La Doña del Rio
8 Capítulo 8
Paulina é sua companheira constante.
Ela pulou em seu barco em um dia qualquer, em uma cidade qualquer (uma dessas cidades em que Bárbara não conhece ninguém), pedindo proteção. Havia três homens mal encarados a perseguindo por algo ela havia roubado deles. Bárbara os mandou embora com sua pistola e sua voz de Dona Bárbara, a cacica da Araúca e levou Paulina até em casa.
Paulina era impossível e flertou com ela durante todo o caminho. E porque ela já estava meio alterada (aquele havia sido um mau dia, um dia em que ela lembrara demais de Marisela e Santos e Eustáquia e tudo o mais), Bárbara se pegou curiosa por aquela atrevida.
Havia sido diferente de tudo o que Bárbara havia feito em sua vida e ela pegou se perguntando por que nunca tentara antes.
Na manhã seguinte, Bárbara acordou e percebeu que a mulher que havia passado a noite com ela não passava de uma menina. Quando Paulina acordou, Bárbara pediu desculpas. Ela riu, de uma maneira que a faz parecer mais velha do que realmente é, garantindo que não era nada; ela estava naquela vida há muito tempo. O coração de Bárbara apertou, porque Paulina era apenas uma menina, mais nova que sua filha, e já conhecia aquele mundo de homens que usam as meninas bonitas para seu prazer, sem se importar com a infância perdida, com os sonhos que jamais se tornarão realidade.
Ela olhou ao redor da casa de Paulina, um único cômodo com um teto de palha, uma cama fina, bijuterias em uma prateleira e algumas bonecas pelo chão. Paulina perguntou se ela havia gostado de seu palácio. Bárbara riu, mas poderia ter chorado com a mesma facilidade.
Ela se preparou para partir e Paulina pediu para ir com ela.
E, talvez porque Paulina era uma menina que a lembrava de si mesma, ou talvez porque muitas pessoas já haviam pedido para Bárbara ficar, mas nunca até então alguém havia pedido para ir com ela, ou talvez porque Paulina tinha grandes olhos castanhos muito bonitos; Bárbara disse que sim.
E agora elas viajam juntas pelo rio.
Paulina quebrou seu silêncio e sua solidão, trazendo risadas e dores de cabeça. Paulina gosta de dançar com ela ao redor do barco; gosta de nadar no rio e a acompanha mesmo quando é à noite e ela tem medo das águas escuras, se Bárbara estiver com ela. Paulina confia em Bárbara de uma maneira que nunca haviam feito; cegamente, como uma criança. Ela brinca com os índios da missão e são nesses momentos em que ela parece mais uma criança. Ela é respondona e insolente e flerta com os rapazes como adolescente (as vezes, Bárbara tem que tirá-los de cima dela como uma mãe raivosa). Mas ela tem olhos velhos e uma compreensão do mundo de uma mulher adulta, que não combinam nada com sua risada de menina.
A noite que elas passaram juntas nunca se repetiu. Algumas noites Paulina entra em sua cama no meio da noite, as vezes com segundas intensões, mas Bárbara a abraça como Eustáquia teria feito. As duas passaram tempo demais na solidão e às vezes é bom ter companhia.
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