Laços do Passado 2- Predestinados pelo Amor
18 Uma noite sombria e a despedida de uma mãe
Notas iniciais
Regina arregala os olhos ao ouvir um barulho de coisas caindo.
Quando ela olha pra trás vê Henry pálido, Emma assustada e dois copos de chocolate no chão.
Regina- Henry(sussurra)
Henry- Você tentou se matar por minha causa?
Regina- Henry, não foi isso que aconteceu é que...
Henry- Não precisa responder. Pela sua reação é verdade não é?
Regina engole seco ao ver Henry sair correndo.
Regina- Henryyy.
A morena vai saindo, mas Emma a impede.
Regina- Me solta Swan.
Emma- Deixa ele respirar um pouco Regina.
David- Regina me desculpe, eu não queria...
Regina- Por que ainda sou ingênua ao ponto de confiar segredos a sua família?
A morena finalmente se solta de Emma e sai.
Emma- Pai.
David- Eu não tinha ideia que o meu neto ia ouvir.
Emma- Isso é verdade? Ela tentou se matar?
David- Sim.
Emma- O que aconteceu?Foi agora há pouco?
David- Não. Foi quando você e sua mãe foram sugadas pelo portal.
Emma- Já que você já quebrou o silencio, quero saber tudo.
A loira se senta na cadeira e David se senta de frente com ela.
A loira faz surgir duas cervejas Corona.
David a olha com um olhar repreensivo. A loira revira os olhos e transforma a dela numa garrafinha de suco.
David- Melhor.
Emma- Vai, desembucha.
David- No dia que o Whale “ressuscitou” o Daniel, depois que tudo acabou a Regina foi ao apartamento saber como o Henry estava.
Emma- Sei.
David- Ele a humilhou. Disse que nem o Daniel seria capaz de amá-la.
Emma- Nossa.
David- Foi horrível. Quando você quebrou a maldição e nós recuperamos a memória, eu quis enforcar a Regina. Logo em seguida eu quis culpa-la por vocês duas terem caído no portal, mas quando ela disse que eu podia levar o Henry da casa dela, dizendo que queria compensá-lo e que se ele ficasse ficar lá que fosse que por vontade própria, eu comecei a pensar nela de uma forma diferente.
Emma- Foi quando deixou de odiá-la?
David- Sim. Ela tira a paciência da gente, é sarcástica o tempo todo e já tentou matar vários membros da nossa família, mas o Henry a transformou. Quando ela viu que ele não queria estar ao lado dela por força, ela mudou o pensamento. Começou a agradar ele!
Emma- E depois das coisas que ele disse o que aconteceu?
David- Acho que ela pensou que estava ganhando a confiança dele, mas quando ele gritou na cara dela que ninguém a amava foi tudo por agua abaixo.
Emma- As vezes Henry é duro. Mesmo tentando ser maduro, ainda é uma criança mimada.
David- Eu sei. Ele foi muito duro Emma. Eu ainda estava ressentido com a Regina, mas mesmo assim sentir a dor nos olhos dela.
“Henry- Ninguém suporta você.”
“Não conte comigo. Ninguém vai chegar perto de você. Será que não entende? Ninguém ama você. Nem a sua mãe ama você”
“Acho que nem o Daniel te amou. Por isso ele não mudou. Você não é o amor verdadeiro de ninguém e nunca terá amor”
Emma- Ah meu Deus.
David- Eu sei.
Emma- Ele pegou pesado.
David- Eu sei.
Emma- E depois?
David- Eu pressenti que ela faria uma bobagem. Ainda alcancei ela no corredor e tentei acalmar os ânimos e algo que ela me disse aumentou a minha suspeita.
Emma- O que foi?
David- Ela pediu que eu cuidasse dele, mas me pediu como se fosse uma despedida sabe? A principio achei que ela descontaria a raiva na cidade, mas logo percebi que ela não estava com raiva.
Emma- Ela estava magoada.
David- Exatamente. Então eu subi e falei com o Henry, tentei acalmar ele, mas ele estava muito confuso.
Emma- E foi até a mansão?
David- Sim. Deixei ele com a vovó e fui lá, a porta da frente estava fechada, mas eu consegui entrar pela porta dos fundos. Chamei por ela diversas vezes, mas ela não respondia. Eu subi e fui até o quarto dela, foi quando eu a vi inconsciente no chão com um frasco de compridos completamente vazio.
Emma- Meu Deus(chocada) Como ela teve coragem?
David- Acho que a coragem dela veio quando perdeu a esperança de ter o Henry outra vez.
Emma- Ela ia fazer algo parecido quando vocês passaram pela maldição do Pan. Regina quase usou a maldição do sono nela mesma.
David- Eu soube.
Emma- Por incrível que pareça a irmã a salvou.
David- É. Também me surpreende.
Emma- Continua.
David- Bom, eu liguei pra Whale e mesmo contra a vontade ele fez uma lavagem estomacal.
Emma- Contra a vontade?
David- Tive que ameaça-lo com a minha espada. Horas depois ela acordou e confirmou que estava mesmo querendo se matar.
Emma- Nossa pai. Que história!
David- Eu sei(bebe um pouco)
Emma- Quando íamos chegando eu ouvi algo sobre carta.
David- É. Quando eu a levei pra casa, depois do hospital, eu fiquei a noite toda com ela na mansão. A população ainda estava muito ouriçada e podiam ataca-la. Quando ela adormeceu, eu vi um papel no chão e notei que era uma carta pra o Henry. Uma carta de despedida.
No hospital Rebecca usa muletas com ajuda de Cora.
Rebecca- Isso é ridículo vovó.
Cora- Mas vai ter que usar.
Rebecca- Prefiro a cadeira de rodas.
Cora- Você precisa se movimentar, de acordo com a doutora.
Rebecca- Quero me despedir da minha mãe.
Cora- Tá.
Cora e Rebecca entra no quarto e encontram “Elda” com Liza nos braços.
Elda- Tà vendo? As vezes é cólica.
Zelena- Oi filha.
Rebecca- Oi mãe.
Cora- O que está acontecendo?(séria olha pra Elda)
Zelena- A Liza tava chorando muito e pelo que a Elda disse ela estava com cólicas. Foi a Elda pegar e ela se calou.
Elda- Não foi nada demais.
Zelena- Foi sim. Ela só não acordou o Marc por que ele tem o sono pesado do pai.
Elda- Eu já vou indo.
Coloca o bebê nos braços de Zelena e sai com a cabeça baixa.
Zelena- Por que fica encarando ela mamãe?
Cora- Tô te dizendo ela é estranha. Acho que ela usa um feitiço pra proteger a verdadeira identidade.
Zelena- Tá sendo paranoica.
Cora- Ela tava conversando com o rapaz esquisito.
Rebecca- Que rapaz?
Cora- O seu Leon.
Rebecca- Ei, ele não é meu Leon.
Cora e Zelena a encara.
Rebecca- Não completamente(sorri envergonhada) e não há nada de estranho, ele disse que ela o criou.
Cora- E você acreditou?
Rebecca- Não é por que eu fui enganada por um, vai me traumatizar ao ponto de desconfiar de todos.
Cora- Vou ficar de olho.
Zelena- Relaxa, ela só tem sido um amor com a gente, até o Leon.
Cora ergue uma sobrancelha e ignora a filha.
Rebecca- Esquecendo essa paranoia, eu vou indo mãe.
Zelena- Vai. Fique descansando viu?
Rebecca- Eu prometo.
Rebecca beija a mãe, a irmã e o irmãozinho.
Cora a leva pra casa.
Na rua Regina vai entrando em seu carro e liga pra o celular do filho.
Regina- Henry, por favor, atende esse telefone. Meu filho, precisamos conversar, me atende por favor!
A morena dá um soco o volante.
Ela tem a nítida lembrança daquele dia.
Flash Back On na Visão de Regina.
Regina bate a porta de Archie.
Archie- Regina?
Ele me olha assustado em principio, mas tenho certeza que as minhas lágrimas o impede de fechar a porta na minha cara.
Regina- Eu preciso de você.
Archie- Claro. Pode entrar!
Regina- Eu não consigo dormir.
Archie- Como assim?
Regina- Por favor, não faça muitas perguntas, passa um sonífero pra mim.
Se meu estoque de magia estivesse em ordem eu não precisaria desse imbecil. Tudo está estragado e eu preciso resolver essa noite.
Archie- Regina, eu não posso...
Regina- Por favor.
Archie- Regina você está chorando! Sei que não está passando por um bom momento em sua vida. Vamos conversar!
Se ele notar qualquer vestígio nas minhas palavras ele vai decifrar meu plano.
Regina- Eu volto aqui amanhã pra uma consulta completa.
Ele suaviza um pouco a expressão. Como um psiquiatra deve estar calculando que se eu estou fazendo planos pra amanhã, não estaria planejando fazer qualquer besteira. O tolo me olha com a expressão vazia de sempre.
Regina- Eu não consigo dormir. Isso está enlouquecendo! Na farmácia eu não saberia qual é o melhor e não me venderiam sem uma prescrição médica.
Archie- Desde quando não consegue dormir?
Regina- Desde que a salvadora quebrou a maldição. Fico tensa o tempo todo e não consigo relaxar.
Ele parece tentar me decifrar.
Regina- Por favor, Archie.
Archie- Tudo bem Regina, mas terá que vir aqui amanhã.
Regina- Claro.
Ele prescreve o sonífero, eu podia pegar na farmácia e ninguém veria, mas eu em meio a tantos medicamentos eu não saberia que era o mais eficaz ou o mais forte.
Archie- Vou passar um fraco, só pra ajudar. Tome junto com um chá de camomila.
Ele me entrega ainda receoso.
Regina- Por que tem essa tarja azul?
Archie- Por que ele é fraco.
Regina- Se fosse forte, qual seria a cor?
Archie- Preta, mas você não precisa disso.
Regina- Tudo bem. O pessoal da farmácia sabe em qual prateleira ficam?
Archie- Com certeza. Os medicamento são organizados por categoria.
Regina- Obrigada Archie.
Archie- Te espero amanhã.
Regina- Claro. Bem cedo.
Eu saí rapidamente do consultório. Corri até a farmácia e pedi o medicamento, enquanto a atendente pegava meu medicamento na prateleira, pude ver quais eram os mais fortes com a tarja preta que aquele idiota falou. Quando ela colocou na sacola usei magia e troquei os fracos. Chego em casa sem ao menos saber como cheguei. Meu filho me olhou nos olhos e disse que me odiava. Não posso culpa-lo, me transformei num monstro e não posso mudar de uma hora pra outra.
—Eu não posso infernizar a vida do meu filho.
Com o rosto banhado de lágrimas, subo as escadas com uma decisão tomada e não me incomodo em acender as luzes da casa.
—Eu não vou deixar que meu filho seja infeliz e se eu preciso fazer isso pra que ele seja feliz é o que eu farei. Desde a ideia idiota de ser aluna do senhor das trevas eu me tornei o pior ser humano que já existiu. Ao chegar nessa cidade, me deparei com a minha inimiga, que mesmo sem memória, sem lembrar que tinha um marido, era mais feliz que eu. Entro na minha casa, mais uma vez o silencio perturba os meus ouvidos. Desde que adotei meu filho, mesmo ele gritando o tempo todo e chorando o tempo, aquilo me acalentava, eu ouvia os passinhos do meu filho correndo pela casa e mesmo sem nunca vê-lo correr para meus braços, o simples fato de ter alguém pra amar já era suficiente pra mim. Ele tem razão ninguém é capaz de me amar.
Regina chega ao quarto do filho. Ela organizava diariamente todos os cômodos da casa, o quarto do Henry em especial, naqueles últimos dias, estava exatamente como o garoto havia deixado. Um tênis jogado no chão perto da porta. Alguns gibis espalhados pela cama e os livros de magia que ele tanto brincava.
Ela olha uma fotografia de Henry em cima da cômoda, no foto ele estava ao lado de Pongo, onde o garoto sorria.
A morena vai ao seu quarto com a fotografia numa mão e um bloco de papel em outra.
Começa a escrever.
— Henry, sei que quando ler essa carta não estarei mais aqui. Não sei quanto tempo levará para que tome conhecimento do que aconteceu, mas quero que saiba que nada disso é culpa sua. A unica culpada de toda as desgraças que aconteceram nas nossas vidas, sou eu. Não sei como vai reagir a essa minha decisão, mas espero realmente que seja um sentimento de alívio. Acredite meu filho, mesmo sendo a rainha má, eu sempre desejei a você o melhor. Não quero te ver triste nunca mais. Não suportaria viver nessa cidade longe de você. Te ver na rua e não poder te tocas. Tentei te amar como eu sabia amar. Fui muito dura com você as vezes, mas eu sempre quis que você fosse mais forte que eu. E a julgar por essa minha ultima decisão eu tenho certeza que você já se tornou isso. Você se tornou forte, mesmo sendo criado por alguém tão fraca como eu. Henry, sinto muito por ser covarde a esse ponto, mas sinto que minha presença em sua vida, sempre atrapalhará a sua felicidade. Tirei vidas, afastei toda a sua família, me tornei o monstro que você me disse, mas esse monstro te ama mais do que possa imaginar. Você foi a única razão que me fez sorrir durante esse últimos anos. Você é único que foi capaz de trazer um acalento em meu coração tão sombrio. Eu te prometo que não estarei mais no caminho da sua felicidade. Você me perguntou uma vez, em meio a mais uma discussão, se eu sabia que você era neto da Snow quando eu te adotei e você merece a resposta: Sim. Eu sabia que a sua mãe era a salvadora na época, soube alguns dias depois, mas quando eu soube, isso não importou, pois eu me apaixonei perdidamente por você e por seu olhar, quando eu coloquei você nos braços e senti sua mão apertando o meu dedo filho...Eu te amo Henry. Me perdoa por não ter sido a mãe que você mereceu. Sei que você me odeia meu amor. Sei que pra todos eu fui a bruxa má, principalmente para a sua família, não tenho direito de te pedir nada, principalmente depois de tomar essa decisão, mas eu só teria um único desejo filho, gostaria de ser lembrada por você apenas como sua mãe. Adeus meu filho, sei que minha partida alegrará o seu coração. Eu te amo Henry e sempre te amarei!
Regina sente as lágrimas correrem em seu rosto.
— Me perdoa filho.
Abro o frasco de comprimidos, nem sei calcular quantos haviam dentro do frasco, jogo todos na boca e tomo com água. Não sei quanto tempo vai levar pra esse remédios fazerem efeito, mas não tenho pressa, tenho certeza que levará dias pra me encontrarem aqui, talvez semanas. Alguns minutos depois , me levanto para deixar a carta na cômoda, mas meu corpo pesa, sinto minha vista nublar, tento me equilibrar, mas sinto meus membros fraquejando e meu corpo desliza até o chão. Sem forças me deixo levar pela escuridão morte e a única palavra que consigo sentir em meus lábios foi a razão pela qual tantas vezes eu quis viver.
Regina- Henry.
A morena apaga.
Flash Back Off
O celular dela toca e ela sai do transe.
Regina- Henry.
Robin- Regina?
Regina- Oi Robin.
Robin- Onde você está?
Regina- Na frente da Prefeitura.
Robin- Rebecca acabou de chegar com a sua mãe.
Regina- Tá tudo bem?
Robin- Está.
Regina- Eu chego daqui a pouco.
Em poucos minutos Regina entra em casa.
Regina- Oi meu amor.
A morena abraça a sobrinha.
Regina- Que bom que está em casa meu amor.
Rebecca- Eu também tô feliz tia.
Regina- Cadê todo mundo?
Rebecca- Estão no jardim, a vovó preferiu se molhar antes de chegar perto da Lana e do Roland.
Regina- Ótimo. Eu preparei um quarto aqui embaixo pra você.
Rebecca- Obrigada tia.
Regina leva Rebecca até o quarto provisório.
Rebecca- Tá tudo bem?
Regina- Está. Só estou tentando falar com o Henry e não consigo.
Rebecca- Daqui a pouco ele retorna.
Regina- É. Com certeza. Se precisar de algo pode chamar.
Rebecca- Muito obrigada.
Regina beija a cabeça da sobrinha e sai.
Logo que a tia sai ela escuta um pequeno gruído.
Rebecca- Charlotte?
O gruído aumenta e a ruiva percebe que os gruídinhos vinham de dentro do banheiro.
A ruiva vai com dificuldade até o banheiro e tem uma surpresa mais que agradável.
Regina tenta ligar mais uma vez pra o filho quando ouve sua sobrinha chamando e vai apressada
Regina- Rebecca?( chega ofegante)
Rebecca- Aqui.
Regina vai até o banheiro e vê a sobrinha sentada no chão.
Rebecca- A Charlotte é mamãe( com um filhote na mão)
Regina- Ah meu Deus.
A morena vê Charlotte rodeada de filhotinhos perfeitos.

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