La Belle Anglaise
21 20. Erros Irreparáveis.
Em completo silêncio o rei encarava por uma janela o grande Pall Mall. Ele estava nessa mesma posição, de costas, fazia alguns minutos, e o único som escutado era o anel dele batendo na janela.
Esse silêncio não acalmava em nada a ansiedade de Katherine, muito pelo contrário, estava deixando ainda maior. A marquesa apertava com tanta força os próprios pulsos, que eles estavam começando a ficar vermelhos, doendo de verdade... Tudo isso era culpa de Wilhelm, e principalmente dele!
Não havia outra pessoa para culpar. Deixando a ansiedade de lado, Katherine voltou-se a Wilhelm e negou com a cabeça, usando uma expressão visivelmente irritada. Era culpa dele. Ele era o culpado por eles estarem em St. James e o culpado pelo absoluto silêncio do rei. Bastou o príncipe abriu sua boca para "dar uma explicação" e isso aconteceu.
Mas Wilhelm não parecia dar importância alguma, o príncipe apenas encarou Katherine de volta e revirou os olhos. O aperto da marquesa aumentou novamente, agora por raiva. Ele não poderia dar mais importância a isso!? E depois Wilhelm ainda tinha coragem de se dizer um iluminista!
— Isso é tudo?— Como? O casal parou de se encarar e migrou a atenção para o rei. Não recebendo uma resposta, o soberano repetiu:— Eu perguntei se isso é tudo? As "explicações" acabaram?
— Da minha parte sim.— Um homem completamente impossível! Novamente Katherine encarou o marido com raiva.— O senhor tem...
— Fiquei muito surpreso com sua vinda, Katherine, devo confessar com franqueza, mas não foi inesperado.— Soltando seus pulsos, a marquesa tentou mostrar calma, ele a esperava?— O Sr. Cruger, o prefeito de Bristol, você deve saber, me enviou um belo relatório dos seus estragos na cidade.
Finalmente o rei voltou-se a eles, e com uma expressão no rosto que estava longe de ser considerada feliz e satisfeita. Mas... uma pequena indignação surgiu no rosto da marquesa.
— Como assim "seus estragos"? Não tenho culpa alguma pelo que aconteceu!— Era uma injúria essa afirmação. Katherine estava doente, acabado de abortar! Mas o rei ainda assim assentiu e pegou uma folha na sua caixa vermelha. Os olhos da marquesa arregalaram.— Foi aquele... americano que me culpou? Não surpreende-me isso, todos sabem como ele ama seus conterrâneos traidores.
Que homenzinho mais... era melhor esquecer do americano. Katherine respirou e encarou o rei orgulhosamente, até que o contínuo silêncio dele fez o orgulho virar arrependimento. Ao lado da marquesa, Wilhelm tentava descobrir quem era esse Sr. Cruger, o americano.
— O que... aconteceu em Bristol foi... terrível. Não tenho nem palavras para descrever como estou horrorizado e... espantado com uma coisa dessas.— O rei olhou olhou o relatório de Cruger e depois voltou a encarar Katherine, ele estava decepcionado. Palavra alguma seria pior que esse olhar.— Uma coisa dessas dificilmente iria acontecer nos tempos de Alfred.
As pupilas de Katherine dilataram e ela sentiu uma coisa ruim na garganta. Havia sim algo pior que um olhar decepcionado: a comparação era muito pior.
Não conseguindo manter seus olhos nos do rei, a marquesa encarou o príncipe e depois encarou um lugar qualquer na mesma do monarca, o olhar preocupado de Wilhelm conseguia ser pior que a decepção do rei. Katherine não conseguiria ficar com raiva enquanto ele estivesse preocupado com ela.
— Fui eu quem deu a permissão para a Guarda Germânica atirar, meu rei.— As pupilas da marquesa dilataram novamente ouvindo o marido. Wilhelm havia perdido a cabeça!?— Eu já não havia deixado isso claro? Katherine não tem culpa nenhuma.
Realmente, Wilhelm havia perdido a cabeça. Para falar dessa forma irreverente e desrespeitosa com o rei, só estando louco mesmo. Ele não iria ajudá-la em nada assim.
— Fique calado, Wilhelm! Não vê que estamos em uma situação...
— A marquesa pode realmente não ter dado a permissão, e talvez desconhecesse o que estava acontecendo. Mas isso não muda o fato de que tudo foi feito em nome dela, teoricamente "pela vontade dela".— Em outras palavras: a culpa iria cair inteiramente sobre os ombros de Katherine. Parando um momento suas palavras, o rei respirou e continuou:— Talvez você não entenda isso, Oldenburg. Você é um dinamarquês, e os dinamarqueses culpam minha irmãzinha por "todos os problemas" da Dinamarca, esquecendo que Christian é o verdadeiro culpado por tudo!
Oh, Senhor! Eles realmente chegaram a esse ponto? Katherine negou mal-humorada com a cabeça. O rei iria defender Caroline Matilde, sua irmã, enquanto Wilhelm iria culpá-la, e assim continuaria por muito tempo.
— Christian é o culpado? Meu primo louco é o culpado!?— O príncipe fez essas perguntas com muita ofensa na voz, só faltou levantar da cadeira... ele levantou, e acrescentou:— É muito fácil culpar um deficiente pela má situação de algo, difícil é saber reconhecer que...
Não aguentando mais escutá-lo, Katherine pegou a mão do marido, o que chamou a curiosidade e atenção dele, mas não havia sorriso na marquesa.
— Volte para o seu lugar, Wilhelm!— E ela puxou ele de volta para a cadeira.— Estamos aqui por Bristol, não para discutir sobre a Dinamarca.
Wilhelm simplesmente encarou Katherine com raiva. No final ele cedeu e calou-se, embora com uma visível expressão de descontentamento. Agora eles poderiam voltar a discutir sobre a pena dela... pena! A marquesa juntou as mãos com força, ela parecia uma criminosa... indiretamente ela era uma criminosa!
— Voltando... ehh... ao assunto principal, o que aconteceu em Marquise Square foi um desastre.— Aquela praça tinha que mudar de nome. O rei pegou o relatório do prefeito de Bristol.— Haviam entre 30 e 40 pessoas, 14 foram feridas, não sabemos se pela Guarda Germânica ou por eles mesmos, e... felizmente ou infelizmente, não sei, 4 homens foram mortos. Bem... isso é um problema.
E um dos grandes. Fechando fortemente os olhos, Katherine encarou Wilhelm, mas dessa vez com uma expressão preocupada no rosto, procurando algum tipo de acalento. Mas ele nem olhou para a cara dela, e quando o fez, a marquesa já havia voltado sua atenção ao rei.
— Eu entendo as consequências dessa infâmia, meu rei.— Engolindo em seco, a princesa abaixou a cabeça e a levantou novamente, tentando manter certa calma.— O que... o que acontecerá comigo em... em relação ao que aconteceu?
— Nada.— Tão simples assim? Katherine quase ficou sem ar ao ouvir sua "sentença". Percebendo a preocupação da esposa, Wilhelm até mesmo levou sua mão cuidadosamente até ao ombro dela.— A Guarda Germânica ainda faz parte do Exército Britânico, assim como é liderada por oficiais. Então oficialmente o incidente aconteceu apenas para manter a "ordem pública".
— E isso seria uma coisa boa?— Ainda com a mão no ombro dela, e a olhando fixamente nos olhos, Wilhelm perguntou levemente irônico.— Eu...
— Estou disposta a aceitar o que me foi dado.— Nos documentos oficiais, os que realmente regiam a História, ela seria inocente.— Devo fazer alguma coisa a mais?
Ou melhor, eles deveriam fazer alguma coisa? Katherine tinha conhecimento de que a culpa cairia sobre ela, assim como sabia que, apesar de tudo, foi Wilhelm que assentiu.
— Muito bem. Sabe que gosto de você como uma filha, Katherine. Por isso mesmo confio na sua capacidade em agir.— O rei fitou a marquesa em silêncio, antes de continuar:— Você deve ir lá, mostrar sua tristeza, seu pesar e dar alguma assistência.
Tristeza? Pesar e... assistência? Novamente a marquesa sentiu uma coisa ruim na garganta. Mas mesmo assim...
— Eu...— Não! Não havia como fazer assim. Quase que abruptamente Katherine agarrou a mão de Wilhelm.— Nós faremos isso?
— Nós?— Por que dessa repetição? Ela encarou o príncipe raivosamente e assentiu.— Nós... mas você...
— Muito bem, está decidido.— E seria horrível. Depois disso o rei suspirou e rapidamente deixou a expressão séria de lado, agora para preocupada.— Charlotte enviou a vocês notícias do nosso pequeno Alfred?
O príncipe caçula do rei e da rainha, Alfred havia nascido um pouco depois da morte do marquês Alfred, era uma espécie de homenagem ao falecido amigo. Mas foi uma homenagem tão completa que a criança nasceu com a mesma saúde do marquês.
— Mamãe não me falou nada.— Talvez até para evitar ansiedades, e a julgar pela expressão do rei, foi realmente.— As águas de Deal estão ajudando na saúde do pequeno?
— Aparentemente não.— A inoculação era a única forma de se proteger da varíola, mas isso não fazia ser o método mais seguro.— Fico pensando o que deu na minha cabeça para inocular um menino tão doente quanto Alfred? Claramente iriam ter complicações...
E a próxima hora foi gasta unicamente no pequeno príncipe Alfred. Ele era só um pouco mais novo que Richard, mas não era preciso nem disso para fazer Katherine e Wilhelm sentirem pena do casal real, a rainha deveria estar à beira do colapso. O desejo de todos era que o principezinho ficasse melhor.
Mas, depois de muito tempo, os Bristol finalmente deixaram St. James e voltaram para Hampton Court. Foi uma volta exatamente igual a ida. O casal não compartilhou palavra alguma, toque algum, sorriso algum, havia apenas um olhar, o de Katherine era duro e julgador, enquanto o de Wilhelm era irreverente e irônico.
Mostrava claramente como ambos estavam por dentro.
*****
Abril|1782 Palácio de Hampton Court
Os últimos dez dias, contando a partir do Incidente da Marquise Square, que não tinha mais esse nome, foram terrivelmente agitados.
Imediatamente após o ocorrido tornar-se conhecido, as críticas da imprensa e dos londrinos começaram a chover, críticas tão duras e ferozes que novamente os jornais foram proibidos em Hampton Court. Mas, felizmente?, essa situação acabou por adiantar a "regeneração" da marquesa.
Os Tudor-Habsburg voltaram a participar da vida social na capital. Ópera, teatro, ballet, concertos, saraus, bailes, jantares, chás e festas ao ar livre voltaram a fazer parte da programação da família. Isso sem contar nas cartas que Katherine escreveu as dezoito famílias mais afetadas no incidente e a ajuda que ela deu nas despesas fúnebres de alguns.
Mas, com certeza infelizmente, não era apenas isso que ela deveria fazer.
— Por que ir a Bristol? Você já não vai dar "auxílio" para os familiares das quatro vítimas?— Nos aposentos da marquesa, Bess comentou indignada enquanto ajudava as outras a arrumar a bagagem da marquesa.— Por que então ir para lá? Não vai tornar a situação apenas mais ruim?
Fechando uma pequena caixinha de joias, especificamente para usar em períodos de luto, Katherine suspirou e tentou acalmar o seu próprio coração.
— Entendo a sua preocupação, Bess, eu mesma estou preocupada.— E não era pouco. A marquesa fechou fortemente os olhos.— Mas os tempos estão mudando, desde a execução de Charles I é assim. Tenho que mostrar meu real arrependimento.
A condessa Baster não respondeu, ela voltou a organizar a bagagem. Um pouco mais aliviada, a marquesa suspirou e levou sua caixinha de luto para as damas.
— Devo confessar que concordo com Lady Baster.— Que surpreendente. Estando de costas para Lady Torrington, Katherine revirou os olhos.— Pessoas bonitas não deveriam ser castigadas, já é um fardo tão grande a beleza. E o subsídio que a marquesa dará é desnecessário.
Todas as damas olharam para Lady Torrington. Uma fala dessas não era esperada dela. Mas logo a surpresa de Katherine passou, a condessa era uma tola mesmo.
— A beleza não salva tudo, Frederica.— Arrumando os vestidos da marquesa, Lady Courteney respondeu séria.— Nem sempre as pessoas belas são tratadas com misericórdia. Lady Worsley é muito bonita, mas olhe sua reputação.
— E o subsídio é sim muito necessário. Na verdade, tudo é necessário.— Segurando os perfumes de Katherine, Josephine acrescentou.— Caso o contrário irão chover críticas.
— Talvez você esteja um pouco atrasada, Josephine. Porque já houve uma tempestade de críticas.— Agora sobrava apenas uma garoa forte. Suspirando cansada, Katherine sentou na cama.— E espero francamente que ela não volte a engrossar.
Nenhum jornal chamou ela de assassina, o que já era um alívio, mas ainda assim eles foram muito malvados.
— Talvez você esteja certa, Josephine. Mas um subsídio?— Então Lady Monmouth também era avarenta?— Nenhum daqueles quatro homens foi morto diretamente pela Guarda Germânica.
De fato, isso era verdade. Katherine novamente suspirou desanimada. Mas isso não tornava as coisas melhores. Um homem caiu e bateu a cabeça no meio fio, outro foi pisoteado pela multidão em pânico, o terceiro teve uma morte inconclusiva e o quarto...
— Não querendo acusar você, Katherine, mas um homem foi atingido e acabou morrendo no hospital.— Chegava a ser engraçada essa afirmação de Josephine.
— Querida cunhada, é mais fácil aquele infeliz ter morrido por causa do hospital, que da bala.— Não era piada, e muito menos divertido. Mas Katherine acabou rindo das palavras de Lady Monmouth, ela poderia estar certa.— Mas 25 libras por ano? Isso é muito. Dá pra alugar uma casa pequena em Londres.
Dessa vez as outras não responderam nada, nem mesmo Josephine tentou contradizer a esposa do irmão. Sobrava apenas Katherine falar... não deram muitas opções a ela na verdade.
— Menos 100 libras anuais não farão diferença alguma para mim.— Os Tudor-Habsburg não eram os Cavendish, com suas 100 mil libras anuais, mas chegavam perto.— E a milady, Lady Cottington? Diga-nos o que acha do subsídio.
Sempre muito calada e distante, a baronesa Cottington foi pega de surpresa com essa pergunta.
— Minha marquesa fará o que achar melhor.— Uma resposta sabia. Lady Cottington parou e pensou um momento.— Mas certamente alguns desses nunca mais irão precisar trabalhar para viver.
No final, Lady Cottington também tinha uma certa preocupação com o dinheiro também. Diziam que o falecido Sir George Cunliffe era um dos homens mais ricos de Brecknockshire, no País de Gales.
Com isso o silêncio voltou a reinar nos aposentos de Katherine. As damas tinham que arrumar a bagagem da marquesa até o meio-dia, quando eles partiriam para Bristol.
— Ainda não gosto dessa ideia.— Que surpreendente. Katherine revirou os olhos ouvindo Lady Torrington.— Tudo não é culpa do príncipe Wilhelm?
Novamente silêncio, mãe agora um completamente desconfortável, as duas dividiam-se entre olhos duros a Frederica e preocupados a marquesa. Mas sim, o príncipe tinha culpa. Tentando sorrir, Katherine encarou a condessa de Torrington.
— Esqueça esse assunto, Lady Torrington.— Percebendo a dureza na voz dela, a dama assentiu e baixou a cabeça. Muito bem, o sorriso de Katherine suavizou.— Agora, vamos pernoitar no Castelo de Regine, em Berkshire, depois...
*****
Depois de pernoitar no Castelo de Regine, próximo a Reading, Berkshire, que era apenas mais uma propriedade dos Cottington, Wilhelm e Katherine finalmente chegaram em Bristol, onde eles foram muito bem recebidos pelas autoridades, apesar de tudo.
Muito diferente do esperado, as pessoas em Bristol estavam até que bem receptivas a jovem marquesa e seu igualmente jovem marido. E quando dizia-se pessoas, era se referindo a classe média e alta, os da classe baixa estavam indignados.
— Nunca tivemos um bom relacionamento com os pobres.— Segundo a própria Katherine, os Tudor-Habsburg representavam três únicas coisas: catolicismo, absolutismo e continentalismo.—... isso na cabeça preconceituosa deles, claro.
E os Tudor-Habsburg também não era preconceituosos? Quando Wilhelm fez essa pergunta a Katherine, ela não respondeu nada, ficou completamente calada. Para falar a verdade o silêncio resumia toda essa viagem. Poucas foram as palavras trocadas pelos dois.
Agora o casal estava sendo conduzido ao mausoléu da família, onde iria acontecer o "show", e não surpreendentemente eles estavam em silêncio.
— O que faremos exatamente quando chegarmos lá?— Finalmente fitando de volta a esposa, que continuamente o encarava julgadora, Wilhelm perguntou.— Você nunca me disse exatamente, Katherine.
— Eu irei até a placa e farei um discurso, quanto a você... faça o que bem desejar.— Como essas palavras eram esclarecedoras. Wilhelm negou com a cabeça e suspirou.— Não gostou da resposta?
Esse tom irônico, quase surpreendeu o príncipe. Wilhelm não era obrigado a ficar calado, e muito menos a ser grosso.
— Sua resposta não é muito diferente do que estou acostumado. Somos um casal que gosta de sentir a adrenalina de uma briga.— E era tão bom. Mas a julgar pela risada sarcástica dela, não tinha importância.— Responda-me uma coisa: ainda está com raiva de mim, Katherine?
Seja lá o que a marquesa tivesse em sua cabeça, ela não esperava por essa pergunta de Wilhelm. Mas até que chegou atrasada, a tempos o príncipe queria fazê-la.
— Raiva?... Não. A raiva já passou a muito tempo. Na verdade estou irritada.— Agora o príncipe que foi pego de surpresa, ele não esperava tanta sinceridade dela.— Você agiu sem o meu consentimento, Wilhelm. Tomou uma liberdade que não lhe cabia tomar.
— Eu deveria pedir perdão?— Foi a única coisa que ele pensou.
— Seria um pedido sincero... vindo do coração?— Novamente Wilhelm encontrou-se surpreso. Katherine encarava ele inquisitiva, quase duvidosa.— Responda.
Talvez a resposta pudesse surpreendê-la, e não de forma positiva. Não respondendo imediatamente, o príncipe tentou encontrar as palavras certas, até que simplesmente falou:
— Apesar das acusações, apesar do que as pessoas dirão, eu não sinto culpa alguma. Minha consciência está suficientemente limpa, perante Deus e a Justiça. Nenhum pedido meu de desculpas seria sincero.— Katherine escutou todas essas palavras calada, com um sorriso indefinido.— Existe sim uma parte em mim que me condena. De fato tenho alguma culpa. Mas eu sei que estava tentando fazer o certo.
Wilhelm e Katherine se encararam fixamente, esperando apenas alguém falar algo.
— Seu orgulho, me irrita tanto as vezes, mas não vamos brigar.— Não? Muito bem, ele também não queria discutir.— Porém, assim eu não posso te perdoar, Wilhelm. Não agora.
— Não pode me perdoar?— Usando um tom confuso, o príncipe perguntou. Ele não havia pedido perdão, para início de conversa.— Suas...
Em — Sua ação me feriu, Wilhelm, feriu os bristolians e, com certeza o mais importante, feriu a nossa confiança.— Katherine estava séria, quase ferida de verdade, deixando assim ele sem resposta.— Não posso perdoar você sentindo isso. Enquanto esse sentimento não passar, não haverá perdão.
Era uma questão de sentimentos verdadeiros. Wilhelm entendia e não iria falar nada contra, ele aceitaria isso. Para mostrar que entendia, o príncipe sorriu e tentou pegar a mão de Katherine, ela não mostrou recusa alguma. Já segurando a mão dela, Wilhelm acariciou levemente a bochecha da esposa com a outra mão.
— Saber que você me entende é o suficiente. Posso viver assim.— A marquesa fechou os olhos e Wilhelm a beijou com delicadeza.— Vou esperar o tempo que for necessário.
Frederik Adolf também daria essa resposta a ela? Wilhelm não sabia, mas Katherine se fazia especificamente essa pergunta. Os dois novamente compartilharam um beijo rápido, e depois mais um e... foram logo em seguida interrompidos com a carruagem parando. Eles chegaram no mausoléu.
Suspirando fortemente a marquesa saiu então da carruagem e encarou a pequena multidão que a encarava. Várias pessoas encarando Katherine, a julgando ou adorando. Mas isso não importava, ela veio aqui por um objetivo e o cumpriria.
Com Wilhelm vindo logo atrás, a marquesa caminhou até um grande carvalho e voltou-se na direção do público.
— As vidas perdidas em Marquise Square jamais serão esquecidas, seus familiares certamente nunca os esquecerão, mas nós também sempre teremos uma constante lembrança.— Havia um placa de metal no carvalho, onde estavam os nomes dos quatro homens.— Com essa placa colocamos essas quatro vidas na eternidade.
Era o suficiente, foi o suficiente para originar alguns aplausos. Katherine agora respirava mais facilmente. Qualquer coisa para aplacar o ódio das pessoas, para manter os Tudor-Habsburg sem mancha e defeito.
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