Laços inquebráveis
8 Capítulo Oito
— Quando ela me disse isso, não entendi o que ela estava querendo dizer, mas depois que recebi a notícia da morte dela... – diz Camile se sentando com um copo de água nas mãos.
— Você entendeu. – completo por ela.
— Sarah, você sabia que ia morrer?
— Eu estava cansada de mais de lutar. – responde Sarah, e eu transmito as palavras para Cami – Acho que Beca lutava mais do que eu nos últimos dias. E minha família também.
— Queria que tivesse acabado diferente. – diz Camile.
— Eu também. – concordo, mas Sarah não diz nada.
— Então você não vai viajar conosco? Quero dizer, você vai querer ficar com Sarah.
— Vou querer ficar, Cami. Sinto muito.
— De jeito nenhum! – grita Sarah – Conte a ela que aonde você for com o colar eu vou atrás. Agora! – ela bate os pés depois de meu silêncio.
— Sarah está ligada a isso. – mostro o pingente para Camile – Aonde eu for com o colar, ela também vai.
— Isso quer dizer que ambas podem ir! Vai ser maravilhoso! – exclama Cami.
— Defina maravilhoso. – faço uma careta, não será assim tão maravilhoso se Sarah não aparecer nas fotos.
— Me desculpa, eu não quis...
— Tudo bem. Melhor eu voltar para casa, Roma sempre apronta quando eu saio. – me levanto do sofá, Cami insiste para que eu fique, mas não adianta em nada.
Uma semana se passa, finalmente consegui convencer minha mãe de que estava bem o suficiente para ficar em casa sozinha. Acho ela não acreditou muito, mas já que eu iria viajar no próximo dia, ela acabou aceitando.
Sarah insiste em começar a casada pelo marido perfeito agora mesmo, e mesmo depois de todas as minhas lamentações, perco a guerra. Com o colar no pescoço sigo até um barzinho perto de casa, sento bar, e Sarah senta-se ao meu lado.
— Quero uma vodka, por favor. – peço ao garçom.
— Você não bebe. – observa Sarah.
— Agora eu bebo.
— Desde quando?
— Desde que minha amiga morta voltou do céu para me arranjar um marido. Acho que ela não acredita muito na minha capacidade de encontrar um. Sozinha.
— Primeiro: Você sabe que não é exatamente por isso que estou aqui. Segundo: Se dependesse de você, eu nunca seria madrinha, porque você nunca iria casar.
— A sua fé no meu lado romântico me comove. – bebo um longo gole da bebida assim que ela chega, o líquido queima ao descer minha garganta.
— Desde que te conheci percebi que você era do tipo solitário, não gostava de sair de casa, se enfurnava nos livros. Me desculpe, mas a sua ideia de se casar com Dimitri Belikov não vai acontecer.
— Quem disse que eu não posso retirá-lo das páginas de academia de vampiros e me casar com ele?
— A realidade disse. – ela ri.
— Isso, destrua os meus sonhos. – ela ri mais ainda – Não tem graça, ok? Você está me chamando de abestalhada.
— Desculpa, mas sua expressão de revoltada é muito engraçada. – bebo o resto do copo e peço mais uma – Hey, vai de vagar, eu não posso dirigir por você.
— Eu dirigindo bêbada ia ser mais seguro do que você dirigindo sóbria.
— Isso é mentira! – agora era a minha vez de rir de sua expressão.
— A vingança é plena. – pisco para ela.
— Mata a alma e a envenena. O que você acha daquele cara sentado a três mesas daqui?
Olho para a mesa, encontro um cara de cabelos ralos e loiro, ele até parecia bonitinho, mas ai colocou duas batatas fritas no nariz e começou a rir feito um abobado com os amigos.
— Não. – volto minha atenção para Sarah – Seria mais fácil encontrar meu amor em uma livraria do que em um bar. Não sou do estilo que bebe em bares, e eu não fico com pessoas com o estilo diferente do meu. – bebo outro gole da bebida, enquanto Sarah me fita com a sobrancelha erguida.
— Tem certeza que você não é do estilo que bebe em bares?
— Não. – largo a bebida e dessa vez deixo o copo um pouco longe de mim.
— A maioria dos brasileiros não lê, e você espera encontrar o amor da sua vida em uma livraria? É mais fácil se casar com Dimitri Belikov.
— Eu não tenho culpa se para ser meu namorado precisa gostar de ler.
— Você tem culpa sim. – enquanto ela observa o lugar, aproveito para tomar um longo gole da bebida, sem perceber esvazio o copo – Você bebeu tudo?!
— Não. Evaporou. É por causa do calor. – abano a mão na frente do meu rosto – Acho que deveríamos ir embora, antes que eu evapore também. – minha fala começa a ficar um pouco enrolada, eu sempre fui fraca para bebidas.
— Posso não sentir a temperatura, mas sei que não está tão quente a ponto de fazer uma vodka evaporar.
— Gostei daquele cara. – aponto com a cabeça para um cara solitário no bar, com um computador na sua frente. Sim, era uma tentativa de fugir da bronca.
— Hum. Nada mal. Pelo menos ele não parece aqueles caras sem cérebro que substituem os miolos por bebidas.
— Ele até que é bonitinho, não acha? – seu cabelo era um pouco comprido, os olhos verdes, as bochechas estavam um pouco coradas. Até que era bem fofinho.
— Acho. E ele está olhando para você, vai, flerta com ele.
— Eu não sei flertar! – protesto.
— Pisca pra ele! Faz alguma coisa! Antes que ele pare de te olhar!
Viro-me na direção dele e sorrio, sigo o conselho de Sarah e dou uma piscadela. Viro o rosto rapidamente na direção de minha amiga, completamente envergonhada.
— Estou me sentindo uma daquelas mulheres de mini saia que saem por ai piscando para os homens na procura de uma transa.
— Uma transa não, você está a procura de um marido. É algo mais sério.
— É algo que você me meteu.
— Depois que você estiver desfilando por uma nave com véu e grinalda, pode me agradecer. Ele está vindo! Ele está vindo para cá!
Olho na direção do homem, e o vejo vindo em minha direção com o computador em baixo do braço e um papelzinho na mão.
— O que ele tem na mão? – pergunto a Sarah.
— Ah, ele deve ter o número do telefone escrito no guardanapo. – ela suspira – Aposto que ele passou o seu perfume nele. Ah, que romântico.
— Um romance de bar não é nada romântico.
— Ele tá chegando, fique quieta.
Cruzo as pernas e tento parecer uma moça sexy sem ser vulgar.
— Com licença madame, posso lhe entregar um cartão?
— Claro. – sorrio.
— Este é meu amigo, Jorge, ele é psiquiatra, tenho certeza que ele pode lhe ajudar. – ele coloca uma mão em meu ombro e sua expressão indica que tem dó de mim. Ao meu lado Sarah cai na gargalhada.
— Não estou vendo graça nenhuma nisso. – digo depois que ele se retira.
— Eu estou.
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