Laís Lilás
19 Maratona milagrosa
Laís. 17. Sagitário. Presa em domicílio.
Não queria levantar. Só de pensar na ideia seu corpo ficava dormente. Já era quinta-feira, 30 de Maio, e ela perderia um dia em que, pensava, poderia estar se divertindo numa das cidades brasileiras que mais tinha vontade de conhecer.
Uma hora da tarde, foi obrigada por Marcella a almoçar, ao que depois agradeceu, porque realmente se sentiu melhor depois de comer direito. E a comida da mulher de seu pai é maravilhosa — já até entendia por que Dante se casara com ela. Meia hora depois, ela já estava na cama de novo, mas Marcella queria animá-la. Não podiam perder mais um dia.
– Vamo, guria, te anima que a gente tem muito o que fazer! Vamo, vamo vamo! — falou, sacodindo o edredom que já quase estava implantado no corpo da outra — vai arrumar uma bolsa, roupa, essas coisas, ou tu vai só com a roupa do corpo?
Lais riu da ironia.
Percebera que combinavam em muitas coisas, e a cada conversa as semelhanças se acentuavam. O gosto musical, os pensamentos em geral sobre coisas da vida, o gosto por ironias, o jeito de lidar com os relacionamentos...
– Não... — Laís foi levantando da cama lentamente. Até pensou em fazer birra, em se deixar jogada na cama, mas não quis decepcionar Marcella, que a ajudou a arrumar algumas roupas e objetos numa mala menor, de mão. Quer dizer: ela podia se deixar ficar triste, definhando na cama. Mas pra quê?
Mais cedo ou mais tarde iria ter que fazer algo por si mesma.
Fora por isso que decidira sair de recife, do seu "habitat" natural, da zona de conforto. Ela tinha que viver algo de diferente pra aprender algo de novo. E ficar na cama se sentindo injustiçada... É, nos primeiros dias gostara do drama, mas acabou percebendo que esse tipo de pensamento só piorava o próprio estado.
– Vamo olhar um filme, guria? — perguntou Marcella, tirando Laís de sua reflexão.
Laís sempre ficava incomodada quando Marcella usava "olhar" no sentido de assistir. É tão estranho! Mas não falou nada, mais cedo ou mais tarde ia se acostumar.
– Vamo. Qual?
– Bahh, vai passar uma maratona do Harry Potter na televisão!
– Sério? Nunca perco uma. É o tipo da coisa que nunca vai enjoar.
– De fato. — Marcella foi ligando a TV — Tu já leu todos os livros? Porque se não, tenho todos aí.
– Ah, eu já li tudo, valeu. Sou mó fã, tu sabe. Falando em livro, por que tem tanto fã do Júlio, Marcella? Digo, ele não é ruim, mas é clichezinho.
– Ah, Laís.. Se a gente para pra pensar, toda história já foi escrita. Se não foi escrita, já foi vivida por alguém, presenciada por alguém. Mas tem várias formas de se contar essa história, o final a gente pode até prever, mas nunca quando vai ser fim. Isso vale pra poesia do seu padrasto... E, você não pode discordar, é lovely.
As duas assistiram os 3 filmes juntas e dormiram cedo. Laís estava se sentindo bem melhor (talvez a comida, tal vez a maratona de Harry Potter, que anima até defunto). O dia seguinte prometia muitas coisas.
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