Laços da Magia
7 Capítulo VI
Notas iniciais
Capítulo VI
Já estava anoitecendo quando chegaram ao castelo. Alina foi apresentada a sua nova criada chamada Clarissa. A garota devia ter no máximo quinze anos e parecia estar amedrontada ao fazer uma reverência. Ela foi conduzida pela garota até um aposento e sua bagagem seria levada em seguida. O rei Richard não disse uma palavra e desapareceu com alguns súditos no seu encalço. Provavelmente foi se embebedar mais um pouco.
Após adentrar seu novo aposento Alina não pode deixar de ficar encantada com todo aquele luxo. Será que aquele seria também o quarto do rei?
— Está do seu agrado, vossa majestade? — Clarissa parecia insegura.
— Onde o rei fica? — perguntou olhando ao redor.
— Em um aposento na ala leste do castelo — responde a criada e Alina suspirou aliviada. Não teria que dividir o mesmo quarto com aquele homem.
O vestido de noiva foi substituído por uma fina camisola branca e os seus cabelos loiros soltos. Clarissa informou que era uma ordem de seu marido. Alina se sentia totalmente exposta naquela roupa. Antes da criada deixá-la sozinha disse que em breve o rei Richard viria ao aposento. A jovem sentiu um arrepio. Ela sabia o que aquilo significava.
A noite de núpcias.
Quando Miriam ainda era sua criada tinha explicado o que aconteceria após o casamento e o que era esperado dela, mas Alina tentava não pensar naquilo antes da cerimônia. Mas agora ao imaginar aquele homem velho colocando as mãos no seu corpo... Tudo o que ela podia sentir era repulsa.
A princesa sentou na cama e esperou.
Após a saída de Clarissa, não demorou para seu marido aparecer. Ele trazia consigo uma garrafa de bebida e estava mais bêbado do que antes. Ele sorriu maliciosamente ao vê-la e foi cambaleando até a cama. O rei a jogou com força no colchão e forçou um beijo. Alina apavorada começou a se debater para livrar-se do aperto dele. Isso o enfureceu e a jovem sentiu o tapa arder em seu rosto.
— Vai querer bancar a difícil, esposa? — sorriu perverso — Seu pai me disse sobre sua tendência a desobedecer, mas prometo que vou transformá-la em uma garotinha bem obediente.
— Eu tenho nojo de você — gritou Alina.
O homem cego pela raiva puxou seu cabelo e a jogou no chão. Antes que Alina conseguisse se levantar ele a atacou. Mais dois tapas fortes foram desferidos em seu rosto e sua camisola rasgada expondo seus seios. O rei Richard começou a passar as mãos pelo seu corpo e terminou de arrancar os restos do fino tecido deixando-a nua.
Ele começou a beijar seu pescoço de forma rude enquanto Alina se debatia debaixo dele. Ao olhar para o lado viu que a garrafa de bebida jazia próximo a ela. Provavelmente seu marido a deixou ali no chão e nem percebeu. Em um ato de desespero Alina consegue soltar um dos braços e alcançar a garrafa. Bate com o objeto na cabeça dele com toda sua força e no mesmo instante cai sobre ela. Alina consegue empurrar o corpo para o lado com dificuldade e se levanta tremendo. Uma poça de sangue começa a se formar e milhares de cacos estão espalhados pelo carpete.
Alina joga o que restou da garrafa no chão e começa a procurar algo para se cobrir. Ela pega um robe que estava sob a cadeira e veste rapidamente. Precisava sair dali imediatamente antes que alguém chegasse. Naquele mesmo instante a porta se abre e a criada Clarissa entra carregando alguns lençóis.
— Peço perdão, vossa majestade. Bati na porta, mas ninguém... — a garota arregala os olhos diante daquela cena.
— Precisa me ajudar a escapar, Clarissa — pede a princesa com olhar suplicante.
A criada a encara e assimila tudo o que aconteceu ali.
— Me siga — disse seriamente.
As duas jovens correm pelos corredores. Os criados e guardas estavam ocupados na festa organizada pelo rei que não deveria acabar antes do amanhecer. Clarissa conduz Alina até o estábulo e entrega uma capa para ela, pois ainda vestia apenas o robe.
— Pegue um dos cavalos e fuja, vossa majestade — fala a jovem — Não posso passar daqui. Todos estão no salão de baile neste momento, mas temo ser vista com a senhora e não posso estar associada com sua fuga.
— Mas e quanto ao rei? — indaga Alina trêmula — Pode estar morto…
— Preocupe-se apenas com si mesma neste momento — a criada aconselha.
Alina apenas assente.
— Não sei como agradecer, Clarissa.
— Me agradeça indo para bem longe daqui — responde a garota — Um lugar onde nunca será encontrada.
— Eu irei dar um jeito de retribuir — garante a princesa e abraça Clarissa rapidamente.
Alina escolheu um dos cavalos e saiu em disparada com a adrenalina percorrendo suas veias. Ela não sabia qual direção tomar, pois estava em um reino totalmente desconhecido e pouco conhecia sobre o mundo. Cavalgou por um longo período até adentrar em uma densa floresta. A princesa começa a ficar apavorada com a ideia de ser atacada por algum animal, mas seguiu em frente. Ela tinha que ir para o mais distante dali. Em certo momento o cavalo se assusta com algo e Alina tenta contê-lo sem sucesso. O animal faz com que ela caia no chão e sai em disparada deixando-a desacordada na imensidão da escura floresta.
(...)
Uma neblina cobria as árvores naquela manhã, mas isso não impediu a menina de sair para brincar. Ela andava saltando pelo caminho e se distanciando da cabana que morava. Cantarolava uma música infantil baixinho quando encontrou o corpo da garota envolto em uma capa azul. A menina gritou assustada e correu para chamar a irmã.
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