Laís Lilás
12 O plano
Notas iniciais
Bárbara sabia dos sentimentos de cúme de Alice em relação a Laís, mas tinha que dar uma chance à filha de se redimir.Pensava que ela ficaria com ódio quando tivesse conhecimento de que seu aniversário seria suprimido (pelo menos era isso que Alice deveria pensar) pela viagem de Laís. Mas tinha esperanças de que uma vez ela não agisse de forma egoísta…
Quando entrou no quarto e viu a filha sentada e triste, sentou-se ao lado dela. Era sua vez de consolar. Já fora consolada.
– O que você tem, Alice?
Imaginou que o problema da filha fosse algo relacionado a seu ego. Por mais que relevasse quase tudo, tinha consciência de sua personalidade e entendia por que às vezes parecia repudiar tanto a irmã mais velha.
Ficou surpresa quando a ouviu responder:
– Eu tô com medo da Laís sumir, mãe. Tô com medo de isso acontecer e ela não saber que a amo …
Ok , isso, sim era motivo de espanto. Então era o momento perfeito pra ver se ela estava disposta a esquecer seu egocentrismo pra deixar a irmã feliz:
– Tenho uma ideia perfeita pra gente resolver isso e todos nós mostrarmos o quanto gostamos dela.
– QUAL?
Alice se animara.
– Dia 23 faremos uma festa surpresa pra ela. Você vai me ajudar a chamar os amigo dela e organizar tudo?
No dia do seu aniversário? Putz…
– Arm.. Tá… Ok. Eu ajudo.
Definitivamente, algo mudara em Alice.
– Então: no dia, vai ser assim: à tarde você e ela vão sair juntas pra fazer compras enquanto eu fico aqui esperando o pessoal e arrumando tudo com o seu pai. Combinado?
– Combinado.
E assim os dias foram passando, e, com eles, várias ligações escondidas, conversas online, sessões de radioterapia e visitas ao médico (que se encontrava indignado com a decisão de Laís e com o fato de que a família aceitara).
Apesar do descontentamento, receitou alguns remédios que, de início, deveriam manter as dores controladas a maior parte do tempo, pra que Laís tomasse durante sua estadia em Caxias do Sul.
Durante os dias subsequentes, Laís e Alice não se falaram. Mas a mais velha comprou um livro chamado “Depois daquela viagem" pra dar à irmã, escreveu uma dedicatória e embrulhou no papel de presente mais bonito que tinha.
Júlio dera dinheiro a ela pra que comprasse algumas roupas de frio. Outras ela podia pegar emprestadas de Marcella, que já dera permissão pra que ela contasse com isso, numa das conversas por facebook.
A semana anterior à viagem fora a última de radioterapia. Laís estava com um pouco de medo de seus cabelos e pelos cairem com a quimioterapia, mas se tranquilizou, já que a dose de remédios diminuiria, e, enfim… De qualquer forma, isso já não importava tanto.
Enquanto Laís contactava, secretamente, alguns amigos de Alice, Alice contactava os colegas de sala com quem Laís mantera amizade após sair da escola (contando a eles apenas que ela iria fazer uma viagem). Todos estariam lá no dia 23. E nenhuma das suas sabia do plano verdadeiro.
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