La Doña del Rio
16 Capítulo 16
Alex foi o primeiro daqueles homens que ela conheceu.
Ele estava tirando fotos, como sempre, ela estava descarregando a mercadoria (viajando os homens fazerem isso, na verdade), sentada na proa do barco. Ele disse que ela era a mulher mais linda que ele já tinha visto e tirou uma foto sua.
Alex é produtor de filmes, ele gosta de cinema e de tirar fotos e de escrever histórias. Ele está sempre viajando para ver lugares novos, para ter ideias para novas histórias e principalmente, para conhecer pessoas novas.
Ele adora pessoas. Ele se aproxima fácil de qualquer desconhecido e, no segundo seguinte, eles já estão conversando. Alex tem um dom de fazer as pessoas falarem, contarem suas histórias. Ele foi o único para quem Bárbara contou sua história completa (Asdrúbal, seu pai, os cinco homens que a desgraçaram e seu fim, Santos e Marisela).
Ela havia acordado gritando certa noite, suando frio. Ele tentou confortá-la com um braço em sua cintura e acabou levando um soco. Ela não saberia dizer onde o pegou, estava transtornada demais naquele momento. Mais tarde, quando se acalmou, Alex a abraçou e beijou todo o seu rosto e Bárbara se pegou contando tudo para ele.
Ele ficou furioso. Não com ela ou por ela ter matado os desgraçados. Alex ficou furioso com eles, por terem tocado nela.
E ele gosta de leis, como Santos, é de bom caráter, mas Alex entende a maldade que existe no mundo. E, por ter viajado para lugares distantes e ouvido tantas histórias, ele sabe que as leis não alcançam alguns lugares. Em alguns lugares, a violência é a única lei que existe e os mais fracos sofrem com ela. Alex entende a natureza humana e o que uma pessoa é capaz de fazer quando não têm uma alternativa.
Naquela noite, ele contou algumas das milhares de histórias que ele já tinha ouvido de mulheres que passaram por situações parecidas com a de Bárbara. Ele perguntou se ela gostaria de conhecer algumas dessas mulheres. Bárbara não quis. Terminantemente.
Após aquela noite, Alex pareceu entendê-la melhor. Ele nunca a trata como algo frágil, ele não tenta mudá-la, ele não força ideias em sua cabeça. Mas ele é sempre delicado e compreensivo e apoiador.
Ele gosta de intimidade e toques delicados e de conversas sussurradas. Ele gosta de longas conversas e Bárbara gosta de conversar com ele. Ela conversa com ele tanto quanto com Andrés. Ele a ensina que não é necessário ir para a cama com uma pessoa para demonstrar o que ela sente; Alex a acaricia e a beija e a toca de uma maneira que a deixa sem fôlego. Mas quando eles de fato fazem amor, nenhum dos dois quer sair da cama.
Eles saem eventualmente, porque eles gostam de estar em movimento e quase nunca o caminho deles é o mesmo.
Alex abre seu computador e deixa Bárbara ler as centenas de histórias que ele escreveu. São ficção, mas cada uma contém a essência de várias histórias reais de pessoas que ele havia conhecido durante sua vida. Há apenas uma que ela não pode ler, ele prefere que ela só leia quando estiver pronta. Bárbara pergunta sobre o que é, para ele lhe dar uma pista pelo menos.
Alex sorri de lado, seus dedos acariciando seu couro cabeludo de um jeito que a faz fechar os olhos e gemer de satisfação.
— É sobre a Dona. – Ele responde.
Bárbara está curiosa para saber como essa história vai terminar.
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