La Jaconde
6 6 - Doce morte.
Notas iniciais
~espero que não esteja tão ruim quanto penso que está.
O assustador homem a aguardou pacientemente próximo ao lago que fora cenário de terríveis episódios para a jovem e atraente donzela, aquela que este já sabia muito bem, não era mais humana.
Como ele esperava, ela aparecera por entre as árvores, trajando um vestido de tecido leve na cor rubra, na mesma cor de seus olhos profundos, que obviamente já não eram mais os mesmos. Ela tinha um sorriso em face, um sorriso sádico, enquanto dirigia-se ao homem cuja face se escondia por entre os tecidos negros que este sempre trajava.
–Esteve me aguardando? – Uma pergunta óbvia, para quem perfeitamente entendia o que se passava. – Ou apenas aguardando pelo destino que lhe aguarda?
O homem riu, deixando escapar aquele som horrendo por sua garganta, mesmo que mantivesse seu rosto baixo, o som era claro, arrepiante, aquela risada típica de um demônio.
–É realmente lastimável deparar-se com mudanças tão radicais e terríveis em uma jovem de sua idade, sua inocência se foi tão abruptamente.
De fato, a personalidade da jovem não era a mesma, e nunca mais iria ser, a jovem apaixonara-se por seus erros e pecados, tornara-se uma entidade maligna por conta própria, tomara uma terrível personalidade sobre si, por simplesmente ser tarde demais quando tentou evitar adquiri-la.
A palavra inocência despertara nesta entidade certa fúria, porém esta não a demonstrou. Suas atitudes seguintes foram deixar a vestimenta que lhe cobria o corpo deslizar por sua pele alva, enquanto fitava de modo provocante, o homem que se encontrava a alguns metros de distância. A jovem estava nua, seu corpo encantador e suculento deixaria qualquer homem á sua mercê, quando esta desejasse.
–Inocência? Desconheço por completo o significado desta palavra, senhor. – Dizia ao aproximar-se do homem, que mantinha-se calado, por baixo dos panos negros, não havia nenhuma expressão. – Desconheço a certo tempo.
O homem segurava algo por entre suas longas vestimentas, segurava firmemente junto a si, enquanto levantava seu rosto para fitar a garota nos olhos, fazendo com que esta o fitasse também, a primeira do vilarejo que vira a face daquele misterioso homem.
Uma face rasgada por duas enormes cicatrizes, tendo olhos verdes como esmeraldas e um sorriso amedrontador, que possuía presas mais afiadas que o normal. Mesmo assim, aquela entidade não se afastara, apenas aproximava-se mais e mais, mantendo o corpo junto ao do homem, a fim de provocá-lo ainda mais.
Porém, repentinamente... Dor. Ela não esperava por aquilo, nem ao menos imaginava em seus mais loucos delírios, o fato era que, havia esquecido-se deste sentimento, esquecido que humanos o sentem, mesmo não sendo mais o exato tipo de humano.
O homem até então “sem face” havia lhe apunhalado em seu abdômen nu, virando a lâmina dentro deste com certa força, a dor era aguda demais para que a jovem continuasse em pé, sendo assim, esta ajoelhava-se diante ao que a atacara.
–Deve se recordar de que, todo e qualquer demônio que interferir na vida humana de modo tão bruto deve ser exterminado. – O homem abaixava-se juntamente á garota que tinha o sangue escorrendo do ferimento – Talvez eu deva ter aguardado demasiadamente.
Um breve erro, a ira da entidade fora desperta e estava novamente sedenta, o homem agora tinha as mãos da garota o segurando firmemente pela garganta, onde apertava com firmeza, ainda assim, este não apresentava sinais de dor ou agonia.
Ainda tinha o punhal em mãos, usava-o para perfurar o peitoral daquela bela jovem, num golpe certeiro diretamente em seu coração, o que a fazia soltá-lo de imediato, ao que caia sobre a grama úmida pelo orvalho, e agora, pelo sangue que lhe escorria.
–O eterno trabalho de um anjo, o eterno dever daquele responsável pela proteção dos humanos é fazer com que seres como você sempre voltem ao lugar onde devem ficar, retorne ao seu submundo, tenha esperança de que aquele que lhes governa tenha piedade de sua alma. Agora prove pela última vez, sua doce morte.
Ela estava morta, a entidade estava morta.
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