Laços de amor

60 Capítulo Bônus 7 - A vida de Tommy e Sofia


Laços de amor

Los Angeles

Sofia

Olhei para as ondas quebrando na praia e suspirei.

A praia de Santa Monica sempre teve o poder de me acalmar, mas hoje, sexta-feira de uma semana interminável, nem mesmo o meu lugar favorito em Los Angeles conseguia me trazer a paz que eu precisava.

A semana tinha sido infernal e, como cereja do bolo, hoje eu havia perdido o meu primeiro paciente.

Uma menina de doze anos, vítima de um assalto.

Ela foi baleada, na coxa. Assim como eu quando tinha quinze anos. Mas, eu sobrevivi graças ao trabalho e dedicação de uma equipe eficiente. E aquela menina, que ainda tinha tanto para viver, havia morrido porque eu não soube o que fazer.

Eu era uma fraude como médica e nunca mais iria voltar àquele hospital.

― Eu tinha certeza de que ia te encontrar aqui. ― Ouvi a voz de Adam e fechei os olhos, desejando poder afundar na areia sob meus pés.

Como diabos ele havia me encontrado?

― Vai embora, Adam.

― Eu não vou sair daqui sem você. Não vou deixa-la se consumir em culpa aqui sozinha. Além disso, Suzana vai me demitir se eu voltar para o hospital sem a pupila dela. E, sinceramente, eu estou gostando muito do meu novo emprego.

Revirei os olhos.

― Eu matei alguém hoje. Tenho todo o direito de me consumir em culpa. E eu não vou voltar para o hospital. Aliás, eu não quero mais ser médica. ― Adam suspirou e sentou-se ao meu lado.

― A paciente já estava praticamente morta quando chegou ao hospital, Sofia. Não havia muito o que pudéssemos fazer.

― Eu travei, Adam. Que tipo de médica, que pretende ser uma cirurgiã do trauma, trava quando uma paciente chega baleado na emergência?

― O tipo de médica que tem um trauma por também ter sido baleada em um atentado quando era adolescente. ― Meus olhos se encheram de lágrimas.

― Como você sabia onde me achar? ― Eu perguntei, mudando propositalmente de assunto e Adam sorriu.

― Quando estávamos em Londres enfrentando um dos piores invernos da nossa vida você dizia umas dez vezes por dia, pelo menos, que estava com saudades de Los Angeles e do píer de Santa Monica. Esse é o seu lugar preferido, porque era aqui que você e sua mãe passavam os finais de semana quando chegaram a Califórnia. Assim, não foi difícil deduzir que depois da semana conturbada e de uma morte na emergência da qual você era responsável, viria aqui para espairecer.

Eu sorri.

― Você me conhece bem.

― Eu fui seu melhor amigo durante a faculdade, Sofia.

― Foi meu namorado também. ― Foi a vez de Adam sorrir.

― É, eu fui. Um bom namorado na minha visão, já que eu era completamente apaixonado por você. Mas, Antony voltou ao páreo e eu perdi. E se esse anel em seu dedo significa o que eu acho que significa, qualquer chance que eu cogitei ainda ter foi para o ralo, não é? ― Eu corei.

― Tommy me pediu em casamento. ― Eu falei baixinho e Adam sorriu ironicamente.

― Claro que pediu. Ele não podia arriscar, não é? Digo, agora que eu estou de volta na sua vida.

― Tommy já havia me pedido em casamento antes de você aparecer.

― E você não havia aceitado?

― Éramos muito jovens.

― E ainda são. ― Eu o encarei.

― Por que estamos falando do meu noivado?

― Do que você quer falar? ― Eu suspirei.

― Eu matei uma criança hoje. ― Ele bufou e segurou meu queixo com delicadeza, me fazendo encará-lo.

― Sofia, você é brilhante no trauma. A melhor residente que atua na emergência. Você pensa rápido, chega a diagnósticos quase exatos em poucos minutos e sabe improvisar como ninguém, o que por diversas vezes já salvou vidas. Suzana e toda a equipe de Staffs te veneram e toda essa admiração não tem apenas a ver com o fato de você ser filha de uma cirurgiã pediátrica brilhante. Tem a ver com o seu talento e dedicação. O que aconteceu hoje foi uma fatalidade. Você ficou mexida por se deparar com uma paciente com um quadro muito parecido com o seu, mas fez tudo o que era possível para ajudá-la.

― Eu hesitei, Adam. Hesitei em um momento no qual não poderia fazê-lo e uma paciente morreu. Não posso mais praticar medicina. ― Adam revirou os olhos.

― Sofia, nós vamos lidar com erros e mortes inúmeras vezes durante nossa carreira. O segredo é aprender com cada erro e seguir em frente, evitando que mais pessoas morram.

― Eu nunca havia perdido nenhum paciente. ― Eu lamentei e ele estalou os lábios, se aproximando mais de mim e fazendo com que eu descansasse o rosto em seu ombro.

― A primeira morte é realmente difícil, mas viria cedo ou tarde. E lembre-se de que você prometeu solenemente consagrar sua vida ao serviço da humanidade. Cumprir o juramento de Hipócrates só é possível se a gente não desistir ao primeiro obstáculo.

― O primeiro obstáculo da medicina é a faculdade. ― Eu resmunguei e ele riu.

― Verdade. E se você não desistiu naquela época, por que pensa desistir agora?

Eu respirei fundo e voltei a encarar o mar.

― Você já passou pela primeira morte? ― Perguntei depois de alguns minutos e percebi que Adam hesitou.

― Já. Um idoso. Ele era um paciente renal e eu não calculei bem a concentração de potássio para a hemodiálise. Era a primeira vez que eu ficava responsável pelo procedimento e matei um cara que era marido, pai e avô de alguém. Foi horrível. Principalmente quando o meu monitor me obrigou a dar a notícia para a família. ― Eu suspirei e afaguei suas costas de leve.

― Será que um dia a gente supera essas mortes que acontecem nas nossas mãos?

― É por isso que todo médico faz terapia, Dra. Swan. Mas, a gente supera sim. Lidar com a vida e com a morte é o nosso trabalho. Vai ser sempre muito ruim, mas com o tempo a gente se acostuma. Eu acho.

Adam tinha razão. Eu não podia desistir do meu trabalho só porque alguém havia morrido nas minhas mãos. Tinha sido uma situação horrível, principalmente pelo quadro da paciente tão parecido com o meu há tantos anos atrás, mas eu teria que superar, pois lidar com a vida e com a morte era, de fato, o meu dever.

― Eu não vou desistir da medicina, mas não quero voltar para o hospital hoje. ― Eu declarei e Adam sorriu.

― Tudo bem. O importante é você estar lá na segunda.

― Vou estar. Eu prometo.

― Certo. Então, como não vou perder meu emprego já que consegui que a pupila da chefe não desistisse da medicina, o que acha de comemorarmos com uma volta na montanha russa? ― Fiz uma careta e ele riu.

Adam sabia que eu odiava altura e adrenalina. A London Eye, em Londres, me causava pavor e ele nunca havia me convencido a subir naquele negócio.

― De jeito nenhum. Mas, eu aceito um sorvete.

― Medrosa. Mas, vamos lá. Sorvete de pistache saindo no capricho. ― Ele falou, se levantando e me oferecendo ajuda e eu o segui até minha barraca de sorvete preferida.

Adam era um cara inteligente e divertido e eu gostava da companhia dele. Tanto que nos tornamos amigos rapidamente quando ingressei na turma de Anatomia, da qual ele era monitor.

― Anny me convidou para ir a uma boate com vocês amanhã à noite, mas imagino que o seu noivo não vai curtir a ideia.

― Se você for com a Anny acho que ele não vai se importar. O problema do Tommy é você perto de mim.

― Ele morreria se soubesse que você está comigo agora, então? ― Ele perguntou divertido e eu fiz uma careta.

― Provavelmente. Tommy acha que você ainda é apaixonado por mim.

― E eu sou. ― Eu o encarei.

― Adam... ― Ele sorriu tristemente.

― Você partiu meu coração, Sofia Swan. Quando nosso tempo em Londres estava acabando, eu senti medo. Eu sabia que você só se envolveu comigo porque estava longe de Tommy. Estávamos em outro continente, vivendo outra rotina e tendo novas experiências. Mas, bastou que você o visse para que tudo o que vivemos em Londres se transformasse apenas em lembranças. E eu sofri. Muito, pois eu realmente estava apaixonado por você. É óbvio que tive outros relacionamentos, mas eu nunca te esqueci.

― Adam, eu amo o Tommy.

― Eu sei. E não estou em Los Angeles para atrapalhar seu relacionamento. Pelo contrário. Tudo o que desejo, do fundo do coração, é que você seja muito feliz. ― Eu sorri.

Adam era realmente um cara legal.

― Obrigada.

― De nada. Não vou entrar em uma batalha que já tem um vencedor pré-definido. Ele é o seu primeiro amor, não é?

― É. Nosso primeiro beijo aconteceu aqui, no píer, depois de ele me convencer a dar uma volta na montanha russa. ― Adam riu.

― Isso é algo que eu daria qualquer coisa para ver. Não o primeiro beijo, claro, mas você encarando um pouquinho de adrenalina.

― Foi apavorante, mas graças aos céus eu sobrevivi.

Ele riu e começou a me contar das suas aventuras cheias de adrenalina que aconteceram depois que eu saí de Boston. Adam falou também das suas namoradas e eu tive que rir quando soube que ele ficou com Julie, uma Hippie com quem fiz alguns créditos na faculdade.

― Julie Enderson? Fala sério, Adam.

― Julie é uma mulher bonita. Só é estranha. Tinha umas manias esquisitas, principalmente na hora do sexo. ― Eu o encarei divertida.

― Que tipo de manias? ― Perguntei e para o meu deleite ele corou, o que me fez rir.

― Ela usava uns incensos que jurava que eram afrodisíacos. E insistia em umas posições meio exóticas. Não usava calcinha também. ― Eu arregalei os olhos.

― Não? Por quê?

― Tem algo a ver com energia. Nunca entendi. ― Revirei os olhos.

― Aquela garota era maluca.

― Julie era divertida. E boa de cama.

― Apesar das posições exóticas?

― Acho que por causa das posições. ― Ele admitiu e nós rimos.

― Atrapalho? ― Ouvi a voz de Tommy e me virei, encontrando-o parado bem atrás do banco onde Adam e eu estávamos sentados.

Sua expressão não era das mais amigáveis.

― Oi, amor. O que faz aqui?

― Bella me ligou. Disse que você havia sumido do hospital. Aí imaginei que você estivesse no píer. Mas, não sabia que estava acompanhada.

― Adam veio atrás de mim a pedido da Suzana.

― É, Antony. Não precisa ficar com ciúmes. Sofia e eu só estávamos conversando. ― Adam falou e eu Tommy respirou fundo.

― Não estou com ciúmes. ― Tommy resmungou, mas sua postura tensa e suas mãos fechadas em punho diziam o contrário.

E, para provar que ele não precisava se preocupar, eu me levantei e me aproximei, beijando-o com carinho.

― Obrigada por ter vindo atrás de mim. ― Ele suspirou e beijou o topo da minha cabeça.

― Fiquei preocupado. A mamãe falou que você ficou mal depois que uma menina baleada morreu na emergência. ― Eu suspirei.

― É. Morreu sob os meus cuidados. Foi horrível. Mas, Adam me convenceu de que lidar com a morte também é meu papel como médica. Por isso, não vou desistir. Segunda feira estarei de volta ao hospital. ― Ele sorriu.

― Que bom! Obrigada por cuidar dela, Adam. Mas, agora eu assumo daqui.

― Sem problemas, cara. Eu já vou, pois se escurecer não acho o caminho para casa. Até amanhã, Sofia. Tchau. ― Adam se despediu e depois que ele desapareceu entre as pessoas, eu levantei o olhar para encarar meu noivo.

― Obrigada por não surtar. ― Ele bufou.

― Precisei de todo o meu autocontrole. ― Eu sorri.

― Nós só estávamos conversando. Adam também é médico e sabe como eu me senti hoje. ― Tommy suspirou.

― Você vai estar de plantão amanhã? ― Ele perguntou e eu neguei com um gesto de cabeça, já imaginando qual seria a próxima pergunta. ― Então, por que Adam disse até amanhã?

― Lembra que temos um encontro com Lara e Ethan em uma boate?

― Sofia, não vai me dizer que...

― Adam vai com a Anny.

― Com a Anny, é? ― Eu sorri para o seu tom de voz aliviado.

― É. Adam e eu somos apenas amigos. Nada mais. Eu sou sua noiva agora. Então, você precisa relaxar. ― Ele fez uma careta.

― Vou tentar. Agora, vamos para casa ou você prefere dar uma volta na montanha russa? ― Bufei.

― Odeio montanhas russas. Vamos para casa, por favor, pois eu ainda estou de uniforme e pelo menos por hoje preciso me despir da residente de medicina que matou uma garota.

― Não fala isso, Sofia. Foi um erro, só isso. Você é uma médica brilhante, mas antes de mais nada é humana. Não se culpe tanto, por favor. Concentre-se nas vidas que você já salvou e que ainda vai salvar. ― Eu sorri.

― Certo. Vamos para casa? ― Ele me beijou.

― Vamos, amor.

**********

Tommy e eu estávamos no quarto assistindo nossa série, depois de um banho demorado, massagem e pizza, quando minha mãe chegou do hospital e quis falar comigo sobre o acontecido.

E é óbvio que eu me aproveitei do momento para curtir um pouco do seu colo, pois embora já fosse uma mulher e estivesse prestes a me casar, a menina que vivia em mim iria sempre querer o colo da mãe.

― Fiquei com medo de você desistir da medicina.

― Eu pensei nisso. Mas, Adam conversou comigo e me fez entender que lidar com a morte também faz parte do meu trabalho.

― Todos nós já perdemos pacientes, amor. É a pior parte do nosso trabalho, mas Adam tem razão. Temos que aprender a lidar com a morte também. Lidar com pacientes baleados não é fácil para mim também, pois sempre me lembram de quando eu quase perdi você. Mas, eu prometo que com o tempo a gente supera. ― Eu suspirei.

― Tomara.

― Tenho uma boa notícia que vai te animar. ― Eu a encarei curiosa.

― Qual?

― Nossos inquilinos vão entregar o apartamento. Parece que receberam uma proposta de trabalho em outro país. Assim, Tommy e você poderão ter a tão sonhada privacidade em breve. ― Eu suspirei, contendo uma careta.

Esperava ter mais tempo para me acostumar com essa ideia de “casamento”.

― Tudo bem se a gente redecorar? ― Minha mãe sorriu e beijou meus cabelos.

― Tudo ótimo, amor. Aquele apartamento é seu. Faça o que quiser com ele.

― Mãe, ele é da Elena e do Bem também.

― Não, Sofia. Ele é seu. Eu comprei por você e ele é seu agora. De papel passado, inclusive. Elena e Bem terão direito a tudo que é meu e do Edward, mas aquele apartamento é seu, assim como essa casa pertence apenas a Tommy é Mia. É justo.

― Ok. Obrigada, então. Vou cuidar bem dele.

― Eu sei que vai. Agora, descanse. E nunca se esqueça que eu te amo mais do que tudo.

― Também te amo, mãe. Boa noite.

**********

Olhei para o espelho pela milésima vez e suspirei. Eu estava bem vestida e bem maquiada, mas nem um pouco animada para uma noite de danças, conversas e bebidas.

Eu ainda estava abalada pelo que acontecera ontem na emergência, mas se eu não fosse Lara nunca mais iria me deixar em paz.

― Minha noiva é muito gata. ― Tommy falou, me abraçando por trás e eu sorri para ele através do espelho.

― Ela é mesmo. Muito gostosa. ― Eu brinquei e ele riu, beijando meu pescoço.

― Queria poder ficar em casa e ter essa gostosura toda para mim.

― Nossa noite de balada vai ser rápida e quase indolor. Faz tempo que eu não vejo a Lara e se eu não for, ela nunca mais vai me deixar em paz, já que minha prima cismou que agora eu prefiro a companhia de Anny e Nicolly. ― Tommy riu.

― Elas certamente são mais agradáveis que sua querida prima. ― Eu dei uma cotovelada nele, o olhando zangada.

― Nossa prima, Tommy. Eu não sei porque você e Lara implicam tanto um com o outro.

― Ela prefere você com o Adam. Desde que terminamos, Lara me inferniza. Não tem como não implicar com ela. Além do mais, Lara Brandon Swan é a criatura mais petulante e atrevida que eu já conheci na vida. Manda em todo mundo lá no escritório. Até o tio Emmett, que é o dono, treme de medo dela. ― Eu ri.

― Lara é uma excelente estagiária. Arrasa nos tribunais, pelo que sei. ― Ele bufou.

― Ela é ótima sim. Meu pai já até aumentou o salário dela, pois outras firmas fizeram ofertas. Lara é um achado como advogada. Mas, isso não a torna menos chata.

― Você também é chato, Antony Cullen. E implicante. Agora, vamos logo antes que eu desista. ― Ele bufou, mas não disse mais nada, me seguindo até o carro.

Chegamos à boate e fomos direto para o camarote que Lara havia reservado, e no qual já estavam Anny, Nicolly, Adam e uma tal de Rebeca, advogada da firma McCarthy-Cullen. Não gostei nada da forma como ela olhou para Tommy.

― Tá gata, hein, Dra. Swan. ― Anny falou divertida, me cumprimentando com um beijo e eu sorri, corando com o elogio.

― Sofia é maravilhosa. Se eu tivesse esse corpo, esse rosto e esse cabelo ficaria pelada. Não faria nada mais na vida. Apenas ficaria nua. ― Nicolly falou e eu revirei os olhos, enquanto Tommy a olhava com estranheza e os outros riam.

Meu noivo sabia que Nicolly era bissexual, e eu só esperava que ele não cismasse com ela também, pois Nick era minha amiga e eu não me afastaria dela por causa dos surtos de Tommy.

― Sofia ficou com toda a beleza da família. Eu herdei o cérebro. ― Lara falou, voltando da pista de dança acompanhada de Ethan e eu sorri, abraçando-a.

Minha prima era mesmo petulante e até um pouco intrometida, mas eu sentia muita falta dela.

― Eu sou gata e inteligente, Lara Brandon. Fiquei com tudo de bom da família. ― Eu gracejei e ela riu.

― Lara ficou com a chatice. ― Tommy comentou e eu lhe lancei um olhar de advertência. Lara apenas o ignorou.

Aceitei o drink que Anny me ofereceu e passei a curtir a noite, mesmo ainda estando incomodada com os olhares que Rebeca lançava ao meu noivo.

― Não gostei dessa Rebeca. ― Comentei com Lara em um dado momento e ela riu, observando a advogada atrevida jogando seu charme para cima de Adam.

Pelo visto ela atirava para todos os lados.

― Ela é meio oferecida. Vive tentando se esfregar nos advogados lá da firma. Inclusive no seu noivo. Aliás, parabéns pelo noivado. Esperava pelo menos um telefonema depois do pedido.

― Ela se esfrega no meu noivo e você a convida para dividir um camarote com a gente? Vou te telefonar sim, Lara. Mas, vai ser da cadeia, depois que eu te matar. ― Eu resmunguei e ela riu.

― Ela se ofereceu para vir, Sofia. Nem me deu tempo para recusar. Mas, é bom. Conhecê-la vai te ajudar a ficar de olho no Tommy. ― Eu a encarei.

― Eu preciso ficar de olho nele?

― Tommy é fiel. Ele morre de medo de perder você. Mas, Rebeca é bonita e insistente. E conhecemos o ditado: devemos manter os amigos próximos e os inimigos mais próximos ainda. ― Ela piscou e eu bufei, olhando feio para a advogada assanhada que agora estava com a língua enfiada na garganta de Adam.

― Vadia. Ele veio comigo. ― Anny resmungou, sentando-se ao meu lado e eu desviei o olhar do casal na pista de dança para encará-la.

― Você devia ter grudado nele primeiro.

― Eu sou gata, Sofia, e se o Dr. Jones não está interessado o problema é todo dele. Pelo visto ele prefere vadias assanhadas. ― Eu bufei.

Algo naquela Rebeca não me agradava e eu não queria ver Adam envolvido com ela. Ele podia não ser mais nada meu, mas era um cara legal e merecia ser feliz.

Mas, fazer o que se às vezes homens pensavam com a cabeça errada?

Dancei muito na pista com as meninas e com Tommy. Adam se juntou a nós depois que a tal Rebeca desgrudou dele e ao final da noite ele acabou ficando com Anny, para o deleite dela.

Eu não me lembrava desse lado pegador de Adam Jones, mas pelo visto ele aprendeu bem como curtir a vida.

Em um dado momento, precisei ir ao banheiro para retocar a maquiagem e para meu azar encontrei Rebeca lá.

― Dra. Sofia Swan. Você é famosa, sabia? ― Ela me perguntou, me encarando através do espelho e eu sorri sem graça.

― Imagino que Lara e Antony falam de mim. ― Eu comentei e ela sorriu, recostando-se na pia do banheiro e me encarando.

― É... Eles falam sim. Mas, tem alguém que fala mais. Eu fiz minha pós-graduação em New York, sabe? E lá conheci alguém da sua época de faculdade. ― Levantei uma sobrancelha.

― Quem?

― Melissa Flammer. Lembra-se dela? ― Meu sangue ferveu.

― Não. Melissa foi tão insignificante que eu não perco o meu tempo me lembrando dela.

― Ela roubou Tommy de você. ― Eu respirei fundo, mas acabei sorrindo.

Não ia deixar essa cretina perceber o quanto a menção de Melissa Flammer me afetava.

― Antony Cullen para você, Rebeca. Ele não é seu amiguinho. Vocês trabalham juntos. Então, nada de intimidade. Nem com ele e nem comigo. E Melissa não roubou nada de mim. Tommy está comigo. A gente se ama e vamos nos casar. Melissa foi apenas uma pausa na nossa história. Uma pausa insignificante.

― Nossa... Está brava? ― Ela perguntou divertida e eu a encarei séria.

― Não. Eu só não gosto de mulheres que se sentem bem em perturbar outras e se meter em relacionamentos que não lhes dizem respeito. Portanto, fique bem longe de mim. ― Eu falei e saí do banheiro, me encontrando com Tommy e pedindo para ir embora.

― Aconteceu alguma coisa? ― Eu o encarei irritada.

― Aconteceu. Melissa Flammer aconteceu. Aquela maldita nunca vai me deixar em paz e a culpa é sua, Tommy. Foi você que a trouxe para nossas vidas e eu nunca vou perdoá-lo por isso. ― Ele me encarou confuso.

― Melissa? Do que você está falando? Ela está em New York, bem longe daqui. ― Eu gelei e o encarei seriamente.

Meus ouvidos zuniam.

― Como você sabe que ela está em New York? Você ainda fala com Melissa Flammer, Antony Cullen? ― Perguntei em um fio de voz, torcendo desesperadamente para que ele dissesse não, pois se Tommy ainda mantivesse contato com aquela mulher eu não poderia perdoá-lo.

Nunca mais.

Notas finais
Olá, pessoas. Espero que tenham gostado do capítulo. Comentem bastante para trazer um pouco de alegria pra minha quarentena e para me inspirar a escrever o próximo. Beijos!