Capítulo 23

Pov. Edward

Aquele cara queria encrenca. Era só olhar para a expressão de raiva que Jacob Black ostentava ao me encarar de cima em baixo para ter a certeza de que ele viera atrás da filha e da mãe dela para tentar retomar o que um dia os dois tiveram antes de ele ser um cretino e abandonar Bella grávida.

Desde que Alice me ligara e me contara que o pai de Sofia estava em Los Angeles tentando uma aproximação da filha, eu soubera que teria que enfrentar uma tempestade ao lado da minha linda namorada. Assim sendo, deixei meu trabalho a cargo de Emmett e pegara o primeiro voo para Los Angeles a fim de esta ao lado de Bella e Sofia durante esse confronto com o passado.

Bella estava uma pilha de nervos com toda essa história, mas eu tentei pensar racionalmente e fazê-la acreditar que tudo o que o pai de Sofia podia querer era se aproximar da filha. Ele já não devia querer nada com Bella depois de todos esses anos. Não fazia sentido ele querer alguma coisa depois de tudo o que ele fizera.

Mas, pelo visto eu me enganara. Jacob Black voltara para a vida de Isabella Swan a fim de reconquistá-la e com isso arranjara dois problemas.

O primeiro era o ódio insuperável que Bella nutria por ele vindo à tona outra vez. Ela não conseguia superar tudo o que acontecera no passado e temia que ele fizesse a filha sofrer. Jacob teria que enfrentar a ira da ex-namorada caso Sofia derramasse qualquer lágrima por causa dele.

E o segundo problema era o possível resultado da minha raiva e do meu ciúme por saber que ele queria o que agora era meu. Jacob não reconquistaria Bella porque ela era minha namorada e me amava. Nós éramos felizes juntos e se ele tentasse qualquer coisa, sairia de Los Angeles sem pelo menos dez dentes na boca.

A fim de não criar uma cena na frente da escola dos nossos filhos, uma vez que todos já encaravam nosso grupo com curiosidade, sugeri que fôssemos para um lugar mais reservado para que pudéssemos conversar.

Jacob Black não pareceu gostar da minha sugestão.

− Eu quero conversar apenas com Sofia e Bella. Não tenho nada para falar com você. – Ele declarou com desprezo e eu respirei fundo, me controlando para não mandá-lo à merda.

Quem esse cara pensava que era para me tratar com essa marra toda?

− Edward irá onde Sofia e eu formos. Será assim ou você pode dar meia volta e voltar para o esgoto de onde você saiu. – Bella declarou com raiva e eu contive um sorriso para sua boca ferina.

Por fim ele aceitou e seguimos todos para meu escritório. Não queria que ele fosse para casa da Bella, embora tivesse quase certeza de que ele sabia perfeitamente onde mãe e filha moravam.

Sofia mantinha-se em completo silêncio e Tommy me lançava olhares preocupados, enquanto não saia nem por um segundo do lado da namorada.

− Quem é esse homem que está nos seguindo, papai? – Mia perguntou enquanto eu dirigia para o escritório e Bella suspirou, me lançando um olhar preocupado.

− Ele é o pai da Sofia, meu amor. Estamos indo para o escritório do papai para que ele converse comigo e com minha filha. – Bella explicou e Mia ficou em silêncio por um momento.

− Sofia não precisa mais de um pai. Combinamos de fazer uma troca. Meu papai será o pai dela e a mamãe dela será a minha mãe. Se o pai de verdade dela aparecer, ela não vai querer mais fazer essa troca. – Mia concluiu triste e eu encarei Sofia pelo retrovisor, que chorava silenciosamente no ombro de Tommy, mas que sorriu ao ouvir as palavras de Mia.

−Fique tranquila, Mia. A troca ainda está de pé. Seu pai pela minha mãe. Vai ficar tudo bem... – Ela falou suavemente e Mia suspirou, olhando-a em dúvida.

− Mas, antes você não conhecia o seu pai. Agora que você conhece, porque vai querer o meu? – Mia perguntou confusa e Sofia fechou os olhos com força, recostando-se mais uma vez em Tommy e mantendo-se em silêncio.

Era doloroso ver o quanto a chegada do pai a estava afetando.

Quando chegamos ao escritório, eu conduzi todos para minha sala, mas deixei que Bella, Sofia e Jacob ficassem a sós, como ele exigiu rudemente, pois eles realmente precisavam realmente ter essa conversa sem que eu ou meus filhos estivéssemos presentes.

− Eu estarei aqui fora o tempo todo. Basta chamar. – Eu falei para Bella que assentiu e me deu um beijo leve nos lábios.

− Pode deixar. Obrigada por tudo o que está fazendo, Edward.

− De nada, meu amor. Estarei sempre aqui por vocês. – Eu murmurei e beijei sua testa de leve, indo até Sofia e beijando seus cabelos antes de sair da minha sala sob o olhar furioso de Jacob Black.

Pedi a minha secretária que providenciasse algo para os meus filhos comerem e fiquei na recepção esperando até que minha namorada e sua filha confrontassem o passado.

− Você acha que Sofia vai querer alguma relação com aquele homem? – Tommy me perguntou preocupado e eu dei de ombros, passando as mãos pelo cabelo.

− Não faço ideia, Tommy. Acredito que vá depender do propósito da volta dele e das desculpas que ele vai inventar para suas atitudes passadas.

− Ela está sofrendo tanto com isso. Sofia perdeu toda a alegria desde que aquele homem se apresentou como pai dela na porta da escola. Eu estou muito preocupado com ela.

− Vai ficar tudo bem, filho. Fique tranquilo. – Eu declarei, querendo acreditar nas minhas próprias palavras e Tommy suspirou, voltando a devorar o seu sanduíche.

Aproveitei o tempo livre para ajudar Mia com os deveres de casa e para revisar alguns relatórios.

Já fazia cerca de duas horas que eles estavam no meu escritório quando Jacob saiu de lá pisando duro em direção à saída, sem nem me olhar.

Eu me levante rapidamente e fui até meu escritório, encontrando Sofia chorando copiosamente, agarrada à mãe.

Tommy havia levado Mia para tomar sorvete, o que era ótimo, pois eu não queria que nenhum dos dois visse Sofia assim.

− Vocês estão bem? – Eu perguntei, andando até elas e Bella me lançou um olhar desesperado, o que quase me levou a ir atrás daquele desgraçado e arrancar sua cabeça.

− Nós vamos ficar. Ele foi embora. E dessa vez eu espero que seja para sempre.

− Eu quero ir para casa... – Sofia falou e eu suspirei, tomando-a em meus braços.

Bella e eu namorávamos há pouco tempo, mas eu já nutria um carinho imenso por Sofia e não gostava de vê-la sofrendo por um pai que não merecia a filha maravilhosa que tinha.

− Vamos te levar para casa, querida. Agora, pare de chorar. Aquele homem não merece nenhuma lágrima nublando esses olhos tão lindos. – Eu falei com suavidade e ela fungou, me encarando com tristeza.

− Você aceita mesmo ser o meu pai? – Ela me perguntou e eu sorri, beijando sua testa.

− Claro que aceito. Será uma honra, querida. – Eu declarei e ela sorriu, me abraçando mais uma vez e, naquele momento, eu tive a certeza de que havia me tornado um pai mais uma vez.

E eu me sentia imensamente feliz com esse fato.

**********

Pov. Sofia

Olhei atentamente para o homem que se dizia meu pai e respirei fundo, tentando conter minha ansiedade.

Não era assim que eu havia imaginado conhecê-lo um dia.

Aliás, eu nem esperava conhece-lo, já que ele sumira sem deixar vestígios e nunca entrara em contato durante os meus quinze anos de vida.

Mas, como minha mãe gostava de dizer, a vida não seria nunca como gostaríamos. Então, só me restava aproveitar a oportunidade de conversar com Jacob Black e tentar entender o porquê de ele me procurar só agora, depois de ter abandonado minha mãe grávida e nunca ter querido saber de mim.

− Pronto, Jacob. Estamos a sós como você tão gentilmente exigiu. Agora, fale de uma vez o que você quer da minha filha e suma. – Minha mãe pediu brava e ele suspirou, me encarando por longos segundos.

− Primeiro, preciso dizer que a descrição das pessoas a seu respeito não condizem com a realidade, Sofia. Você é muito mais linda do que me disseram. Tão linda e graciosa quanto sua mãe na mesma idade. A propósito, a semelhança entre vocês duas é assombrosa. Se não fosse pela cor clara dos seus olhos, eu poderia jurar que estou novamente diante da menina por quem eu fui, e ainda sou, completamente apaixonado. – Ele falou e minha mãe revirou os olhos, cruzando os braços sobre o peito e encarando-o irritada. – E respondendo à sua pergunta, Bella, eu fiquei curioso sobre Sofia. Estive em Forks e ao perguntar por você, Mike Newton me disse que você havia se mudado para Los Angeles com Sofia. Ele me contou que você tinha se formado em medicina e que nossa filha já era uma moça linda, idêntica a você.

− Ah, mas que lindo! Então, você veio nos infernizar porque ficou curioso? Você é inacreditável, Jacob Black. E pare de chamar a Sofia de nossa filha. Ela é apenas minha filha. Você não tem nenhum direito sobre ela. – Minha mãe declarou e ele sorriu ironicamente para ela.

− Ela é nossa, Bella, por mais que você não admita.

− Não, ela não é. Agora, fale de uma vez o que você quer. Tenho absoluta certeza que você não viria a Los Angeles movido apenas por sua curiosidade. – Minha mãe declarou e ele suspirou, sentando-se pesadamente sobre o grande sofá do escritório de Edward e nos encarando depois de algum tempo.

− Meu pai morreu. – Ele declarou e eu arregalei os olhos, trocando um olhar com a minha mãe.

William Black morrera?

William, ou Bily, como ele gostava de ser chamado, fora um grande amigo do meu avô até que Jacob e minha mãe romperam o namoro quando ela ficou grávida. Eu o vira apenas uma vez nas ruas de Forks quando fora passar férias na casa dos meus avós com minha mãe e Lara, mas ele nunca tentou nenhuma aproximação, mesmo sabendo que eu era sua neta. Dessa forma, eu não podia me declarar triste por saber que ele morrera.

Mas, Jacob devia estar triste com a morte do pai. Será que eu devia dizer-lhe alguma coisa?

− Meus pêsames. Mas, o que Sofia tem a ver com isso? – Minha mãe perguntou de forma direta e Jacob bufou.

− Além do fato de ele ser avô dela? – Ele perguntou ironicamente e minha mãe lhe lançou um olhar irritado. Ela não iria facilitar. − Como você bem sabe, meu pai era dono de muitas terras na região de La Push. Rachel, Rebeca e eu somos os seus únicos herdeiros, mas para que eu possa receber minha parte ele impôs uma condição.

− Que condição? – Minha mãe perguntou desconfiada e eu prendi a respiração a espera de sua resposta.

Será que essa condição tinha a ver comigo?

− Para ter acesso a minha herança eu preciso apresentar a certidão de nascimento de Sofia com o meu nome. Caso contrário, não terei acesso a nada. – Ele declarou e minha mãe ficou encarando-o por longos segundos.

− Então, você começou a cercar minha filha na escola por conta de alguns metros de terra? – Minha mãe perguntou puta e Jacob a encarou com raiva.

− Não são apenas alguns metros de terra. Meu pai é dono de boa parte dos terrenos do vilarejo de La Push e de alguns hectares de florestas. Meus negócios não estão indo muito bem e eu preciso da minha herança para dar um jeito na minha vida. Não sou um cara tão bem sucedido como o seu namoradinho. Só pela decoração desse escritório dá para perceber que ele tem muito dinheiro. É por isso que está com ele? É por isso que Sofia namora o filho dele? Que tipo de valores você está ensinando para minha filha? – Jacob perguntou e minha mãe arfou de raiva, indo até ele e lhe dando um violento tapa no rosto, o que me fez arregalar os olhos.

Desde James eu não tinha visto minha mãe tão brava.

− Não nos compare a você, Jacob Black. Sofia e eu não nos envolvemos com ninguém por interesse. E, quanto a ter o seu nome na certidão de Sofia, esquece. Isso não vai acontecer. Dê outro jeito de receber sua herança, pois minha filha não vai ser envolvida nos seus planos sórdidos.

− Não é você quem decide, Bella. Sofia já tem idade o suficiente para falar por si só. – Jacob falou, esfregando o rosto no lugar onde minha mãe o atingira e se virou para mim. – Sofia, eu sou o seu pai. Eu errei muito ao abandonar sua mãe grávida e nunca ter entrado em contato com você, mas eu preciso da sua ajuda. Por favor, me deixe reconhecê-la como uma Black que você é. Um dia, essas terras serão suas também. – Ele pediu, aproximando-se de mim e tomando minhas mãos nas suas e eu prendi a respiração, trocando um olhar com a minha mãe, que parecia cada vez mais irritada.

Eu sabia que ela não queria que eu me aproximasse de Jacob, mas antes de atendê-la, eu precisava ter algumas respostas.

− Você me ama? – Eu perguntei a ele que arregalou os olhos e me encarou assustado.

− Claro... Amo muito! Você é minha única filha, Sofia. É óbvio que eu amo você e, a partir de agora, quero ser um bom pai.

− Então me diga o que você fez a minha mãe quando ela descobriu que estava grávida e se recusou a fazer um aborto. – Eu pedi e ele empalideceu, olhando para minha mãe com raiva.

− Sofia, não. – Minha mãe pediu preocupada, mas eu a ignorei.

Eu tinha que descobrir o que Jacob Black fizera para que minha mãe o odiasse tanto. Era óbvio que ela estava me escondendo alguma coisa e precisava descobrir o que era.

− Eu não fiz nada. Eu era muito jovem e não estava preparado para ser pai. Apenas isso. – Ele falou e eu revirei os olhos exasperada.

Porque todos insistiam em mentir pra mim?

− Você queria que ela fizesse um aborto. – Eu declarei e ele bufou.

− Queria. Era o mais fácil a se fazer. Assumir um bebê quando se é adolescente é algo muito complicado. Mas, a sua mãe não quis e você nasceu. Fim de papo.

− Mas, não foi só isso, não é? O que você fez? Minha mãe é uma pessoa boa e não te odiaria tanto apenas pelo fato de você ter nos abandonado. O que estão escondendo de mim? Diga-me de uma vez! – Eu insisti e ele bufou mais uma vez, passando as mãos pelos cabelos.

− Chega, Sofia. Por favor! – Minha mãe pediu e eu a encarei com raiva.

− Eu tenho direito de saber. É a minha história e ele vai ter que me contar se quiser mesmo a minha ajuda para receber sua preciosa herança. – Eu gritei e minha mãe suspirou, erguendo o rosto para o teto, o que indicava que ela estava muito nervosa.

− Diga a ela de uma vez, Jacob. Conte a sua filha, a quem você dedica um imenso amor, o que você fez para que ela não nascesse. – Minha mãe falou chorando e ele lhe lançou um olhar irado.

− Eu paguei duas garotas para que dessem uma surra em sua mãe a fim de provocar um aborto. Eu não queria ser pai, mas sua mãe ignorou totalmente a minha vontade e eu tive que agir. Mas, nada aconteceu e você nasceu. Portanto, essa história não conta mais. – Ele falou, tentando mais uma vez pegar em minhas mãos, mas eu me afastei com um safanão, sentindo nojo dele. – Sofia, eu estou aqui agora disposto a ser o seu pai. Por favor, me dê uma chance. Você, sua mãe e eu podemos ser uma família.

Ele pagara pessoas para bater na minha mãe? Ele queria provocar-lhe um aborto por não estar preparado para ser pai?

Que tipo de monstro era Jacob Black?

− Sofia? – Ele chamou por mim e eu me virei para olhá-lo com ódio.

− Minha mãe tem razão quando diz que eu não sou sua filha, pois eu realmente não sou. Graças aos céus não me pareço em nada com você. Em absolutamente nada. Eu não sou uma Black. Eu sou uma Swan e um dia serei uma Cullen. Não quero o seu sobrenome e muito menos sua herança. Eu só quero que você vá embora e nunca mais volte a me procurar. Eu sobrevivi, apesar de você. Eu fui criada por uma mulher maravilhosa e eu não preciso de um pai. Aliás, eu já tenho um pai. Dois, na verdade. Tio Jasper foi o meu pai e Edward assume esse posto a partir de hoje. Você não. Você não passa de moleque mimado, interesseiro e ordinário que não merece jamais ser chamado de pai. Não seremos uma família, Jacob Black. Jamais, pois você desconhece o significado dessa palavra. – Eu falei com desprezo e ele me encarou com ódio.

− Eu preciso dessa certidão e eu vou consegui-la, nem que para isso eu tenha que mover céus e terras. – Ele gritou irado e eu me encolhi, querendo apenas que ele desaparecesse.

− Então, eu sugiro que comece a movê-los, Jacob, pois eu farei de tudo para evitar que minha filha tenha o seu sobrenome. Suma das nossas vidas e não volte, ou serei obrigada a expedir um pedido de restrição contra você. – Minha mãe falou e ele grunhiu, pegando sua jaqueta e seu capacete e saindo intempestivamente do escritório de Edward.

E eu chorei ainda mais, sendo consolada pela minha, que me abraçou forte.

− Não chore minha princesa. Jacob não vale nenhuma lágrima sua.

− Ele é horrível, mãe. Eu não quero que ele seja meu pai. Não quero... – Eu falei chorando e minha mãe me abraçou ainda mais forte.

− Ele não é, meu amor. Jacob Black jamais será o seu pai. Fique calma.

− Vocês estão bem? –Edward perguntou, entrando no escritório minutos depois da saída de Jacob e eu tentei inutilmente controlar meu choro.

− Nós vamos ficar. Ele foi embora. E dessa vez eu espero que seja para sempre. – Minha respondeu e eu voltei a chorar.

− Eu quero ir para casa... – Eu falei com a voz fraca, cortada pelo choro e Edward suspirou, me tomando nos braços.

− Vamos te levar para casa, querida. Agora, pare de chorar. Aquele homem não merece nenhuma lágrima nublando esses olhos tão lindos. – Ele falou com suavidade e eu funguei, encarando-o com tristeza.

− Você aceita mesmo ser o meu pai? – Eu perguntei e ele sorriu, beijando minha testa.

− Claro que aceito. Será uma honra, querida. – Ele declarou e eu sorri, o abraçando mais uma vez e me sentindo segura ali, como me sentia quando tio Jasper ou meu avô Charlie me abraçavam.

Quando Tommy e Mia voltaram ao escritório eu já havia parado de chorar, todavia meus olhos inchados e vermelhos fizeram com que meu namorado me olhasse preocupado.

− Você está bem? – Ele perguntou, se aproximando de mim e eu assenti, abraçando-o.

− Estou. Acabou agora. Acho que ele não vai voltar a me procurar.

− Mas, o que ele queria, afinal? – Tommy me perguntou e eu respirei fundo, tentando não me lembrar do embate horrível que acabara de acontecer no escritório de Edward.

− Eu era um meio para que ele tivesse acesso à herança do pai. Só isso. – Eu murmurei e ele suspirou, beijando meus lábios de leve.

− Sinto muito.

− Eu também. Mas, tudo o que eu quero agora é esquecê-lo. – Eu declarei e ele sorriu, beijando minha bochecha.

− Vamos trabalhar nisso. – Tommy declarou e foi minha vez de sorrir, me felicitando pela sorte de tê-lo ao meu lado.

Saímos do escritório de Edward e fomos para minha casa. Enquanto minha mãe e Tommy preparavam o jantar, Mia e eu fomos tomar banho e Edward ficou na sala resolvendo uns problemas referentes ao trabalho que ele deveria estar fazendo em New York.

− Você e seu papai se entenderam, Sofia? – Mia me perguntou, enquanto eu trançava seu cabelo após o banho e eu suspirei, olhando-a através do espelho.

− Não, Mia. Aquele homem não é um pai.

− Não? – Ela me perguntou confusa e eu sorri.

− Não. Aliás, eu pedi para que Edward se torne o meu pai agora. Tudo bem por você?

− Tudo ótimo! Você vai gostar muito de ser filha dele. Meu pai é o melhor. – Ela declarou animada e eu ri.

− Ele é sim. E, como ele vai ser o meu pai agora, eu reafirmo o direito que você tem de se tornar filha da minha mãe. O que acha?

− Bella é legal. Ela me deixou dormir com ela, prepara o café da manhã, me arruma para ir à escola, brinca comigo... Ela me chama de amor, princesa, anjo... Eu gosto dela. Gosto muito, mesmo a tia Kate dizendo que madrastas são bruxas más. Bella não se parece com uma bruxa.

− Minha mãe não é uma bruxa, Mia. Ela é incrível. A melhor mãe que você poderia sonhar em ter. E ela gosta muito de você. E do seu pai também. Os dois estão muito felizes juntos.

− Sim. Meu pai sorri bastante agora. E meu irmão também, depois que começou a namorá-la. – Ela declarou e eu sorri ao pensar em Tommy e eu. – Será que nossos pais vão se casar um dia?

− Você gostaria disso? – Eu perguntei curiosa e ela deu de ombros.

− Sim, desde que eles não tivessem mais nenhum filho. Não quero mais irmãos, pois planejo ser a caçula para sempre. – Ela declarou e eu ri, mesmo sabendo que aquilo poderia se tornar um problema.

Minha mãe já expressara várias vezes a vontade de ter outro filho e eu imaginava que agora que ela tinha ao seu lado um homem bom, honesto e responsável ela fosse querer realizar esse desejo.

Só esperava que Mia não se revoltasse caso Edward e minha mãe decidissem ter um bebê, até porque, eu adoraria ter um irmãozinho.

Depois do banho, Mia e eu fomos para a sala e eu sorri largamente ao ver Lara e meus tios esperando por mim.

− Ei, princesa do tio, tudo bem com você? – Tio Jasper me perguntou e eu assenti, abraçando-o com força. – Nunca mais vou permitir que aquele homem se aproxime de você.

− Isso mesmo, papai. Sofia não precisa de um pai. Ela tem você, o vovô Charlie e Edward. E se aquele idiota aparecer por aqui outra vez serei eu a agredi-lo. – Lara declarou, se unindo ao nosso abraço e eu sorri, feliz por saber que, apesar do progenitor horrível que eu tinha, fui presenteada com uma família maravilhosa.

Jantamos em um clima ameno e eu dei graças a Deus por todos evitarem tocar no nome de Jacob Black.

Eu queria me esquecer que aquele homem existia.

Já estávamos nos deliciando com a sobremesa que tia Alice trouxera quando o interfone tocou.

Minha mãe foi atender e arregalou os olhos para a fala do porteiro, me fazendo olhá-la preocupada.

− Pode mandar subir, José. – Minha mãe falou após um longo suspiro e eu a encarei de cenho franzido.

− Quem vai subir? – Eu perguntei curiosa e ela respirou fundo, alternando o olhar entre eu e o tio Jasper.

− Charlie e Renée acabaram de chegar e estão subindo. – Ela declarou e eu arregalei os olhos.

Meus avós?

Olhei para Edward e Tommy por um instante e gemi internamente.

Ai que ótimo!

E a semana só melhorava!

Notas finais
Hello! Para não matá-las de ansiedade aí está o capítulo prometido. Espero que tenham gostado! Até o próximo.