Laços de amor
19 Capítulo 18
Capítulo 18
Pov. Sofia
O filme estava prestes a começar e Tommy e eu ainda não havíamos tido tempo para falar sobre nós.
Quer dizer, se é que realmente existiria um “nós”.
− Vai querer pipoca? – Antony me perguntou, quando o lanterninha passou por nós com a cesta repleta de pipoca, doces e bebidas e eu sorri, aceitando sua oferta.
− Com bastante manteiga. – Eu acrescentei e ele assentiu.
− Pois não, senhorita. Uma pipoca grande com muita manteiga saindo no capricho. Vou querer duas cocas também. – Antony comandou e o funcionário sorriu, nos entregando os pedidos.
− Bom filme a você e a sua linda namorada. – Ele desejou simpático e Antony e eu trocamos um olhar, sorrindo um para o outro.
Pelo jeito, não era só a nossa família que nos via como um casal.
O filme era legal. Uma comédia romântica bem animada. Os atores eram bons e tinham muita química. A trilha sonora era belíssima. Entretanto, eu só conseguia me concentrar no fato de que Antony Cullen estava ali, comigo.
Em um dado momento, ele passou o braço por cima do meu assento e eu sorri de sua tentativa de flerte tão clichê.
− Agora eu acredito realmente que você é fã de clássicos... – Eu comentei baixinho e ele me olhou curioso, me obrigando a esclarecer o meu comentário. – Passar o braço por cima do assento da menina no cinema é bem clichê, Tommy. Acho que você devia saber disso. – Eu esclareci e ele corou, o que me fez rir e ganhar uma olhada feia da senhora que estava ao nosso lado.
− Eu nem percebi que tinha feito isso...
− Claro que não percebeu. – Eu debochei e ele me olhou entre zangado e divertido.
− Está duvidando de mim, senhorita Swan?
− Não. Longe de mim. Jamais duvidaria de um dos caras mais populares da escola que, com certeza, sabe bem mais da arte da conquista do que eu.– Eu falei piscando e ele riu.
− Shiii... – A senhora que estava ao nosso lado falou, nos lançando um olhar mortal e eu mordi os lábios, contendo uma gargalhada.
Tommy também estava se controlando para não rir, o que tornava essa tarefa ainda mais difícil. Eu me negava olhar para ele, pois caso isso acontece, nenhum de nós dois seria capaz de nos conter. Deitei em seu peito, tentando não fazer barulho, mas estava impossível me controlar.
Quando lágrimas começaram a se formar em meus olhos devido ao esforço para não rir, eu me levantei abruptamente e corri para fora da sala de cinema com Tommy em meu enlaço.
Nos encaramos por alguns segundos e explodimos em gargalhadas, fazendo com que as pessoas nos olhassem com estranheza, como se fôssemos loucos.
E talvez fôssemos mesmo.
− Eu nem sei do que estou rindo. – Antony comentou e eu ri mais ainda.
− Nem eu... Mas, acho que vou continuar rindo. Não consigo parar.
Foram necessários mais de cinco minutos para conseguirmos nos controlar e quando finalmente nos acalmamos, resolvemos não voltar para a sala de cinema, pois certamente não entenderíamos mais nada.
Sem contar, que correríamos o risco de sermos agredido pela nossa vizinha de cadeira.
Saímos para dar uma volta na orla da praia e quando Antony entrelaçou nossos dedos, eu sorri, sentindo uma corrente elétrica atravessar todo o meu corpo.
− O que nós somos, Tommy? – Eu perguntei quando o silêncio se prolongou entre nós e ele suspirou, me olhando por um momento.
− Por mim nós estaríamos namorando. A pessoa que quer ir com calma é você, Sofia. Não eu.
− Eu quero ir com calma por causa dos nossos pais, Tommy. Além disso, somos jovens. Não precisamos ter pressa para iniciarmos um relacionamento. – Eu falei e ele revirou os olhos.
− Nossos pais não serão afetados caso iniciemos um namoro. Já lhe disse isso uma centena de vezes. Eu sou um cara legal, Sofia, e se você aceitar ser minha namorada, vou me esforçar para fazê-la feliz. Não desejo jamais fazê-la sofrer. Não quero machuca-la e, se isso vier acontecer, não será propositalmente. Assim, tenho certeza de que saberemos conviver mesmo que nossa relação amorosa termine. Eu gosto de você, Sofia Swan. De verdade. E já faz algum tempo, aliás. Portanto, eu não aguento mais esperar para poder declará-la minha namorada. – Ele declarou, tirando uma mecha de cabelo do meu rosto e eu suspirei, sorrindo de leve.
− Acho que nossa família também não aguenta mais esperar pelo início do nosso namoro. Não sei quantas vezes mais eles vão nos encher e nos constranger com esse assunto. – Eu declarei e ele riu.
− Se você aceitar ser a minha namorada, eles ainda vão nos encher e nos constranger. Como você pôde notar, nossa família está bem longe de ser normal. Mas, pelo menos poderemos responder sim às perguntas referentes ao nosso namoro e, com o tempo, eles vão nos deixar em paz. Tenho certeza.
− Não sei como chegamos a esse momento, Tommy. Até pouco tempo atrás você era o garoto lindo, popular e inatingível que eu observava de longe na escola. Agora, estamos aqui, de mãos dadas e você está me pedindo em namoro. Isso tudo é surreal, para dizer o mínimo. Nem em meus sonhos mais loucos eu imaginei que você e eu pudéssemos nos tornar uma realidade. – Eu declarei e ele riu, se aproximando de mim e beijando minha testa.
− Às vezes, eu também me pergunto se isso é real. Eu ainda me lembro da primeira vez que te vi na escola, tão linda naquele uniforme esportivo. Você estava sorrindo e parecia tão feliz que eu imaginei tratar-se de um anjo. Para mim, você também era inatingível. Nossos olhares nunca nem sequer se cruzaram antes do primeiro encontro dos nossos pais. Mas, eu já sabia tanto sobre você. Eu quis você desde a primeira vez que te vi, Sofia Swan. E ainda quero. Eu quero que você seja minha namorada. E eu não quero esperar mais por isso. – Ele afirmou e meu sorriso se alargou.
− Você venceu, Antony Denali Cullen. Eu, Sofia Swan, aceito ser sua namorada. Também não quero mais esperar por isso. Aliás, eu mal posso esperar. – Eu sussurrei e ele sorriu, se aproximando ainda mais e beijando meus lábios de leve.
Foi mágico. Ainda mais mágico do que da primeira vez que nos beijamos, pois agora era oficial. Éramos namorados e pertencíamos um ao outro.
− Bem, namorada, acho digno comemorarmos a oficialização desse namoro com comida boa. O que acha de uma pizza? – Ele gracejou e eu sorri, entrelaçando nossos dedos mais uma vez.
− Acho ótimo. Pizza me soa perfeito. – Eu declarei e ele sorriu, nos guiando pela orla até a pizzaria que poderia ser considerada nosso ponto oficial de encontro.
Conversamos sobre a escola, sobre nossos amigos, nossas famílias, sobre planos futuros. Rimos juntos, rimos um do outro, rimos ao lembrar-nos da senhorinha do cinema...
Foi uma noite verdadeiramente perfeita.
Depois da pizza, fomos andando lentamente até minha casa e quando já nos aproximávamos da portaria, Antony interrompeu nossa caminhada, o que me fez olhá-lo curiosa.
− Algum problema?
− Sim. Eu me dei conta de que eu ainda não te beijei de verdade e eu já quero fazer a muito tempo. – Ele declarou e eu engoli em seco, encarando-o em dúvida.
Eu nunca havia beijado nenhum garoto. Minha experiência no campo amoroso era quase nula e eu temia que ele não gostasse do meu beijo.
Se isso acontecesse, se não rolasse química entre nós dois, ele poderia desistir do namoro, não poderia?
E apenas essa possibilidade me enchia de medo.
− Sofia?
− E se... Bem, eu nunca beijei ninguém. E se você não gostar do meu beijo? E se não tivermos química? – Eu revelei a ele os meus receios, o que o fez rir.
− Sofia, isso é impossível. É claro que eu vou gostar do seu beijo. Fique tranquila.
− Como você tem tanta certeza?
− Eu só sei. Confie em mim. Posso beijá-la agora? – Ele pediu e eu respirei fundo, me sentindo trêmula de ansiedade.
− Vá em frente... – Eu murmurei e ele sorriu, se inclinando lentamente em minha direção. Uma de suas mãos estava em minha cintura e a outra apoiando minha cabeça.
Eu fechei os olhos e apenas esperei.
Seus lábios encostaram suavemente nos meus e quando sua língua invadiu minha boca, eu nem pensei em rejeitá-lo. Antony era doce e suave e eu sentia que a qualquer momento poderia voar.
Foi o melhor (e até o momento o único) beijo da minha vida. Foi melhor que os beijos descritos em livros e filmes. Foi melhor do que qualquer coisa que eu já havia vivido e eu podia, simplesmente, passar o resto da minha vida beijando aquele garoto.
− Viu? Foi maravilhoso. – Ele declarou, beijando meus lábios de leve e eu corei, sorrindo envergonhada.
− É... Foi bonzinho. – Eu provoquei e ele estreitou os olhos em minha direção, o que me fez rir.
− Isso é um desafio, Sofia Swan? Porque eu posso beijar melhor que isso, caso queira.
− Você pode tentar. Eu não vou reclamar. – Eu falei e ele riu, me beijando outra vez.
E foi ainda melhor do que a primeira vez.
Acho que eu passaria desafiando-o pelo resto da vida.
Seguimos para minha casa e minha mãe sorriu largamente quando nos viu de mãos dadas.
Sim, Isabella Swan, Antony Cullen e eu somos namorados. Comemore!
Aproveitei a distração de todos para enviar uma mensagem a Lara que pirou quando soube que Antony e eu estávamos namorando.
Lara: Isso é sério? Vocês estão namorando mesmo?
Sofia: Claro que é sério. Até nos beijamos. Ele é um fofo, Lara. Acho que estou apaixonada.
Lara: Mas, disso eu já sabia. Vocês dois estão apaixonados um pelo outro já faz muito tempo. Só foram lerdos demais para admitir. Mary Jane vai morrer de ódio e inveja. Adoro! HAHAHAHAHAHAHAHA
Fiz uma careta para o telefone ao me lembrar de Mary Jane Volturi.
Sofia: Nem me lembre daquela maluca. Prevejo problemas.
Lara: Enfrentaremos todos. Você agora é a Sra. Antony Cullen. Mary Jane Volturi que se arda.
Eu ri ao ler a mensagem de Lara e Antony me olhou com estranheza, o que me fez piscar para ele e dar de ombros.
Tommy teria que se acostumar com as loucuras de Lara, ou teríamos sérios problemas.
Depois que Antony, Edward e Mia foram embora, a Dra. Bella me encheu de perguntas sobre Antony e eu e foi muito bom poder dividir o meu primeiro beijo e o início do meu namoro com ela, que era e sempre seria a minha melhor amiga.
Dormimos juntas e no dia seguinte, minha mãe me deixou na escola antes de ir para o hospital. Antony me esperava no estacionamento e me recebeu com um beijo no rosto, o que me fez corar diante da pequena plateia de alunos que circulavam pelo local e que nos olhavam com curiosidade.
Seria complicado me acostumar com toda a popularidade que estar com Antony Cullen me traria. Mas, eu não deixaria que isso fosse um problema entre nós dois, apesar de eu odiar chamar a atenção de quem quer que fosse.
Lara nos esperava na porta da escola e eu um gritinho animado quando eu me aproximei, me fazendo lançar um olhar mal-humorado em sua direção.
− Estou tão feliz por vocês dois. Eu sempre soube que daria namoro, mas é mais do que ótimo ter a confirmação deste fato. Serei popular apenas por ser a prima da namorada de Antony Cullen. – Lara declarou e eu revirei os olhos, enquanto Tommy ria.
− Não viaja, Lara. E pare de fazer escândalo. Não quero que Mary Jane fique sabendo do meu namoro com Antony. – Eu falei e Lara bufou, enquanto Tommy me lançava um olhar surpreso.
− E porque não? − Ele perguntou confuso e eu dei de ombros.
− Porque ela é maluca e vai ficar me enchendo. Mary Jane ainda se declara sua dona e eu não a quero me perseguindo feito um fantasma.
− Ela não vai te perseguir, pois eu não vou deixar. Você é minha namorada e Mary Jane vai ter que aceitar isso. Agora, vamos para aula. Nos vemos na hora do almoço. – Tommy falou, beijando meu rosto e eu sorri, seguindo com Lara para nossa aula de geografia.
Mary Jane estava lá e me lançou um olhar mortal, que eu ignorei.
Tommy tinha razão. Eu era sua namorada e aquela maluca teria que aceitar esse fato.
Mas, isso não a impediu de me ofender indiretamente. Lara até discutiu com ela, mas eu me mantive em silêncio. Aquela garota não tinha noção e eu não queria problemas. Não no início do meu namoro, quando eu me sentia tão feliz por estar finalmente com Antony e poder experimentar a magia do primeiro amor.
Na hora do almoço, Tommy e Ethan nos esperavam no refeitório e quando Tommy entrelaçou nossos dedos, eu sorri, olhando ao redor discretamente com medo de Mary Jane aparecesse do nada e armasse uma cena.
− Tudo bem? – Ele me perguntou, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha e eu assenti.
− Sim. Tudo certo. Vamos almoçar? Estou com fome. – Eu declarei e ele sorriu, nos guiando para a fila do lanche.
Os alunos não paravam de nos olhar, e eu já estava me sentindo incomodada por ser o centro das atenções. O que me consolava era saber que Antony e eu seríamos novidade apenas por algum tempo.
− Então, vocês agora são um casal duplo? Os pais e os filhos. Isso é muito maneiro. – Ethan falou, enquanto devorava seu hambúrguer e Tommy sorriu largamente.
− Sim. Finalmente Sofia aceitou a ser minha namorada. Meu pai está imensamente feliz com a Bella e eu serei igualmente feliz com a Sofia. Tenho certeza disso. – Ele falou, apertando minha mão, o que me fez corar e sorrir.
− Eles são uma fofura juntos. Torci tanto para esse namoro. Nem acredito que está mesmo acontecendo. – Lara falou sonhadora, enquanto eu revirava os olhos e Tommy ria.
− A gente pode fazer uma combinação melhor ainda, Lara. Pais, filhos e primos. Meu pai e Bella, eu e Sofia, você e Ethan. O que acha? – Tommy falou e Lara engasgou com o suco, enquanto Ethan corava intensamente e lançava um olhar mortal ao primo.
− Não sei do que você está falando... – Lara desconversou e eu ri alto. Ver minha prima sem graça era algo inusitado e engraçado.
− Você sabe sim, Lara Swan. Só não quer admitir. – Eu declarei e ela me chutou por debaixo da mesa.
− Cale-se imediatamente, Sofia Swan. – Ela silabou, enquanto Ethan a encarava meio ressabiado e eu revirei os olhos, rindo em seguida.
Tinha certeza de que Ethan e Lara acabariam juntos. Era só uma questão de tempo.
Depois do almoço, Lara e eu seguimos para nosso treino de vôlei e eu lamentei o fato de ter que jogar ao lado de Mary Jane. Algo me dizia que aquele treino não terminaria bem.
Tive que aguentar a carranca dela durante todo o aquecimento, mas foi durante o treino dos saques que a situação entre Mary Jane e eu começou a ficar realmente séria.
− Tem meninas aqui nessa escola que se sentem felizes em roubar o namorado das outras. Mas, o que esperar de garotas criadas por mães solteiras que são tão ou mais vadias do que elas? – Mary Jane falou e eu paralisei, respirando fundo e me contendo para não agredi-la.
Que ela falasse absurdos ao meu respeito tudo bem. Até porque, eu sabia que nada do que saia dos seus lábios ferinos era verdade. Mas, ofender a minha mãe já era demais. Eu não poderia aceitar isso. Não calada.
− É assim mesmo, Mary Jane. Essas garotas criadas por vagabundas não valem nada. Imagina! Nem uma família de verdade elas têm. Acha mesmo que elas teriam escrúpulos para não roubar o namorado das outras? – Amanda, uma garota tão ou mais odiosa que Mary Jane, falou e eu bufei, trocando um olhar irritado com Lara.
− Relaxa. Elas só querem te desestruturar. Finja que não é com você. – Minha prima murmurou e eu respirei fundo.
− Elas estão ofendendo a minha mãe. Não posso permitir isso.
− É provocação, Sofia. Relaxa. Mas, caso você resolva partir para o combate, estarei com você. – Lara afirmou e eu assenti, tentando manter a calma.
Entrar numa briga agora não seria uma boa ideia.
− Será que a mãe desse tipo de garota arranja um namorado por semana? Ou será que é por dia? Será que criam as filhas se prostituindo? Vai ver que conseguem empregos dando loucamente para os chefes. – Mary Jane falou no momento em que era minha vez de sacar. E eu nem sequer pensei. Eu simplesmente arremessei a bola direto na cara dela.
Eu era muito boa no saque. Quase perfeita, aliás. Por isso, não foi surpresa quando eu vi o sangue descendo pelo seu nariz. Eu o tinha acertado bem em cheio.
A quadra estava em completo silêncio e eu aproveitei o momento para esclarecer alguns pontos com a maluca da Mary Jane e com o seu séquito nojento.
− Falem o que quiser de mim. Me ofendam, me persigam, me ridicularizem. Eu não me importo. Afinal, sei que o que você sente, Mary Jane, é inveja por eu estar com um garoto que você sempre quis, mas que nunca deu a menor bola para você. Aliás, eu estou namorando o garoto que quase todas as meninas dessa escola desejaram um dia. Só lamento por vocês. Agora, jamais falem da minha mãe. Nunca. Ela é uma mulher incrível. Incrível de um jeito que vocês jamais pensarão em ser, e, eu não permito que ninguém a ofenda. – Eu declarei, enquanto Mary Jane gemia de dor e olhava horrorizada para o sangue que escorria do seu nariz através das suas mãos.
− VOCÊ QUEBROU O MEU NARIZ! VOCÊ QUEBROU O MEU LINDO NARIZ! – Ela gritou, batendo o pé no chão como uma criança birrenta e eu revirei os olhos, enquanto Lara ria como uma maluca do meu lado.
− Quebrei. E vou quebrar os dentes também caso você abra a boca para falar qualquer coisa a respeito da minha mãe.
− VOCÊ É UMA MARGINAL. UMA SELVAGEM QUE NÃO TEM O DIREITO DE ESTAR AQUI. EU VOU CHAMAR A POLÍCIA. ALIÁS, EU VOU CONVOCAR O FBI. VOCÊ QUEBROU O MEU NARIZ! – Mary Jane gritou mais uma vez e eu apenas bufei para o seu ataque.
Se bem que eu tinha realmente feito um estrago bem grande em seu nariz.
E, de repente, as possíveis consequências do meu ato impulsivo começaram a me deixar com medo.
E como para comprovar que eu estava, de fato, muito ferrada, o treinador Johnson e a diretora Minerva Connor apareceram no ginásio e pelas suas expressões eu podia jurar que eles não estavam nada felizes.
− O que diabos está acontecendo aqui? – A diretora perguntou e eu engoli em seco, enquanto Mary Jane empinava o que restou do seu nariz, pronta para desferir o seu veneno contra mim.
− Essa louca quebrou o meu nariz com uma bolada. Eu exijo que a senhora a expulse. – Mary Jane falou, apontando em minha direção e eu me encolhi sobre o olhar duro que recebi da diretora.
− Cale a boca, Mary Jane. Você mereceu a bolada, pois está desde a primeira aula importunando minha prima. Além disso, falou um monte de besteiras sobre a minha tia. Sofia até demorou a reagir. Se fosse eu, já teria quebrado o seu nariz horroroso faz muito tempo. – Lara declarou, recebendo um olhar mortal da Sra. Connor.
− Dixe eu ver se entendi: Sofia deu uma bolada no nariz de Mary Jane por vingança e Lara está apoiando esse ato hediondo? – A diretora resumiu a situação em uma pergunta e eu corei, olhando discretamente para Lara que encarava a diretora com raiva.
− Não foi bem assim, diretora. Mary Jane provocou Sofia durante toda a manhã e ofendeu minha tia. Ofendeu muito mesmo. Sofia só quis defender a mãe. – Lara me defendeu, mas se calou quando a treinador colocou a mão sobre o seu ombro.
− Chega, Lara. Não piore as coisas. – O treinador falou e minha prima apertou os lábios, mas manteve-se em silêncio.
− Nada justifica a violência, senhorita Swan. Nem mesmo ofensas dirigidas à mãe de alguém. Eu quero as três na minha sala. Agora! – A diretora falou e eu respirei fundo, seguindo-a em silêncio.
− Quatro, diretora. Amanda também ofendeu a minha tia. – Lara declarou e a diretora bufou, lançando um olhar mortal à Amanda e fazendo com que ela nos seguisse até a sua sala.
− Eu estou sangrando, Sra. Connor. Preciso de um médico. – Mary Jane reclamou quando chegamos à sala da diretora, que pegou o telefone e chamou a responsável pela enfermaria.
Depois que Mary Jane foi levada, a Sra. Connor ligou para os pais de todas nós e eu fiquei imaginando a reação da minha mãe ao saber que eu dera uma bolada em uma garota.
Ela ia me matar.
Ela ia me matar e depois me deixar de castigo até eu completar trinta anos.
Gemi internamente.
Que ótima maneira de começar um namoro, Sofia Swan.
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