Laços de Ódio

1 Um Garoto Solitário


Notas iniciais
Apenas um start na história gente, ainda tenho que apresentar os outros personagens hehe...

Suspirei desanimado. Olhei para a janela molhada com tristeza, olhei para aquela maldita bota de gesso. Por que eu tinha que quebrar o pé no basquete? Sou muito otário mesmo, pensei. Todas as garotas da minha sala sempre me acharam assim, um nerd deslocado e com poucos amigos. Agora eu só tinha piorado a situação.

Cliquei no botão do IPhone e vi o horário, eram três horas da tarde. Não podia perder meu tempo pensando em bobeiras como essas, tinha uma coisa muito importante para fazer: estudar. Bem, na verdade algo ainda mais urgente, mas que eu estava desanimado demais para fazer era marcar o ensaio da banda. Dali três dias a gente iria tocar no First Rock, como um festival que aconteceria numa cafeteria perto do colégio, chamada Land's Coffee.

Todos estarão lá, pensei, toda a escola. É claro, foi avisado em todas as salas que o First Rock seria neste sábado. Por que justo nessa semana eu quebro o pé? Que ridículo da minha parte... Eu estava quase entrando em depressão. Todo mundo (principalmente as garotas) me odiava e, assim eu não tinha chance alguma de ser feliz na vida. Arruinado, quase no fundo do poço antes mesmo de completar 15 anos.

A menina que eu paquerava tinha acabado de me dar um fora no último final de semana. Ela era perfeita, cabelos castanhos cacheados, baixinha, um corpo lindo e um sorriso maravilhoso (depois que ela tirou o aparelho, claro). Eu fui super legal com ela, o máximo que eu consegui, mas parece que eu nunca sou o suficiente para elas.

Chamei ela pra sair, dizia que ela era linda todos os dias e no final ela vem com a mesma desculpa das três últimas: "Eu não consigo lidar com isso, no momento não quero me envolver com ninguém. Você, com certeza, vai achar a garota perfeita para você". Lindamente sincero, não acha? A não ser pelo fato de que eu vi ela pegando outro menino na festa do meu amigo no domingo.

Para onde foi toda aquela história de: Ah não quero me envolver?? Acho que estou meio nervoso mesmo. Rodei a cadeira apoiando o queixo no encosto. Olhei para a minha parede tão amada, cheia de posters dos meus superheóris favoritos e depois para minha estante de livros. Certo se não consigo estudar, vou ler Senhor dos Anéis de novo, vamos ver até onde consigo chegar, pensei, do jeito que estou, vou consiguir é ler tudo mesmo. Suspirando fui até minha estante de livros e me joguei na cama para longos dias de inércia.

...

Meu momento leitura durou apenas até o jantar, pois minha mãe entrou no quarto e já me xingou por causa das minhas últimas notas. Sete de química e seis de história, nem adianta falar que todo mundo foi mal porque não dá pra se livrar em casa não.

–Você está de castigo!

–Mas, mãe, eu tenho que tocar no sábado!

–Nem mais nem menos, não quero saber. Você vai ficar estudando e nada mais.- Ela franziu a testa, estava realmente irritada – E agora, venha jantar, Gabriel!

Saiu batendo a porta com força.

–QUE DROGA! – berrei quando ela saiu, tudo estava só piorando.

...

Uma hora ou outra eu tinha que sair do meu quarto para jantar, porém, meu humor não estava nada bom para aturar minha irmã. Ela é uma delinquente que está no último ano do colégio, não estuda nada, vai mal e de maneira alguma vai passar no vestibular. Eu normalmente sou o queridinho da família por ser mil vezes mais dedicado e inteligente que ela, por isso sempre que ela pode me irritar, ridicularizar ou qualquer coisa do gênero ela faz bem feito.

Ela se chama Esmeralda, mas todos chamam ela de Em, um nome que eu acho completamente ridículo. Ela tem pircing no nariz, e na orelha, já comentou em fazer um na língua, mas que eu saiba ainda não realizou esse desejo. Os cabelos dela são castanhos como os meus, progressivados (não me obrigue a saber a palavra certa para isso) e chegam nos ombros dela. Em não usa muita maquiagem para não parecer punk como todas as suas amigas.

Passar o dia no celular não é coisa típica dela, por isso sei que quando isso acontece, ela está planejando uma transa. É claro que meu pai não sabe de nada disso e mamãe apenas desconfia, mas eu sei de uma coisa que ninguém desconfia: Em fez uma tatuagem há três meses nas costas e uma no braço com o nome do namorado. Bem... a única coisa na minha irmã que eu invejo é que ela nunca, nunca mesmo está sem namorado. Ela sempre arranja um cara para seguir ela.

Acho que me perdi um pouco odiando minha irmã. O fato é que eu estava realmente revoltado e sentei bravo na mesa do jantar. Era uma sopa verde muito estranha que tive que engolir, não levantei os olhos para nenhum deles, meu óculos estava a ponto de escorregar para o prato de sopa, até que fui obrigado a levantar o rosto quando meu pai disse:

–Gabriel, você nos decepcionou. O que deu errado na prova?

–É você nos decepcionou queridinho, nunca vi alguém ir tão mal. – comentou a mala da minha irmã.

–Não enche, Esmeralda!

–Não desconte sua raiva na sua irmã. — minha mãe repreendeu-me.

–Isso mesmo, Bielzinho, não é culpa de ninguém que você ainda é BV no 9º ano.

–Cala sua boca!

–Parem os dois!

–Bielzinho, bebezinho, que tal ir pro seu quarto estudar, se não daqui a pouco você não vai ter nada, nem namorada e nem notas boas, muito menos beleza. – ela riu baixinho.

–Olha aqui sua fumada, pelo menos eu não tatuo meu corpo escondido!

Sai da mesa de jantar, como meus pais diriam, bufando. Eu estava puto para dizer a verdade, mas depois que me acalmei, passei a escutar os gritos que vinham de fora do meu quarto. Meu pai gritava com a minha irmã e reclamava da irresponsabilidade da minha mãe no papel de mãe. Em por outro lado retrucava e chorava, pois certamente estava de castigo...

...

Na manhã seguinte, tive até medo de sair do meu quarto, Em ia me socar. Não... Ela era mais esperta que isso, pediria ao namorado retardado dela e seus amigos que me dessem uma surra algum dia desses. De uma coisa eu sabia, teria vingança.

Minha família nunca toma café da manha junta, cada pega alguma coisa para comer, esquenta o leite para si mesmo e sai correndo pra não perder horário. Ninguém se fala, mas hoje Em fez questão de sussurrar pra mim, depois de descermos do carro, chegando na escola:

–Você vai se arrepender pirralho.

O problema era que eu já estava arrependido. As aula foram como sempre, nem adianta comentar que as pessoas da minha sala são idiotas, mas não tenho saudades da antiga escola. Mudei esse ano, porém as coisas não estão melhores aqui do que lá. Tudo que eu queria era que alguém gostasse de mim. Será que no mundo só existe ódio mesmo?

Notas finais
Comentem, please! Gente o legal acontecer mesmo é no Land´s Coffee... Muitos planos para os meus personagens heheBjus!