La Belle Anglaise
23 22. Tramas Torturantes.
O duque de Bravandale era odiável. Um homem completamente inconsequente, violento e venenoso. Wilhelm odiava ele! E odiava mais ainda o fato dele ter que suportar esse dumm quase todos os dias. Katherine não poderia ter amigos melhores?
O que aconteceu na noite anterior foi um desastre. O mais perto que Wilhelm chegou da morte, pelo menos que ele lembrava. No final, Bravandale foi contido, os cavalheiros conseguiram tirar dele qualquer coisa possivelmente perigosa. Mas a noite já havia sido perdida. As damas ficaram horrizadas, a duquesa ficou vermelha de vergonha e Katherine... ela ficou estática, parada, apenas observando.
Mas naquele momento ele não deu muita importância. Muito preocupado consigo mesmo, o príncipe simplesmente levantou e puxou Katherine para o corredor, ele queria ir embora, para nunca mais voltar a Gloucestershire. Só depois de muitas súplicas, pedidos de desculpas e ouvir a frase: ele está bêbado, muitas vezes, que Wilhelm aceitou ficar.
Talvez essa decisão tenha sido uma má ideia.
No dia seguinte, em que iria acontecer a caça, quase todos já estavam acordados, ou quase acordados, e prontos para as atividades planejadas por Bravandale.
— Se eu soubesse que seria assim, teria ficado na minha cama por mais duas horas.— Bocejando cansado, Wilhelm reclamou consigo mesmo.— Que sono desgraçado.
— Desgraçado é você e suas reclamações, alemão!— Que benção, o dumm escutou. O cansaço do príncipe tornou-se satisfação.— Onde está Katherine? Eu disse ontem pra ela chegar na hora marcada.
— Você realmente acha que Katherine iria estar aqui as seis da manhã?— Escutando a conversa deles, Josephine riu muito divertida. Wilhelm percebeu o duque grunhir irritado.— James, a bebida ainda deve estar na sua cabeça. Não seja tolo.
— Ricketts, poderia calar a boca da sua mulher?— Ele ficou irritandinho? Agora foi Wilhelm que riu zombador.— Não vou dar atenção a você, alemão. E onde está também Lady Monmouth!?
Em qualquer lugar, quem poderia saber? Suspirando cansado, o príncipe encostou no corrimão da escadaria do jardim e fechou os olhos. Quando essa tortura iria acabar?
— Sempre muito impaciente, você realmente não muda, James.— Imediatamente ele abriu os olhos e voltou-se a porta. Katherine chegou vestida com seu hábito de montaria recém costurado.— Quanto a baronesa, não sei dela.
Mas que... aspereza e frieza na voz. Se já não estivesse frio, Wilhelm iria ficar arrepiado. Era tão satisfatório ouvi-la falar assim com Bravandale.
— Eu... estava te esperando.— Bravandale praticamente engolia Katherine com os olhos. Ele tentou oferecer sua mão a ela, mas Wilhelm fez isso antes.— Está linda... mas atrasou-se muito!
Revirando os olhos, o que fez o príncipe sorrir mais ainda, Katherine deu uma graciosa risadinha e soltou a mão do marido. Ela foi para junto de suas amigas, nenhuma delas iria participar da caça. Wilhelm sentia uma certa inveja delas nesse sentido, uma mulher poderia caçar, mas se não quisesse, nada seria dito.
— Leva tempo para se vestir, James. Esses cachos não nascem da noite para o dia.— Mas ficavam lindos. Wilhelm apreciou um momento os cachos e a frieza da esposa.— E também, eu não estava encontrando as cores do regimento.
— De qual regimento você fala, Katherine? Nem parentes você têm no exército.— Azul, vermelho, amarelo e branco... Wilhelm inclinou a cabeça.— A menos que...
— São as cores do meu regimento.— Nem mesmo olhando para ele, ela respondeu.
Mas essas não eram as cores da Guarda Germânica. Os hábitos de montaria eram inspirados nos uniformes militares, pois então o de Katherine ainda era muito inglês, para parecer com a guarda teria que ficar mais austríaco.
— O importante é que você está linda, Katherine.— Lady Baster elogiou a marquesa.
— Embora nunca a tenhamos visto com um hábito de montaria.— Lady Ricketts acrescentou, rindo logo em seguida.— Mas como poderia?
— De fato, eu não caço e muito menos cavalgo.— Suspirando entediada, Katherine acrescentou mais animada:— É uma barbárie, uma que apenas os cavalheiros participarão, para meu benefício.
Houve uma grande quantidade de risadas entre as damas. Mas qual era a graça? Wilhelm não via nenhuma. Tantos lugares bons para estar e ele estava aqui, acordado às oito da manhã só para correr no mato atrás dos chifres de um animal.
Era frustrante e terrivelmente entediante isso. Ma embora fosse assim que Wilhelm pensasse, os outros cavalheiros não, tirando o visconde Ricketts que era "muito doente". Eles pareciam realmente animados, esperavam impacientemente junto dos cavalos o sinal do dumm.
— Mas bem, está ficando tarde, então vamos caçar!— Sendo o mais ansioso de todos, Bravandale gritou animado andando até seu cavalo.— Queridas senhoras, nos esperem com paciência, logo seus homens voltarão com o troféu.
A cabeça de um alce, talvez também algumas raposas. Wilhelm quase riu, que belo troféu. Mas e Lady Monmouth? Ela não havia dito que também iria participar? Lord Cottington também, ele não estava presente. O príncipe franziu a testa.
Quebrando os pensamentos do príncipe, Bravandale subiu no cavalo e gritando pelos cavalheiros, cavalgou em direção ao bosque onde eles iriam caçar. Naturalmente os outros seguiram o duque, deixando para trás um incrédulo Wilhelm. Mas que ridículo! Por que ele tinha que se submeter a uma coisa dessas?
Gemendo de frustração, Wilhelm subiu no cavalo e acenou para as damas. Era melhor se apressar ou iriam esquecê-lo.
— Boa sorte, Wilhelm! Você vai precisar!— Com certeza iria. Ele acenou de costas para Katherine, mesmo ela zombando dele.— E não fique perto de James! Ele é perigoso!
Perigoso? O príncipe rapidamente encarou a esposa, havia um certo medo no tom dela, mas ele já estava muito longe para analisá-la melhor. Em parte, ele concordava, o que aconteceu na noite anterior provou que era verdade. Mas Bravandale estava bêbado e agora Wilhelm estava armado. Logo os cavalheiros que estavam longe, ficaram perto... eles pararam?
— Você não havia dito que viu um cervo, Torrington!? Cada ele então!?— Bravandale estava cheio de raiva. Que feliz surpresa.— Onde estava você, alemão!?
— Não é do seu interesse.— O duque grunhiu raivoso. O príncipe encarou o barão Lennox.— O que aconteceu?
— Torrington pensou ter visto...
— Eu vi um cervo. Reconheceria aquela galhada em qualquer lugar.— Interrompendo o barão, o conde defendeu-se convicto.— Talvez ele tenha fugido.
Bravandale começou a andar na frente, muito silencioso e atento, surpreendente.
— Por que um cervo estaria na beirada de um bosque?— Lennox continuava cético.— Normalmente...
— Cala a boca, Lennox! E você também, Torrington!— Então por que ele poderia gritar? Wilhelm pensou em responder isso, mas...— Acho que escutei algo... para o leste, homens!
Isso era algum tipo de exército? A julgar como todos seguiam cegamente Bravandale, sim. Não, Wilhelm não iria submeter-se a isso. Ficando propositadamente para trás, o príncipe afastou-se do grupo indo para a direção oposta. Dificilmente iriam notar sua falta, o duque talvez até... O som distante de tiros distraiu ele.
— Espero que tenham errado.— Distanciando mais ainda, o bosque foi ficando cada vez mais silencioso e denso.— Uma árvore caída sobre um pequeno riacho, passando por duas árvores gêmeas. Espero não me perder.
Dificilmente isso aconteceria. Parando em uma clareira, Wilhelm amarrou o cavalo numa árvore e deitou-se pacificamente perto de outra. Paz, sossego e calma. Não era uma cama macia ou travesseiros com pena de cisne, mas serviria para... cochilar um pouco... Em dado momento, o príncipe acabou dormindo.
Quanto tempo ele passou dormindo? Não era possível saber. Poderia ter sido uma hora, mas também horas. Apenas uma coisa era certa: quando Wilhelm escutou um farfalhar de folhas, seguido por um galope, ele acordou, mas só abriu os olhos quando ouviu um destravar de arma.
— Mas o que é isso!? Está louco!?— Bravandale tinha sua espingarda apontada para Wilhelm, ele sorria ameaçador.
— Ontem não te ensinou nada, mein Prinz? Eu posso acabar o que comecei.— O coração do príncipe batia fortemente. Era uma ameaça! Mas o duque começou a rir altamente e baixou a arma.— A sua cara de medo estava impagável, mein Prinz! Você realmente achou que eu atiraria!?
Uma lágrima quase desceu nos olhos de Wilhelm. O medo logo foi substituído por fúria. Encarando Bravandale, o príncipe levantou-se orgulhoso e foi até seu cavalo amarrado.
— De você eu não duvido nada, dumm! Ainda mais conhecendo sua obsessão pela minha esposa.— Estando de costas, ele não viu o olhar irritado de James quando "minha esposa" foi dito.— Mas você não teria coragem disso.
— Katherine mataria-me por matar o pai dos filhos dela.— De fato. Tendo certa dificuldade em desatar o próprio nó, Wilhelm franziu o cenho.— Achei muito possessivo da sua parte falar "minha esposa", Katherine não é sua.
— Por acaso ela é sua? Oh dumm, isso eu duvido muito.— A ironia do príncipe irritou o duque. Finalmente, o nó começou a ser desfeito.— Sua tolice me diverte.
— Mein Prinz fala isso porque não nos viu ontem.— Como? Soltando as rédeas, Wilhelm encarou Bravandale, ele sorria cinicamente. O príncipe negou.— Dúvida? Os seios de Katherine ficaram tão duros contra meu peito.
Mas isso era a descrição de qualquer uma! Acalmando-se um pouco, o príncipe deu as costas para o duque e pegou novamente as rédeas.
— Veremos o que Katherine vai dizer.— Direcionando a Bravandale um sorriso irônico, Wilhelm montou no cavalo.— Porque ela não pertence a mim, muito menos a você, o coração dela pertence apenas a Fredrik Adolf, o duque de Östergötland.
Essa era a verdade, o maior fato. Katherine não falava dele, mas ela mesma sabia que seu coração pertencia a ele, por mais que fosse doloroso aceitar.
— Engana-se você.— Seria mesmo? Wilhelm deu as costas para Bravandale e começou a andar para o lado oposto. O duque apontou sua arma na direção do príncipe.— Eu posso fazer ela ser minha.
E Bravandale atirou. Não no príncipe, mas muito perto, errando propositadamente.
O cavalo de Wilhelm assustou-se com o barulho, ele mesmo se assustou. Mas antes que o príncipe pudesse pensar muito, ele foi derrubado pelo cavalo e bateu fortemente a cabeça em algo. A visão de Wilhelm começou a escurecer, as coisas sumiram. Sobrou apenas Bravandale...
—... Chame... ajuda, eu...
— Nem para morrer você serve? Como sou azarado.— Um satisfeito sorriso tomou conta de James. Wilhelm estava desacordado.— Fique bem quietinho, eu e Katherine teremos nosso momento.
*****
Se arrependimento matasse, Katherine já teria morrido e ressuscitado muitas vezes. Fechando seus olhos, a marquesa suspirou entediada, era mais fácil ela morrer caindo do cavalo que de arrependimento.
Oh Deus, o que passou pela cabeça dela ao concordar com isso tudo? A noite anterior não saia da cabeça de Katherine, as lembranças estavam presas como que a pregos. O modo como James a encarou, agarrou grosseiramente e... beijou. Era nauseante, desprezível, por um momento ela mesmo sentiu-se suja. E depois ainda teve aquela briga dele com Wilhelm...
— Odeio isso! O que Bravandale tinha na cabeça quando nos mandou ficar esperando!— Levantando-se da grama, Katherine tentou mudar seus pensamentos.— James é um tolo idiota!
— Jesus Cristo, o que foi isso, Katherine?— Josephine perguntou assustada.Tanta sinceridade e expressões saindo dela era raro.— James realmente é um tolo, mas reclamar assim?
Em silêncio, a princesa sentou novamente no cobertor. Para Lady Ricketts era fácil falar, ela estava muito ocupada jogando cartas com Grace, Bess e Lady Christine. Enquanto isso Lady Cottington, deitada no cobertor, distraia-se com a grama e Lady Torrington aparentemente dormia.
— Essas roupas não foram feitas simplesmente para serem vestidas!— Ao lado dela, Maria estava indignada com a situação.— Talvez isso mostre bem o que Bravandale pensa de nós, mulheres.
— Com certeza esse não era o objetivo do meu irmão, Lady Courteney.— Distraindo-se um momento das cartas, Christine tentou defender James.— Ele deve ter esquecido...
— Esqueceu de nós? De Katherine? Faca-me o favor, milady.— As bochechas da jovem ficaram vermelhas de raiva com a resposta de Maria.— Nem mesmo as sombrinhas ele mandou, e quando o sol ficar forte?
— Então nosso cavaleiro de armadura brilhante as trará para nós.— Cansando dessa "discussão", Katherine sugeriu espirituosa. As damas a encararam confusas.— Estou falando de Lord Ricketts. Você nos salvará do sol, não é mesmo, milorde?
As damas voltaram-se ao visconde, que estava distraidamente sentado na escadaria. Todos esses olhares o assustaram por um momento, o pobrezinho corou e gaguejou.
— O sol... é... e-eu... Josephine?
— Seria muito gentil, Philip.— Com a resposta da esposa, Lord Ricketts corou e encarou a marquesa, que sorriu docemente, o fazendo baixar a cabeça mais envergonhado ainda.— Não entendo como você consegue falar na frente da Câmara dos Lords, mas não consegue com um grande número de mulheres.
— Porque somos a essência do pecado. Os homens têm medo do nosso encanto.— Rindo com suas próprias palavras, Katherine respondeu.— Não se preocupe, Philip, você é apenas de Josephine.
O visconde abriu a boca, mas não saiu palavras alguma. Ele ficou sem palavras. Katherine e suas amigas riram dessa reação dele. Era um homem divino, talvez por isso que Josephine não reclamava do casamento, apesar da carência de filhos.
— Oh Senhor, como eu queria minha cama, como eu queria dormir!— Acabando com as risadas, Lady Torrington reclamou altamente.— Acho que vou voltar para meu quarto.
— Não seja tão melodramática, Frederica.— Doce como sempre. Katherine riu da resposta de Lady Ricketts, ao mesmo tempo que...— Eu esperava isso de Bess ou Grace, mas não da milady.
— Eu devo concordar que também estou com sono.— Por mais doloroso que fosse, a marquesa teria de concordar com Lady Torrington.— Minha cama seria tão melhor.
Ninguém ousou dizer algo contra, afinal, eles concordavam com ela. Todos, tirando Lord Cottington, Lady Palmer e Lady Monmouth, acordaram muito mais cedo que o normal. Naturalmente o cansaço é sono tomaram de conta, principalmente quando não havia nada para fazer.
As damas das cartas voltaram a jogar, Lady Cottington nunca tirou sua atenção da grama, a condessa Torrington voltou a aparentemente dormir, Lord Ricketts olhava entediado para o horizonte e Katherine, junto de Maria, não faziam nada. Em resumo, um cansativo silêncio instaurou-se entre o grupo, perfeito para fazer pensamentos ruins voltarem a...
— Quem é aquela pessoa galopando em nossa direção?— Lord Ricketts acabou com esse silêncio apontando para, o que na opinião dela, era apenas um borrão preto, que começou a ganhar forma.— Parece uma mulher... sim é uma mulher. É...
— Louisa!— Praticamente jogando as cartas, Josephine gritou pela cunhada. A baronesa Monmouth chegou mais perto.— Você parece um homem cavalgando com as pernas abertas!
Lady Monmouth riu de Josephine e desceu do cavalo. Até mesmo o chapéu ela havia perdido! Se não fosse vulgar, seria até engraçado.
— É assim que me comprimenta, Lady Ricketts? Quanta falta de cortesia.— A viscondessa arfou ofendida.— Perdão, eu perdi a hora.
— E o respeito também, pelo visto. Lembre-se que sou uma viscondessa, Louisa.
Uma discussão estava prestes a começar... Suspirando, Katherine levantou e foi tentar impedir que saísse do controle, mas alguém foi mais rápido que ela.
— Olhe você como fala com minha irmã, Lady Ricketts.— Fechando dolorosamente os olhos, Katherine gemeu. Mais um agora. Lord Cottington saiu com Lady Palmer.— Os Carlton têm mais antiguidade.
— Sua irmã não é mais uma Carlton, milorde.— Obstinadamente Josephine negou.— Mas sim uma Caroli, e os Caroli estão na Inglaterra a apenas dois séculos.
— E os Ricketts, dois séculos atrás, eram fazendeiros!— Essa resposta de Cottington feriu o visconde, que abriu a boca ofendido.
— Cottington, respeite minha família, e principalmente minha esposa!
— Não se meta nisso seu...
— Lord Cottington!— Cansando disso tudo, Katherine censurou o barão, que calou-se.— Não temos interesse em brigas familiares.
Apesar de ter aceitado, Lord Cottington ainda encarou fortemente Katherine por um longo momento. Como se estivesse mostrando toda a raiva que sentia, mas iria evitar de mostrar. Mas que homem desagradável! Como Lady Cottington conseguia suportá-lo todos os dias? Porém, o que mais chamava a atenção da marquesa era a proximidade que existia entre o barão e Lady Palmer.
Katherine sabia que não era a pessoa mais indicada para isso, levando em consideração sua... amizade com James e relação com Frederik Adolf, mas ainda assim, Lord Cottington e Lady Palmer eram muito estranhos e suspeitos juntos.
— Mas olhe quem está vindo, Katherine.— Tendo seus pensamentos interrompidos por Maria, a marquesa olhou para a amiga.— E ainda sorrindo como uma criancinha.
Os homens haviam voltado da caçada e traziam um pobre cervo morto atrás. Eles sorriam tanto, principalmente James, que parecia ter ganhado um grande prêmio. Quando o grupo de cavalheiros passou por Katherine e Maria, Bravandale pousou seus olhos na marquesa e permaneceu encarando-a, chegou ao ponto dela ter que virar a cara.
Como as coisas chegaram nesse ponto tão rapidamente? O coração dela ficava apertado só de lembrar daquele situação. Fechando rapidamente os olhos, Katherine tentou se acalmar, mas... onde estava Wilhelm? Sim, ela não viu ele chegando com os cavalheiros.
Essa dúvida da marquesa rapidamente teve que ser deixada de lado. Logo os passeios a cavalo iniciaram e todos entraram, estranhamente, na outra direção do bosque.
Desejando ficar um momento sozinha, ou simplesmente longe de James. Katherine tomou uma trilha diferente dos outros, o que não impediu Bravandale de seguí-la.
— Uma dama não deve ficar andando sozinha na floresta.— Galopando levemente para encontrá-la, James disse sorridente.— E se algo acontecesse?
— O que poderia acontecer comigo, Bravandale? Alguém me agarrar?— A ríspida resposta dela doeu no duque. Como Katherine queria.— Eu quero ficar sozinha, James. Deixe-me!
A expressão dele ficou ainda mais triste, mas não o suficiente para ele deixá-la. Bufando irritada, a marquesa ergueu sua cabeça e começou a cavalgar num passo levemente mais rápido. O que James queria com isso!? Assim ele só ganharia mais ressentimento. Pelo menos o duque ficou em silêncio e nesse silêncio eles cavalgaram por um tempo.
— Você está linda, você é linda...
— Eu sei que sou.— Rapidamente ela cortou o duque, mas logo arrependeu-se:— Diga logo o que você quer, James. Assim acabaremos com tudo isso.
Novamente, a resposta foi o silêncio, mas não um silêncio bom. Bravandale estava muito pensativo, parecia um vilão pensando no próximo passo. Balançando a cabeça, Katherine dispersou esse pensamento, James não era vilão, apenas um homem tolo e completamente equivocado.
— Katherine, o que aconteceu ontem... eu...
— Onde Wilhelm está, James?
Percebendo o assunto que ele iria tocar, a ferida que Bravandale iria magoar, a princesa mudou de assunto, para a primeira coisa que veio a sua mente. Com certeza foi um erro. Não sobrou resquícios de tristeza em James, ela foi completamente substituída pela raiva.
— Você me interrompeu com isso!?— Pois era errado!? Igualmente irritada, Katherine encarou o "amigo".— Por que você se preocupa tanto com aquele merda?
— Porque ele é meu marido, o pai dos meus filhos!— Apesar de tudo e de todos, Wilhelm tinha um lugar especial no coração dela. Bravandale grunhiu.— Por que dessa raiva, James? A única pessoa que deveria estar com raiva sou eu.
— Não vamos entrar nesse assunto.
— De fato, não vamos, pois me dói como um tiro de espingarda!— Por um momento o duque ficou estático. Mas logo voltou ofensa.— Quero apenas deixar bem claro como você me machucou e ofendeu. Continuaremos amigos simplesmente porquê você estava bêbado.
— Eu agradeço pela sua bondade.— Havia arrependimento no olhar, mas não na voz. Katherine virou a cara.— Desculpe-me pelo erro.
Seria próprio perdoar? James realmente estava arrependido? Era um dilema...
— Não perdoarei ninguém.— Os olhos de Bravandale arregalaram, ele não esperava por isso.— Onde está Wilhelm? Você não me respondeu.
Assim como não respondeu agora de imediato. Os dois continuaram a cavalgar pacificamente e em silêncio, até que James ultrapassou a princesa e colocou seu próprio cavalo na frente dela. O rosto dele estava irritado como nunca antes, não, estava como ontem, quando ele tentou matar Wilhelm!
— Wilhelm, Wilhelm e Wilhelm. A sua boca é esse nome. O pau dele deve ser muito doce, não!?— Ela não era obrigada a isso. Ao tentar dar a volta nele, James tomou de Katherine as rédeas do cavalo dela.— Você não vai embora! Eu não permito!
— Quem você pensa que é para permitir ou negar alguma coisa a mim, Bravandale!?— Sendo tomada pela raiva, a marquesa ergueu o chicote do cavalo e o bateu na mão de James.— Solte-me! Eu farei novamente!
— Tanto amor pelo, mein Prinz. E quanto a Fredrik Adolf!?— Quem James pensava que era para tocar nesse nome!? Novamente Katherine chicoteou a mão dele, não uma, mas duas vezes.— Sim, faça doer! Na marinha eles fazem o mesmo!
— Não vou mais perder meu tempo com você! É inútil!— Conseguindo finalmente fazer James soltar as rédeas, Katherine deu meia volta.— Eu vou embora, não ficarei aqui nem mais um dia!
Depois dessa situação, o maior desejo da marquesa era nunca mais ver Bravandale na vida. Isso não era amor, mais sim uma obsessão! Atrás de Katherine, ele continuava a falar, e embora ela não quisesse dar atenção, era impossível não escutar.
— Sim, Katherine. Vá esperar pelo mein Prinz! Mas acho que ele não chega tão cedo, as prostitutas de Ernel são insaciáveis! Eu provei e gostei!— Cinicamente o duque gritava aos risos. Ela apenas negava.— Não acredita!? Pois vejamos se o mein Prinz chega voltará antes do anoitecer!? Mas não se preocupe, eu posso ser o seu amante!
— Cala a sua boca, James!— Isso era uma tortura!? Mas o duque apenas aumentava a voz.
— Sejamos amantes! Prometo que... mais doce...
Finalmente Katherine conseguiu despistar o duque de Bravandale. Oh Deus, o que aconteceu com James? Como ela perdeu um amigo e ganhou um... o que ele era!? Se recusando a pensar muito mais nisso, a marquesa cavagou com rapidez para a casa. Katherine queria imediatamente sair de Berkeley Hall. Para a sua própria saúde!
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