Laços de amor
20 Capítulo 19
Capítulo 19
Pov. Bella
Sofia sempre tinha sido uma menina extremamente doce. Apesar de ser decidida, impetuosa e muitas vezes teimosa, ela nunca havia se metido em encrencas que envolvessem algum tipo de violência.
Por isso, que a ideia de a minha filha ter quebrado o nariz de alguém de propósito me parecia simplesmente impossível.
Aquela atitude não combinava com a Sofia Swan que eu educara.
Cheguei à escola e fui conduzida imediatamente ao gabinete da diretora. Antony e Ethan estavam plantados em frente à porta e arregalaram os olhos assustados quando me viram.
− Bella? Está fazendo o que aqui? Sofia está bem? – Antony me perguntou preocupado e eu suspirei.
− Olá, Antony. Ethan. Eu estou aqui para resolver uma confusão que Sofia armou ao quebrar o nariz de uma garota. – Eu declarei e Antony paralisou, me encarando chocado.
− Sofia quebrou o nariz de uma garota? Como assim, Bella? Ela jamais faria isso.
− Eu também pensava assim, mas, aparentemente ela fez. Agora, só nos resta saber por quê.
− É simples. Sofia é uma selvagem. Alguém que deveria ser privada da civilização até que vire gente. – Ouvi uma voz feminina bem atrás de mim e quando me deparei com uma menina toda suja de sangue e com o nariz inchado soube exatamente de quem se tratava.
− Mary Jane Volturi, presumo. – Eu falei e ela empinou o queixo, me encarando com desdém.
Seu nariz quebrado tornava sua pose bem ridícula.
− Isabella Swan, mãe da selvagem Sofia Swan, presumo. – Ela falou e eu respirei fundo, me contendo para não mandar aquela garota à merda.
− Sofia não é uma selvagem, Mary Jane, e se ela quebrou mesmo o seu nariz foi porque você provocou. – Antony falou com raiva, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa e a garota bufou.
− Eu não fiz nada. Sofia é uma selvagem, já disse. Ela me atacou sem motivo algum.
− Mary Jane, conte outra. Você não é nenhuma santa. Sofia é uma garota doce, educada e sensata. Ela jamais te atacaria sem motivo. – Ethan falou e a garota revirou os olhos, rindo em seguida.
− Sofia não é o anjo que vocês imaginam. Ela me atacou. E agora, minha família e eu exigimos a expulsão imediata dela. Aquela garota não tem condições mentais de permanecer nessa escola.
− Não é você nem sua família que decidem isso, Mary Jane. Vamos saber ao certo o que aconteceu para que possamos resolver da melhor maneira possível. Até lá, não fale sobre a minha filha. Sofia não é uma selvagem e não será mantida longe da civilização como você tão gentilmente sugeriu. Tommy, ligue para o seu pai e peça para que ele venha imediatamente para cá. Estarei na sala da diretora resolvendo essa história. – Eu falei, entrando na sala da direção, enquanto Tommy sacava o celular do bolso da jaqueta para fazer o que eu pedi.
Mary Jane veio logo atrás de mim, mas antes que ela entrasse, pude ouvir Antony falando com ela.
− Deixe Sofia em paz. Eu não sou seu e nunca fui. O que tivemos foi uma breve troca de saliva, da qual eu irei me arrepender amargamente pelo resto dos meus dias. Ela é a garota que eu escolhi para ser a minha namorada. É dela que eu gosto. Portanto, para com essa maluquice e deixe minha namorada em paz. – Antony falou e eu ouvi quando a garota bufou e veio andando a passos duros até a sala da direção.
Assim que entrei, vi Sofia sentada em uma cadeira em frente à mesa da diretora. Ela parecia muito preocupada. Lara estava ao seu lado e assim que me viu, soltou um suspiro de alívio.
− Que bom que você chegou, tia Bella. Estão querendo nos jogar aos tubarões. – Lara reclamou, vindo até mim e eu a recebi com um beijo na bochecha, enquanto sentia os olhares mal-humorados de Minerva Connor sobre nós.
Já Sofia mantinha os olhos baixos. Era evidente que ela estava com medo da minha reação diante do fato de que ela havia agredido alguém.
Minha filha sabia o quanto eu era contra a qualquer tipo de violência e independente do motivo ela jamais deveria ter quebrado o nariz de Mary Jane Volturi.
− Senhorita Swan, que bom que você veio. Precisamos resolver essa situação com urgência. Sua cunhada, Alice Swan, a mãe de Mary Jane e a tia de Amanda já estão a caminho. Sente-se. Fique a vontade. Sente-se também, senhorita Volturi. – A senhora Connor falou e eu assenti, me sentando ao lado de Sofia, enquanto Mary Jane se acomodava ao lado de Lara.
− O que deu em você para quebrar o nariz dessa garota? – Eu sussurrei para Sofia que deu ombros e suspirou.
Depois de uns vinte minutos, Alice e mais duas mulheres chegaram e eu percebi que uma batalha estava prestes a ser travada naquela sala.
− Meu bebê, o que aconteceu com você? – Uma senhora (perua, para dizer a verdade) se aproximou de Mary Jane horrorizada diante da situação do rosto da filha, que estava roxo e inchado devido à fratura no nariz.
− Senhoras, acomodem-se. Nossa conversa será longa. – Minerva Connor falou e eu respirei fundo, segurando a mão de Sofia.
Independente de qualquer coisa, eu estaria ao seu lado, mesmo que depois tivesse que deixá-la de castigo até os trinta anos.
− Pra mim está muito claro o que aconteceu aqui. Minha filha foi agredida. Isso é mais do que evidente. Espero que a senhora tome as devidas providências quanto a isso ou minhas doações aos projetos dessa escola serão canceladas imediatamente. – A Sra. Volturi falou em tom de ameaça e eu bufei.
− Vamos esclarecer tudo, Sra. Volturi. Fique tranquila. Não será necessário que cancele suas doações. Primeiramente, gostaríamos de entender o que se passou no ginásio. Sofia? – A diretora se voltou para minha filha que suspirou e me lançou um olhar culpado.
− Eu arremessei a bola de vôlei no rosto de Mary Jane. – Ela confessou baixinho e a Sra. Volturi soltou um som irritado.
− Conte porque você fez isso, Sofia. – Lara falou e Alice apertou o seu braço, lançando um olhar irritado à filha.
− Porque você fez isso, filha? – Eu perguntei a Sofia que corou e abaixou o olhar mais uma vez. – Foi por causa de Tommy?
− Tommy? – A diretora perguntou e eu suspirei, olhando-a.
− Antony Cullen. Tommy é um apelido dado a ele pela irmã.
− Antony Cullen foi namorado da minha filha. Já faz tempo que minha Mary Jane reclama que uma tal Sofia quer roubar-lhe o namorado. E agora, essa mesma menina a agride. Isso é um absurdo!
− Antony não era namorado de Mary Jane. Nunca foi. Ele mesmo nos disse isso. – Lara falou e Alice suspirou, me lançando um olhar confuso.
Eu dei de ombros e voltei minha atenção novamente para Sofia.
− Tia, a verdade é que Sofia quebrou o nariz da Mary Jane porque ela e a Amanda ofenderam você. Elas disseram coisas absurdas a seu respeito. – Lara declarou e eu a olhei surpresa.
− Como assim, Lara? – Alice perguntou e Sofia suspirou, me encarando com lágrimas nos olhos.
− Elas te chamaram de... De...
− De prostituta, de vagabunda, puta... Falaram que uma mãe solteira não pode criar alguém com caráter, que respeite os namorados alheios. Lembrando que Antony não era namorado dela. Ah... Elas falaram também a respeito de você ir para a cama com todos os seus chefes... Enfim... Foram muitas ofensas até que Sofia perdeu a classe e arremessou a bola no rosto de Mary Jane. – Lara esclareceu e eu olhei chocada para as duas meninas que não me conheciam, mas que, pelo visto, não gostavam de mim.
− Minha sobrinha é uma menina bem educada. Jamais falaria esse tipo de coisa da mãe de alguém. – A tia de Amanda falou e Lara bufou, lançando um olhar debochado para a mulher.
− Educada! Claro que é... – Minha sobrinha debochou e a mulher lhe lançou um olhar irritado.
− Fica quieta, Lara! Você já está encrencada o suficiente. – Alice falou e Lara bufou, mas manteve-se em silêncio.
− Minha filha não falou nenhuma mentira. Mães solteiras não podem mesmo dar uma educação primorosa aos filhos. A prova disso é o fato de a senhora ter criado uma selvagem. – A senhora Volturi falou e eu senti meu sangue ferver nas veias.
Eu havia passado por muitas dificuldades a fim de dar uma boa educação para minha filha, já que não podia contar com a ajuda do seu pai. Eu passei noites em claros estudando, tive três empregos ao mesmo tempo para dar conta de todas as nossas despesas, abdiquei das minhas vontades muitas vezes, chorei durante toda a noite para que no dia seguinte pudesse sorrir para ela, enfrentei julgamentos, preconceitos e humilhações e, portanto, não deixaria que ninguém colocasse em cheque a educação que eu havia dado a minha filha, pois eu sabia que tinha criado uma menina incrível.
− Minha filha não é uma selvagem. Ela agiu em minha defesa. Sofia agrediu sua filha por amor a mim. Eu sei que não foi certo, pois violência não nos leva a nada, mas se sua filha não tivesse a provocado, nada disso teria acontecido. E quanto ao fato de eu ser uma mãe solteira, saiba que tenho muito orgulho disso. Eu criei minha filha sozinha sim e criei muito bem. Confio no tipo de educação que dei à Sofia e tenho certeza de que ela jamais ofenderia a mãe de ninguém, muito diferente da sua Mary Jane que mesmo tendo sido criada em uma família tradicional, parece não ter respeito algum ao próximo. – Eu declarei e a Sra. Volturi me encarou entre chocada e irritada.
− Isso aí, tia! – Lara falou e Alice beliscou o seu braço, fazendo com que ela se calasse.
− Essa discussão não nos levara a lugar nenhum, então, vamos aos fatos. Mary Jane Volturi e Amanda Trump ofenderam a senhorita Swan, fazendo com que Sofia respondesse às ofensas com uma violenta bolada que fraturou o nariz de Mary Jane. Essa bolada foi comemorada por Lara Swan, o que explica sua presença aqui. – A diretora resumiu e eu respirei fundo, me preparando para o que viria a seguir. – Nosso regimento interno é claro. Não aceitamos violência. De nenhum tipo. Nem física e nem verbal. Portanto, o mais correto seria a expulsão das quatro alunas. – Ela concluiu e todas nós a olhamos chocadas.
− Você não pode expulsar minha filha. Não depois de todas as generosas doações que meu marido e eu fizemos a essa instituição. – A Sra. Volturi falou indignada e Lara, Alice e eu reviramos os olhos.
− Veja bem, Sra. Volturi, suas contribuições foram voluntárias. Eu não posso proteger sua filha por esse motivo. Ela errou e merece ser punida.
− Minha filha está com o nariz fraturado. Ela foi humilhada diante de toda a escola. Que outra punição a senhora ainda deseja impor a ela?
− Expulsão é algo muito severo, Sra. Connor. Estamos no meio do ano letivo. Isso prejudicaria muito as meninas. – Alice falou e a diretora suspirou, nos olhando seriamente.
− Se a senhora expulsar minha filha eu juro que processo essa escola. – A insuportável da Sra. Volturi falou e eu bufei, trocando um olhar exasperado com Alice.
− Eu penso que uma suspensão está de bom tamanho. Expulse apenas Sofia Swan. Foi ela quem quebrou o nariz de uma colega. – A tia da Amanda se pronunciou altiva, mas se encolheu diante do meu olhar.
− Ou expulsa todas ou não expulsa nenhuma. Caso contrário, minha namorada e eu processaremos a escola, além de entrar com um processo contra as menores Mary Jane Volturi e Amanda Trump por calúnia e difamação. – Edward falou, entrando na sala de repente e eu suspirei aliviada por tê-lo ao meu lado.
Antony também entrou e foi imediatamente para o lado de Sofia, que sorriu de leve ao vê-lo.
Mary Jane lançou um olhar mortal aos dois, mas quando viu que eu estava encarando-a, desviou o olhar.
− Sr. Cullen? O que faz aqui? – A diretora perguntou espantada e eu sorri confiante.
Quero ver quem se atreveria ser injusto com a minha filha com o meu namorado, que era um ótimo advogado, presente.
− Isabella mandou me chamar. Acho que ela previa que o castigo poderia não ser justo para todas as alunas envolvidas nessa confusão. Antony me contou o que aconteceu e aproveitou o tempo que vocês estavam aqui discutindo para coletar depoimentos de algumas colegas de classe de Sofia e Mary Jane que confirmaram que a filha da minha namorada foi acuada desde o momento em que colocou os pés na escola hoje pela manhã. Ela aturou provocações durante todas as aulas que tiveram juntas e que foi só quando Amanda e Mary Jane ofenderam sua mãe de uma forma baixa que ela reagiu. Portanto, não existe alguém que seja mais culpada aqui. Todas erraram e deverão ter o mesmo castigo. Caso não seja assim, terei que tomar providências drásticas. – Edward declarou e tanto a diretora quando as responsáveis por Amanda e Mary Jane murcharam.
Eu, por outro lado, estava me segurando para não encher Edward de beijos bem ali. Ele ficava incrivelmente gostoso quando estava no modo advogado.
− Isso não será necessário, Sr. Cullen. As quatro alunas serão punidas da mesma forma. Elas estão suspensas pelo resto da semana e não poderão jogar na próxima liga de vôlei. – A diretora decidiu e as quatro começaram a protestar pelos jogos perdidos. – Sem protestos. Está decidido. O acontecido será lavrado em ata e assim que estiver pronta, as alunas e os responsáveis deverão comparecer para assinar. Estão todos dispensados. – A Sra. Connor falou e eu respirei aliviada por minha filha não ter sido expulsa da escola.
− Isso é um absurdo! E quanto aos gastos médicos com o nariz da minha filha? Ela, provavelmente, terá que passar por cirurgia. Meus advogados saberão o que aconteceu aqui hoje. Voltaremos a nos falar, Sra. Connor. Passar bem! – A insuportável Volturi saiu apressadamente da sala, puxando a filha pelo braço e sendo seguida por Amanda e sua tia carrancuda, nem me deixando dizer que eu arcaria com todos os gastos médicos envolvendo a fratura nasal de Mary Jane.
Sofia, Lara, Alice, Edward, Antony e eu nos despedimos da diretora e nos encaminhamos para o estacionamento da escola. Só então minha cunhada começou a rir feito uma maluca.
− Uma reunião escolar nunca foi tão emocionante. Adorei o embate que aconteceu naquele gabinete. Foi digno de um Oscar. – Ela comentou e eu acabei rindo, sendo seguida por Edward, Antony e Lara. Sofia ainda continuava muda.
− E meu namorado lindo chegou para salvar tudo. Se não fosse por você, Sofia e Lara acabariam sendo expulsas, enquanto Amanda e Mary Jane seriam declaradas vítimas. Aquela insuportável da Sra. Volturi não parava de falar sobre as doações que fez para a escola. – Eu comentei exasperada, dando um beijo suave nos lábios de Edward que sorriu, e apertou de leve a minha cintura.
− De vítimas aquelas malucas não têm nada. Se elas dirigirem a palavra a Sofia mais uma vez, eu não respondo por mim. – Antony falou com raiva e eu suspirei, fazendo um carinho em seu braço.
− Chega de violência, crianças. Mary Jane não vai mais se meter com Sofia. Tenho certeza. Antony já deixou bem claro que não quer nada com ela. Não é possível que dessa vez ela não tenha entendido o recado. – Eu declarei e Sofia olhou curiosa para o namorado.
− O que você disse a ela?
− Depois eu te conto, princesa. – Ele falou, beijando minha filha no rosto, que suspirou e me lançou um olhar ressabiado.
− Isso aí. Depois vocês conversam, pois agora quem vai levar um papo muito sério com a minha filha sou eu. Vamos, Sofia? – Eu falei, indicando nosso carro que estava parado a alguns metros de distância e posso jurar que vi minha filha estremecer.
Ela se despediu do namorado e de Lara, deu um beijo em Alice e seguiu em direção ao carro, enquanto eu me despedia de todos.
− Obrigada por ter vindo ao meu socorro, Cullen. Gostei muito de vê-lo no modo advogado implacável. – Eu declarei, segurando a gola da sua camisa e ele riu, me beijando em seguida.
− Estou sempre às ordens, senhorita Swan. Precisando é só me chamar. Agora, quero lhe fazer um pedido. Não seja muito dura com Sofia. Ela fez o que fez para defender a mãe. Se formos levar isso em conta, um nariz quebrado nem é algo tão grave assim. – Ele falou e eu fiz uma careta, beijando mais uma vez.
− Não serei tão dura. Mas, preciso que Sofia entenda que violência não é a solução para nada.
− Tia, aquelas garotas levaram Sofia ao limite. Mary Jane mereceu a bolada. Acredite em mim. Então, por favor, pegue leve com ela. – Lara pediu e eu suspirei, sorrindo de leve para ela.
− Vou me lembrar disso, querida. Agora, eu tenho mesmo que ir. Amo vocês. – Eu falei, me despedindo deles e indo ao encontro da minha filha no carro.
Fomos para casa e só quando já estávamos na sala do nosso apartamento é que ela teve coragem de me encarar.
− Me desculpe, mamãe. Eu agi por impulso. Quando me dei conta, já tinha acertado a bola no rosto dela. Mary Jane falou coisas horríveis ao seu respeito. Eu não podia permitir aquilo.
− Sofia, violência nunca será a solução para nada. Eu entendo o fato de você querer me defender e até agradeço, mas, amor, uma bolada e um nariz quebrado não resolvem nada e nem amenizam os insultos dirigidos a mim.
− Eu sei. Mas... Mamãe, eu vivi com você. Eu sei de toda a sua luta para me criar e para que nada faltasse a mim. Você sempre foi uma mãe incrível e ouvi aquilo a seu respeito... Foi horrível. Eu não podia permitir que ela te ofendesse daquele jeito. Além disso, ela passou o dia todo me provocando.
− Eu agradeço por você me defender, Sofia. Você tem razão quanto ao meu esforço para criá-la. Ele foi real e necessário e eu nunca me arrependerei de nada do que fiz por você. Obrigada por defender a mim e, de certa forma, a todas as outras mães solteiras que carregam esse título como se isso fosse algo vergonhoso. Mas, toda ação tem consequência, Sofia Swan. Eu terei que arcar com as despesas médicas daquele nariz, mas eu não farei isso sozinha. A senhorita está sem mesada até que todas consequentes despesas daquela bolada sejam pagas. Além disso, o celular está confiscado, assim como toda e qualquer rede social. Nada de passeios no parque e na orla por pelo menos uma semana. Ah, e a louça é sua pelo resto do mês. E se alguma nota despencar devido a essa suspensão, a senhorita conhecerá o tamanho da minha ira. – Eu declarei e ela fez uma careta.
− Esse não é todo o tamanho da sua ira? Puxa! – Ela resmungou e eu segurei a vontade de rir. – Vou pelo menos poder ver o meu namorado?
− Vai, mas sob minha supervisão. Os encontros terão hora para começar e terminar. – Eu declarei e ela revirou os olhos, mas teve o bom senso de não reclamar. – Agora, vá para o seu quarto. Você é minha prisioneira pelo resto do dia.
− Sou prisioneira mesmo. Tenho até horário para visita. – Ela resmungou em seu caminho para o quarto, mas quando viu minha expressão se encolheu e não disse mais nada.
Liguei para Alice para saber sobre o castigo de Lara e fiquei sabendo que foi algo bem parecido com o de Sofia. As duas estariam incomunicáveis pelo resto da semana, o que eu achei ótimo.
Sofia e Lara juntas por tempo demais era garantia de problema sem dúvida alguma. Seria bom separá-las um pouco.
Eu estava terminando de preparar um lanche para Sofia quando a campainha tocou e eu me surpreendi ao me deparar com Mia parada no corredor.
− Oi, pequena, o que faz aqui? Veio sozinha?
− Não. A tia Rosalie me trouxe. Meu irmão me contou o que Sofia fez na escola hoje e eu vim para fazer companhia a ela. Algo me diz que você a colocou de castigo. – Mia declarou e eu sorri, me abaixando para beijar sua bochecha.
− Acho que ela vai gostar da sua companhia, pois você tem razão. Sofia está de castigo.
− Mia? O que está fazendo aqui? – Sofia perguntou, aparecendo de pijama na sala e Mia sorriu, correndo ao encontro da minha filha.
− Sério que você quebrou o nariz de uma garota com um saque? Me ensina a jogar vôlei como você? – Mia pediu e Sofia riu, me olhando meio ressabiada.
− Quebrar narizes não é algo do qual devemos nos orgulhar, Mia Cullen. – Eu declarei e a pequena bufou, me encarando exasperada.
Aquela garota tinha apenas oito anos, quase nove, mesmo?
− Temos que nos orgulhar quando fazemos isso para defender uma mamãe. Eu não tenho uma, mas se tivesse e alguém a ofendesse, eu também iria quebrar o nariz dessa pessoa. Além do mais, aquela garota é muito chata. Ela ligava na minha casa todos os dias atrás do meu irmão, mesmo o Tommy não querendo atendê-la nenhuma vez. Eu não gosto dela. Só a Sofia pode ser a minha cunhada. – Ela declarou e minha filha soltou um gritinho, agarrando Mia e a enchendo de beijos, o que me fez rir.
− Eu adoro essa garota! – Sofia declarou e Mia riu, enquanto ainda era atacada por beijos e cosquinhas.
− Eu também te adoro, Sofia. Muito mesmo... Gosto até da sua mamãe. – Ela sussurrou a última parte e eu sorri enternecida.
Era impossível resistir àquela garotinha. Ela era tão, ou mais, encantadora que o pai.
− O que acham de uma sessão de filme? Escolham o título que eu vou terminar de preparar os lanches. Mas, nada de rede social, hein! Você ainda está de castigo, Sofia. – Eu declarei e ela suspirou, assentindo.
− Escreva bilhetes. Eu entrego para o meu irmão. Isso pode, não é, Bella? – Mia perguntou e eu ri.
− Sim. Isso pode. Você será o correio elegante de Tommy e Sofia pelo resto da semana.
− Eba! Vou gostar de ajudar os dois. – Ela declarou e Sofia e eu rimos.
Apesar de tudo, o dia acabara bem e eu só me perguntava qual era a próxima confusão que eu teria que enfrentar.
Porque eu sabia que teria uma próxima.
Eu tinha certeza, aliás!
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