Pedro Cantú a ensinou a dançar. Ele a rodopia e, com suas mãos, mostra como seu quadril tem que se mover, ele conta piadas e a faz rir e a embriaga com sua juventude, com sua vida.

Pedro é jovem. Santos era mais novo que ela, mas não tanto. Pedro ainda é um rapaz, na casa dos vinte, cheio de fogo e sede pela vida. Ele se interessou por ela no momento em que ela apareceu na cidade, procurando algo para beber enquanto a mercadoria era descarregada, flertando com Bárbara sem um pingo de vergonha.

Ela ainda não entende o que um menino como ele pode querer com uma mulher como ela. Experiência, Bárbara imagina.

Ela sabe que ele tem outras, que ele não espera por ela como um cãozinho abandonado, afinal suas visitas não são tão frequentes, mas Bárbara não se importa. Ela não tem ciúmes de Pedro, porque ela não está apaixonada por ele.

Pedro é divertido e galanteador e a faz rir. Ele a ensinou a dançar e ela tem carinho por ele. Mas apenas isso.

E tem essa garota de quem Pedro gosta, Valentina. Eles eram namorados, quando os dois ainda eram muito jovens, mas agora Valentina gosta de um Sebastião e quer deixar Pedro no passado. Ele ainda sofre por ela.

Mas quando Bárbara chega, Pedro dá toda a sua atenção a ela. A puxa para uma dança onde seus corpos estão sempre colados demais, quase sem lhe deixar espaço para respirar. Ele a beija com a ferocidade de um rapaz e os dois vão para o barco de Bárbara para passarem a noite.

Pedro é feroz e fogoso e, surpreendentemente, tem sempre um troque novo para mostrar a Bárbara. Ela também sempre traz algo novo para ele.
Nos dias que Bárbara passa na cidade de Pedro, eles não saem juntos, não fazem qualquer tipo de coisa piegas de namoradinhos. Eles bebem, eles dançam e eles transam. E, às vezes, quando estão bebendo ou quando estão na cama, satisfeitos, eles conversam.

Mas nunca quando estão dançando.

Quando Bárbara vai embora, ele vai até o porto se despedir dela e a beija até deixa-la sem fôlego, sorrindo de canto.

— Até a próxima vez, Dona.

Ele sempre diz seu nome como se estivesse sem fôlego.

— Até a próxima vez, Pedro.