La Doña del Rio

24 Capítulo 24


Aquele que ela achou ser seu último encontro com Juan, na verdade não foi.

Ele havia voltado de sua terra natal, garantindo estar apaixonado por uma moça da região, de boa família, toda uma senhorita, Aimée. Ele disse que estava fazendo uns últimos trabalhos, para voltar para a Martinica com dinheiro o suficiente para dar uma boa vida a sua futura esposa.
Bárbara nunca havia visto Juan falar assim, então acreditou que ele estava apaixonado e que os dois nunca mais se veriam.

Mas eles se encontram de novo em uma cidade qualquer. Juan entra no barco de Bárbara no meio da noite. Ela quase dispara em seu peito, mas Juan se revela antes que ela faça qualquer estrago.

Ele parece mais magro, mas está do mesmo jeito que ela o havia visto pela última vez. Bárbara serve uma bebida para os dois.

— Pensei que seus dias de contrabandista haviam acabado. – Ela diz.
Juan ri, tomando um gole largo de sua bebida. Ele devolve o copo a mesa e Bárbara o enche novamente.

— Eu também pensei. Estava muito bem na Martinica, fique sabendo. Era todo um senhor. Me casei. – Ele sorri e seus olhos ficam gentis.

— Com a moça por quem estava apaixonado? Qual era o nome? Aimée?

Ele fecha a cara, resmungando.

— Não. Essa é uma sem vergonha, não vale nada. – Bárbara levanta uma sobrancelha, surpresa. Ele estava não apaixonado por essa mulher. – Me casei com a irmã dela, Mônica.

Ele diz o nome de sua esposa com carinho e um toque de devoção, como se seu nome fosse santo. Juan curva-se para perto dela e conta sobre como encontrou Aimée casada com outro quando chegou a cidade. Esse outro acabou sendo Andrés, seu meio irmão por parte de pai. Ele fala sobre Monica e suas tentativas de acalmar seu mau gênio e toda a situação que se seguiu e acabou resultando no casamento dos dois. Bárbara não sabia que aquele tipo de coisa ainda acontecia nesse século.

Ele fala mais sobre Monica, sobre sua doçura, seus encantos. Ele diz que a ama. Como nunca havia amado ninguém. Bárbara acredita nele. Ela percebe que o que ele sentia por Aimée não era nada comparado ao que ele sente por Monica.

— Ela era freira. Quer dizer, ia ser freira.

— Uma freira! Juan Del Diablo metido com uma freira! – Ela ri. – Parece até coisa de livro.

Eles riem.

— Mas porque você não está com a sua freira?

— Ah, eu tive uns problemas com a polícia. Estou dando um tempo, tentando resolver as coisas. Quero voltar logo. Quero voltar para ela.

Bárbara sorri e serve outra rodada. Ela está feliz por Juan. O melancólico Juan, que sempre tomou como uma agressão pessoal o pai não o ter reconhecido, Juan que desejava ser amado, mesmo que nunca dissesse.

— Onde está a menina? – Ele pergunta de repente.

— Ah, você não vai acreditar. Se casou. Com um marinheiro. – Ele ri, surpreso. – Eu fui visita-la algumas semanas atrás, ela está bastante feliz.

— Que bom. Acho que vou passar pela cidade dela antes de voltar para casa. Dar uma olhada nesse marinheiro.

Bárbara ri e eles brindam. Eles passam o resto da noite bebendo e trocando histórias. Nada acontece entre eles. Juan é um homem casado.

No dia seguinte, Bárbara está pronta para seguir seu caminho e Juan está pronto para o dele. Ele vai voltar para sua esposa em breve. Bárbara o deseja sorte e promete ajuda-lo com o que ele precisar. Ela deseja que ele seja muito feliz com sua Monica.

— Talvez eu volte para o negócio quando ficar bem. Da maneira certa, claro. Talvez Monica viaje comigo. Talvez vocês se encontrem algum dia. Fique de olho. Se algum dia ver um navio chamado Santa Monica, saiba que sou eu.

— Santa Monica. – Bárbara diz, rindo, enquanto olha seu barco e o Luzbel se afastarem. – Juan Del Diablo e Santa Monica.

Ela ri.