perguntou irônico.

Ergui o rosto e respondi quase com um rosnado:

–Não Charles. Lamento te informar, mas não tenho.

Ele me abriu um sorriso e falou:

–Imagino que se eu pegar essa garotinha que está tentando fugir de mim você também não ficará com medo, não é? Ou você ainda tem aquele enorme coração?

Meus olhos se arregalaram e ele foi correndo em direção a Nessie. Corri mais rápido e senti os dentes dele em mim, exatamente no antebraço. Fechei os olhos enquanto Nessie gritava. Caí de joelhos no chão sentindo uma dor terrível. Jasper havia dito que aquilo apenas pinicava, então por que doía tanto?

–Espera Jasper. – Ouvi Edward dizer.

Eu devo ter perdido alguma coisa, quando eles chegaram?

–Vovó? – Ouvia Nessie me chamar, mas parecia tão distante.

–Edward? O que houve? Quem é... – Ouvi Carlisle logo ele se calou. Provavelmente havia me visto naquele estado que eu mesma gostaria de saber qual era. – Esme...

Me debati sentindo aquela dor tremenda.

–Mate-o Edward. – Alice disse quase em um desespero. – AGORA.

Dali para frente eu não escutei mais nada. A única coisa que conseguia sentir era aquela dor terrível...

–Esme, meu bem. Consegue me ouvir? – Era Carlisle... Mas ele parecia distante.

–Sim... – Sussurrei e senti uma baita dor no corpo quando inspirei pesado. Fazia quase um século que eu não sentia dores no corpo.

–Pode olhar para mim? – Ele pediu cauteloso.

–Uhum. – Falei enquanto abria os olhos.

Me assustei quando não o encontrei ao meu lado e sim do outro lado do quarto. Edward estava ao seu lado, com a mão em seu ombro como uma forma conforto e proteção.

–O que... – Comecei, mas senti uma leve dor de cabeça. – Aconteceu?

Carlisle prendia a respiração? É isso mesmo?

–Esme... – Ele disse – Vá até o espelho e se olhe.

Totalmente confusa me levantei e caminhei até meu closet, me deparando com um enorme espelho. Assim que me olhei notei que meus olhos estavam verdes novamente. Levei a mão até o peito com o susto e quase desmaiei quando senti algo pulando dentro de mim. O que é isso? Um, um coração?

–Mãe? Vem! Te explicarei tudo. – Edward disse segurando minha mão.

Segurei-a e ele estava extremamente gelado. Assim que nos sentamos na cama e ele disse:

–Antes quero que se acalme. Por favor.

Fechei os olhos e me acalmei.

–Isso. Se lembra de quem viu na floresta? – Perguntou tomando muito cuidado com as palavras. Assenti. – Então, graças aquela mordida a senhora voltou a ser humana.

Olhei para ele totalmente em choque. Como assim? Humana? Frágil? Oi? O que eu perdi mesmo? Como isso aconteceu?

–Calma mãe. Uma pergunta de cada vez. – Ele pediu. – Parece que seu ex-marido tinha um dom. Sua, hm... Transformação durou dois dias e pelo que li na mente dele a senhora só poderá ser transformada daqui um mês, no mínimo. Estamos procurando mais sobre isso. Mas eu irei transformá-la assim que possível.

Aquilo só podia ser piada. Humana! Novamente humana. Mas espera!

–Por que não ele? – Falei olhando para Carlisle que parecia se segurar na parede.

–Seu sangue mãe. Ele descontrola meu pai assim como o de Bella me descontrolava. E pelo jeito no caso dele é bem pior que o meu.

Olhei para Carlisle e falei:

–Você sabe que não vai me machucar Carl. Pare de bobeira, por favor.

Ele fechou os olhos e inspirou. O corpo totalmente tenso.

–Esme, eu não posso. – Disse quase inaudível para mim.

Me levantei e fui até ele o abraçando apertado.

–Pode sim, meu bem. Você sabe que pode.

Houve uma certa relutância da parte dele, mas logo seus braços me envolveram e ouvi Edward saindo. Naquele dia eu fiquei na cama descansando. Carl foi para o hospital depois de eu insistir muito que já estava bem e que se passasse mal Edward lhe ligaria. Nessie ficou deitada comigo me fazendo carinho e depois Alice chegou com comida para nós duas. Quando ela passou por mim comentou:

–Nossa. Seu cheiro é realmente gostoso.

Fiquei totalmente sem graça.

–Coma. Tudinho senhorita.

Nem notei o que era, mas mandei tudo para dentro junto com Nessie e depois acabamos dormindo. Sonhei e essa sensação foi maravilhosa. Eu sentia muita falta daquilo.

–Mas eu posso fazer isso. – Falei para Carlisle, duas semanas depois do acontecido, assim que ele disse que nós não iríamos mais viajar para o Alasca. – Só preciso me agasalhar melhor.

Ele balançou a cabeça negativamente e respondeu me aninhando mais perto dele. Ele já tinha conseguido controlar todo aquele desejo pelo meu sangue, mas ainda pedia para Edward observar seus pensamentos de vez em quando e que Alice checasse o futuro de nós dois algumas vezes por dia.

–Não meu bem. Não vou arriscar. Se você pegar uma gripe ou algo pior por lá... – Ele disse tentando se explicar – Nós não sabemos como funciona o seu corpo agora meu bem. Entenda. Eu queria muito ir com você, mas não posso me arriscar assim.

Suspirei pesado totalmente decepcionada. Tinha duas semanas que estava sendo tradada como um bebezinho, coisa que eu não era de jeito nenhum. Aliás eu estava louca para fazer algo bem adulto, mas Carl não queria arriscar. Carl sempre muito protetor.

–Es, não faz esse bico. – Ele disse baixo.

–Mas eu queria passear com você, Carl. Estou há uma semana presa aqui como se fosse uma criancinha. – Reclamei.

Ele soltou uma risadinha e disse:

–Tá, vou te levar para jantar então. Hoje.

Sentei na cama toda feliz. Ele sorriu mais ao ver minha cara toda abobalhada.

–Ai Carl.. – Falei abraçando-o.

–Cuidado. – Falei para as crianças que decidiram aproveitar que eu e Carl íamos jantar fora para caçar nas montanhas. Nessie ia ficar na reserva com Charlie, Jacob e todos os outros Quileuts.

Alice revirou os olhos e beijou minha testa. Depois Edward fez o mesmo e todos se foram.

–Ok senhora Cullen, vamos? – Carlisle disse me puxando para a porta.

Sorrimos e fomos para Forks que tinha um bom restaurante. Carl não quis me levar para Seattle porque dizia ser perigoso demais, mesmo ele podendo me proteger.

–Sr. E Sra. Cullen! Sejam bem-vindos! – Um dos recepcionistas disse com um sorriso no rosto.

Carl sorriu, sendo sempre cortês e disse:

–Muito obrigado.

Fomos direcionados a nossa mesa, depois recebendo champanhe por cortesia da casa. Assim que nós fizemos nosso pedido ele segurou minha mão e falou:

–Parece que estamos em 1911 novamente. Esses seus olhos verdes me enfeitiçando novamente.

Sorri e entrelacei nossos dedos. Ele sempre era romântico assim mesmo, até estarmos na cama, claro.

–É mesmo? – Perguntei me fingindo de inocente.

–É... A Esme. Desde aquele dia eu já te amava.

E assim foi nossa noite. Cheia de juras de amor. Quando chegamos em casa notamos que os garotos ainda não tinham chegado. Carlisle me carregou até nosso quarto e ficamos deitados no carpete vendo as estrelas através do pequeno telhado de vidro que havia em nosso quarto. Coloquei uma música bem suave e em um momento fiz o que queria a duas semanas, o beijei. Ele estava me evitando com muito medo de me machucar.

–Es... – Ele disse tentando se afastar de mim.

–Não... Não fala nada. Por favor. – Falei entre beijos.

E pode parecer incrível, mas ele se rendeu a mim naquele momento. Sentei na barriga dele pondo uma perna de cada lado dele e logo já estávamos sem roupa alguma. Ele me apertava com uma força incrível, se misturava muito com o meu prazer. Nós ficamos nos amassando ali daquela forma por muito tempo até que ele não aguentou mais e eu me vi sendo invadida de uma maneira que nunca havia experimentado antes. Eu não conseguiria descrever nunca tudo o que senti.

–Isso... – Ele começou assim que terminamos e eu o calei com o beijo.

–Foi a melhor sensação da minha vida, meu amor. – Falei olhando nos olhos dele.

Ele me puxou para cima dele e fiquei ali até cair no sono.

Passarinhos cantando. Ventos sobre as folhas. Água. Eram esses barulhos que eu ouvia ao fundo e gostava demais, mas a intensidade do barulho não era tanta como quando eu era uma vampira. Abri os olhos lentamente e ouvi Carlisle falando:

–Calma Esme. Devagar.

Olhei para ele que estava ao meu lado com um olhar de culpado que cortou meu coração.

–O que houve? – Perguntei roucamente.

Ele passou a mão pelo meu corpo, olhando com um olhar doloroso. Abaixei a cabeça e olhei para o motivo de toda a culpa que ele sentia. Eu tinha manchas arroxeadas por todo o corpo e se ele não tivesse me mostrado eu não teria visto.

–Eu não deveria ter me rendido aos meus... – Falou, mas o interrompi:

–Sabe, eu nunca me senti tão bem como estou me sentindo nessas ultimas doze horas. Por favor, Carl, não estraga isso.

–Es, você não entende que

–Eu entendo exatamente o que estou sentindo Carl. – Falei ficando um pouco brava. – Essa foi a melhor noite da minha vida. Não consegue enxergar isso? Não vê como isso era certo? Não consegue pensar um pouco no que eu quero?

Ele me olhou intrigado, extremamente chateado.

–Eu nunca deixei de pensar no que você gostaria de ter, Esme. – Falou me olhando triste.

–Será Carl? Por que me trata como um bebê então? – Explodi. – Chega disso. Chega. Eu achei que você estava feliz, achei que seu amor seria capaz de superar essa barreira que existe entre nós agora, mas não é. Não é.

Me levantei e fui para o banheiro. Lágrimas já escorriam por meu rosto. Era tão difícil assim para ele entender que eu estava feliz, totalmente feliz e plena?

Notas finais
Ahaaaah. E aí? Mereço comentários? Sim, sim sim? Um beijo.