La Belle Anglaise
17 16. Despotismo Escondido.
Havia acabado enfim. Eles acabaram o que deveriam fazer no salão. Era um alívio. Com isso todos voltaram para seus aposentos em Bristol House ou para onde estava hospedados. E graças a Criador, Bravandale foi com esse segundo grupo, para Deus sabe onde. Se bem que os Berkeley eram de Bristol e Gloucestershire ficava do lado do condado.
Que seja. Assim que o duque despediu-se, Wilhelm suspirou aliviado com essa libertação. Que homem desagradável era James Berkeley, era impossível não odiá-lo. E essa paixão que ele tinha por Katherine? Era ridícula, e em um nível tão alto, que o dumm via-se na necessidade de competir pelo amor de Katherine, mesmo ela já tendo um favorito: o sueco.
De qualquer forma, foram duas horas insuportáveis, sem dizer cansativas também. Quando o casal Bristol entrou no quarto que havia sido preparado para eles, Wilhelm foi logo para uma poltrona. Ele estava terrível e o mesmo poderia se dizer de Katherine.
— Não me lembrava de uma noite tão cansativa quanto essa.— Não conseguindo resistir, o príncipe sorriu. Então por que ela permanecia em pé?— Mas o conde von Heingein me lembrou que tenho de conhecer mais meu principado.
— Para mim ele parece ser um pomposo idiota. Talvez até libertino.— Era uma surpresa ele ainda não ter sido dispensado.
— Você achou? Eu gostei dele.— Que surpreendente, no caso Katherine tê-lo escutado. Ela virou-se e começou a procurar algo na penteadeira.— Embora ele realmente seja um libertino. Von Heingein aceita e dá prazer para qualquer um, não importa quem, ou o que, seja.
— E como você sabe disso? Quem falou?— Embora Wilhelm realmente tenha percebido o persistente olhar do conde não apenas nela, mas nele também.— Poderia ser uma mentira.
Parando um momento sua busca, Katherine encarou ele e deu de ombros. Era tão indulgente. Suspirando cansado, o príncipe fez um pouco de esforço para tirar o sapato.
— Ouvi de alguém, não lembro exatamente quem. Você sabe que as pessoas me falam muitas coisas, até mesmo indiretamente. Me consideram uma tola, idiota e fútil que não entende nada.— Katherine esqueceu do "preocupada apenas com a aparência".— Além do mais, não percebeu como ele te olhava, Wilhelm? Von Heingein parece ter gostado de você.
Para isso Wilhelm não tinha coragem alguma de rir. O olhar do conde era... insistente. Mas passando isso, o príncipe voltou a olhar para a esposa, ela agora estava procurando algo na caixa de joias.
— Engana-se, Katherine. Ele estava dividido.— Parando sua busca, a princesa encarou o marido confusa. Wilhelm sorriu irônico e acrescentou:— Dividido entre minha grandeza e sua desenvoltura.
A princesa piscou confusa e quando entendeu as palavras do marido, sorriu sarcástica.
— Realmente, talvez ele quisesse ver como é sua grandeza e minha desenvoltura.— Agora Wilhelm quase riu. Que piada mais indecente.— Seria você atrás e eu na frente, ou um atrás do outro?
— São tantas possibilidades, não?
Segurando o máximo possível, o príncipe sugeriu divertido. Negando a cabeça, Katherine voltou a sua caixa, era perceptível que ela ria.
— Você parece ter gostado do assunto, Wilhelm.— Ele fez uma dramática careta, mesmo que Katherine não estivesse olhando.— Estou errada?
— O conde não faz meu tipo.— Estava longe de fazer. Um maligno pensamento veio a Wilhelm, então ele acrescentou:— Tenho uma preferência por curvas definidas e seios, principalmente os grandes, cheios e redondos.
Agora a atenção de Katherine foi fisgada. A princesa encarou o marido com seriedade. Não era ela que Wilhelm estava descrevendo, não era ninguém em específico na verdade. O olhar da marquesa era de matar, quase literalmente de matar, o príncipe quase que sentia-se ameaçado. Era muito tarde para dizer que ele achava as mãos e pernas dela um espetáculo?
Tentando mostrar que ela não deveria levar essas palavras muito a sério, Wilhelm estentava no rosto um grande sorriso divertido. Mas de nada serviu.
— Pense muito bem no que me fala, liebe. Eu sou a mais bela que existe, qualquer homem ficaria satisfeito comigo, e não é o tamanho dos meus seios que diz isso.— Essas palavras dela eram tão... estimulantes. Se Wilhelm não estivesse irritado com a esposa...— Mas fico feliz que o conde não faça seu tipo. Não gosto de compartilhar o que é meu.
Dessa vez Wilhelm não conseguiu aguentar e riu, essa última parte foi maravilhosa.
— E eu pertenço a você?
— Mas é claro que pertence.— Voltando sua atenção para a caixa, ela respondeu séria.— Não ouse afirmar o contrário.
As risadas de Wilhelm continuaram, o sentimento de posse era maravilhoso, não? Apesar dela não mostrar, ele sabia que a esposa ria também. Acalmando-se o príncipe fechou os olhos e deitou a cabeça no encosto do sofá. Wilhelm quase esquecia do que Katherine havia feito...
— Temos um assunto para conversar...— Abrindo abruptamente seus olhos, ele tentou falar com a esposa.
— Achei!— Mas foi a voz de Katherine que se sobressaiu.— Finalmente eu encontrei!
Cheia de animação a marquesa aproximou-se do marido e mostrou dois ddocumentos impressos. Primeiro Wilhelm olhou para os papéis, e depois para Katherine. Por que tanta alegria por isso?
— Duas páginas amassadas e velhas... interessante...— Com o sorriso um pouco minguado, ela entregou a ele uma folha.— Ah, é um censo... de dois anos atrás.
— E pensar que nem faz tanto tempo assim, parece que foi ontem que papai me deu esses papéis.— Estava explicada a animação dela. O príncipe analisou o documento.— Logicamente a primeira coisa que devo fazer em Niedersieg é conhecer o lugar.
Errada Katherine não estava. Wilhelm não falaria isso em voz alta, mas ela começava bem.
Nos últimos vinte anos houve um grande crescimento populacional no principado... Sendo esse crescimento mais um efeito direto da imigração,(austríaca, bávara, holandesa, italiana e suíça), que de nascimentos... Dos aproximadamente 21.500 habitantes do principado, 2.150 estão no condado de Ehreschöne; 3.050 em Königsstadt; 6.300 em Smaragdberg e 10.000 moram na capital, Niedersieg...
Um verdadeiro amontoado de pessoas. Porém, o que mais chamava a atenção de Wilhelm era que:
69% da população é alfabetizada.
— Impressionante.— Abaixando o papel, Wilhelm comentou sincero, fazendo o sorriso da esposa aumentar.— Niedersieg é uma verdadeira joia do absolutismo esclarecido.
— É apenas a imagem de seus governantes. Somos ingleses, e não existe nação mais livre que a Inglaterra.— Não havia como contradizer, se a Grã-Bretanha parecia ruim, o resto era pior.— Temos muito orgulho em afirmar que apesar de Niedersieg ser predominantemente católico, o santo oficial deles é Sankt Vinzenz Ferrer, essa maioria convive muito bem com a minoria protestante, luterana e calvinista, e com os judeus, claro. Uma joia, de fato.
Preferindo ficar calado e evitar ser grosso, Wilhelm olhou novamente para os dados... Não! Não conseguindo aguentar muito, o príncipe voltou a encarar Katherine.
— São dados mais que impressionantes. O que também não serve como desculpa para o que você fez algumas horas atrás.— O rosto da princesa imediatamente se fechou, ela lembrou.
— Refere-se ao meu golpe?— Os olhos de Wilhelm se arregalaram e ele perdeu a voz. Ela confessou! E não parecia nada arrependida.— Faça-me o favor, Wilhelm! Sua amada tia fez a mesma coisa, não me julgue.
— Não julgar?— Finalmente o príncipe encontrou sua voz.
— Exatamente.— Sorrindo satisfeita, a princesa voltou aos dados. Ela realmente acreditava que seria assim?— Wilhelm, você sabia que apesar de Niedersieg já ter pago duas vezes...
— Não, Katherine! Não acabou ainda!— Levantando-se da poltrona, ele foi para a frente da esposa.— Minha tia foi obrigada a dar aquele golpe, ela precisava salvar a Dinamarca de Struensee e de Caroline Mathilde. Muito diferente de você, que fez isso simplesmente por poder!
Isso foi um erro. Imediatamente Wilhelm percebeu. Apesar de estar praticamente encarando Katherine, era ela que tinha a expressão ofendida e raivosa. Mas ele manteria o orgulho.
— Por nada? Você ousa dizer que fiz sem motivo!? Por nada!
— Você sabe muito bem que não foi isso que eu disse, Katherine!— Falando igualmente alto, ele tentou se defender.
— Mas foi o que deu a entender! Crianças não governam, Wilhelm. Estou evitando que outros tentem tomar o poder do nosso Richard.— Sim, tomando o poder para si mesma.— E sua tia não salvou a Dinamarca, muito ao contrário, Juliane Marie salvou o poder da aristocracia tradicional. E você ainda se diz um "iluminista".
Um "iluminista"? As aspas usadas por Katherine foram o cúmulo. A marquesa encarava desafiadoramente o príncipe, que, com certa dificuldade, tentava manter a calma. Estava sendo muito difícil... Mas que seja!
— Eu sou um iluminista, o que não sou é um radical! Struensee não respeitava o rei, meu primo, não respeitava os Oldenburg, a minha família, e muito menos o povo dinamarquês. Esse Satanás iria destruir a Dinamarca!— Era melhor viver sem liberdade do que não viver. Isso serviu para deixar a princesa irritada.— Entenda uma coisa, Katherine: A democracia é um processo, não um evento.
Nem sempre o povo estava preparado para ter liberdade. Mas isso não mudou muito a atitude de Katherine, ela apenas baixou o tom.
— Tudo que fiz foi com o objetivo de proteger nosso filho. Era o melhor.— Por que ele ainda perdia seu tempo? Wilhelm balançou a cabeça e virou o rosto, era tão engraçado.— Tomei para manter.
— Faça como quiser, você já fez de qualquer forma.— Sendo o mais irônico possível, Wilhelm levantou as mãos a afastou-se de Katherine.— Mas saiba de uma coisa: o poder absolutista, mesmo que iluminado, é podre, não faz bem.
— Não fale como se eu fosse uma ignorante!— Perdendo sua paciência, a marquesa caminhou ameaçadora até o príncipe.— Tenho consciência dos meus atos, sei o que faço e quais serão as consequências.
— Disso eu não duvido. Eu te conheço o suficiente para saber de tudo que você é capaz, Katherine.— Ela semicerrou os olhos desconfiada.— Você é exatamente como os outros monarcas do continente, mas isso sob uma máscara de tolice.
— Não me chame de tirana.— A marquesa tinha ficado ofendida?
— Eu não chamei ninguém de tirana.— Katherine deu as costas e saiu de perto dele, voltando para a penteadeira.
Fechando fortemente seus olhos, Wilhelm grunhiu frustrado. Eles havia chegado ao limite da discussão hoje. Isso era tão frustrante! Esses Tudor-Habsburg eram impossíveis de aguentar! Apesar de terem esse nome composto, eles eram majoritariamente Habsburg, com seu absolutismo e conservadorismo, dos Tudor essa família tinha apenas a veia tirânica. Que desgraça!
Voltando a sentar, no recamier da cama, Wilhelm suspirou, agora mais calmo.
— Não leve... não leve a sério todas as minhas palavras, Katherine.— Ainda um pouco relutante, o príncipe falou. Mas ele não iria recuar.— Falo essas coisas porque quero te proteger... Toda vez que você sente dor, eu... eu sinto vontade de chorar.
A resposta dela não veio imediatamente, mas já era esperada.
— Apenas deixe que eu resolva minhas pendências, e não me envolverei nas suas.— Era justo. Eles ficaram em um leve silêncio, até que...— Você e Georgiana pareciam próximos no salão.
— Assim como você e o dumm.— Francamente, Wilhelm não queria tocar nesse assunto.
— James é...— Um amigo? Ela hesitou.— Conheço James desde a infância, é natural ele querer me ajudar nesse momento de luto.
— E a duquesa é minha amiga. Uma boa amiga.— Mas mesmo não querendo, Wilhelm estava curioso.— Por que você não a convidou para ser uma dama de companhia?
— Georgiana Cavendish é uma mulher que gosta de atenção, ela necessita de atenção e não suporta o contrário.— Não havia como negar, mas o que... Ah, Wilhelm logo entendeu.— Por conta disso a duquesa está sempre brilhando e influenciando. Francamente, Wilhelm, não quero um dama que chame mais atenção que eu.
— Mas você ofendeu ela...— Novamente, foi um erro.
Katherine encarou o príncipe e o fulminou com um olhar raivoso.
— Não faça eu me sentir pior do que já estou!— Indo para porta, a marquesa colocou a cabeça para fora e gritou:— Maria! Venha aqui e ajude-me a trocar de roupa!
Para todos os efeitos, ela havia escapado de Wilhelm.
*****
14|01|1781 Catedral de Bristol, Bristol
— A minha marquesa não posso oferecer glórias, vitórias ou riquezas, mas, a exemplo de Orange no passado, posso lhe dar a minha proteção.— Wilhelm estava ajoelhado na frente de Katherine.— Durante toda a minha vida eu prometo proteger, cuidar e aconselhar a minha senhora. E que Deus me ajude nessa causa. Assim está bom?
Com uma rapidez impressionante, o príncipe levantou. A marquesa de um sorrisinho, era tão humilhante assim?
— Está convincente.— Wilhelm a encarou com uma sobrancelha arqueada antes.
— Não é como se tudo fosse mentira.— Desviando o olhar, ele murmurou. Katherine sabia disso, mas...— É realmente necessário todo esse espetáculo? Existem partes que eu excluiria...
— Passemos para a parte seguinte.— O bispo de Bristol, Thomas Newton, falou mais alto que o príncipe.— Esse é o último treino, embora também seja o único... Devemos fazer que tudo aconteça como deve acontecer.
— O Sr. Newton está certo, Wilhelm. Vamos nos calar e treinar.— O príncipe bufou ofendido e voltou ao seu lugar. Era tão divertido provocar ele na catedral.— Podemos continuar agora.
Com essa afirmativa o bispo voltou a explicar e exemplificar o que iria acontecer amanhã. Era um ritual complexo, não tanto quanto uma coroação, mas ainda assim muito complexo. Ainda sentanda em sua cadeira, Katherine suspirou cansada, ela não conseguia prestar atenção no que o bispo dizia. Talvez não fosse assim tão necessário, desde a morte do marquês a anglicização era preparada...
Ah, a morte do marquês! Tanta coisa aconteceu desde que ele morreu. Essa guerra interminável contra as Treze Colônias, agora também com a França, Espanha e Holanda, não dava sinal de conclusão, e enquanto a moral americana aumentava, a britânica só diminuía. Em novembro a imperatriz Maria Theresa da Áustria morreu. Mas o ápice de todos os acontecimentos foi Katherine descobrir que estava novamente grávida.
Foram meses terríveis, mas pelo menos eles estavam aqui, se preparando para a anglicização, ou segundo Wilhelm: o circo, já que não existe necessidade alguma de declarar Katherine uma inglesa, sendo que ela era a mais inglesa dessa família. Ele estava errado, era sim necessário, Katherine ainda era uma princesa estrangeira.
— Lord Ormond virá com a coronete e os dois cetros.— Como se fosse realidade, o visconde caminhou até o bispo com a almofada onde repousavam as regalias.— Eu colocarei a coronete na cabeça de minha marquesa e os dois cetros nas mãos.
Simplesmente parando a coroa na frente dela, o bispo simulou o que iria acontecer amanhã. Os olhos de Katherine focaram na coronete, era menor do que ela lembrava.
— Uma pequena pergunta: isso vai caber na cabeça de Katherine?— Todos os olhares foram para Wilhelm. Que pergunta era essa? Não era para entrar na cabeça.— Ou melhor, não vai cair?
— Foi feita para não cair.— A resposta da marquesa não sanou a dúvida dele.— Explique sua pergunta, Wilhelm.
— Bem, pode até ter sido feita para não cair, mas se apenas ficar suspensa na sua cabeça, a coronete cairá.— Suspensa?— Lembre-se do seu cabelo, Katherine.
Isso poderia ser perdoado, ela poderia perdoá-lo. Era um homem, não entendia nada da vida feminina e como o penteado da moda não necessariamente impedia uma mulher de viver. Mas o que a condessa de Torrington disse em seguida, isso Katherine não poderia perdoar:
— Devo concordar com o príncipe, minha marquesa. Não me recordo de nenhuma coroação na década que passou, para falar a verdade não lembro de nenhuma mulher sendo rainha.
— Portugal é governado por uma rainha, Lady Torrington, assim como o rei da França, Louis XVI, tem sua rainha consorte.— A condessa piscou os olhos tentando se recordae. Por que Katherine ainda perdia seu tempo.— A milady esqueceu?
— Certamente foi isso. Aconteceu tanta coisa nessa década.— Era melhor nem responder, eles estavam em uma catedral. Lady Torrington sorriu lembrando.— O que Maria de Portugal e Marie Antoinette fizeram com a coroa?
As rainhas consortes não eram coroadas na França e os reis em Portugal não usavam coroa, e muito menos tinham coroações. Katherine prendeu sua respiração, tentou se acalmar e encarou Wilhelm, procurando algum tipo de apoio. Ele estava tentando não rir!? Não era uma situação engraçada! Se bem que... infelizmente era sim, a princesa teria que aceitar.
— Sim, Katherine. O que elas fizeram com a coroa?— Friamente a marquesa encarou o marido, essa provocação dele era... desnecessária.— Estamos todos muito curiosos.
— Não importa o que as estrangeiras fizeram, mas sim o que a marquesa fará.— O sorriso irônico de Wilhelm desapareceu com a resposta do visconde Ormond. Agora foi Katherine que sorriu altiva.— A coronete foi projetada com grampos, que serão presos ao cabelo da marquesa quando o bispo Newton colocar a coronete nela.
— Ah.— O sorriso da princesa quase se tornou um risada, essa resposta desanimada do príncipe foi perfeita.— Entendi agora.
Quem também pareceu entender foi a condessa de Torrington. Ela sorriu encantada com essa descoberta. Frederica Herbert parecia uma tonta, Katherine perguntava-se o que tinha na cabeça quando convidou essa mulher para ser sua dama? Graças a Deus ela seria apenas uma dama do quarto, junto com Rose Carlton, a baronesa Cottington e Louisa Caroli, a baronesa Monmouth, que curiosamente era irmã de Lord Cottington.
— Que divino! Ninguém terá que pegar a coronete se ela cair.— A condessa olhou para a marquesa e sorriu.— Um alívio.
— De fato um alívio, Lady Torrington, mas não cabe nem a milady e muito menos alguma de nós se preocupar com isso.— Graças ao Cristo. Era Josephine, que entrou na catedral acompanhada por seu recém adquirido marido, o visconde Ricketts.— Perdão pela atraso, Sua Alteza Sereníssima, o tráfego está terrível, com certeza pela coroação, digo, anglicização.
— Não há o que se preocupar, Maria pode lhe falar tudo depois, Josephine.
A nova viscondessa Ricketts assentiu e posicionou-se ao lado das outras damas de companhia, atrás da marquesa, no caso.
— Louisa, você aqui.
— Eu fui a que chegou primeiro, querida.— Katherine iria esquecer isso, o problema era entre Lady Ricketts e Lady Monmouth.
O treino reiniciou com o bispo voltando a dar as instruções de onde todos deveriam ficar ou o que teriam de fazer. Até mesmo Lady Pembroke e Richard teriam uma função.
Ao pôr-do-sol tudo já havia sido revisado e o treino acabou. Nesse meio tempo o único contratempo envolveu a marquesa viúva, que não ficou nada satisfeita com as mudanças de Katherine nas músicas da cerimônia, não seriam as mesmas da última anglicização. Mas eram só músicas sacras, não havia necessidade de descontentamento. No final, a palavra da nova marquesa que prevaleceu.
No dia seguinte, na Catedral de Bristol, ocorreu a anglicização da 4° marquesa de Bristol. Com suas seis damas de companhia vindo atrás, segurando o robe, Katherine entrou na catedral, com mais atrás vindo Wilhelm e o conselho. Depois de fazer o juramento ao rei, ela foi para o altar e fez seu juramento pessoal a para Deus.
Sentando na cadeira onde anteriormente estava o rei, Katherine pôs-se a ouvir o bispo. Quando este acabou sua fala, Lord Nondell e Lord Cottington trouxam a bacia de prata, onde Lady Baster começou a lavar os pés da marquesa. Finalizando essa "limpeza de tudo que é estrangeiro", o sacerdote fez a pergunta de confirmação, que a marquesa assentiu. Com o enviado imperial na frente, e com Lord Ormond liderando com a coronete e os cetros, a regalia foi trazida e colocada em Katherine.
Era agora que Wilhelm iria ter seu "momento de brilho". Dignamente o príncipe caminhou até a esposa, curvou-se na frente dela, como um servo obediente, e fez seu juramento de lealdade vitalícia da forma mais apaixonada possível, sem mudar ou trocar palavra algum. Foi até que bonito. Mas depois dele foi a vez do conde de Aberavon e dos membros do Conselho de Bristol fazerem o mesmo.
Findando os juramentos, Katherine levantou-se da cadeira e, seguindo o bispo, foi apresentada como "inglesa" ao quatro cantos da da catedral:
— A marquesa de Bristol, uma inglesa! A marquesa de Bristol, uma inglesa!— Primeiro para leste e oeste, depois para norte e sul.— A marquesa de Bristol, uma inglesa! A marquesa de Bristol, uma inglesa!
Normalmente a cerimônia acabaria nesse ponto, mas não seria assim dessa vez. A cadeira onde anteriormente Katherine estava foi substituída pela cadeira prateada de Niedersieg e a própria marquesa sentou nela. Levantando de seu lugar, Lady Pembroke trouxe para sua senhora o pequeno Richard.
Com a marquesa sentada na cadeira de Niedersieg, e o príncipe de Niedersieg no colo da mãe, o bispo novamente falou:
— A marquesa de Bristol, a regente de Niedersieg e de seu príncipe!
Se ainda haviam dúvidas em relação a quem governava Niedersieg, elas acabaram. Maria Theresa estava morta, e com ela morreu a intermediação austríaca.
Ainda com Richard nos braços, Katherine levantou da cadeira e iniciou sua procissão de volta para Bristol House, mas agora com Wilhelm apenas dois passos atrás dela. Quando eles saíssem, as multidões do lado de fora teriam a bela visão de uma família perfeita.
Uma marquesa bela, um príncipe encantador, um herdeiro e um símbolo de fecundidade. Eram a imagem da perfeição, embora o povo mal soubesse que Katherine e Wilhelm eram tudo, menos perfeitos...
Cinco meses depois da anglicização, no dia 19 de junho, nasceu no Palácio de Hampton Court uma nova princesa para Niedersieg, seu nome seria Elizabeth Charlotte Anne Catherine.
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