Laços de amor

82 Capítulo Bônus 28: a vida de Tommy e Sofia


Notas iniciais
Para todas as mulheres que já se sentiram sobrecarregadas, mas continuaram. Para todas as mães que duvidaram da própria capacidade, mas confiaram no instinto. Para todos os amores que começaram no caos e floresceram na calma. E, claro, para você, leitor(a), que embarcou nesse universo comigo — Que você encontre seu Tommy, sua Wendy ou, pelo menos, aquele abraço que faz tudo valer a pena.

Laços de amor

Los Angeles

Sofia

Wendy crescia rápido demais.

Parecia que, num piscar de olhos, aquela criaturinha enrugada e banguela que dormia aninhada no meu colo havia se transformado numa bebê tagarela, cheia de energia, dona de risadas escandalosas e vontades próprias.

Cada dia era uma descoberta. Uma nova expressão, uma nova palavra e, claro, um novo jeito de encantar ou destruir o ambiente ao redor.

E junto com ela... a gente crescia também.

A saga de ser pais não vinha com manual de instruções. A gente errava, se atropelava, ria no meio do caos e, às vezes, chorava escondido no banheiro (eu mais do que o Tommy, que fazia o tipo estoico, mas me enganava não).

As noites mal dormidas eram rotina. O café virou meu sangue, a fralda meu novo acessório favorito, e a palavra “exausta” virou meu sobrenome não-oficial.

Ainda assim… eu consegui ser a residente-chefe, e conciliava a maternidade com a maratona de plantões, as exigências do hospital e os olhares curiosos (e, às vezes, maldosos) de quem dizia que não dava pra ser médica e mãe ao mesmo tempo.

Mas eu provei que dava.

Com olheiras, sim. Com a coluna gritando e as emoções à flor da pele. Mas eu dava.

Tommy, por sua vez, conciliava a paternidade com os casos cada vez mais exigentes da firma. Mesmo assim, continuava sendo um dos advogados mais promissores de Los Angeles.

Seus colegas diziam que ele era brilhante. Eu sabia que ele era um homem em constante construção. E foi lindo ver esse crescimento acontecer na frente dos meus olhos.

Ele amadureceu e eu também.

A gente já não brigava pelas pequenas coisas. Não nos afastávamos no primeiro desentendimento. A gente era mais paciente. Mais cúmplices. Mais… apaixonados.

E claro, não estaríamos de pé sem o apoio incondicional da nossa família.

Mamãe e papai pareciam ter entrado numa segunda juventude depois que viraram avós.

Mamãe dizia que a Wendy era a extensão do nosso amor. Papai dizia que ela era sua nova razão de viver, embora ainda fingisse ser sério enquanto ela derrubava todos os livros da estante do escritório dele.

Mia, como boa madrinha, era a mais exagerada de todas. Wendy não podia olhar uma vitrine que ela já entrava na loja. Não sabia dizer “madrinha” ainda, mas quando dizia “Mia” em alto e bom som, era como se ganhasse na loteria.

Elena ensinava a ela passos de dança e Benjamin lia livros infantis como se fossem crônicas da Grifinória. Lara e Ethan a adoravam. Viviam pedindo pra levá-la ao parque, ao shopping, ao cinema (mesmo que ela dormisse na metade do filme).

Era um rodízio de amor e mimo.

E a verdade é que Wendy tinha mais braços dispostos a segurá-la do que tempo para se jogar no chão.

Nossa casa era um lar. Nosso caos era feliz.

E eu e Tommy…

Bom, a gente era uma família. Mesmo que ele nunca mais tenha falado sobre casamento.

Antes era eu quem dizia que não queria casar. Que aquilo não era pra mim, que não precisava de um papel pra amar, pra construir, pra viver. Talvez eu tenha traumatizado o homem. Porque depois da Wendy, depois da gente, depois de tudo… ele nunca mais tocou no assunto.

Mas ele faz panquecas pra mim nos domingos de folga. Me cobre quando durmo no sofá. Deixa bilhetes na geladeira com frases como “lembre-se de tomar água e de que você é a melhor mãe do mundo”. Beija a testa da filha antes de sair e volta correndo no meio do dia só pra ver o sorriso dela.

E quer saber?

Talvez isso seja mais casamento do que muito contrato com data e assinatura.

Somos três.

Somos casa.

E por mais que a rotina seja puxada, o cansaço constante e o tempo curto, eu nunca me senti tão certa de alguma coisa como me sinto agora. A gente se escolhe. Todos os dias. E, por enquanto, isso basta.

***********

Alguns anos depois...

Wendy entrou no carro emburrada. Braços cruzados, bochechas infladas, olhar distante.

Cinco anos. Cinco anos de uma cópia minha em miniatura.

Cabelos castanhos ondulados até a cintura, olhos verdes expressivos, sobrancelhas arqueadas e aquele humor agridoce que mudava com a direção do vento.

Era impressionante como ela era… eu. Muito, muito e muito parecida.

Tommy dizia que o DNA dela era basicamente uma carta de amor do universo pra mim. E que até o temperamento nós dividíamos — o que, vindo de quem convive com duas versões minhas sob o mesmo teto, devia mesmo ser verdade.

— Wendy? — chamei, ajeitando o retrovisor pra vê-la. — Quer me contar o que aconteceu, querida?

Nada.

Ela só bufou. A menor bufada do mundo, mas significativa.

— Tudo bem. — murmurei, mesmo sabendo que não, claramente não estava tudo bem.

Chegamos em casa e, para minha surpresa, Wendy não correu para os braços do Tommy como fazia todos os dias. Ele já estava na porta da nossa nova casa — convenientemente ao lado da casa dos nossos pais — de terno e gravata meio desalinhados, sorrindo como o pai babão que sempre foi.

— O que houve? — ele perguntou, olhando pra mim quando a filha passou direto por ele.

Dei de ombros.

— Tô tentando descobrir.

Wendy subiu as escadas em silêncio. Um silêncio dramático, digno de Oscar infantil.

Minutos depois, fui até o quarto. Encontrei-a sentada na cama, com o porta-retratos que tínhamos de uma das nossas viagens para Londres entre as mãos.

Aquele onde estávamos abraçados, com o Big Ben ao fundo, na primeira viagem internacional que fizemos com ela.

Sentei ao lado dela, com calma.

— E aí, pequena? Vai contar pra mamãe o que aconteceu?

Ela suspirou e os ombrinhos se curvaram.

— A gente é mesmo uma família?

Meu coração tropeçou.

— Claro que somos, Wendy. Por que essa pergunta?

— Porque a Lóren disse... — ela começou, e só o nome já me fez desejar uma leve, mas pedagógica dor de barriga pra essa criança — que papais e mamães só são uma família se forem casados. E... você não tem foto de noiva.

Engoli em seco.

Ontem mesmo ela havia pedido uma foto do nosso casamento para um trabalho na escola. Eu expliquei que não tínhamos uma foto assim. Porque... não nos casamos ainda.

Mas entreguei uma foto nossa, sorridentes, apaixonados, dizendo que somos, sim, um casal. Uma família. Que amor e compromisso não precisam, necessariamente, de vestido branco.

Mas agora, vendo minha filha triste, duvidando da solidez do nosso lar por causa de uma colega malcriada de cinco anos, desejei ter ao menos um bolinho de casamento na geladeira, só pra esfregar na cara da tal Lóren.

Respirei fundo.

— Olha pra mim, Wendy. — pedi, acariciando seus cabelos. — Nós somos uma família desde o dia que você nasceu. Talvez até antes. Casamento é só uma festa, uma cerimônia. O que importa mesmo é o que a gente sente. E o que temos aqui... é amor. Muito amor. Isso é ser família.

Antes que ela pudesse responder, ouvimos uma tosse leve na porta.

Tommy.

— Eu ia fazer isso no Dia dos Namorados... — ele começou, se aproximando devagar, a voz firme mas os olhos brilhando — mas considerando as circunstâncias...

Tirou do bolso uma caixinha.

Não.

Não era.

Era.

Abriu, revelando um anel simples, delicado, exatamente o tipo de coisa que me faria chorar em meio segundo.

— Sofia Swan... — ele disse, ajoelhando-se diante de nós duas — você quer se casar comigo?

Fiquei muda. Totalmente paralisada. E claro...

Wendy e eu arregalamos os olhos ao mesmo tempo, como se fôssemos uma animação mal sincronizada.

Mas foi ela quem se recuperou primeiro.

— MAMÃE, ACEITA! — ela gritou, batendo palminhas. — Eu vou ser a daminha e vou GANHAR DA LÓREN! Porque eu vou no casamento dos meus pais!

Ri. Ri com o corpo inteiro. Com a alma.

Tommy me olhava como se só existisse eu no universo.

— É claro que eu aceito, Tommy.

Ele me puxou num abraço e Wendy se jogou em cima da gente, rindo alto.

Éramos uma pilha de amor no carpete rosa do quarto dela.

E agora, uma família com uma aliança para selar o que o coração já sabia há muito tempo.

Só espero que a Lóren esteja preparada.

Porque a daminha mais linda do mundo vai arrasar. E a mãe dela também.

**********

Depois do pedido — com direito a lágrimas, risos e uma dança improvisada no quarto cor-de-rosa da nossa filha — decidimos que contaríamos à família juntos, no jantar de domingo na casa dos meus pais.

Era a tradição.

Um caos barulhento, cheio de vinho, travessas descomunais e disputas acirradas de Uno. E hoje, mais do que nunca, aquele caos tinha gosto de lar.

Chegamos na casa da mamãe por volta das seis da tarde. Wendy entrou na frente, como se estivesse prestes a anunciar o nascimento de um novo reino.

— TENHO UMA COISA PRA FALAR! — ela gritou, antes mesmo de tirar os tênis. — UMA COISA MUITO IMPORTANTE!

Mamãe surgiu da cozinha com um pano de prato no ombro e o olhar afiado.

— Você mordeu alguém de novo, Wendy?

— Não! — ela cruzou os bracinhos. — Mas se a Lóren me provocar de novo, talvez eu morda.

— Quem é Lóren mesmo? — perguntou Edward, aparecendo da sala com um copo de suco na mão. — Aquela que parece um gremlin de tiara?

— Pai! — repreendi, mas estava ocupada demais tentando esconder o riso.

— Vovô, escuta! — Wendy o chamou, já puxando sua mão. — A mamãe e o papai vão se casar!

Silêncio.

Um. Dois. Três segundos.

E então... explosão.

— O QUÊ?! — gritou Mia, derrubando metade do guacamole em cima da saia. — ISSO É REAL? TEM ANEL? MOSTRA O ANEL!

— Calma, gente! — Tommy ergueu as mãos, rindo. — Sim, é real. E sim, tem anel. E sim... ela disse sim.

Bella bateu palmas como se estivesse assistindo à final da Copa.

— MINHA BEBÊ VAI CASAR! Finalmente — e então me abraçou com força, como se eu ainda tivesse cinco anos e um dente de leite mole.

Edward piscou algumas vezes, como se estivesse processando.

— Você vai se casar com ele? — perguntou, apontando pra Tommy como quem avalia um currículo. — Mesmo? Com esse daí?

— Esse daí é o pai da sua neta, Edward. E o seu filho — falei, sorrindo. — E, claro, meu noivo. Por mais estranho que ainda soe.

— Estranho é você demorar todos esses anos pra pedir a mulher em casamento — resmungou Elena, mordendo uma torrada. — Ainda bem que a Wendy resolveu esse drama por todos nós.

— Só queria deixar claro — disse Benjamin, levantando o dedo enquanto abraçava sua capa da Grifinória — que não participarei de nenhuma dança ensaiada. Sou contra coreografias desde a apresentação de fim de ano.

Todos riram.

— Claro que vai ter dança, Ben! — retrucou Mia. — Esse casamento vai ser ÉPICO! Noah pode ir treinando, pois vou querer um pedido especial e uma festa de casamento inesquecível também.

O namorado da minha irmã apenas fez uma careta, como se o assunto não fosse com ele.

— É, Noah. Vai aprendendo. E você também, Peter.

Ao ouvir a voz do meu pai, meus cunhados estremeceram. Namorar as filhas do ciumento Edward Cullen não é pra qualquer um.

Mia e Elena apenas riram da cara de desespero dos namorados.

— Preciso de um vestido novo. — comentou vovó Esme — que finalmente convenceu o vovô a vir morar em Los Angeles — já abrindo o Pinterest no celular.

— Precisamos de flores. E de luzinhas! E de uma lista! — disse tia Alice, completamente elétrica. — Eu esperei esse momento por anos!

— E Lara? — perguntou Carlisle. — Vai dar netos pra essa família ou vai continuar só com ironias?

Minha prima já estava devidamente casada há um ano, mas até agora, nada de filhos. Não creio que desse mato saia cachorro, mas isso não significa que minha família não vá insistir.

— Não inventem. — disse Lara, com sua taça de vinho na mão. — Já decidi que serei a tia estilosa e rica. Nada de crianças.

— VOU SER DAMINHA! — gritou Wendy, subindo numa cadeira. — E VOU GANHAR DA LÓREN! VOU LEVAR CONFETE SE FOR PRECISO!

Tommy me puxou pela cintura no meio da confusão e sussurrou:

— Eu acho que a gente acabou de criar um monstro.

— Um monstro perfeito. — sorri, beijando seus lábios.

Entre abraços, palmas e brindes improvisados, entendi mais uma vez o que era amor.

Família.

Confusa. Intensa. Caótica. Mas inteira.

E agora, com data marcada para selar tudo isso com festa, daminha e, sim... confete.

Porque nesse universo nosso, qualquer desculpa pra amar mais um pouquinho já vale uma celebração.

**********

Wendy finalmente dormiu. Exausta da própria empolgação, tinha desmaiado entre ursinhos de pelúcia e planos detalhados sobre a cor da sua “flor de daminha”. A casa, enfim, estava em silêncio.

Eu apaguei a luz do quarto e fechei a porta com cuidado.

Quando virei, Tommy estava no corredor, encostado na parede, braços cruzados, olhos em mim.

— Eu gosto de ver você assim — ele disse, baixinho.

— Como?

— Nesse papel... de mãe. De noiva. De tudo.

Senti minhas bochechas esquentarem. Mesmo depois de tantos anos, ele ainda conseguia me deixar sem palavras com meia frase.

Caminhei até ele e deixei que minhas mãos repousassem sobre o peito firme. Ele me puxou pela cintura com delicadeza, e ali, no silêncio morno da nossa casa, nos beijamos.

— Você acha que vai dar certo? — perguntei.

Tommy inclinou a cabeça, confuso.

— O casamento. A vida. Tudo isso. — murmurei. — Às vezes parece grande demais. Assustador demais.

Ele sorriu, aquele sorriso dele. O que desmonta minhas defesas.

— Sofia... nada que envolva você e a Wendy pode dar errado. Talvez a gente erre o buquê, o bolo, o vestido da daminha, o voto... mas o essencial? Já deu certo. — Ele encostou a testa na minha. — A gente se ama. A gente tem uma filha incrível. A gente sobreviveu a Londres, à perda, ao medo. Você acha mesmo que um contrato com um buffet vai nos derrotar?

Soltei uma risada abafada.

— Eu te traumatizei com aquele papo de não querer casar, né?

— Um pouco. — ele disse, encostando os lábios no meu queixo. — Mas valeu a pena esperar.

Nos beijamos.

Devagar. Profundo. Com aquele tipo de urgência que vem mais do sentimento do que do desejo. Mas o desejo estava lá também. Sempre está, quando se trata dele.

Minhas mãos foram parar na barra da camisa que ele usava, puxando-a devagar. As dele deslizaram pelas minhas costas, ágeis e conhecedoras, como se meu corpo fosse casa.

E era.

Nos beijamos de novo, e de novo.

E quando nos deitamos no sofá, entre beijos e suspiros, entre mãos que sabiam exatamente onde tocar, tudo desapareceu: o medo, o mundo, o tempo.

Na penumbra da sala, enquanto o vento balançava levemente as cortinas e o coração batia acelerado, ele me olhou como só ele sabe olhar.

— Você é o amor da minha vida, Swan.

Sorri.

— E você... é a minha... da minha vida, da minha cama. Meu melhor amigo. O melhor pai que eu podia querer para a minha filha.

E ali, no sofá, entre sorrisos abafados e promessas silenciosas, fizemos amor de novo. Sem pressa. Sem medo. Sem armaduras.

Do jeito mais bonito que duas pessoas que se escolheram todos os dias podem fazer.

**********

Algumas semanas depois...

O espelho refletia uma versão minha que eu ainda estava tentando reconhecer.

O vestido branco era simples, delicado, com alcinhas finas e uma saia leve que dançava com o vento. Nada de brilhos excessivos ou caudas exageradas. Só eu. De verdade. Com o cabelo preso em um coque despretensioso, alguns fios soltos e uma maquiagem leve.

Mas era o olhar da minha mãe, parado na porta do quarto, que me fez sentir, de fato, uma noiva.

— Mãe...? — chamei, confusa com aquele silêncio repentino.

Bella não respondeu de imediato. Apenas caminhou até mim, os olhos marejados, um sorriso emocionado abrindo seu rosto. Ela segurou minhas mãos como se estivesse tocando fogo e gelo ao mesmo tempo.

— Eu sonhei com esse momento desde o dia em que te vi pela primeira vez — sussurrou. — E agora você está aqui... tão linda, tão pronta. Uma mulher maravilhosa, uma mãe incrível. E agora... noiva.

— Você vai me fazer chorar, mãe — avisei, já sentindo as lágrimas pinicando o canto dos olhos.

— Chora, então. Hoje pode tudo.

Nos abraçamos, e por um instante fui de novo aquela menininha que acordava de madrugada com febre e só queria o colo da mãe.

Pouco depois, papai entrou no quarto.

Edward parou na soleira, estacando por um segundo, os olhos arregalados. Era raro vê-lo sem palavras.

— Nossa... — foi tudo o que ele conseguiu dizer. Depois pigarreou. — Você... está linda, filha.

— Obrigada, pai.

O cara que me fez saber o que era ter um pai e ser amada incondicionalmente como filha caminhou até mim, me deu o braço, mas antes de me conduzir ao altar, me beijou o topo da cabeça.

— Ainda acho que sou jovem demais pra ser sogro e avô — brincou, com um sorriso bobo. — Mas por você, aceito qualquer papel.

Sorri, sentindo meus olhos marejados.

— Que sorte a minha ter você como pai, Edward Cullen.

Ele sorri e me dá um beijo no topo da cabeça.

— Eu sou o sortudo, Sofia. E nunca vou me cansar de agradecer por ter ido aquele encontro com a sua mãe. Depois daquele dia, eu só encontrei felicidade.

**********

O jardim estava tomado por pessoas que amávamos. Amigos, colegas do hospital, da firma, da faculdade, os de infância. Cada cantinho decorado com flores brancas e lilases, cadeiras enfileiradas com fitas, um violino tocando ao fundo. Nada extravagante. Só... perfeito.

E então, veio ela.

Wendy.

Daminha oficial. Vestido esvoaçante, coroa de flores, um cestinho de pétalas nas mãos. Ela entrou com tanta graça, tão dona da ocasião, que até os passarinhos pareceram respeitar seu momento.

— A noiva é a mamãe! — ela anunciou em voz alta, no meio do caminho, antes de rir e correr até o altar.

Risos tomaram conta do ambiente.

Tommy me esperava do outro lado, de terno claro, cabelo penteado para trás e um brilho nos olhos que me fez lembrar do primeiro dia em que o vi, lá no ginásio da escola.

Quando nossos olhos se encontraram, nada mais importou.

Ele sorriu.

Eu sorri de volta.

E por um segundo, o tempo parou.

Edward me conduziu até ele. Apertou a mão do genro e disse:

— Agora é com você. Mas saiba que eu continuo aqui. Sempre.

A cerimônia seguiu com votos emocionados — Tommy falou da menina no ginásio, da mulher em Londres, da mãe da sua filha. Eu falei da espera, do recomeço, da certeza de que era ele, sempre foi ele.

Wendy ficou entre nós durante os votos, segurando nossas mãos, como o elo mais precioso da nossa história.

No final, quando nos beijamos, aplaudida por todos, ela soltou um gritinho:

— Agora somos uma família de verdade! A Lóren que lute!

E todos riram, inclusive o juiz de paz.

Foi um dia simples.

Sem luxos, sem firulas.

Mas foi o dia mais bonito da minha vida.

Entre abraços, fotos, danças (sim, até Edward dançou ao som de Taylor Swift a pedido da neta), nós celebramos o amor.

O nosso amor.

A nossa família.

Um laço que começou com um reencontro e que agora era selado diante de todos que importavam.

E que, como a Wendy disse, era real.

Pra sempre.

**********

O quarto estava quase na penumbra. As luzes do jardim entravam pela cortina esvoaçante, lançando sombras suaves sobre o chão de madeira. A cama, forrada com lençóis brancos, tinha pétalas espalhadas por cima — cortesia da Mia, obviamente. A janela estava entreaberta, deixando o vento morno da noite tocar a pele como um carinho.

E então ele entrou.

Tommy.

Fechou a porta atrás de si devagar, como se aquele gesto tivesse o peso do mundo. Já tinha tirado o paletó e aberto dois botões da camisa. O olhar era o mesmo do altar — faminto e apaixonado. Mas agora, havia algo mais. Uma intensidade bruta. Um desejo que ele não precisava esconder.

— Oi, esposa — disse, rouco.

Minha pele arrepiou inteira.

— Oi, marido.

Ele caminhou até mim devagar. Não havia mais pressa. Nem hesitação. Parou a poucos centímetros, os olhos fixos nos meus.

— Você tem ideia do quanto eu sonhei com isso?

— O que? Transar comigo? Pensei que já tivéssemos passado dessa fase na adolescência — eu brinquei e ele revirou os olhos, se inclinando para me beijar.

— Sonhei em transar com a minha esposa. Minha e de mais ninguém.

— Então vem — sussurrei, deslizando os dedos por cima dos botões da sua camisa. — Chega de papo.

Tirei sua camisa devagar, revelando aquela pele que eu conhecia tão bem. Passei as mãos por seu peito, seu abdômen, sentindo cada músculo se contrair sob meu toque.

Tommy levou as mãos às minhas costas, soltando o zíper do vestido. A peça escorregou pelo meu corpo e caiu no chão com um sussurro. Eu não vestia nada por baixo. Tinha feito isso de propósito. Ele olhou meu corpo por inteiro, e prendeu a respiração como se tivesse acabado de ser atingido.

— Você é um pecado — murmurou. — O mais delicioso de todos.

Me pegou no colo com facilidade e me deitou na cama, os olhos escuros queimando sobre os meus. Deitou-se por cima, os quadris entre as minhas pernas, e beijou meu pescoço, meu ombro, os seios com adoração e fome. A cada toque, um arrepio. A cada beijo, um gemido abafado.

Desci as mãos até sua calça, abrindo o cinto e empurrando o tecido até que ele se livrasse de tudo.

Ele estava duro. Pronto. Faminto.

Nos encaixamos com naturalidade, como se o universo tivesse sido feito pra aquele momento.

Tommy gemeu contra minha boca quando me penetrou, devagar, fundo, até o fim.

— Caramba, Sofia... — sussurrou, trêmulo. — Você ainda é o meu lugar.

Começou a se mover dentro de mim com uma mistura de reverência e urgência. Eu agarrei seus ombros, arqueei o corpo, deixei que o prazer me tomasse inteira. E quando gozei, tremendo por baixo dele, ouvi sua voz rouca no meu ouvido:

— Te amo. Com tudo o que eu sou. Pra sempre.

Ele veio logo depois, colado a mim, o corpo colapsando sobre o meu com um suspiro rouco e satisfeito.

Ficamos ali por um tempo, ofegantes, abraçados, nus e quentes um no outro.

E quando ele me virou para o lado e me puxou contra o peito, disse algo que me fez sorrir com os olhos fechados:

— Agora somos casados. Isso significa que posso fazer isso... todas as noites da minha vida.

Eu ri.

— E todas as manhãs também.

Ele beijou meu ombro e sussurrou:

— Combinado.

**********

O sol entrava preguiçoso pelas frestas da cortina, dourando o quarto com um brilho macio de amanhecer. O lençol estava amarrotado, jogado num canto qualquer, e eu estava aninhada no peito do meu — agora oficial — marido, com um sorriso idiota colado no rosto e as pernas ainda trêmulas da noite anterior.

Foi perfeito.

Quente, intenso, e cheio daquela familiaridade que só os nossos corpos conheciam.

Tommy passou os dedos nas minhas costas nuas, como se estivesse desenhando promessas ali. Estávamos quase naquele segundo round preguiçoso e delicioso, quando ouvimos.

Toque, toque.

E a porta se abriu com a delicadeza de um furacão em miniatura.

— Mamãe? Papai?

Congelamos.

Ele puxou o lençol com habilidade de ninja e se sentou de um jeito que mais parecia um truque de mágica. Eu me enrolei no que restou da coberta e tentei parecer minimamente decente.

— Bom dia, princesa... — Tommy disse, com a voz ainda rouca de sono (e de sexo, sejamos honestos).

Wendy entrou no quarto com a franja bagunçada, pijaminha rosa e um unicórnio de pelúcia embaixo do braço. Subiu na cama como se fosse dona do mundo — e era, pelo menos do nosso.

— Eu sonhei que a gente era uma família completa — ela disse, com aquele tom dramático que só as Swan Cullen sabiam usar.

— Mas a gente é, meu amor — falei, estendendo os braços. Ela se jogou neles.

— Mas falta uma coisa — ela disse, séria.

Tommy e eu trocamos olhares por cima da cabeça dela.

— Falta o quê, filha? — ele perguntou, massageando as costas dela com carinho.

Wendy se afastou só o suficiente pra olhar pra gente, os olhos castanhos exatamente como os meus, brilhando de expectativa.

— Um irmão.

Silêncio.

Tommy tossiu.

Eu engasguei com a própria saliva.

— Um... o quê? — repeti, achando que tinha escutado errado.

— Um irmão — ela reafirmou, convicta. — Ou irmã. Não sou exigente. Mas quero um bebê. Todo mundo na minha turma tem um. Menos eu.

Tommy tentou manter a compostura, mas já estava vermelho. Eu apertei os lábios pra não rir.

— Amor, não é assim tão simples — tentei explicar.

— Mas vocês se casaram! Eu vi na TV que é depois do casamento que os bebês vêm!

— É... mais ou menos isso — Tommy disse, coçando a nuca.

— Então vamos logo — ela cruzou os braços. — Quero brincar de irmã mais velha antes dos meus seis anos.

Eu escondi o rosto no travesseiro, rindo.

Tommy beijou a cabeça dela e sussurrou pra mim:

— A gente devia ter trancado a porta.

— É, porque eu não estou preparada para ser mãe de duas crianças — murmurei, provocando.

Ele sorriu, me puxou pra perto e beijou minha testa.

— Vamos providenciar um irmão pra essa menina mandona?

— Tommy... — falo, indicando a pequena, que já nos olha com empolgação.

— Promete, papai? Vai conversar com a cegonha hoje?

Eu ri. Não tem outra reação possível.

— Vamos ver, princesa. Agora, porque você não vai nos esperar na cozinha?

Ela sai correndo empolgada, dizendo que vai contar aos avós que vai ter um irmãozinho.

Eu só espero que a vontade dela não seja a mesma do universo, porque não sei se estou pronta.

**********

A casa estava silenciosa.

Pela primeira vez em dias, Wendy adormeceu antes das nove. Graças ao passeio com a Lara e o Ethan, à piscina, aos três episódios de desenho e às três historinhas que a Mia contou antes de se render ao sono, ela finalmente desabou. Um milagre digno de celebração — e aproveitamento.

Entro no quarto e encontro Tommy deitado, só de calça de moletom, com o cabelo molhado e um sorriso preguiçoso.

— A princesa adormeceu? — ele pergunta, baixinho, estendendo a mão.

— Desmaiou — sussurro, aceitando o convite. Subo na cama e me aconchego no seu colo. — A casa está em paz.

— E sabe o que isso significa?

Eu levantei o olhar, curiosa.

— Que finalmente vamos dormir?

— Não — ele murmurou, deslizando os dedos pelas minhas pernas. — Que finalmente podemos cumprir o pedido da nossa filha mandona.

— Ah... a operação irmãozinho.

Ele sorri, me puxando para o colo. Beija meu pescoço com aquela lentidão que me tira o ar e me faz esquecer da maternidade, do hospital, do mundo.

— Você não parece animada com a ideia — ele comentou e eu fiz uma careta.

— Não sei se cabe outro bebê na nossa rotina, Tommy. Mas... bem, isso não significa que não possamos nos divertir nas nossas reuniões com a cegonha.

Ele soltou uma gargalhada.

— Sabe, doutora Swan — ele sussurra contra a minha pele —, eu gosto da maneira como você pensa. Essa, com certeza, serão as melhores reuniões da minha vida.

— Sabe que eu também acho isso. E olha que eu odeio reuniões.

Tommy ri, aquele riso abafado que vem junto com a mão quente deslizando sob minha camiseta. Me deito por cima dele, montando como quem sabe o que quer — e eu sei.

O corpo dele encaixa no meu com uma familiaridade deliciosa. E ainda assim... é sempre novo.

Quente. Intenso. Urgente.

Minhas unhas riscam suas costas quando ele me vira com um movimento firme, assumindo o controle. Os quadris se movem com cadência. Com precisão. Com intenção.

— Eu te amo — ele murmura, ofegante, os olhos grudados nos meus. — Muito. Muito mais do que posso explicar.

— Então me mostra — sussurro, arfando.

E ele mostra.

Com beijos. Com toques. Com cada impulso lento e profundo que me arranca gemidos abafados no travesseiro.

Quando o clímax nos alcança, o quarto se enche de respiração ofegante, suor e promessas silenciosas.

Eu me deixo cair ao lado dele, exausta e satisfeita.

— Acha que foi uma reunião produtiva? — ele perguntou, rindo.

— Não sei. Acho que temos que nos reunir mais vezes para ter certeza.

Tommy ri, me puxando de volta pro peito dele.

— Então vamos tentar quantas vezes forem necessárias.

— Com muito prazer — respondo.

E sim. Houve muito prazer.

E, quem sabe... uma sementinha de amor a mais crescendo dentro de mim.

*********

Meses depois...

O sol da manhã invade o quarto devagar, pintando a parede de dourado.

Do lado esquerdo da cama, Wendy está aninhada ao meu peito, ainda com os cabelos bagunçados do sono e o polegar na boca — hábito que insiste em manter, mesmo já sendo uma mocinha. Do outro lado, Tommy dorme com o braço estendido em minha direção, como se, mesmo dormindo, quisesse me alcançar.

E ali estou eu.

Com minha filha abraçada de um lado.

Com o amor da minha vida do outro.

E, no meio de tudo isso, um novo coração batendo dentro de mim.

Sim. A sementinha vingou.

O exame confirmou há uma semana e, por enquanto, é só nosso segredo. Um segredo doce, que pulsa com esperança e futuro.

Eu olho ao redor e penso em tudo o que vivemos. Tudo o que enfrentamos. Cada dor, cada recomeço. E percebo que a vida me deu muito mais do que eu pedi. Ela me deu exatamente o que eu precisava.

Amor. Caos. Família.

A pequena Wendy se mexe, resmunga algo e abre os olhos lentamente. Quando me vê, sorri com aquela carinha de sono que derrete qualquer coração.

— Bom dia, mamãe.

— Bom dia, meu amor.

Ela olha para Tommy, depois para mim.

— A gente ainda vai ter aquele irmãozinho?

Eu rio, afagando seus cabelos.

— Estamos trabalhando nisso — sussurro, piscando.

E ela sorri, satisfeita, como se soubesse de tudo — porque talvez saiba mesmo. Wendy sempre soube mais do que a idade sugere.

Tommy murmura algo, desperta devagar, nos abraça com aquele jeito todo dele: protetor, apaixonado, completo.

Somos um emaranhado de pernas, promessas e sorrisos.

E quando olho para eles — minha filha, meu marido, meu amor — só consigo pensar:

A garota que fantasiava com um amor impossível jamais poderia imaginar isso.

Mas a mulher que sou hoje?

A cirurgiã do trauma de sucesso, mãe e esposa?

A filha das melhores pessoas. A irmã, prima, neta e sobrinha de pessoas maravilhosas?

Ela sabe.

Ela vive.

E ela agradece todos os dias por ter escolhido lutar. Por ter escolhido amar. Por ter escolhido... ficar.

Porque, no fim, era isso o que eu buscava.

Não um final feliz.

Mas um feliz para sempre — do nosso jeito.

E foi exatamente o que a vida me deu.

Fim?



Notas finais
Nota da Autora Se você chegou até aqui… obrigada. De verdade. Laços de Amor nasceu de uma ideia simples: o que acontece quando o amor da sua vida entra na sua história antes mesmo de você entender o que é amar? Sofia e Tommy não são perfeitos. Eles brigam, tropeçam, têm medo. Mas amam. Intensamente. E foi isso que eu quis mostrar nessa história. Que o amor real não precisa ser impecável — só precisa ser verdadeiro. Wendy veio para mostrar que o amor pode se multiplicar, mesmo em meio ao caos, às dúvidas, às noites sem dormir. Ela é a representação mais pura da força que nasce quando duas pessoas escolhem caminhar juntas. E você, leitor(a), caminhou comigo até aqui e teve paciência com os meus atrasos. Obrigada por isso. PS: Hoje, sou uma autora publicada na Amazon — com Por Ela e Um Caso no Acaso disponíveis para você se apaixonar. Se essa história tocou seu coração, me acompanhe nas redes sociais (@bruna_radin) e continue essa jornada comigo. Porque muitas outras histórias estão a caminho — e eu adoraria ter você ao meu lado nelas. Com carinho e emoção, Bruna Radin
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!