Pov. Bella

− Isso é ridículo, Sofia. Não vou me encontrar com um homem que nunca vi pessoalmente e que conheci em um aplicativo de celular. – Eu falei teimosa, enquanto desistia de me maquiar pela décima vez e minha filha suspirou, me encarando seriamente através do espelho.
− Mãe, porque você é tão teimosa? Claro que você vai. Já está tudo combinado e não podemos deixar o pobre homem plantado no restaurante esperando por você. Além disso, Lara e eu estaremos por perto o tempo todo para o caso de você precisar de ajuda. – Ela respondeu, voltando a mexer no meu cabelo e eu revirei os olhos, pegando novamente o pincel de maquiagem e continuando minha tarefa, embora ainda estivesse contrariada.
− Como se duas pirralhas pudessem me defender de um maníaco. – Eu resmunguei e Sofia riu alto, me fazendo encará-la mal-humorada.
− Mãe, o homem do encontro de hoje não é nenhum maníaco. É um advogado, viúvo e bem sucedido que quer a companhia de uma mulher inteligente e bonita. Só isso. Para de paranoia.
− Isso é o que ele disse. Mas, quem me garante que o tal viúvo de 37 anos não é um velho babão e maníaco?
− Pela foto ele não parece velho. Então, relaxa. Vai dar tudo certo. Enquanto eu telefono pra Lara, você termina de se arrumar. E nada de fugir pela janela, dona Isabella Swan. Você vai a esse encontro nem que seja arrastada. – Sofia falou, piscando em minha direção e correndo para fora do quarto e eu suspirei, enquanto dava os últimos retoques na minha maquiagem e pensava no quanto minha filha de quinze anos podia ser mandona.
Às vezes, era a Sofia quem parecia ser a mãe da relação.
Essa história de Tinder fora invenção dela e da minha sobrinha Lara.
Segundo elas, eu já estava há muito tempo sozinha e precisava de um cara para movimentar minha vida. Então, fui convencida a criar um perfil para que elas pudessem me ajudar a selecionar um par perfeito.
Depois de semanas, o tal advogado viúvo de 37 anos fora o selecionado e hoje eu me encontraria pessoalmente com ele depois de muitas trocas de mensagens pelo celular.
E eu estava apavorada.
Apavorada porque eu não tinha sorte com homens.
Apavorada porque minha vida amorosa sempre fora um completo desastre.
Apavorada porque isso podia não dar certo e eu não queria sofrer outra vez.
− Terminou, mãe? – Sofia entrou no quarto de repente e eu suspirei, indo até a cama onde meu vestido estava estendido e tirando o roupão para poder vesti-lo.
− Terminei, Sofia. Só falta o sapato. Mas, quero deixar claro o meu protesto. Não quero ir a esse encontro e se algo acontecer comigo, você vai se arrepender para sempre. – Eu falei e ela revirou os olhos, me olhando divertida.
− Certo. Protesto anotado. Agora vamos, pois a tia Alice e a Lara já estão nos esperando. – Sofia explicou e eu gemi por saber que a maluca da minha cunhada também estava envolvida nessa história de encontro às cegas.
− Eu sei dirigir, Sofia. Não precisava chamar a Alice.
− É para facilitar a fuga no caso de seu pretendente ser um velho, babão e maníaco. – Ela falou debochada e eu estreitei os olhos em sua direção.
− Você está tirando com a minha cara, Sofia Swan?
− Claro que não, mãe. Jamais faria isso. Agora, pega essa bolsa e vamos de uma vez. – Ela falou divertida e eu suspirei, pegando minha bolsa e meu casaco e seguindo-a até a porta.
Alice já estava impaciente quando chegamos ao carro.
− Se aquele gostoso for embora do restaurante a culpa vai ser exclusivamente sua, Isabella. Pra que tanta demora em colocar um vestido?
− Não enche, Alice! Eu nem queria ir a esse encontro, para começo de conversa. Estou sendo forçada por vocês. Primeiro aquela história de Tinder, agora esse encontro às cegas. E isso porque vocês são da minha família. – Eu reclamei e ela revirou os olhos, bufando em seguida.
− Bella, nós estamos apenas garantido que você faça sexo. Você anda muito mal-humorada. Precisa de um homem que satisfaça seus desejos mais primitivos. E o tal viúvo é um ótimo candidato. – Ela falou, enquanto dirigia feito uma louca pela cidade e eu corei, ouvindo Lara e Sofia explodirem em gargalhadas.
− Pelo amor de Deus, Alice! Nossas filhas estão no banco de trás desse carro. Dá pra não falar sobre minha vida sexual?
− Eu sei que elas estão ali, cara cunhada. Mas, tanto Lara quanto Sofia concordam que você precisa de sexo. Então, relaxa. – Ela falou e eu revirei os olhos.
− Não sei como meu irmão te aguenta. – Eu resmunguei e ela riu.
− Jasper me ama. Agora, respira fundo porque chegamos. Sofia, acompanhe sua mãe até a porta para garantir que ela não vá fugir. E também para se certificar que não estamos lidando com nenhum pilantra. – Alice comandou quando estacionou em frente ao restaurante e meu coração deu um salto.
Que Deus me proteja!
Sofia me levou até a porta do restaurante e praticamente me empurrou para dentro, não deixando margem para que eu, de fato, escapasse, como era minha vontade.
Respirei fundo e entrei, indo direto para a mesa que o viúvo do Tinder havia reservado e me indicado por mensagem.
E ele estava lá, de terno preto como disse que estaria.
E, quando ele ergueu os olhos verdes para me encarar, meu coração disparou freneticamente.
O viúvo não era nem um velho babão. Pelo contrário. Ele era lindo. Deslumbrante, na verdade.
E, de repente, a vontade de fugir desse encontro às cegas sumira.
Completamente.
− Isabella Swan? – Ele perguntou, levantando-se e eu sorri de leve, assentindo.
− Edward Cullen? – Eu perguntei e ele sorriu, pegando minha mão e beijando-a delicadamente.
− O próprio. Estava achando que tinha desistido do nosso encontro. Que bom que me enganei. – Ele falou, puxando a cadeira para que eu me sentasse e eu corei, pois desistir era exatamente o que eu queria há cinco minutos.
− Peço que me desculpe pela demora. – Eu falei e ele sorriu.
− Já está desculpada. Mas, vamos pedir para que possamos aproveitar bem a nossa noite. – Ele falou e eu assenti, e, enquanto ele discutia sobre vinhos com o maître, eu olhei discretamente para a porta onde minha filha nos observava atenta.
Pisquei e sorri e ela retribuiu o gesto, me soprando um beijo e indo para o carro da tia.
Eu respirei fundo e me concentrei em meu acompanhante, torcendo para que desse tudo certo e que meu azar eterno com homens me desse um tempo.