La Bella Toscana
7 Vostro
Notas iniciais
Confesso que esse capítulo foi escrotamente difícil de escrever, vez que beira as 30 páginas e eu sentia que jamais o concluiria... Mas Deus provou que existe e cá estou.
Gostaria de mandar um beijo pra mamãe, pro papai e pra xux-... Para os meus amados leitores que acompanharam arduamente esta jornada de um ano inteiro. Uma promessa de uma fanfic curta e breve que se estendeu ao longo dos meses até atingir uma centena de páginas no Word. Além disso, demoras e delongas desnecessárias e frustrantes a todo e qualquer leitor, pelas quais peço mil desculpas.
Se tiver algum erro, a culpa é da beta, vocês já sabem (e vocês também sabem que isso é brinks da minha parte).
A todos, muito obrigada por acompanharem esta fic. Por deixarem reviews. Por sentirem os feelings fluir. Vocês são show.
Desejo uma excelente leitura e até a próxima!
Feliciano fechou os olhos e respirou fundo.
Quando era criança costumava encarar a morte como uma sombra tímida, mas sempre presente. Sempre aprendera a reconhecer sua iminência e a conviver com sua proximidade, que se traduzia pelas desesperadas tentativas de seu avô de cercar a ele e a seu irmão com a mais eficiente proteção, o que incluía uma quantidade nada modesta de guarda costas.
Rômulo também temia a morte ele próprio. Mas Feliciano, que era a pessoa que compreendia a maneira com a qual o avô se relacionava com essa companheira iminente. Feliciano entendia perfeitamente que Rômulo jamais temera a própria morte, mas contrariamente, temia a de seus entes queridos: seu primogênito e seus queridos netos. E era por isto que o velho chefe mafioso fazia o que fazia. Era por isso que, covardemente, optava por alguém de fora para sucedê-lo. Se Antonio morresse, eventualmente outro o substituiria. E assim por diante, até o fim dos dias de Rômulo. Até que ele finalmente conseguisse afastar de vez de seus consanguíneos o fantasma do império ilícito que ele próprio havia construído.
Lá no fundo, contudo, Feliciano sabia que não importava a quantidade de guarda costas que tivesse, a morte sempre rondaria a família. Simplesmente porque a sua amizade era algo forçosamente inevitável.
A despeito da convicção de Feliciano a respeito da proximidade da morte, aquela ainda não era a sua hora.
Por esta razão, não foi o seu corpo que tombou, sem vida, mas ainda quente, no chão. E também não foi em seu peito que o segundo disparo, imediato àquele primeiro, cravou uma bala.
O mais jovem dos irmãos Vargas abriu os olhos e suas íris douradas contemplaram com horror a estupefação daquele homem que ele próprio havia desarmado havia apenas alguns minutos. Havia incredulidade e confusão em seu olhar sôfrego que, além de tudo, parecia estar tomado pela dor do abraço da morte.
Feliciano assistiu o sujeito cair de joelhos no chão e logo tombar para o lado, já sem vida. Tudo como se fosse um filme em câmera lenta. Seu irmão gritou e, hesitante, o jovem italiano virou a cabeça na direção da porta.
Antonio, seu ex-hóspede, estava parado à porta, com o braço ainda esticado e uma pistola em mãos. Seu semblante era sério, tal como o de um assassino concentrado em perseguir o seu objetivo. Possuía uma pose altiva e transparecia respeito com seus trajes formais arrojados, verdadeiramente típicos de um homem poderoso.
Ao ver o amante parado à sua frente, Lovino desejou que não estivesse sonhando. Pareceu haver recobrado aquela consciência que lhe faltara minutos atrás e não demonstrou nem um pouco de preocupação ou incômodo com os dois corpos moribundos no chão. Teimosamente, contra toda a dor da ferida em sua perna e de seus hematomas, tentou desesperadamente se levantar.
“A-Antonio.” Gaguejou, antes de fracassar em sua vã tentativa de pôr-se de pé e escorregar no próprio sangue. Antonio largou a pistola que tinha em mãos e antes que Lovino pudesse encontrar o chão, amparou-o em seus braços, envolvendo-o em um abraço tão forte que chegava a ser sufocante.
“Mi amor.” Sussurrou com a voz rouca ao pé do ouvido do mais velho dos irmãos. Suas mãos limparam o sangue seco que maculava as bochechas macias de seu italiano e afastaram seus cabelos de sua testa com todo o cuidado do mundo. “Perdóname, mi amor, perdóname.”
“Eu não entendo espanhol, seu idiota.” Lovino grunhiu, enterrando o rosto na camisa branca de Antonio, ao mesmo tempo em que lutava contra as lágrimas de alívio por vê-lo à sua frente. Sentiu o cansaço tomar conta de seu corpo, ao mesmo tempo em que se permitiu relaxar por finalmente saber que estava seguro nos braços de seu amante. Sua cabeça foi ficando gradativamente mais pesada até finalmente o estresse e a dor tomarem para si todos os seus sentidos.
A consciência voltou a Lovino aos poucos. Em um primeiro momento, a sensação foi auditiva: embora seu cérebro ainda não fosse capaz de lhe enviar os sinais necessários para que abrisse os olhos, em momentos de lucidez conseguia ouvir os sons do ambiente. Na maior parte do tempo, predominava um relativo silêncio no quarto, que o som do condicionador de ar não atrapalhava. Algumas vezes, no entanto, passos apressados rompiam com a monotonia da acústica. Vozes abafadas trocavam informações, às vezes de maneira tranquila, às vezes mais exaltada. Lovino nunca conseguia identifica-las. E logo tudo se calava. Mais uma vez.
Nesses momentos de abstração da realidade, tudo parecia um grande vazio. Algumas vezes, podia jurar que estava sonhando, mas outras não. Às vezes, jurava que podia ver seu avô, Feliciano... Antonio. E, repentinamente, todos desapareciam. A vida parecia passar enquanto sua própria noção de tempo apresentava-se inexistente. Tudo era uma grande confusão dentro de sua cabeça.
A certa altura, vozes tornaram a romper o silêncio solitário de sua inconsciência. Eram vozes que conhecia perfeitamente e nenhuma delas deixava transparecer felicidade. Havia uma tensão no ar.
“Você não vai sair, Antonio. Já está imiscuído demais nos negócios da família para pular fora. O que aconteceu na pousada é apenas um exemplo do que pode acontecer com você, quer esteja conosco, quer não esteja. Além disto, eu jamais o deixaria sair vivo disto.”
“Você está dizendo que vai me matar se eu desistir?”
“Estou dizendo que não posso garantir a sua segurança se você fizer isto.”
“Você ouviu o que Feliciano disse, não ouviu? Eles estavam atrás de mim.”
“Estavam atrás de nós dois, Antonio.”
“E você não acha que o risco para ele não vai ser maior se eu estiver envolvido?”
“O envolvimento de vocês dois é que é um problema grave.” Retorquiu a voz de Rômulo, em tom solene. “Dê um fim a ele imediatamente.”
“Você acha que eu não tentei?” Foi a resposta fria que Rômulo recebeu.
Lovino sentiu seu coração se partir.
Em outra ocasião, passos quietos irromperam o recinto e cessaram muito próximos ao corpo adormecido do italiano.
Ele ouviu um soluço abafado de alguém que ele conhecia bem. Sentiu o colchão afundar um pouco e algo quente pingar em seu rosto.
“Eu não quero deixa-lo, eu não quero deixá-lo.” Soluçava o espanhol, acariciando o rosto do rapaz desacordado. Ele parecia tão exasperado. “Te amo, te amo, quiero querdame contigo. Por favor, meu Deus, me deixe tê-lo ao meu lado.”
Em meio ao desespero de Antonio, uma lágrima quente escorreu pela bochecha de Lovino antes que ele tornasse a perder a noção dos acontecimentos.
Quando o italiano finalmente abriu os olhos, estava sozinho no recinto. Piscou algumas vezes, recobrando a consciência, enquanto encarava a brancura do teto. De soslaio, seus orbes dourados buscaram alguma alma viva. Em vão. Ficou por volta de quinze minutos deitado, sem se mover, até finalmente sentir a necessidade de ir ao banheiro.
Por não haver ninguém por perto e movido por sua própria teimosia, tentou se sentar na cama por conta própria. Mas sua perna imobilizada o impediu de fazer qualquer outro movimento para se virar e descer da cama.
“Droga.” Grunhiu.
No mesmo momento, a porta do quarto se abriu e Feliciano adentrou sem se reservar ao silêncio.
“Nonno, seja razoável. Essa escolha não lhe pertence.”
“Isso é inaceitável!” Bradou a voz que pertencia a seu avô.
“Pare de ser tão teimoso!” Retrucou Feliciano, exasperado. Ele imediatamente se calou ao perceber Lovino sentado na cama, o encarando com a sobrancelha arqueada.
“Lovi!” Comemorou, correndo na direção do irmão e abraçando-o.
“Por quanto tempo eu dormi?” Perguntou o mais velho, sentindo a própria voz soar rouca e esquisita.
“Um dia inteiro apenas. Nada fora do seu padrão pessoal.” Informou o avô. “E onde você pretendia ir com essa perna imobilizada, mocinho?”
“Ao banheiro.” Respondeu. “Eu quero fazer xixi, se isso for possível.” Adicionou, em tom sarcástico.
Feliciano sobressaltou-se e anunciou que chamaria uma enfermeira para ajudar. Lovino rapidamente corrigiu-o, exigindo que fosse um enfermeiro.
Quando finalmente resolveu seus problemas e foi reacomodado na cama, Lovino não esperou que seu avô e irmão perguntassem como ele estava. No lugar disto, saciou sua maior dúvida naquele momento.
“Onde está Antonio?” Perguntou em um tom altamente desconfiado.
“Por que você quer saber?” Perguntou Rômulo.
“Eu quero vê-lo.”
“Antonio está trabalhando.”
“Então chame-o aqui quando ele terminar.”
“Ele está muito ocupado.”
“Não ocupado o suficiente para não me ver.” Desafiou o mais velho dos irmãos.
“Seus pais vem lhe visitar hoje.” O avô alegou, mudando o assunto.
“Eu estou pouco me fudendo pra isso. Quero ver Antonio agora mesmo.”
Rômulo massageou as têmporas e suspirou, reunindo toda a paciência do mundo para ter de lidar com a obstinação de seu neto mais velho.
“Ouça bem, Lovino: você sabe que eu sou muito paciente com os seus romances, independente de serem com homens ou mulheres. Mas dessa vez você foi longe demais. Eu não vou permitir que você corra um risco desnecessário.”
Feliciano assistia a discussão, apreensivo. Sabia que quando o avô e o irmão engajavam em um embate, ele poderia durar horas e horas sem que nenhum dos lados cedesse. Às vezes, inclusive, se transformavam em verdadeiras brigas que terminavam com o mais velho dos irmãos ofendendo toda a sua geração e com Rômulo com uma bela dor de cabeça.
O mais jovem dos irmãos aproveitou que nenhum dos dois lhe dava atenção e saiu de fininho do quarto.
A discussão entre Rômulo e Lovino só terminou quando a enfermeira trouxe o jantar e nenhum dos lados se atreveu a trocar palavras durante o resto da noite, nem mesmo quando os pais dos jovens apareceram, em um raro momento juntos, para fazer uma visita.
Lovino dormiu a maior parte do dia seguinte, acordando somente por volta das duas da tarde. Encontrou Feliciano sentado no sofá cama, tranquilamente mexendo em seu celular. Bufou, irritando com a ausência de Antonio.
“Mano, você acordou, finalmente.” Feliciano lhe dirigiu um sorriso. Deixou o celular sobre o sofá e buscou um saco plástico que estava ali jogado. Caminhou até a beira da cama e entregou-o ao irmão. “Olha o que consegui contrabandear para você. Já estão lavados e tudo mais.”
“Tomates.” Atestou o mais velho já salivando. “Grazie, fratello.”
Feliciano apenas sorriu em resposta.
“Vou avisar para a enfermeira que ela já pode trazer seu almoço daqui a pouco.”
Lovino assentiu quase de forma desinteressada. Estava bem mais concentrado em desfrutar a delícia de seu presente do que em se preocupar com o almoço.
Não muito depois de Feliciano se retirar, ouviu batidas na porta. Questionou-se se algum dia ouvira o avô ou o irmão mais novo baterem na porta. Até onde se lembrava, os dois simplesmente entravam no quarto sem qualquer respeito à sua privacidade.
“Entra.” Respondeu, tentando se inclinar para ver quem lhe visitava.
“Hola, Lovi!” Cantarolou o recém-chegado, fechando a porta com cuidado para não fazer muito barulho.
Antonio estava muito bem vestido: trajava uma camisa social em um tom rosa bebê e uma calça preta que trazia muitos benefícios aos seus atributos físicos. Lovino poderia observá-lo por horas naqueles trajes que nem de longe se assemelhavam aos trapos que ele vestiu na semana em que esteve hospedado na pousada. Tinha um buquê de margaridas em uma das mãos e uma barra de chocolates em outra. “Olha o que eu trouxe para o meu querido baleado!”
“Tch.” O italiano desviou o olhar para evitar que o espanhol percebesse sua felicidade em vê-lo. “Como você conseguiu vir aqui afinal? Tenho quase certeza que o Nonno fez o possível para mantê-lo afastado.”
“Feli me deu uma mãozinha.” Sorriu, direcionando uma piscadela a Lovino.
“Tch. Ótimo, agora vou ter que agradecer ao idiota.” Murmurou, fazendo bico. Seu olhar imediatamente encontrou o do amante e naquele milissegundo, ambos finalmente puderam perceber o quanto um fez falta ao outro.
Lovino foi o primeiro a romper com o silêncio desconfortável.
“Então...” Ele pigarreou. “Você foi guarda costas do meu pai. Como pode eu não me lembrar de você por perto?”
Antonio deu de ombros.
“É normal, mi cariño. Roma possui uma porção de capangas. Eu era apenas mais um deles na época.”
“Mesmo assim...” O italiano ponderou em tom distraído, enquanto se recordava de algumas das palavras que ele próprio havia traduzido no corpo daquele caderninho. Seu semblante parecia calmo, desprovido da usual testa franzida que o acompanhava aonde quer que fosse.
Cauteloso, Antonio se aproximou mais do colchão. Lovino sentiu quando o colchão afundou com o peso do corpo do espanhol sentado no pequeno espaço livre na beira da cama.
“Como você está se sentindo?” Perguntou em um tom ridiculamente terno, enquanto passava a mão pelo gesso que imobilizava a perna do italiano. “Ainda dói?”
“Um pouco e às vezes. O pior é esse gesso idiota que pesa bastante e esquenta a minha perna como se ela estivesse assando.” Lovino desabafou, cruzando os braços. “Não acredito que vou ter que ficar com essa porcaria por mais uns meses.”
O espanhol suspirou, visivelmente chateado.
“Perdoe-me por isso.”
“Perdoar pelo quê, seu idiota? Não foi você quem fez isso, em primeiro lugar.”
Antonio negou com a cabeça, sequer dando atenção para as palavras do outro.
“Se eu tivesse sido mais rápido em descobrir o paradeiro daqueles sujeitos, tudo isso poderia ter sido evitado.”
“Mas que merda, você não é o Super Homem, nem porra parecida, pare de se achar o todo-poderoso, seu imbecil.” Grunhiu Lovino. “Está tudo bem, você não está vendo?”
Antonio respondeu com um sorrisinho forçado. Qualquer pessoa, mesmo que não fosse daquelas muito observadoras, poderia dizer que algo o incomodava profundamente.
O espanhol se ajeitou na cama e, discretamente, suas mãos alcançaram as de Lovino, enlaçando os dedos de ambos os rapazes. Antonio se inclinou para frente de modo a ficar face a face com aquele a quem jurara amor verdadeiro. Mais uma vez, ele se deu ao luxo de contemplar a beleza que compunha as feições de seu amante, tal como um apreciador de arte fina o faz ao contemplar uma bela obra de seu gosto.
Havia decorrido quase um mês desde a última vez em que estiveram verdadeiramente juntos, mas os sentimentos de Antonio, que desde o princípio pareceram ingenuamente repentinos e ridiculamente precipitados, continuavam inabalados. Inclinando-se um pouco mais, ele pode tocar a sua testa na de Lovino.
“Seria bom se o tempo parasse agora.” Murmurou e Lovino pode sentir seu hálito quente bastante próximo de sua boca. “E se nós pudéssemos ficar assim para sempre. Não seria?”
O italiano engoliu seco e com o braço livre, envolveu Antonio, trazendo-o para mais perto de seus lábios.
Em um primeiro contato, seu beijo foi tenro e puro, como se ambos temessem que aquilo tudo não se passasse de uma ilusão facilmente dissipável. Na medida que se asseguraram que vivenciavam uma realidade tangível, o italiano achou por bem que a melhor coisa a se fazer era aprofundá-lo, arrancando de Antonio tudo o que ele poderia lhe dar naquele momento.
O espanhol se ajeitou na cama, sem romper o contato dos lábios. Sua língua pediu permissão para adentrar a boca de seu amante e Lovino permitiu-se envolver naquela distinta dança que conferia prazer ao beijo. O calor no recinto pareceu aumentar consideravelmente.
Como era possível que sentisse falta de algo que tivera por tão pouco tempo? Sua dependência emocional de Antonio aumentava exponencialmente, consumindo todo o seu realismo e enclausurando-o em um mundo de sentimentalismo e romantismo que muitos considerariam inadequados a um rapaz de sua idade.
Ele também desejava com afinco que o tempo parasse para ambos. Que pudessem ficar eternamente ali, beijando-se, apenas congelados como uma pintura em um quadro. Porque assim, poderiam ficar juntos para sempre.
Lovino sentiu deliciosos calafrios percorrerem o seu corpo. Um recado de seu cérebro, denotando o quanto de prazer ele havia deixado de experimentar nas últimas semanas e reagindo a tamanha abstinência.
Deixou escapar um leve suspiro entre a troca de carícias, enquanto buscou a qualquer custo um pouco de contato para a parte de seu corpo que Antonio não conseguia cobrir.
“Hmm, temo que não possamos, mi amor.” Antonio grunhiu, dedicando-se a mordiscar os lábios avermelhados do outro.
O italiano ignorou o comentário e guiou a mão de Antonio até seu baixo ventre, indicando onde uma possível ereção começava a despertar.
“Eu preciso de você.” Suspirou de um modo tentador, com uma sinceridade atípica sua. A imediata reação de Antonio foi segurar a respiração, na vã tentativa de acalmar seu coração escandalosamente excitado.
Antonio parou para analisar a situação. Encarou o pé engessado e suspenso de Lovino como se fosse um verdadeiro obstáculo e depois tornou a contemplar a face ruborizada e cheia de expectativa do amante.
Cuidadosamente, o espanhol passou a perna pelo corpo de Lovino de modo a ficar sobre o amante sem que precisasse se preocupar com sua perna imobilizada. A nova posição também permitiu um contato mais direto entre seus membros, que se mostravam tristemente enclausurados debaixo das camadas incômodas dos panos de suas vestimentas.
“Eu não posso fazer sexo com você agora, mas acho que isso pode ajudar a aliviar a pressão.” Antonio ronronou ao pé do ouvido do italiano.
Lovino suspirou ao sentir o baixo ventre do amante pressionando o seu próprio, e buscou movimentar-se a fim de aumentar ainda mais o contato. O homem sobre si entendeu o recado e tornou a capturar seus lábios em um beijo intenso. Dessa vez, no entanto, o movimento de seus quadris acompanhava o ritmo da dança, pressionando-se contra o corpo do ora paciente do hospital.
Tanto Antonio quanto Lovino soltavam ofegos sôfregos, em sua casta tentativa de satisfazer um ao outro. Os braços do italiano envolveram o amante com a intenção de jamais deixá-lo escapar novamente e aquele rapazinho ranzinza e rude que costumava afastar as pessoas a patadas entregou a sua alma, mais uma vez, ao simpático estrangeiro que havia capturado o seu difícil coração em uma questão de dias. E assim continuariam a dançar até que atingissem o clímax improvisado pela necessidade.
“Eu jamais poderei abandonar a máfia.” Confessou Antonio, entrelaçando seus dedos aos de Lovino enquanto dividiam a pequena cama de hospital.
“Eu sei.” Murmurou o italiano, enterrando a cabeça em seu colo. “Eu sei.”
Mais tarde, naquele dia, Lovino se arrependeria amargamente de não ter expressado seu desejo de estar ao lado de Antonio aonde quer que fosse.
Recebeu a notícia de sua alta do hospital em uma manhã atipicamente chuvosa de terça-feira e seu avô providenciou um motorista quase que imediatamente. Lovino foi auxiliado pelo irmão até a porta do veículo e em momento algum abandonou a carranca aborrecida que o acompanhava desde a última vez que ele e Antonio estiveram juntos.
Passou o trajeto inteiro interessado nas gotinhas torrenciais que pareciam de passagem pela janela, respondendo com monossílabos usuais cada observação ou comentário que seus parentes lhe direcionavam até chegar ao ponto de cochilar com a cabeça apoiada na janela.
Acordou minutos mais tarde graças à desaceleração do veículo e ao barulho irritante das buzinas dos automóveis. Ainda sonolento, esfregou os olhos e olhou através da janela.
Não estavam na Toscana.
“Mas que merda de lugar é esse?” Grunhiu com o habitual vocabulário, enquanto tentava suprimir um bocejo.
Feliciano, que estava sentado no banco do meio da minivan, ao lado do avô, virou-se para o banco do fundo.
“Lovi, você acordou!” Comemorou, meio cantarolando. “Já estamos chegando.”
“Onde?” Bufou o mais velho.
“Na casa da mãe de vocês.” Interrompeu Rômulo, para a estupefação de Lovino.
“O quê? Por que estamos indo pra lá?”
“A pousada não é mais um local seguro.” Argumentou o avô. “Nosso paradeiro foi descoberto e eu não posso arriscar que a polícia ou que capangas de outras famílias nos encontrem como já fizeram.”
“Besteira! A pousada é o local mais seguro do mundo. Se aqueles dois sujeitos a encontraram, foi pura sorte. E eles já estão mortos, de qualquer maneira, então por que se preocupar com isso?”
“Não seja ingênuo, Lovino. Você realmente acha que aqueles dois descobriram nossa localização por acaso?”
“Mas como eles poderiam ter descoberto?” Interferiu Feliciano.
“Estamos trabalhando para descobrir isso.”
“Nonno, eu quero voltar lá. Preciso buscar minhas coisas.” Argumentou Lovino, irritado. Ele precisava, acima de tudo, recuperar para si o diário de Antonio.
“Isso já foi resolvido.”
Lovino se ajeitou como pode no banco, tentando conviver com sua perna engessada enquanto formulava uma desculpa para insistir com a ideia de voltar à Toscana.
“Chegamos!” Anunciou Feliciano, sequer permitindo ao irmão ter tempo suficiente para concretizar as próprias ideias.
A vizinhança em que sua mãe vivia continuava idêntica àquela guardada nas memórias do mais velho dos irmãos. Os arredores ainda mantinham o aspecto suburbano e boa parte das cores das casas parecia ter sido revitalizada. À medida que as ruas iam se estreitando, aumentava a quantidade de varais suspensos e casas com roupas penduradas nas janelas ou varandas.
A casa ficava um pouco mais ao alto da colina, espremida entre outras duas de semelhante arquitetura. No todo, era branca com as portas e janelas pintadas com uma viva tonalidade de azul. A parte da parede do segundo andar que tinha vista para a rua estava coberta com heras, que poupavam tão somente a janela que ali assegurava seu espaço. Da vizinhança, sobressaia-se como a residência mais bem conservada.
O motorista parou a minivan bem em frente à estrutura e Feliciano não aguardou para que ele descesse do carro e abrisse sua porta, uma pompa que Rômulo igualmente dispensou. Lovino, por outro lado, precisou aguardar por ajuda para sair do carro.
Ainda estava sendo auxiliado pelo motorista e por seu avô quando sua mãe apareceu na porta para cumprimentá-los. Para seu primogênito, a mulher parecia bastante rejuvenescida em relação àquela das suas lembranças. Ele a observou cumprimentar Feliciano com um caloroso abraço e lágrimas de felicidade em vê-lo. Em seguida, bombardeou uma série de perguntas que o mais jovem esforçava-se para responder da maneira mais amena possível.
Quando ela finalmente viu o filho mais velho, seus olhos se encheram das lágrimas que já haviam secado e ela correu ao seu encontro.
“Lovino, meu amor, olhe só você. O que aconteceu com a sua perna?” Questionou com a voz repleta de preocupação ao perceber que o filho se sustentava com muletas.
“Nada. Estou bem já.” Grunhiu, deixando-se abraçar pela figura materna sem necessariamente corresponder o gesto.
“Lovino, não seja rude com a sua mãe.” Ralhou Rômulo enquanto o neto rolava os olhos com impaciência. “Ele torceu a perna, Rosa.” Informou à mulher, recebendo olhares estupefatos de seus netos. “Como lhe comuniquei por telefone, uma vez que você aceitou, achei melhor trazê-lo para se recuperar aqui, perto da família.”
“E quanto tempo vai durar a recuperação?” Ela perguntou.
“O gesso vai ficar na perna dele por um mês ou até menos. A lesão não foi muito grave, mas é necessário assegurar que tudo ocorra bem. Enquanto isso eu peço que você tome conta dele por mim.”
“Você continua muito gentil, Rômulo.” Sorriu a mulher. “Por favor, entre para que possamos fazer um lanche e conversar um pouco.”
Rômulo sorriu, aceitando o convite.
O quarto em que Lovino foi instalado era o mesmo que dormia quando ainda era criança. Ficava no primeiro piso, ao lado da cozinha. Naquela casa, pouca coisa parecia haver mudado. Em seus aposentos, por exemplo, exceto pela ausência de seus pertences pessoais, a disposição dos móveis continuava idêntica.
“Como é estar de volta?” Feliciano perguntou, inclinando-se para frente para poder ver o rosto do irmão.
O mais velho deu de ombros.
“Preferia não ter voltado.”
Feliciano suspirou.
“Você sabe, Nonno deve ter os planos dele para trazê-lo de volta.”
“Oh, sim, e isso me cheira a querer me manter longe do bastardo do Antonio, aposto.”
“Eu não acho que essa seja a intenção dele.”
“Então o quê? Eu não acredito no absurdo que ele disse, que a Toscana não é mais segura. Sempre foi! O que muda agora?”
Feliciano sinalizou com a mão para que o irmão abaixasse o tom de voz e sussurrou.
“Lembre-se que a família da mamãe não sabe nada a respeito dos negócios da nossa.”
Lovino rolou os olhos e pediu a ajuda do irmão para poder se sentar na cama.
“Onde estão as nossas coisas?” Perguntou analisando o ambiente.
“Pedi para o irmão Toni separar algumas coisas suas lá. Tem uma mala com roupas dentro do armário.” Disse, sem fornecer a informação que Lovino almejava. “E se você está preocupado com o diário... Ele está debaixo do seu travesseiro, para que assim você possa se lembrar do irmão Toni quando sentir saudades.” O mais novo piscou, fazendo com que o irmão corasse até às orelhas. Em vão, Lovino tentou atingi-lo com uma das muletas.
“E quanto às suas coisas? Pelo que eu lembre, Romeo está com o seu quarto desde que você foi viver com o Nonno.”
Lovino pareceu ter atingido um ponto crucial da conversa e percebeu isto ao ver o irmão desviar o olhar para qualquer outro canto do quarto que não os seus olhos. Havia algo no olhar de Feliciano que indicava que ele havia omitido uma importante informação. O mais velho reuniu toda a sua paciência e esperou até receber alguma resposta.
“Sabe, fratello... Eu espero que você me perdoe por essa, mas...” Feliciano mudava o apoio de seu corpo de um pé para o outro, na tentativa de dissipar o nervosismo. “Eu não vou ficar aqui com você.”
O mais jovem pronunciou a frase tão depressa e tão confusamente, que Lovino precisaria perguntar o que ele havia dito e insistir para que ele repetisse, se já não houvesse deduzido o motivo pelo comportamento do irmão.
“Mas que porra é essa?” Parecia que o irritadiço italiano explodiria a qualquer momento. “Você ajuda o velho a me trazer pra esse inferno e me diz que não vai ficar? Está de sacanagem comigo?”
“Não, Lovi, vê bem, eu...”
“Agora você está até gaguejando!” O mais velho bradou, jogando os braços para o ar para enfatizar sua cólera. “Ótimo! Não bastasse eu ter sido enganado por aquele idiota tarado por tomates, pelo Nonno, agora eu fui passado para trás pelo meu próprio irmão! As coisas estão simplesmente maravilhosas.” Desabafou, praticamente cuspindo a última palavra. “Eu sabia que ele preferia você, mas não tanto assim.”
Feliciano imediatamente correu para perto da cama e se ajoelhou à frente do irmão.
“Por favor, fratello, não entenda tudo errado.” Implorou, praticamente chorando. “Nonno não escolheu quem ficaria e quem não ficaria, é outra coisa.” Argumentou, visivelmente em conflito consigo. Parecia querer dizer a verdade para o irmão, mas temia por sua reação.
“O que é então?” Perguntou o mais velho com certa frieza na voz.
Feliciano apoiou a testa no joelho de Lovino antes de encará-lo. Tomou as mãos do irmão nas suas e finalmente fitou suas ferozes íris âmbar.
“Eu finalmente descobri onde Ludwig está.” Anunciou com uma clareza que espantou o mais velho. “Nós até já nos falamos.” Balbuciou visivelmente emocionado com o episódio. “E eu vou encontrá-lo.”
“O MALDITO BASTARDO DAS BATA-“ Antes que o escândalo de Lovino pudesse se concluir, Feliciano cobriu sua boca com a mão.
“Shhh! Não grite, por favor!” Novamente, seu tom parecia implorar pela cooperação do mais velho. “Entende a razão de eu não contar antes?”
O mais velho pareceu se acalmar aos poucos, mas Feliciano só retirou a mão da boca do irmão quando teve certeza que ele não tornaria a surtar. Em seus olhos, no entanto, continuava a dúvida: como?
“No diário, o irmão Toni mencionou um tal Gilbert. E isso atiçou minha curiosidade no mesmo momento em que li o nome. Então enquanto você estava desacordado no hospital, eu o forcei a me falar tudo a respeito desse Gilbert que ele mencionou...” Confessou, falando muito baixinho e sem encarar o irmão. “É ele, Lovi. É o irmão do Ludwig.”
Por um momento, Lovino esqueceu como respirar.
“Essa merda que você está falando é séria?” Sibilou.
Feliciano assentiu.
“Em nenhum momento você não desconfiou? Enquanto lia e traduzia o diário, você não ficou curioso por Antonio haver mencionado o nome do Gil?” O mais jovem arqueou a sobrancelha.
O mais velho encarou o mais novo, com uma expressão visivelmente estupefata. Ele parecia ainda estar tentando formular as próprias palavras ao mesmo tempo em que parecia estar percebendo algo importante.
“Eu... Lembro-me de ter lido algo assim... Até se passou pela minha cabeça, mas eu... Não dei a mínima para isso.”
“Você... Não deu a mínima para a possibilidade e ele estar mais perto do que você imagina?” Indagou Feliciano.
“Eu não dou a mínima.” Lovino respondeu, parecendo distante da realidade.
O mais novo abriu um sorriso de orelha a orelha e se levantou, pulando sobre o irmão e derrubando-o definitivamente sobre a cama.
“Argh. Mas que merda é essa?” Resmungou Lovino quase sem ar.
“Estou tão orgulhoso de você, fratelllo!”
“Sai de cima de mim, seu idiota! Por que raios você está orgulhoso de mim?”
Feliciano atendeu ao pedido do irmão e se sentou ao seu lado na cama.
“Porque você finalmente se libertou do estigma do seu romance com ele. Porque agora você tem alguém importante na sua vida outra vez.”
Lovino encarou o irmão como se ele estivesse falando grego.
“Antonio.” Explicou. “Você ama Antonio a ponto de se esquecer de Gilbert.”
Aquela realidade parecia ridiculamente simples e óbvia quando proferida pela boca de Feliciano. Mas Lovino ainda não a havia compreendido como uma verdade até o irmão jogá-la em sua cara. De fato, ele amava Antonio e já havia percebido isso. Mas linha entre seu amor passado e o amor presente era tão tênue que ele jamais havia parado para refletir sobre o papel que Gilbert ainda tinha – ou não mais tinha – em seus pensamentos. Não mais doía em seu coração falar ou pensar no seu ex-amor de adolescência.
Lovino encarou Feliciano com um sorriso bobo no rosto.
“Vee, fratello, você fica uma gracinha com esse sorriso no rosto.” Cantarolou o mais jovem, fazendo com que subitamente o sorriso em questão voltasse a ser a carranca habitual.
“Cale a boca, idiota!”
Naquele momento, Feliciano gargalhava de alegria pura pela felicidade do irmão e por, tacitamente, Lovino haver aceitado que seu irmãozinho fosse atrás do amor de sua vida.
Os irmãos Vargas aproveitaram sua última tarde juntos organizando o quarto de Lovino. Na realidade, Feliciano organizou, enquanto Lovino aproveitou para tirar um cochilo. O mais jovem voluntariamente começou a organizar as poucas coisas que haviam vindo da pousada, cada uma em seu canto. Sua arrumação foi impecável e Lovino certamente sentiria falta daquele zelo, embora jamais fosse admitir em alto e bom som.
Não que o irmão mais velho houvesse aceitado completa e pacificamente a ideia de Feliciano encontrar o alemão a quem, por implicância, nada gentilmente atribuíra todos os tipos de ofensas, acrescidas da ênfase ao amor do sujeito por batatas.
O sol havia começado a baixar quando Rômulo chamou Feliciano para que finalmente fossem embora. A mãe dos garotos lamentou o fato de o filho não poder ficar, mas seu lamento não durou muito tempo e provavelmente, tal como sua preocupação com a perna de Lovino, não passou de um impulso puramente maternal.
A verdade era que Rosa preferia que os seus dois filhos mais velhos não ficassem muito tempo em sua casa. Não se tratava de falta de amor pelos dois: era incontestável o carinho que a mãe nutria por suas crianças. No entanto, Rosa era uma pessoa altamente preocupada com a segurança e estabilidade de seu lar e a moça tinha perfeita consciência dos negócios nos quais a família de seu ex-marido estava imiscuída. Quando se divorciaram, ela jurou apagar quaisquer vestígios de sua proximidade com o ex-cônjuge, sabendo que seu limite seriam os próprios filhos. Como humana e como uma mulher que saíra de uma família de classe média e com relativa estabilidade, ela temia que os negócios da família Vargas ultrapassassem o limite dos negócios em si.
Se o irmão caçula de Feliciano e Lovino tinha alguma noção a respeito do histórico da família de seus meios-irmãos, não era de seu interesse demonstrar. Embora o primogênito da família teimasse em não admitir, Romeo, seu meio irmão adolescente, era um sujeito bacana. Do tipo galante, Romeo adorava falar sobre suas aventuras amorosas, enquanto seu irmão mais velho rolava os olhos – talvez descrente ou talvez cutucado pela inveja da alegada experiência do caçula.
Foi Romeo quem fez companhia para Lovino no decorrer do mês em que ele ficou aos cuidados da família da mãe. Seu padrasto estava longe de ser rude, mas se mostrava bastante reservado quando o jovem italiano estava presente. Além disso, o homem passava a maior parte do tempo no trabalho, o que deixava seu enteado relativamente mais à vontade para perambular pela casa.
A paciência de Lovino com o gesso em sua perna terminou por volta das onze horas da manhã de um sábado.
O jovem italiano estava sentado no pátio da casa que tinha vista para o mar, sentindo-se ligeiramente sonolento enquanto lia uma revista qualquer sobre culinária. Sentia-se incomodado com o calor em suas pernas, cujo gesso privava do contato da brisa litorânea. Igualmente o calor o irritava e fazia com que seu estado letárgico não pudesse ser vencido com um simples cochilo. Além disso, precisava confessar que havia acordado mais irritadiço que o normal naquele dia.
“Maldita porcaria pesada.” Grunhiu, tentando empurrar o gesso para baixo e depois puxá-lo para cima para aliviar o incômodo. Não logrou êxito. “Romeo!” Gritou, invocando o irmão caçula.
Aludido rapaz surgiu pela porta dos fundos alguns minutos depois. Trajava um avental e tinha em mãos uma faca bastante ameaçadora.
“Chamou?”
“Que merda você está fazendo?” O mais velho perguntou.
“O almoço.” Sorriu. “Mamãe ligou e disse que demoraria a voltar, e como você fica com fome cedo, eu pensei em...”.
“Ok, ok.” Lovino dispensou o resto da explicação. “Preciso de um favor.”
O irmão caçula suspirou e rolou os olhos.
“Qual?”
“Me arrume uma porcaria de tesoura!” Ordenou, expondo o incômodo com o gesso quando novamente buscou ajeitá-lo em sua perna. “Afiada!” Gritou antes que Romeo pudesse desaparecer mais uma vez pela porta da cozinha.
Menos de dois minutos depois, o adolescente surgiu pela porta novamente. Tinha em mãos um telefone e uma tesoura e entregou a Lovino o telefone.
“Mas que merda é essa, seu idiota? Eu pedi a tesoura.”
“Atende essa porcaria, o Feli quer falar com você.” Retrucou, imitando o jeito de falar do mais velho.
Lovino estreitou os olhos, pensando se o mais novo estaria zombando de sua personalidade. Romeo lhe estendeu o telefone e a tesoura e o mais velho aproveitou para se apossar de ambos.
“O que é?” Atendeu, cumprimentando o irmão com quem não falava havia praticamente um mês. Lovino imediatamente tratou de apoiar o telefone entre sua orelha e seu ombro, a fim de deixar ambas as mãos livres para tentar cortar a gaze que envolvia o gesso em sua perna.
“Você é louco?” Guinchou Romeo, tentando pará-lo. O mais velho apenas apontou a tesoura em sua direção, indicando para que não o interrompesse e, em sua reação, deixou de ouvir o que Feliciano disse.
“Feli, você pode repetir? Eu não entendi.” Anunciou em tom casual. “E qual é o problema com essa sua voz alterada?”
“Eu disse que o Nonno foi preso!”
Lovino congelou ali mesmo.
Parou para buscar compreender o que o irmão dissera, mas simplesmente não conseguia levá-lo a sério porque a ideia de Rômulo preso era ridiculamente absurda.
“Essa brincadeira não teve graça, seu idiota.”
“Eu não estou brincando.” Feliciano respondeu em tom solene. “Gilbert acabou de me contar.”
“O que você está fazendo com esse idiot... Argh. Você está com o bastardo tarado por batatas?”
Lovino ignorou o olhar esquisito que Romeo lhe lançou e agradeceu silenciosamente quando o irmão decidiu voltar para seus afazeres.
“Sim, Lovi, eu estou com ele, como eu tinha dito que faria.” Feliciano parecia francamente impaciente. “Você ao menos entendeu o que eu disse? A polícia o pegou, fratello.” Sua voz falhou por um segundo. “Só Deus sabe como eu queria que isso fosse uma brincadeira de mau gosto.”
Todas as esperanças de Lovino de que Feliciano estivesse tirando sarro com a sua cara subitamente se esvaíram.
“Então...” Ele olhou de relance para a porta entreaberta da cozinha e, em seguida, engoliu seco. “Ele realmente está p-preso?”
“Gilbert disse que foi durante um descarregamento de material no depósito. A polícia chegou de surpresa e rendeu todos os que estavam lá... Ao que parece, eles já sabiam o que estava acontecendo. A-Alguém deve tê-los delatado.”
Lovino precisava fazer a pergunta. Sua garganta doía com a possibilidade de obter uma resposta desagradável e ele teve dificuldades para engolir o pouco de saliva que restava em sua boca.
“E... E Antonio? Ele também está...?”
“Não, não está.” A resposta de Feliciano pareceu retirar dos ombros de Lovino um enorme peso. “Logo antes de ele chegar, alguém o avisou da ação da polícia. Ele não pode fazer nada.”
Lovino soltou o ar que parecia prender. Podia soar mesquinho e egoísta da sua parte, mas ele se sentia aliviado de não ser Antonio atrás das grades. E era essa a essência do jovem italiano: um neto ingrato e interesseiro, cuja maior preocupação se direcionava a um sujeito que conhecia de fato não havia sequer dois meses, e não ao avô que o acolheu e o manteve sob suas asas mesmo após o jovem haver completado a maioridade.
“E... E agora?” Lovino perguntou, ingenuamente, sem realmente se dar conta de que a pessoa com quem vivera pouco mais da metade de sua vida estava atrás das grades. “Você acha que ele vai conseguir fugir?”
“Eu não sei, Lovi.” Feliciano parecia desamparado. Foi então e somente então que Lovino percebeu que seu irmão estava com a voz chorosa. “Eu não sei o que vai ser de nós agora.”
O mais velho dos irmãos sentiu a confusão pouco a pouco lhe acometer. Igualmente, sentiu-se inútil quando, mais uma vez, encarou o gesso e a gaze meio destruída em sua perna.
“V-Vai ficar tudo bem.” Respondeu, com a voz incerta. “Ele vai sair de lá. Ele vai subornar alguém pra sair de lá. Ele já foi preso antes, se lembra? Ele sempre dá um jeito.” Assegurou, enganando-se ligeiramente com as próprias palavras. “Ouça, Feli... Aonde você está, exatamente?”
“Na Alemanha.”
“Então fique aí.” Ordenou o mais velho, mesmo que isso lhe doesse no peito. A simples ideia de Feliciano estando junto ao irmão caçula de Gilbert o irritava profundamente. Era um complexo de irmão ciumento que o italiano jamais assumiria em voz alta, mas que suas atitudes falavam por si. “Fique aí, porque é mais seguro. Só até o Nonno se livrar dessa, ok?”
“E você?”
“Estou na casa da mamãe, então ficarei bem. Tente conseguir mais informações com os dois idiotas aí. Eu ligo mais tarde.”
Lovino desligou o telefone antes mesmo que o irmão pensasse em retrucar. Deixando-o ao lado de seu corpo, pegou a tesoura e começou a cortar a gaze em sua perna de uma maneira um tanto quanto desesperada. Logo após, se valeu da lâmina da mesma para serrar o gesso, mas levou muito tempo naquele trabalho mecânico e exaustivo.
Levantou-se sozinho, do jeito que estava habituado a fazer e apoiou-se em suas muletas. Com a tesoura em mãos, se deslocou até o banheiro, sendo seguido por um Romeo abismado após atravessar a cozinha.
“Você é retardado? Você só pode tirar o gesso na semana que vem!”
“Já estou curado.” Argumentou o mais velho, ligando o chuveiro e colocando a perna sob a água corrente.
“O que deu em você, tão de repente assim?”
Lovino engoliu a verdade maior, contentando-se com a menor:
“Você não sabe o quanto essa porcaria pesa e esquenta a perna. Pra mim já deu.”
Enquanto Romeo tentava empurrar algum senso na cabeça de seu irmão, o som da campainha chegou aos seus ouvidos. Antes de se retirar para ver quem poderia ser, o mais jovem lançou um olhar desconfiado ao mais velho, alertando-o para que não fizesse nada mais impensado do que já havia se proposto a fazer.
Lovino aproveitou sua efêmera paz para quebrar o gesso já amolecido pela água e retirá-lo de sua perna. Sentiu um imediato alívio e experimentou uma sensação de leveza na área onde até então repousava o incômodo material. Sua pele ali estava mais clara do que a do resto do corpo e com uma textura esquisita. Ademais, o italiano sentiu dificuldades ao firmar o pé no chão pela primeira vez após aquelas tediosas semanas.
“Lovi, tem um sujeito na sala querendo falar com você.” Romeo anunciou em um tom baixo, porém alarmado, após surgir em frente à porta do banheiro. “Ele está muito bem vestido, acho que é algum tipo de policial ou detetive!” Acrescentou, tentando esconder a excitação em sua voz. “Você andou cometendo algum crime?”
O rosto do primogênito da família Vargas imediatamente perdeu toda a cor e ele sequer conseguiu disfarçar o pânico. Se realmente havia um policial na sala da casa de sua mãe, ele estava muito encrencado. E um castigo adolescente faria uma falta se ele eventualmente fosse parar na cadeia em razão das peripécias de seu pai e de seu avô.
“Diga que eu não estou.” Sibilou.
“Mas eu já disse que você está!” Retrucou o mais jovem e Lovino sentiu vontade de esganá-lo.
“Se eu for preso, a culpa é toda sua!” Grunhiu, encarando o teto sem outra saída que não receber o idiota intrometido.
Caminhou em passos mancos até a sala, com o coração martelando em seu peito a mais de mil por hora e com as mãos trêmulas e frias. No caminho, também aproveitou para pedir perdão por todos os palavrões que dissera em sua vida.
Repentinamente, ele se arrependeria por ter antecipado tão prematuramente sua redenção.
“Você...” Sibilou o italiano com um aspecto visivelmente desconfiado. “O que você está fazendo aqui, idiota?”
Romeo ficou desorientado com o comportamento bruscamente rude de seu irmão e encarou o recém-chegado pensando em uma possível justificativa para aquela grosseria.
O que talvez não fosse tão necessário assim.
“É bom ver você também, Lovi.” Sorriu Antonio, utilizando-se de um tom de voz formal e recatado, do tipo que se utilizaria em alguma espécie de negociação. “Parece que faz mais de um mês!” Riu, fazendo com que seu comentário parecesse tão somente uma vaga expressão de algum distante conhecido, e não uma crua verdade de um amante saudoso.
O italiano lançou um olhar de esgueira para seu irmão, parado à porta da sala, e depois voltou a atenção para Antonio.
“O que aconteceu com o gesso em sua perna?” O visitante indagou, arqueando a sobrancelha.
“Tirei.” Lovino deu de ombros.
O espanhol imediatamente pareceu reprovar a inconsequência de seu jovem amante.
“Isso é perigoso, Lovino, você não deveria fazer sem a supervisão de um especialista.”
“Tanto faz.” Rebateu, rolando os olhos. “Então, o que o traz aqui?”
Antonio se ajeitou no sofá e deu um pigarro.
“Precisamos conversar.” Informou, com um tom de voz um pouco mais grave que causou em Lovino um leve rubor. Ademais, sua troca de olhares com o italiano foi suficientemente discreta, mas consideravelmente intensa para indicar que sua conversa precisava ser particular.
“C-Certo.” Novamente Lovino olhou de relance para o irmão, que continuava parado no mesmíssimo lugar sem dar indicação de que dali se moveria. “Mas vamos conversar no meu quarto então.” Acrescentou, buscando amenizar a secura em sua garganta.
Romeo pareceu alarmado com a sugestão oferecida pelo irmão. Talvez porque ainda acreditasse veementemente que o sujeito sentado na sala fosse alguém que viria a prejudicar seu irmão, tal como um policial ou algo do gênero. Sentindo-se responsável pela segurança e bem estar de Lovino, não pode deixar de expressar em parte a sua preocupação.
“Lovi, tem certeza...?”
“Ah. Está tudo bem. Esse bastardo aqui é um... Amigo meu.” Respondeu com um pouco de insegurança. “Ele parece bem vestido assim porque é tosco desse jeito, mas ele é uma pessoa normal.” Mentiu, arrancando um risinho de Antonio.
Romeo, por sua vez, não pareceu completamente convencido, mas acenou com a cabeça. Retirou-se de volta para a cozinha, não sem antes olhar para trás mais duas vezes.
Lovino guiou o visitante até o seu quarto, fechando a porta assim que entraram. Imediatamente, seus lábios foram capturados pela faminta boca que ele parecia conhecer bem. Seus braços envolveram o pescoço de Antonio, puxando-o para mais perto de seu corpo, enquanto eles se moviam desajeitadamente até a sua cama.
Antonio separou seus lábios, se preocupando em beijar cada ponto do rosto de seu amante, como se degustasse algo estupendamente delicioso depois de tanto tempo.
“Você não faz ideia do quanto senti sua falta.” Sussurrou contra a bochecha do italiano, permitindo-se deliciar com sua macia pele. “Esse mês foi uma tortura.”
“Bastardo.” Lovino grunhiu em resposta, apertando o abraço para expressar o fato de haver sentido a mesmíssima coisa.
“Sabe... Embora tenha sido idiota e inconsequente, eu estou realmente feliz por você ter tirado esse gesso.” Confessou Antonio e Lovino pode senti-lo sorrir contra sua bochecha ao mesmo tempo em que suas mãos percorriam seus flancos sugestivamente.
“Tch.” O italiano reagiu fazendo um bico.
“Você trouxe o seu lubrificante?” Antonio perguntou em um tom tão casual que até soou inocente. Lovino corou de imediato, desviando o olhar para a parede.
“Duvido muito.” Ele respondeu, envergonhado. O amante sorriu em resposta, aproximando bastante seu rosto do de Lovino enquanto puxava do bolso um pequeno frasco.
“Felizmente para você, eu pensei nessa possibilidade.”
Fingindo certa irritação, Lovino empurrou o rosto do amante com as mãos.
“Seu bastardo, você tinha tudo planejado!” Constatou, ganhando um sorriso aprovador do outro.
“Meu Lovi é tão inteligente... Como eu sou afortunado em tê-lo só para mim.” O espanhol ronronou e suas mãos buscaram acariciar a protuberância que pouco a pouco ganhava consistência sob as calças do italiano.
O corpo de Lovino respondeu automaticamente ao estímulo, buscando ampliar o contato.
“Ah... Bastardo... Você vai ter que ser rápido...” Arfou, aproveitando para buscar contato com a pele do espanhol por debaixo de sua blusa. “Minha mãe pode voltar a qualquer momento.”
Antonio deu uma risadinha.
“O que é tão engraçado, seu idiota?”
“É porque é muito bonitinho ver você com medo de sua mãe nos encontrar.” Respondeu, abrindo um sorriso terno. Para a frase seguinte, abaixaria o tom de voz e sussurraria, ao entrelaçar seus dedos aos do amante. “Faz parecer que somos dois adolescentes enamorados”.
O italiano enrubesceu, escondendo parte do rosto com os braços para ocultar seu próprio constrangimento.
“Tch! Você é um idiota mesmo.”
“Desde que seja seu e apenas seu, eu realmente não me importo de ser um idiota.” O espanhol comentou bastante ciente do impacto que a clichê frase teria em seu amante. Agressivamente, Lovino o puxou para um beijo e o sexo, naquele começo de tarde quente, não foi necessariamente mais doce ou responsável. O ato exigiu do italiano toda a compostura e autocontrole para que não gemesse da maneira menos ortodoxa possível enquanto Antonio se enterrava cada vez mais fundo em seu corpo.
“Te amo.” Grunhia o espanhol a cada estocada.
Lovino apoiava-se nos ombros do amante e inclinou a cabeça para trás, convidando-o a deliciar-se em seu pescoço.
No frenético e desesperado ritmo com que conduziam as coisas, não durou muito para que atingissem o ápice do prazer mútuo que compartilhavam, desabando ofegantes no colchão sujo por causa da atividade.
Após terminarem, ficaram alguns minutos deitados na cama, com Lovino aconchegado e bastante à vontade nos braços de Antonio.
“Lovi, tem outra razão para eu ter vindo aqui hoje.”
Em resposta, recebeu tão somente o olhar enigmático do italiano.
“Presumo que você já esteja ciente a respeito de seu avô.” A afirmativa soou quase como uma pergunta.
“Sim, estou.” Lovino assentiu. “Feli ligou hoje mais cedo para me contar. Parece que alguém entregou a situação.”
“Eu estou preocupado com esse delator, seja quem for o sujeito. A vigilância na família está mais acirrada, mas o que eu percebi foi um clima generalizado de desconfiança.” Antonio suspirou. “A razão para eu ter vindo aqui, no entanto, é que eu tenho um favor a te pedir.”
O italiano ajeitou-se nos braços do amante, receoso sobre o que poderia lhe ser pedido. Desejava tudo, menos a possível sugestão de permanecer isolado em qualquer canto a pretexto de sua própria segurança. Encheu-se rapidamente de pensamentos negativos que tentavam convencê-lo de que era esta a intenção de Antonio.
“Eu não vou ficar trancafiado nessa casa, bastardo!” Respondeu precipitadamente, não fazendo questão de esconder sua angústia com essa possibilidade.
Antonio pareceu confuso em um primeiro momento. Sua expressão se suavizou ao perceber a natureza da preocupação do italiano.
“Não, não, não, Lovi!” Deu uma risadinha, acariciando as madeixas castanhas. “Essa ideia sequer se passou pela minha cabeça, na realidade.”
“Então... O quê?” Respondeu o italiano, mais confuso ainda.
Antonio gentilmente o retirou de seus braços para poder apoiar-se sob o cotovelo e, assim, ter uma visão mais privilegiada de seu delicioso amante. Fitou intensamente os ferozes olhos de cor âmbar pelos quais se fascinou desde a primeiríssima vez em que viu Lovino, quando ele ainda não passava de um adolescente mimado.
“Você viria comigo até a sua antiga casa mais uma vez?”
Lovino demorou alguns segundos para reagir, mas quando o fez, praticamente berrou a resposta positiva.
Ficou combinado que Antonio voltaria para buscá-lo no dia seguinte, pela parte da manhã. O pretexto era simples: tratava-se de uma ordem emanada por Rômulo, que desejava passar um final de semana a sós com o neto. Antonio e Lovino se valeram da ignorância e falta de interesse da família da mãe deste em relação à atual situação do avô.
Lovino noticiou o feito à mãe naquela noite, durante o jantar. Como esperava, não enfrentou nenhuma oposição. Também não havia recebido nenhuma repreensão séria quando sua mãe percebeu a ausência do gesso em sua perna. Nada foi dito ou perguntado por ela a respeito disto.
“Pergunto-me se ele virá buscá-lo definitivamente depois disso.” Foi o comentário que ouviu de seu padrasto, logo após terminar sua refeição.
Durante a madrugada inteira, as horas pareceram se arrastar, vagarosas em seu sadismo particular. Lovino rolava na cama, cheio de expectativas e de incertezas a respeito de seu futuro. Temia, no fundo de seu coração, que Antonio desejasse lhe comunicar uma decisão difícil, do tipo que anunciava impossibilidade de estarem juntos daquele momento em diante. Seu lado mais pessimista lhe alertava para a possibilidade de o espanhol o abandonar de vez, enquanto seu bom senso buscava conter a onda de negatividade que o invadiu em vários momentos ao longo da noite. Foi bastante complicado para o jovem italiano pegar no sono em razão do turbilhão de pensamentos contraditórios que não muito raramente eram típicos de uma mente apaixonada e insegura.
Acordou com o som da campainha, sequer se recordando do momento em que finalmente conseguira dormir. Letárgico, cobriu a cabeça na esperança de retornar aos braços de Morfeu. Não era uma pessoa necessariamente matinal, muito menos quando a noite de sono era terrível.
Ouviu batidas em sua porta e amaldiçoou a pessoa do lado de fora, sem sequer se dignar a conceder a permissão de entrada. Não que isso importasse a Romeo.
“Fratello, seu amigo está aqui.” Anunciou, enfatizando a própria incredulidade na qualidade de amigo daquele estranho de outro país. Isto exatamente em virtude de os próprios ouvidos de Romeo haverem testemunhado atividades esquisitas no quarto do irmão na tarde anterior.
O mais velho praticamente pulou da cama.
“Diga para ele esperar um segundo. Vou me arrumar.”
Em resposta, o irmão mais jovem arqueou a sobrancelha e suspirou enfadado, antes de se retirar.
Por certo, dada a natureza levemente narcisista de Lovino, seu tempo de arrumação extrapolou o limite dos segundos inicialmente previstos para além de uma hora, momento em que a impaciência de Romeo em fazer sala para o estranho já era patente e ficou evidenciada quando o mais velho dos irmãos surgiu do corredor com um visual impecável e alguns pertences guardados numa mala.
Lovino havia se vestido como alguém que iria para um encontro promissor. Não era sempre que tinha a oportunidade de vestir-se adequadamente, quer em razão do calor ou quer em razão da ausência de ocasiões propícias.
Para aquela ocasião, havia escolhido impecavelmente bem o seu traje: vestia uma camisa social branca com as mangas dobradas até a altura do cotovelo e calças em um tom de preto desbotado que se confundia com um tom mais escuro de cinza. Para completar o visual desconcertante e impróprio para o clima de agosto, calçava um discreto tênis na cor preta.
Ao lhe ver, Antonio soltou um assobio.
“Não sabia que tínhamos marcado hora com o Primeiro-Ministro.” Zombou. “Para onde você vai com toda essa pompa?”
“Tch.” Lovino estalou a língua, ignorando a idiotice de Antonio. “Vamos logo antes que eu me arrependa, bastardo.”
“Você não vai se despedir da sua família?”
“Não é como se eu estivesse indo embora para sempre, droga.” Grunhiu e em face da insistência silenciosa de seu amante, suspirou resignado. “Certo, seu idiota, pode parar de fazer essa cara estúpida.”
Lovino se virou na direção de Romeo, que até então estava encostado na parede com uma expressão indecifrável no rosto.
“Diga para mamãe que eu mandei um tchau e você tome cuidado, pirralho. Tente não se meter em muita encrenca com as suas garotas e na escola, e essas coisas.” Disse, desviando o olhar em razão do constrangimento que era se despedir de seu irmão.
Romeo deu um sorrisinho divertido e abriu os braços.
“Ora, venha aqui me dar um abraço. Nunca vi um irmão mais velho tão estranho quanto você... Mas vou sentir sua falta.”
Lovino estalou a língua, visivelmente consternado com tanta demonstração de afeto. Entretanto, sentia-se consideravelmente lisonjeado com a acolhida calorosa de seu irmão caçula, agradecendo mentalmente por alguém naquela casa possuir um pouquinho de amor no coração. Não confessaria em voz alta, mas provavelmente sentiria um pouco de falta de Romeo, afinal, o rapaz foi a sua companhia mais presente e dedicada ao longo do processo de recuperação.
“E tome cuidado você.” Sussurrou o mais novo ao pé do ouvido de Lovino, com a preocupação perceptível em seu alerta. “Se você resolver desaparecer, ao menos mande um recado avisando.”
Lovino rolou os olhos e apartou ele próprio o abraço, disfarçando o fato de reconhecer a dose de realidade das preocupações do irmão.
“Adeus! Cuide-se!” Antonio acenou para Romeo, sem que recebesse uma resposta muito calorosa.
“Acho que seu irmão caçula não foi muito com a minha cara.” Sorriu, quando guiava Lovino até seu carro.
“O moleque tem tato.” Foi a resposta de Lovino.
O carro de Antonio denunciava bastante o seu próprio estilo de vida tão alheio e distinto do dia a dia de Lovino. O modelo era italiano, revestido pelo luxo e conforto que somente os corrompidos negócios nos quais Antonio envolvera-se conseguiam sustentar.
“Parece que os negócios vão bem.” Lovino alfinetou com uma pitada de sarcasmo.
“De fato. Apenas o último carregamento rendeu um milhão, sem contar a parte apreendida pela polícia.” Antonio respondeu com um sorriso cínico no rosto. “Acho que seu avô dificilmente permitira que você experimentasse as benesses desses rendimentos.”
“Tch. Eu sempre vivi uma vida bastante confortável.” Retrucou.
“Eu sinceramente não duvido disto. Mas me pergunto se você estaria disposto a saber o quão mais confortável sua vida pode ficar.”
“O que você quer dizer?”
“Nada demais.” Antonio negou com a cabeça, ainda com o sorriso no rosto.
O caminho até sua antiga casa foi relativamente tranquilo. Com a velocidade que o espanhol atingiu na rodovia, levaram um pouco menos do tempo necessário ao percurso. Mesmo assim, Lovino ainda teve a oportunidade de gozar de uma boa soneca de pouco mais de uma hora e meia, sob o som de uma calma música estrangeira e no ambiente interno refrescante que contrastava violentamente com o clima externo.
Como de hábito, a desaceleração do veículo foi a responsável por afastá-lo de seu torpor.
“Tirou um bom cochilo?” Antonio perguntou, sem tirar os olhos da estrada. “Já estamos chegando.”
Lovino bocejou em resposta, apoiando o rosto na mão enquanto admirava a familiar paisagem.
Em dez minutos, estavam estacionados bem em frente à pousada. Lovino desceu do carro e espreguiçou-se com gosto, aspirando o ar puro do campo como se pretendesse levá-lo embora consigo.
Aproveitou para contemplar a pousada após aquele tempo, nem tão longo, nem tão curto, sem vê-la.
A estrutura continuava a mesma, salvo pelos pedaços de tábua que substituíam a antiga porta de entrada e pelas vidraças ainda quebradas no segundo andar. O jovem italiano sentiu calafrios percorrerem seu corpo no momento em que seu cérebro buscou as lembranças daquele tenso dia em que ele e Antonio se reencontraram.
Sobressaltou-se ao sentir as mãos do espanhol em seus ombros, mas não se virou para encará-lo.
“Podemos entrar?” Antonio perguntou, parecendo pedir permissão. Recebeu de Lovino um aceno positivo com a cabeça e o guiou até a porta, tratando de retirar as tábuas que impediam a entrada de estranhos.
O ambiente estava consideravelmente limpo, como se alguém por ali tivesse passado antes de o italiano chegar. O familiar cheiro de casa invadiu as suas narinas, um odor tão peculiar e indescritível, mas tão comum e reconhecível quando se passa certo tempo fora do lar. Imediatamente o italiano sentiu o peito apertar, como se seus sentidos prenunciassem que aquela, talvez, fosse sua última visita ao seu lar de quase uma década.
Ao ser abraçado por trás, deixou-se envolver pelos braços firmes de Antonio, permitindo-se descansar a cabeça em seu peito.
O estrangeiro, seu amante e ex-hóspede cantarolava a já familiar canção em espanhol que habituara Lovino a ouvir de sua boca como se fosse a música destinada a pertencer aos dois.
No ritmo da tenra melodia formada por seus lábios, Antonio gentilmente desabotoou a camisa de seu amante e acariciou a pele que continuava tão macia e tentadora quanto da primeira vez em que fizeram amor.
Lovino sentiu arrepios em todo o corpo com a maneira lenta com a qual o espanhol tocava seus pontos menos erógenos. Entregou-se às carícias sem pestanejar. Um comportamento diametralmente oposto daquele que se esperaria do jovem ranzinza e rude que Lovino espelhava para o mundo inteiro. A exceção era Antonio.
“Hoje eu quero fazer amor com você.” O espanhol sussurrou ao pé do ouvido do italiano. O clichê ainda foi capaz de causar-lhe mais arrepios, os quais Lovino tentou canalizar em um suspiro carregado com a sua própria luxúria em ascensão.
O italiano se virou para seu amante e o puxou para um beijo nem tão casto, nem tão lascivo. Um beijo pouco erótico, mas mesmo assim capaz de despertar a excitação em seus corpos.
Foi Lovino mesmo quem rompeu o contato entre os lábios, quando já haviam cambaleado até o sofá mais próximo sem sequer pensar em se separarem para facilitar o percurso. A intenção do jovem repentinamente pareceu óbvia demais, quando ele ajoelhou-se entre as pernas do amante e se ocupou em desabotoar sua calça.
Lovino colocou o membro de Antonio na boca com gosto e ali fez a sua mágica. Embora não contasse com uma extensa experiência na atividade, seguiu seu instinto e, como homem, deu ao amante tudo o que desejaria para si próprio. Permitiu que sua língua também entrasse no complicado jogo de conferir prazer ao espanhol e tomou cuidado para que os próprios dentes não roçassem mais no já ereto membro do que o necessário para arrancar gemidos de prazer de Antonio.
O espanhol conteve um sorriso de lado, incentivando ainda mais o amante ao acariciar seus cabelos. Não por acaso, as mãos do maior se concentraram em uma particular mecha curvada que se sobressaía às demais madeixas do amante e obteve uma reação prazerosa quando Lovino gemeu involuntariamente, ainda com seu pênis na boca. Antonio recebeu um olhar repreensivo em resposta, o que não o desestimulou a continuar com as carícias naquela incomum zona erógena.
Em resposta, o italiano o provocou, valendo-se de toda a sua valorosa habilidade para fazê-lo ofegar e buscar apoio no couro do sofá. E se havia uma coisa que agrava o jovem italiano, essa coisa era o fato de ter Antonio completamente à sua mercê, visivelmente vulnerável à sua boa vontade.
Pouco antes de perceber que atingira o clímax, Antonio interrompeu o amante e lhe deu um olhar significativo que demandava a sua presença, não mais ajoelhado sobre o assoalho, mas sim comodamente sentado em seu colo.
“Tire o resto das suas roupas.” Ordenou o espanhol em tom que não daria chances à oposição. Lovino só percebeu que suas mãos tremiam quando teve dificuldades em desabotoar a própria calça. Em vez de ajudá-lo, Antonio preferiu assistir de sua estratégica posição o constrangimento de seu amante para retirar os próprios trajes.
Mal sabia Lovino que aos olhos daquele que alegava veementemente amá-lo, sua desajeitada tentativa de parecer sexy causava-lhe ainda mais excitação.
Quando finalmente se livrou da incômoda calça – preferindo manter a blusa social desabotoada a fim de provocar ainda mais a libido do amante – subiu no colo do espanhol, firmando os joelhos cada um em um lado de seu corpo, sobre o sofá.
Antonio tirou do próprio bolso o familiar frasco que haviam utilizado no dia anterior, destampando-o.
“Eu quero que você faça isso.” Sorriu enviesado, para o constrangimento do italiano.
“I-Idiota.” Murmurou, sem, contudo, negar a solicitação.
Lovino achou esquisito tocar a si mesmo daquela forma tão explícita e, ainda por cima sendo tão abertamente assistido por Antonio. O italiano, no entanto, não se deixou conter pela vergonha de estar fazendo algo tão íntimo na frente de outra pessoa. Engolindo o desconforto, ele se permitiu aproveitar o prazer que lhe conferia o próprio toque até que Antonio finalmente não mais pudesse se conter e o parasse para que pudessem rumar ao próximo nível do ato.
Entendendo o recado, Lovino sentou-se sobre Antonio, bem lentamente e permitindo que seu orifício se acomodasse lentamente ao novo intruso. Foi o espanhol quem começou a se mover, vencido pela dor incômoda que o excesso de prazer causava em seu baixo ventre. Lovino apoiou-se em seus ombros para se sustentar naquela posição ligeiramente nova para ele. Antonio parecia ir mais fundo daquele ângulo e o italiano precisou conter um gemido quase escandaloso.
“Você pode fazer todo o barulho que quiser, mi amor.” Ofegou o espanhol. “Estamos sozinhos aqui.”
O italiano ainda tentou lutar contra o ímpeto de expressar seu prazer, falhando miseravelmente no momento em que o membro de seu amante roçou em um especial ponto de seu corpo. Lovino pareceu haver libertado todo o seu pudor no gemido que lhe escapou em razão daquele contato inesperado. Desnecessário seria provar o quanto aquela reação agradou a Antonio, que arbitrariamente decidiu que era o momento de aumentar o ritmo.
E com isso, de levar seu parceiro à beira da loucura.
Ficaram mais alguns longos minutos deleitando-se no prazer mútuo, inclusive mudando de posição por algumas vezes, para prolongar e, paralelamente, explorar as mais variadas vertentes daquela sensação docemente temperada com sentimentos recíprocos.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Lovino sentiu que via estrelas ao chegar ao orgasmo e não muito tempo depois foi seguido por Antonio, que decidiu que seria muito divertido liberar todo o resultado de seu prazer dentro do corpo do italiano, que soltou um palavrão grosseiro ao sentir o líquido quente preenchê-lo.
“Vá se foder.”
Antonio riu em resposta, dando-lhe um beijo na bochecha e sugerindo que deveriam compartilhar um bom banho, ideia à qual o italiano não se opôs.
“Diga, Lovi, o que você vai fazer de agora em diante?” Perguntou o espanhol enquanto lavava os resquícios de sabão o corpo do amante. “Você já pensou nisso?”
“Hm.” Ele encarou as paredes de azulejo como se esperasse que elas lhe desse uma resposta quando, na verdade, estava bastante ansioso para que o próprio Antonio sugerisse a ideia. “Na verdade ainda não...”.
“Sabe...” O espanhol começou a dizer, enquanto ajudava o amante a se enrolar na toalha. “Eu sei que o Roma sempre procurou criar você e seu irmão da maneira mais distante possível desse mundo em que vivemos, mas eu nunca acreditei que isso fosse ser de fato muito efetivo e, bem... Aconteceu o que aconteceu.”. Comentou, desta vez secando a si próprio.
“Aonde você quer chegar, bastardo?”
O espanhol colocou a toalha em volta do pescoço e suspirou, sem saber por onde começar. Nesse meio tempo, tudo o que Lovino conseguiu fazer foi se concentrar nos definidos músculos de seu amante, expostos tão à vontade daquela forma.
“Eu estou querendo dizer que sob o meu comando, as coisas podem ser um pouco diferentes...”
A realidade atingiu Lovino como um raio certeiro. Em um primeiro momento, o italiano apenas encarou o espanhol como se ele fosse um alienígena, enquanto sua cabeça dissecava a ideia de que Antonio era o atual chefe da organização que seu avô costumava liderar. Talvez fosse estúpido e desatento, mas o tédio e o afã de encontrá-lo fizeram com que o italiano não associasse imediatamente um evento a outro: a prisão de seu avô implicava na aquisição da liderança imediata por Antonio.
“Você... É o maldito chefe agora.”
Antonio assentiu, sem sequer perceber a surpresa na voz de Lovino.
“Eu vou ser sincero com você, Lovi: eu quero muito protegê-lo. É o que eu mais quero na vida. A simples ideia de perdê-lo é para mim inconcebível.” Seu tom era meio protetor, meio angustiado. “Eu não posso mais me desvencilhar disto em que me envolvi, é simplesmente impossível fazê-lo sem estar morto, ou preso. Quanto a você, é claro que eu queria mantê-lo afastado desse mundo nojento, mas é praticamente impossível se ficarmos apartados um do outro.”
“O que você está sugerindo?” Indagou o italiano, com a mente ainda funcionando devagar.
Com a toalha ainda em volta do pescoço, o espanhol se ajoelhou à frente do italiano.
“Venha comigo. Seja meu conselheiro, meu braço direito, seja aquele que sempre vai estar ao meu lado a qualquer custo e a qualquer momento. Se você estiver perto de mim sempre, eu poderei protegê-lo, inclusive com a minha própria vida, se for necessário.”
“Você quer que eu... Fique com você?”
Antonio assentiu.
“Enquanto durar isso que estamos sentindo um pelo outro?”
Antonino assentiu novamente.
“Para sempre.”
Lovino lhe olhou de maneira desconfiada e não conteve o bico. Seu coração martelava a mais de mil em seu peito, parecendo querer sufocá-lo de uma sádica alegria que era a de estar ao lado daquele que amava a despeito da desgraça de seu avô e do risco constante para a sua própria vida. Feliciano talvez nunca o perdoasse por isso, mas ele realmente não se importava com a opinião do irmão. Ao menos não nessa hora, não depois de o mais novo haver encontrado o amor de sua vida. Seria egoísta da parte dele sugerir que Lovino não pudesse ter o livre arbítrio de fazer o mesmo.
“Tch. Eu vou, idiota.”
Antonio se levantou em um pulo e envolveu o italiano em um abraço apertado e sufocante.
“Obrigada, Lovi! Seremos muito felizes. Eu te farei muito feliz.”
Lovino escondeu o rosto enrubescido e o sorrisinho teimoso no ombro do amante.
Ficaram na casa naquela noite, se entregando a mais uma noite de paixão. Uma de várias se dependesse da intensidade de seus sentimentos. Acordaram bem tarde no dia seguinte, valendo-se do preguiçoso ritmo de vida daquela propriedade afastada e rural. Prepararam-se para partir apenas após as quatro da tarde, quando já haviam almoçado e tirado uma soneca sem preocupações.
“Espere um momento, Lovi, já estou indo! Vou só atender isso aqui.” Anunciou Antonio ao ouvir seu celular tocar em seu bolso. O italiano, que estava no carro aproveitando o artificial ar polar e ouvindo relaxadamente uma música tão alta que retumbava para fora do veículo, sequer escutou o amante.
“Espanha falando.”
“Toni, é o Gilbert!”
“Mas que droga, Gil! Eu já disse para você não usar nossos nomes verdadeiros.” Ralhou o espanhol. “É muito perigoso na atual situação.”
“Kesesese.” A risada do sujeito do outro lado da linha parecia um sibilo de serpente. “Tanto faz! Olha, eu falei com o chefe de polícia.”
“E aí?” O espanhol perguntou, com a expectativa visível em sua voz.
“Fique tranquilo! Ele me assegurou que o velho não vai sair dali tão cedo! Principalmente depois daquela gratificação que você deu a ele.”
Um sorriso satisfeito se desenho no rosto de um dos maiores chefes das máfias espanhola e, agora, italiana.
“Fico muito contente em ouvir isso, Gil. Lembre-me de premiá-lo qualquer dia desses.”
“Tch! Dinheiro e cerveja! Não aceito menos do que isso!”
“Você dá as ordens, amigo.”
“Certo, certo. Olha, vou precisar desligar. Logo o Lud e aquele moleque namorado dele devem estar chegando.”
“Nos falamos mais tarde então.”
“Ah, Toni... Antes disso...” A voz divertida do alemão imediatamente ganhou uma conotação mas séria. “É bom que você cumpra a sua maldita promessa de cuidar bem do moleque aí. Eu juro que nunca vou te perdoar se algo acontecer com ele novamente.”
“Tch. Você não tem mais direito de me fazer ameaças, Gil, mas é claro que eu vou proteger o Lovi com a minha vida, se for necessário. Afinal, eu não fiz todo esse esforço para arriscar perdê-lo novamente.”
“Só confirmando.” Respondeu a voz rabugenta do outro lado, antes de desligar.
Antonio abriu um enorme sorriso ao guardar o celular no bolso e caminhou tranquilamente até o carro. Entrou e deu um breve selinho em Lovino.
“Eu já disse que te amo hoje?”
“Tch. Idiota.” Grunhiu o italiano, levemente corado e alheio de tudo.
O espanhol pisou no acelerador. Sentia-se leve e feliz como nunca nos últimos anos. Havia experimentado sensação parecida apenas quando conheceu e, depois, ao reencontrar seu precioso Lovino. Agora o tinha para si e somente para si. Em vida e, futuramente, na morte. Poderia controlá-lo, mantê-lo sempre seu e sempre ao seu lado, a salvo de qualquer perigo que não fosse o próprio chefe da família Vargas.
Notas finais
A todos os que especularam: a limpeza misteriosa da casa foi obra do Rivaille (Shingeki no Kyojin).
Brincadeira. Deixo para a livre imaginação de vocês, assim como fiz com muita coisa nesse capítulo.
Até mais.
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