Notas iniciais
Pois é, nesse capítulo as coisas mudam dramaticamente para Katherine e Wilhelm, e todo o resto da família também. Eu espero que estejam gostando da leitura, e apesar de eu ter leitores bem calados kkkk, sempre me divirto e emociono muito reescrevendo La Belle Anglaise. Boa leitura.

07|04|1780 Palácio de St. James, Londres

Na manhã de 25 de março, no ano de 1780, nasceu em St. James o primeiro filho da princesa Katherine e do príncipe Wilhelm da Dinamarca. Um grande, vigoroso e saudável menino. Ele não sabia, mas era o herdeiro de um grande legado britânico e alemão. A criança nasceu como o único herdeiro do príncipe de Niedersieg, assim como o herdeiro da princesa.

— Eu o batizo Alfred Richard George William, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, Amém.— Depois de muitos anos de incertezas, os Tudor-Habsburg tinham um herdeiro, Niedersieg tinha seu herdeiro.

A chegada dessa criança veio acompanhada de muita alegria. Principalmente para Katherine, era seu bebê, sua criança nascida viva. Mas também foi uma imensa alegria para o marquês e a marquesa, durante anos a continuidade dos Tudor-Habsburg em Niedersieg foi uma dúvida, sem contar também em Bristol onde mulheres não poderiam suceder mulheres.

Foi uma alegria tão grande que até mesmo o nome do menino tornou-se uma briga entre Katherine e Wilhelm. Segundo ele: todo primogênito dos Oldenburg era Christian ou Frederik. O que a princesa achou desnecessário e protestou. No final o novo principezinho seria Richard.

Depois do simples batismo de Richard na Capela Real, os avós, o marquês e a marquesa, pegaram a criança e levaram para conhecer seus principais padrinhos, o rei a rainha. Naturalmente Katherine e Wilhelm foram atrás, era o filho deles afinal. Mas logo eles descobriram que não serviriam para nada.

— Veja como é bonitinho, George.— Segurando o pequeno no colo, a rainha comentou para o marido ao lado.— Parece um Tudor-Habsburg. Ele tem os olhos da mãe ou do pai?

— Tem os meus olhos, acreditam nisso?— Rindo consigo mesmo, o marquês respondeu.

— Então você está certa, Charlotte, é um verdadeiro homem Tudor-Habsburg.— O rei e a rainha pareciam mais ansiosos que os avós. Avós... Pensando em seus pais dessa forma, Katherine riu levemente.— Ele parece tão saudável. Octavius terá um ótimo amigo para brincar.

Curiosamente sentados em um lugar mais afastado, os pais do menino observavam tudo em silêncio, ou rindo, dependendo do que fosse ouvido. O casal soberano parecia dois avós encantados pelo neto.

— Quem será que tem sorte, Katherine?— Ainda com os olhos neles, a princesa ouviu Wilhelm perguntar sarcástico. Ela olhou de lado para ele.— Nós ou eles?

— Aparentemente são eles. Acho que o rei e a rainha amam crianças.— Não era a toa que a rainha estava esperando o décimo quarto filho. O príncipe sorriu sarcástico.— Mas isso não é ruim, será bom para Richard ter o amor dos soberanos britânicos.

O sorriso de Wilhelm tornou-se uma risada cheia de escárnio, o príncipe estava se divertindo muito com as palavras da esposa. Ele não concordava? Katherine fechou a cara.

— Perdão, mas não consegui me conter, liebe.— Era perceptível, se não estivessem distraído, os outros teriam percebido. Mas ainda assim, "liebe", querida?— Como o amor do rei e da rainha beneficiária, Richard? Ele tem tudo.

— Nosso filho não tem tudo, ninguém tem.— Pelo menos era isso que Katherine pensava. O olhar desdenhoso de Wilhelm estava irritando.— Ele apenas é privilegiado.

— Isso significa que ele tem quase tudo. Existem pessoas...

— E não podemos fazer nada para mudar a condição delas. Perdão, Wilhelm, mas é a verdade.— E que esse assunto acabasse aqui. O príncipe virou a cara.— E outra coisa, a benção deles é muito importante para mim.

Em silêncio, os dois voltaram a olhar para os casais soberanos conversando. Era impressionante que Richard continuasse dormindo.

— Não acrescentará nada a vida dele.— Não fazendo muito esforço para falar baixo, Wilhelm respondeu seco.— Nada.

Essas ideias de Wilhelm cheias de razão e liberdade, eram tão incompreensíveis e irônicas. Principalmente levando em consideração que ele amava sua tia, mas a rainha Juliane Marie derrubou, literalmente, um governo iluminista e colocou no lugar um absolutista. Incompreensível.

— É tão bonitinho.— A voz da rainha trouxe a princesa de volta.— Você deve estar tão satisfeita, Katherine.

Como? Ela fitou a rainha pensando no que dizer, entender a pergunta na verdade.

— Ah... Sim, estou nas nuvens. Fico pensando como será com os outros.

— É só perguntar para quem sabe o que é ter muitos filhos.— Foi ironia da parte de Wilhelm. Katherine riu, mas ainda assim olhou dura para o marido.— Não é mesmo, meu rei?

— Só posso dizer que é cansativo.— Graças ao Cristo, eles não perceberam. Mas como não seria difícil na posição deles?— Nosso alívio são as crianças que não fazem nada. Tenho certeza que esse aqui também será quietinho.

Pegando a criança dos braços da rainha, o rei comentou brincando com os dedos de Richard. Assim ele iria acordar... Mais contida que o marido, a rainha fitou gentilmente Katherine.

— Podemos ver que esse será um grande Tudor-Habsburg.— Quanta expectativa em cima do pequeno. A princesa tinha até pena do filho.

— E como não poderia?— Agora sim o comentário irônico de Wilhelm foi ouvido. Katherine deu ao marido um olhar duro.

— Como?— O príncipe sorriu com a pergunta do rei, que parecia ofendido.— O que você quer dizer com isso, Wilhelm?

— Eu sou o pai, Katherine é a mãe, pequeno ele não será.— Deveria ter sido uma piada? De qualquer forma eles riram.— As vezes acho que deveria escrever comédias.

E Wilhelm revirou os olhos, não era uma piada então. O rei olhou fixamente o principezinho.

— Vamos esperar que ele também seja inteligente.— Mas que insultante! Katherine ficou particularmente ofendida, apesar de ainda assim sorrir.— Muito inteligente.

— O que meu rei quis dizer...— Wilhelm estava pronto para questionar.

— Acho que está na hora de Richard ser alimentado.— Mas a marquesa impediu o genro de falar qualquer coisa. Ela olhou para Katherine.— Não é, minha rosa?

Se não era antes, seria agora. Katherine e Wilhelm pegaram o filho e saíram da sala, o marquês e a marquesa continuariam para conversar. Agora eles teriam certa paz, e príncipe nenhum iria ofender o rei.

Mas para ter essa paz era preciso cruzar o palácio. Que assim fosse então.

No caminho para o apartamento de Bristol, o casal encontrou vários membros da corte, todos que olhavam para Katherine, Wilhelm e o pequeno Richard. Alguns tinham sorrisos no rosto, outros admiração e ainda havia quem olhasse diretamente para o que estava nos braço de Katherine. Pelo menos eles chamavam atenção.

— Já pensou em um dama para servir como governanta de Richard?— Quando eles estavam aparentemente longe de pessoas, Wilhelm perguntou.— Você não pode cuidar dele para sempre.

— Ainda não, mas logo irei encontrar uma dama do berçário.— Ela deixou a diferença bem clara, apesar do revirar de olhos dele.— Talvez Grace...

— Como se ela soubesse alguma coisa de crianças.— Esse tom desdenhoso de Wilhelm, Katherine não gostou.— O que foi? E a verdade.

— A sua verdade. Grace ama crianças, e sempre está cuidando dos filhos de Maria, que a elogia muito.— Além do mais, ela queria alguém confiável. Deveria ser a viscondessa Lovell, mas Lord Lovell foi enviado para servir nas Ilhas Sotavento Britânicas.— Não acha que está sendo muito crítico, Wilhelm?

— Estou sendo sincero. E você sabe que estou certo, Katherine.— A princesa virou a cara, ela não pediu a verdade. Isso apenas irritou mais ainda Wilhelm.— Será que ela não vai querer cuidar dos próprios filhos?

— Cuidar dos meus filhos não a impedirá de criar os dela. Eles crescerão juntos, como amigos.— Agora foi Wilhelm que fechou a cara. Eles eram dois orgulhosos.— Além do mais, é o que eu quero. A minha vontade que importa.

A seriedade que Katherine usou na voz foi impressionante, mas mesmo assim o príncipe riu com escárnio, em um tom mais voltado zombaria.

— Eu também tenho voz, sabia?— Todo homem tinha voz. Agora foi de Katherine o sorriso irônico.— Não acho uma boa ideia, essa é a minha opinião.

— Vamos fazer um acordo, liebe?— Ele a olhou curioso, embora também irritado.— Eu escolho minha casa e você seus amigos.

Caso ele desejasse fazer sua voz ser ouvida, teria que primeiro dar permissão para Katherine fazer o mesmo. E ambos sabiam que isso não iria acontecer. Então Wilhelm continuaria amigo de Georgiana Cavendish e a princesa teria suas amigas por perto. Que assim fosse.

Quando o casal finalmente chegou no apartamento, Richard foi entregue a Lady Lovell, que estava atrasando sua viagem ao Caribe por um tempo. E enquanto Wilhelm foi ler suas cartas, Katherine foi escrever as suas. Fazia um tempi que ela escrevia para Bess, a pobrezinha ainda estava de luto em Rocheberry Manor.

Mas assim que sentou na sua mesa de cartas, a princesa percebeu que havia dois livros e um bilhete na mesa. Pegando o pequeno papel dobrado, Katherine começou a lê-lo.

"Nossa rosa mais bela, você iniciou um novo período na sua vida, um que estará cheio de surpresas e desafios. Sua mãe e eu sabemos muito bem como é a vida conjugal e a de genitores. Por isso mesmo decidimos lhe dar esses dois diários cheios de conselhos, um escrito por mim quando mais jovem, e o outro por sua mãe, talvez esse possa ser de mais utilidade por agora. Temos certeza que lhe darão muita luz. Sua vida e a de Wilhelm serão iluminadas plenamente."

Com um sorriso bobo, Katherine abaixou o bilhete e pegou um dos diários, o que claramente pertencia ao marquês, tinha uma rosa dourada na capa afinal.

— Oh, papai, obrigada.— Mas havia uma folha solta... era... uma carta? Ao ver o que era, a princesa logo viu o nome: Frederik Adolf, duque de Östergötland. Katherine não soube o porquê, mas rapidamente ela abriu sua gaveta, pegou a caixa onde estava a correspondência de Frederik Adolf e colocou bem no fundo a carta. Isso... isso não poderia ser bom.— Por que você me assombra, Frederik Adolf? Por quê?

*****

26|07|1780 Palácio de Hampton Court

Havia algo de muito errado com o marquês e a marquesa, algo muito errado mesmo. Não apenas em relação a saúde do marquês, que provavelmente estava em uma situação muito ruim. Mas tudo parecia estar errado, em vários sentidos.

E tudo se iniciou um pouco depois do batismo de Richard. Em um dia, quando estava prestes a entrar na biblioteca, Wilhelm acabou ouvindo parte de uma conversa entre os dois:

— Tem certeza que foi uma boa ideia Alfred?— A marquesa parecia temerosa.— Tenho muito medo da reação dela.

— Se houvesse em mim alguma certeza, eu e você teríamos falado pessoalmente.— Falado o que? Por que o marquês parecia tão estressado.— O curioso é que ela já deveria ter encontrado a...

O tom do marquês baixou. Não era nada louvável, mas Wilhelm tentou ouvir atrás da porta.

— Exatamente, deveria. Mas não aconteceu nada. Você...— A conversa ficou muito mais baixa e Wilhelm quase nada ouviu.—... Espero que estejamos agindo da maneira correta.

Depois disso acabou. Muito bem, Wilhelm deu as costas e saiu de perto, ele estava curioso, mas não a esse ponto. Mas foi depois disso que as coisas claramente começaram a ficar ruins e muito estranhas, isso estendendo-se a guerra. Apesar dos britânicos terem vencido o Cerco de Charleston, a oposição a guerra estava gradativamente aumentando.

Uma guerra custava muito tempo e capital, e nessa gerra quem estava pagando tudo eram os britânicos, eles estavam sozinhos. O povo e os políticos estavam ficando insatisfeitos com essa situação. Insatisfação essa que ficou muito clara com os motins que aconteceram em Londres no começo de junho. Foi algo terrível! Estavam culpando os católicos pela guerra, o marquês até pensou em deixar a capital por causa da conexão que eles tinham com o catolicismo.

No final, a revolta foi reprimida, muito violentamente, mas reprimida, o que não significava o fim dos problemas causados pelos motins. Alguns dias depois chegaram de Viena cartas da arquiduquesa Charlotte e da imperatriz viúva, Maria Theresa, falando como o continente estava "escandalizado" com os motins contra os católicos. A Áustria não cogitava mais ajudar os britânicos, e o resto das nações europeias seguiria esse exemplo.

Os britânicos estavam sozinhos na guerra contra os rebeldes na América, e sozinhos continuariam. Esse foi um terrível golpe para todos que estavam envolvidos no conflito, inclusive o marquês.

E por fim, poucos dias atrás chegaram notícias de uma batalha em um lugar chamado Springfield, os britânicos perderam a batalha e junto perderam Nova Jersey, para sempre. Segundo alguns essa não foi uma grande perda, mas no momento derrotas não eram aceitáveis.

Todos esses acontecimentos tiveram um efeito terrível no marquês e na marquesa. Alfred estava cansado, triste e doente. Comparando o agora com os retratos dele anteriores a guerra, ele era apenas uma sombra do passado. E com a marquesa não era muito diferente. Em uma pintura um pouco antes da guerra, Sir Joshua Reynolds retratou uma Elizabeth bonita, aristocrática e majestosa, com uma expressão de grandeza e pureza. Mas agora ela parecia a personificação da preocupação.

Agora Wilhelm entendia que a preocupação de Katherine não era excessiva, mas sim verdadeira. Embora tenha realmente sido um pouco excessiva quando a princesa Elizabeth casou em maio. O casal de marqueses não estava apenas preocupado e doente, mas também agindo muito estranhamente.

Eles sempre olhavam preocupados para Katherine, como se estivessem esperando algo, um algo que nunca chegava.

No dia anterior, 25, o marquês e a marquesa promoveram um evento em Hampton Court, onde chamaram alguns dos mais notórios inventores da Inglaterra para mostrarem suas invenções a eles. Nos jardins de Hampton Court, o marquês e a marquesa analisavam uma fila de invenções, enquanto o barão Pembroke apresentava todos.

— E quem seria esse?— O marquês perguntou parando, junto da marquesa, em frente a um cavalheiro com uma máquina com alguns rolos.— Essa é... curiosa.

— Esse é o Sr. Richard Arkwright, de Lancashire, meu marquês.— O barão apresentou com sua voz sonolenta.— Ele trouxe esse máquina que faz... eh...

O que exatamente a máquina fazia? Eram tantas possibilidades.

— Talvez o Sr. Arkwright pudesse nos explicar melhor, Lord Pembroke.— Com a sugestão da marquesa, o barão fez uma mesura e saiu de perto.

—Suas Altezas, essa é uma máquina de cadação.— Era para isso que servia? Para fazer linhas? Wilhelm estava desencantado, já existiam máquinas assim.— Meu marquês e, principalmente, minha marquesa, sabem que o algodão é um tecido muito apreciado e não muito caro. Essa máquina simplesmente transforma algodão puro em fios.

— Parece-me interessante.— O marquês comentou curioso. Segurando o braço de Katherine, Wilhelm se aproximou.— O cavalheiro poderia nos mostrar.

Fazendo como foi pedido, o cavalheiro pegou algodão e o colocou na máquina, o processo então se iniciou. Primeiro, em um terrível barulho, as sementes fora quebradas, depois o algodão começou a ser desenrolado, penteado, limpo e, por fim, os fios de algodão, finos e macios, começaram a surgir em uma meada.

Jesus Cristo! Era... isso era impressionante, a meada foi feita em pouquíssimo tempo. Wilhelm nunca viu uma coisa dessas, e se estivesse na Dinamarca talvez nunca visse.

— Virou fios! Isso é impressionante Sr. Arkwright!— A marquesa falou o que todos pensavam.— Impressionante!

— Agradecido, minha senhora. Eu também trouxe o tecido já fiado na minha fábrica em Derbyshire.— O cavalheiro tirou do bolso um pequeno pedaço de tecido e mostrou a consorte.— É quase perfeito, com rápida produção e um custo muito pequeno.

Então talvez um dia a produção de tecidos de algodão fossem muito mais simples, fácil e rápida.

— Não é impressionante, Wilhelm? O futuro e o progresso está bem na nossa frente.— Voltando a se afastar da máquina, Katherine comentou impressionada.— Imagine o mundo em que nossos filhos viverão.

— Não há nada igual na Dinamarca.— Embora talvez houvesse na Suécia. Olhando levemente para a esposa, ele percebeu o persistente olhar dela na máquina de cadação.— Me surpreende seus pais organizarem essa exposição. Eles não aparentam ter muito interesse no progresso.

— Somos dois, porquê eles não têm interesse.— Talvez fosse uma forma de aumentar a moral britânica, mostrando que a "Britannia" era inovadora.— Aliás, você está chamando meus pais de atrasados?

O casal se encarou seriamente por um momento. Até que Wilhelm sorriu irreverente e riu. Só agora ela percebeu? Não foi a intenção dele.

— Não deixa de ser uma verdade.

— Você é... insuportável!— O príncipe deu os ombros. Talvez ele fosse sim. Essa ação apenas irritou mais ainda Katherine.— Pelo menos eles não são absolutistas.

Com seu sorriso gradativamente morrendo, Wilhelm encarou a esposa. Ela tocou onde não deveria. Olhando as invenções, o marquês e a marquesa pararam em frente a uma complicada máquina com rodas. O inventor começou a explicar ao casal Bristol.

— Talvez meus parentes realmente sejam absolutistas. Mas...— Um zumbido estridente calou Wilhelm. Ele e Katherine olharam para a origem do som, apenas para serem assustados com um barulho enorme.— Für Christus!

O barulho não era o que assustava, mas sim o fato da enorme máquina ter começado a mover-se... sozinha!? Wilhelm sentiu a esposa apertar seu braço e os dois deram um passo para trás assustados.

— Já vimos o suficiente do seu motor a vapor, Sr. Watt!— Um motor! Funcionava a vapor!? Não sendo inicialmente obedecido, o marquês repetiu:— Faça parar!

Com essa última apresentação o exposição acabou, houve um resto, mas era insignificante se comparado agora com a máquina de James Watt. Foi uma tarde impressionante. Apesar de tudo, agora Wilhelm estava convencido que a Grã-Bretanha era realmente uma nação pioneira. Uma máquina que andava sozinha, impulsionada apenas pelo vapor... era impressionante! Mas esse mesmo sentimento dificilmente seria sentido hoje.

Normalmente Hampton Court abria suas portas aos necessitados apenas na Páscoa e no Natal, mas como hoje a marquesa acordou sentindo-se muito filantrópica, mendigos foram enviados ao palácio para receber esmolas. Particularmente Wilhelm não apreciava muito essas demonstrações, era tudo tão vazio, não mudava em nada a vida dos pobres. E Algo dizia ao príncipe que o marquês também não estava com muita vontade.

Ele não parecia muito feliz e estava reclamando que não se sentia muito bem, embora também afirmasse que era apenas o medo e ansiedade.

— Tem certeza, Alfred? Não quero você passando mal.

De braços dados, ou melhor, com o marquês apoiando-se na marquesa, o casal Bristol descia a escadaria.

— Já disse antes, e vou repetir novamente, tenho certeza sim, Elizabeth.— A voz de Alfred estava tão baixa... fraca.— Você vai estar comigo, e Katherine também. O que poderia acontecer?

— O mesmo que aconteceu em Chester.— Em Hampton Court? O palácio que tinha a segurança de um rei?— Não me olhe assim. É uma possibilidade.

— Primeiro teriam que passar pela Guarda Germânica.— O marquês respondeu rindo.

No topo da escadaria, Wilhelm observa o casal. Eram tão jovens mas pareciam um casal de idosos. Era um amor muito bonito. Será que ele e Katherine...

— Perdão pelo atraso, eu não estava encontrando meus brincos de rubis.— Falando nela. O príncipe virou-se para a esposa.— Como estou?

Ele quase perdeu a voz. Linda, Katherine estava perfeitamente linda. Era um anjo perfeito... Mudando seus pensamentos, Wilhelm respondeu:

— Tudo isso é para os mendigos?— O príncipe ofereceu seu braço a ela.— É um desperdício, sabia?

— Devo mostrar o meu melhor para todos.— Aceitando o braço dele, Katherine respondeu. Que tom orgulhoso e arrogante o dela.— E também, é improvável que essas pessoas voltem aqui, devo ser perfeita.

— Eu já disse antes que você é muito estranha, liebe?— Já descendo a escadaria, Wilhelm perguntou irônico.

— Não, mas eu prefiro ser bela ao invés de estranha...

A voz da princesa morreu logo em seguida. Um estrondo no final da escada chamou a atenção do casal, que rapidamente desceu para ver o que era. Talvez fosse o... O marquês! No pé da escadaria estava um desfalecido Alfred colo da marquesa, que muito assustada segurava sua cabeça e chamava por ele:

— Alfred!? Alfred!? Fale algo, Alfred! Alfred!— Vendo o estado do pai, desesperadamente Katherine juntou-se a mãe para chamar pelo marquês.— Ele não acorda! Katherine, seu pai não está acordando!

A única ação de Wilhelm foi gritar por alguma ajuda. Um alvoroço iniciou instantaneamente no pé da escadaria, ninguém sabia o que fazer, estavam desesperados. Em dado momento o marquês chegou a abrir os olhos, mas ele não conseguia falar, estava sem ar.

Enquanto a marquesa suplicava entre lágrimas e gritos que saíssem de perto, deixando assim Alfred respirar, um médico foi chamado. Mas no final, as oito da noite daquele mesmo dia 26, apenas um anúncio foi ouvido: O marquês morreu, Deus abençoe a marquesa.

Notas finais
°Liebe: querido, querida, amor e etc. Eu estava sentindo falta de Wilhelm falando alemão. La Belle Anglaise no Pinterest: https://pin.it/7ftsS06