La Extranjera
5 Talvez Aboboras Sejam Legais
Notas iniciais
Depois de assistir a menina a minha frete ter um crise de risos direcionei meu olhar para a janela enquanto o professor que se apresentou para mim como Luiz,continuava a aula.
Pude ver pela janela as arvores dançando em sincronia com o vento,chovia lá fora,eu gosto muito de chuva, ao contrario de Lúcia que sempre disse que a chuva é triste, acho que é uma desculpa pra não querer molhar seus cabelos.
–Cristina sai da chuva sua loca! você vai ficar doente! -Lúcia dizia enquanto eu dançava sobre as poças.
–Loca é você! -Gritava,em resposta Lúcia me assistia de baixo do guada-chuva sorrindo com minha felicidade sob a chuva.
Eu lembro que nesse dia eu fiquei com uma febre de uns 41°,mas com certeza valeu a pena.
Provavelmente agora em Andaluzia deve estar fazendo um calor recordista,sempre íamos a praia la carolina em agosto,e eu sempre ficava pior que um camarão, mi madre quando via meu estado sempre brincava que iria me colocar na panela e me servi com gazpacho..
Ri sozinha das minhas lembranças percebendo que o professor estava passando um texto enorme na lousa,é melhor eu copiar..mas antes que eu pudesse pegar meu caderno uma bolinha de papel atingiu meu ombro.
Procurei o idiota com os olhos.
Vi um sorriso debochado direcionado para mim ,lucas,ele tinha saído do fundão e agora estava na fileira ao meu lado. ÓTIMO!
ele estava sem a touca hoje, exibindo seus cabelos brilhantes cor de abobora velha.
–Oque você quer? — resmunguei em um tom que só ele escutasse. ele me entregou um papel dobrado mas antes vi seus lábios rosados sibilarem um ''você'' em resposta, quase inaudível.
Virei para frente para ler o que estava escrito no papel,isso foi muito difícil porque ele tem uma letra desgraçada.
–Queria te levar a um lugar depois da aula,posso?- consegui decifrar a letra do babaca.
Olhei para ele com minha melhor cara de assassina, ele sorria para mim com um sorriso cafajeste que revelavam suas covinhas, fiquei com vontade de morde-las..
Comecei a escrever minha resposta na pequena folha de caderno.
–Porque eu sairia com um psicopata? -perguntei dando o meu melhor sorriso fingido ao entregar o papel. não demorou muito para a resposta chegar.
–Porque eu sou lindo..?- dessa vez sua letra estava um pouquinho melhor,só um pouquinho.
–Não- respondi simplesmente, mas na hora em que fui entregar o papel para o ruivo ,o professor chamou nossa atenção
–Posso saber porque da troca de bilhetinhos?- ele perguntou maliciosamente chamando a atenção da sala para a nossa direção, lucas começou a ficar da cor do seu cabelo, então decidi me manifestar.
–Porque ele quer tirar minha roupa em uma noite caliente ao luar — fingi ler o papel com um tom inocente, a sala explodiu em gargalhadas e assobios enquanto lucas tentava esconder o rosto vermelho entre os cadernos.
O professor se surpreendeu momentaneamente com a minha resposta,mas depois começou a mexer em sua bolça e se aproximou de lucas colocando um preservativo em sua mesa. o que fez a sala rir mas ainda quando lucas o colocou no bolço e piscou para mim.
idiota..
–Ok,ok, vocês combinam isso depois. Agora voltamos a aula seus pervertidos! — o professor disse tentando retomar o controle dos alunos que ainda riam.
–Quando vai ser a noite caliente? -Rafaela perguntou se virando para mim com cara de malicia.
–Ainda não sei,tenho que verificar minha agenda -disse começando a copiar o texto enquanto a menina ria.
–você conseguiu deixar ele com vergonha, e olha que é o lucas -ela comentou olhando para o ruivo.
–Porque? ele nunca fica da cor do cabelo..? -perguntei me concentrando no caderno
–Não, nunca vi ele sentir vergonha, pra falar a verdade,ele que deixa as pessoas com vergonha- ela disse pegando o caderno da mesa e colocando no colo para que pudéssemos conversar e escrever. -parece que ele encontrou uma concorrente a altura — disse levantando uma das sobrancelhas.
–Talvez...- disse percebendo que tinha errado uma frase inteira do texto -ah..você tem corretivo?- perguntei encarando a cagada que eu tinha feito no caderno
–Tenho s...-o professor a interrompeu
–Gente,pra próxima aula eu quero que vocês façam uma pesquisa com seus avos ou conhecidos mas velhos sobre gravidez na adolescência e uma conclusão com suas opiniões sobre o assunto. e só, valendo ponto na media, não se esqueçam -ele anunciou se sentando na sua mesa para fazer alguma coisa de professor.
–Seus avos moram aqui? -a loira a minha frente perguntou me estregando o corretivo
–Não,eles moram na Espanha.-respondi simplesmente e ela fez uma cara meio triste.
As aulas ate o intervalo foram levadas por apresentações de professores para mim,Rafaela perguntando a tradução de algumas palavras para o espanhol e o ruivo me encarando ''discretamente''.
Eu pulei da cadeira quando o sinal que anunciava o intervalo tocou, me dirigindo até a porta onde Lúcia estava conversando com o Gustavo que sorria como um idiota.
–Vamos? -perguntei quando alcancei os dois
–Sim..ah..cris,eu e o gus vamos ir em um lanchonete depois da aula.. se você quiser vir..-ela perguntou piscando um olho pra mim, oque isso significava? ela na verdade queria disser: '' cris, eu e o gus vamos nos pegar por ai,então se você quiser ficar de vela...''
–Não valeu, vou comprar umas tintas pra pintar o meu quarto -disse piscando um olho de volta.
–Então ta — ela sorriu animada, enquanto nos dirigíamos para o refeitório.
PERAI! ela chamou ele de gus?! que intimidade...
Enquanto a Lúcia e Gustavo iam procurar uma mesa,fui para a fila da cantina ver oque tinha pra comer,quando alguém esbarrou em mim violentamente. me virei pensando de quem eu iria chutar a bunda. era uma menina da minha altura com cabelos castanhos que iam ate a cintura e olhos da mesma cor.
– Ah..desculpa,foi sem querer..oi, meu nome é Giovana, você é a novata,não é? somos da mesma sala -ela disse tudo isso de uma fez só, parecia que a garota tinha tomado alguma especie de energético ou sei lá..dei um passo para trás..talvez fosse contagioso.
–Tudo bem,eu sou a cristina..-disse devagar, talvez assim ela se acalmasse também.
–Ok,tenho que ir cristina, depois a gente se fala, e desculpa ai..-ela disse já saindo correndo novamente. essa dai não tem jeito...
Quando chegou minha vez de pegar a comida,vi que era mingau..eu não sou muito fã de mingau,ainda mais esse que estava com uma cara de AIDS,mas vou levar pra Lúcia. afinal eu sou uma irmã MUITO legal.me sentei na mesa em que estavam,dando uma ultima olhada no mingau.
–Olha lu, trouxe para você -dei um sorriso inocente lhe empurrando o mingau para ela.
–Ah..eu deveria agradecer? -ela perguntou olhando feio para o prato.
–Claro -disse esticando meus braços sobre a mesa e deitando minha cabeça -eu to com fome! -resmunguei
–Se você quiser, eu posso comprar alguma coisa para você comer.. -uma voz falou chamando minha atenção,era o lucas,de novo,eu nem tinha percebido que ele estava lá.
–Você me persegue,não é?-perguntei com cara de sono
–É, claro. mas você quer ou não? -retrucou
–Tá,pode ser.. mas,eu queria mesmo as porras que a mamãe faz,sabe lu? -perguntei levantando a cabeça
–AS OQUE?! -os meninos disseram em coro, um pouco assustados.
–Calma! Não é o que vocês estão pensando. Porras são os churros recheados de creme de leite, encobertos ou não de chocolates. São comuns nos lanches e acompanhados de chocolate quente. -Lúcia explicou os acalmando, eles apenas riram e lucas foi compra alguma coisa. logo ele voltou com alguma coisa em uma das mãos e uma coca-cola em outra.
–Oque é isso? -perguntei apontando para sua mão
–É pão de queijo,já comeu? -ele perguntou se sentando e eu fiz que não com a cabeça -então você tem que experimentar -disse dividindo o pão ao meio e me entregando um pedaço,peguei dando uma pequena mordida e caramba o negocio é bom! dei uma mordida maior fazendo sinal de positivo com a outra mão para lucas que apenas sorriu de canto.
Depois de comer minha parte do pão e tomar quase toda a coca,chamei Lúcia para ir no banheiro comigo e em alguns minutos o sinal tocou anunciando que teríamos que voltar as salas. subimos as escadas todos juntos e quando Lúcia e eu fomos nos separar ela bagunçou meus cabelos curtos e entrou na sala rindo. perra...
O resto das aulas foram normais, com lucas me olhando,conversas animadas com a Rafaela,pessoas vindo falar comigo e professores me fazendo perguntas desnecessárias como '' você veio da Espanha mesmo?'' ''já fez amigos?'' ''porque veio?'' ''oque sabe sobre o brasil?'' e entre outras mais inúteis.
Quando o sinal tocou sai correndo da escola sozinha,já que Lúcia estava ''ocupada'', só parando no portão para olhar em volta, sai vagando pela calçada pela procura de algum lugar que vendesse tinta quando alguém segurou meu braço,era o menino que perguntou onde estava minhas castanholas...babaca
Ele era muito mais alto que eu,tinha os cabelos tão negros quantos os meus e olhos castanhos intimidadores. ele se aproximou do meu ouvido
–Oque faz aqui pequena? não deveria sair sozinha por ai..-ele disse com um sorriso estranho ainda segurando meu braço com uma certa força.
–Nada que te interesse. agora solta meu braço! você ta me machucando! -disse um pouco alto e puxando meu braço,ele não soltou, pior, ele me empurrou para a parede comprimindo meu corpo contra o seu.
–Eu só queria um beijo,lindinha. -ele parecia fora de si, colocou uma mecha de meu cabelo para trás da minha orelha -ou você prefere beijar o lucas..? -perguntou aproximando seu rosto do meu. apenas fechei os olhos com força..
–SOLTA ELA! — alguém gritou empurrando o garoto que estava em cima de mim até alguns segundos
é o ruivo, sempre ele...
–Ou oque?! — o garoto perguntou indo para cima de lucas.
–Você não vai gostar... -ele disse com um olhar macabro, até eu fiquei com medo dele -sai daqui Vinícius..você não precisa se meter em mais confusão. -ele disse e o tal do Vinícius incrivelmente o obedeceu parecendo voltar a realidade.
–D-descul..-ele parou no meio da frase fechando os olhos e saindo correndo.
–Você ta bem? -lucas perguntou segurando meus pulsos e me examinando,ele parecia realmente preocupado.
–Sim, eu sei me virar sozinha,tá? -disse soltando meus punhos de suas mãos,eu estou cansada de tudo isso.
–Claro,sabe se virar perfeitamente! -ele debochou em tom de ironia.
–Sei sim! e porque você insiste em cuidar de mim?! -resmunguei olhando para aqueles olhos verdes.
–Não é obvio..? -ele perguntou olhando nos meus e desviando o olhar.
–Não,porque?! -disse ríspida
–Porque...
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