Laços da Magia

3 Capítulo II


Notas iniciais
Olá pessoinhas!

Capítulo II

Alina passou o restante da tarde em seu quarto tentando concentrar-se na leitura de um livro, porém toda a sua atenção continuava no julgamento mais cedo que ocorreu na sala do trono. Sua curiosidade em relação aquela garota chamada Tessa estava cada vez maior e a princesa gostaria de desvendar o mistério que a cercava. As palavras de acusação contra o seu pai ficavam passeando por sua mente e Alina pressentia que existia algo obscuro em toda aquela história.

A garota queria que Miriam estivesse em sua companhia naquele momento para poder compartilhar com ela suas divagações, porém a presença da criada havia sido solicitada na cozinha mais cedo. Alina trocou a posição de seu corpo na cama procurando uma mais confortável quando ouviu as batidas na porta de seu quarto. Imaginou que seria Miriam retornando de seus afazeres, mas quem adentrou o aposento foi um dos guardas que era responsável por vigiá-la anunciando que o rei queria vê-la.

Alina deixou o livro sob a cama e seguiu o guarda pelo labirinto de corredores até o aposento de seu pai. A princesa já sabia que se tratava da transgressão que cometeu mais cedo e imaginava que receberia mais um longo sermão de como uma jovem dama deve se comportar. A garota ouviria tudo o que o rei tinha a dizer e fingiria que concordaria jurando não desobedecer mais as regras impostas pelo pai.

O guarda abriu as portas do aposento para ela e deparou-se com o rei sentado em sua mesa analisando o que pareciam ser os mapas do reino. Alina entrou na sala e observou tudo ao seu redor. Fazia muito tempo desde a última vez que esteve ali. Os móveis ainda permaneciam no mesmo lugar, diversos quadros enfeitavam as paredes, grossas cortinas impediam os últimos raios de sol entrarem no recinto e possuía vários castiçais com as velas já acesas.

— Solicitou a minha presença, papai — disse a garota fazendo uma breve reverência segurando a saia do vestido.

— Sente-se, Alina — ordenou o rei sem nenhuma emoção na voz.

A princesa fez o que foi mandado e encarou seu pai pela primeira vez desde que adentrou no recinto. O rei retirou a sua atenção dos mapas e olhou para sua filha com uma expressão impiedosa. A garota sentia que daquela vez não seria apenas um sermão que receberia do pai. Por dentro ela estava com medo da sua reação, porém por fora ela tentava demonstrar indiferença diante de toda aquela situação que estava acontecendo.

— Creio que já saiba porque está aqui — falou o rei.

— Sim… — começou a princesa.

— Não me interrompa, Alina — seu pai disse elevando a voz.

— Me perdoe, papai — a garota respondeu trêmula e cabisbaixa.

Alina sabia que para o seu próprio bem era melhor não confrontá-lo naquele momento para não aumentar a fúria do pai.

— Assim está melhor — o rei parecia satisfeito com sua demonstração de obediência.

A garota sentiu uma faísca de raiva apoderar-se do seu corpo. Seu pai adorava fazê-la passar por humilhações como aquela, mas respirou fundo e aguardou as próximas palavras.

— O que fez hoje mais cedo ao fugir de seu quarto para assistir aquele julgamento ultrapassou todos os limites. Sabe que sempre esteve proibida de participar destas ocasiões. Eu sempre fui paciente com suas transgressões desde criança, mas isso está prestes a acabar. Em uma semana estará casada com um rei e isso não é comportamento de uma futura rainha. Portanto irá agir decentemente até o casamento e parar de fazer-me passar vergonha perante a corte, entendeu?

— Sim, papai — respondeu Alina ainda tentando manter o controle.

— Como punição por esse seu ato de rebeldia não poderá sair mais do seu quarto até o dia do casamento, Miriam não será mais sua criada e nem irá acompanhá-la para o reino do rei Richard.

Alina ficou em choque com a sentença do pai e demorou alguns segundos para assimilar o que significava tudo aquilo. Considerava Miriam como sua mãe, melhor amiga e confidente. Como poderia sobreviver naquele lugar sem ela? O rei sabia do apreço que Alina tinha pela mulher e queria usar isso para machucá-la. A princesa poderia aceitar qualquer punição, mas ficar sem Miriam não poderia suportar.

— Não — a garota encarou os olhos azuis frios do pai — Essa sua ordem não irei obedecer.

— Como se atreve a me questionar, Alina — o rei eleva novamente a voz — Eu sempre dei-lhe tudo e será com essa sua desobediência que irá retribuir? Não passa de uma criança mimada. Eu aguentei os seus caprichos desde criança, mas agora basta. Espero que com esse casamento aprenda alguma disciplina.

— Estou cansada de seguir suas regras e viver nesta prisão — a princesa perde todo o controle que estava tentando manter desde que entrou naquela sala — Eu aceitei essa proposta de casamento ridícula com o rei Richard e espero que no mínimo seja permitido que Miriam seja minha criada em seu castelo. Já perdi a minha mãe biológica e não vou perder também a única pessoa que me criou e cuidou de mim enquanto o senhor estava ocupado demais para dar atenção aos seus filhos.

Após despejar aquelas palavras em seu pai, Alina sentiu dificuldades de respirar. Não sabia de onde havia tirado aquela coragem para enfrentá-lo, mas antes que conseguisse pensar em mais algo para dizer sentiu um tapa em seu rosto tão forte que ela chegou a cair da cadeira. Tudo tinha acontecido rapidamente, em um momento o rei estava sentado atrás de sua mesa e no outro estava em frente a sua filha cego pela fúria. Ele a atacou novamente e Alina sentiu o gosto de sangue na boca. Seu pai chamou os guardas e ordenou que a levantasse do chão.

— Posso caminhar sozinha — falou quando já estava em pé e eles a soltaram.

— Espero que essa sua insolência nunca mais se repita, Alina — o rei disse ainda com raiva.

— Eu te odeio — disse com toda sua convicção e saiu do aposento sem esperar os guardas.

A princesa sabia que logo eles estariam no seu encalço e podia ouvir seu pai dando ordens para não deixá-lo mais sair. Durante todo o percurso até o seu quarto permaneceu de cabeça erguida. Ela não deixaria que a vissem chorando e chegasse aos ouvidos do rei. Alina não queria dar essa vitória a ele. Mas logo após a porta do aposento ser fechada não conseguiu controlar o choro.

Lamentou por seu pai ser tão cruel e ter aceitado a proposta de casamento daquele homem asqueroso. Também por ter perdido a companhia de Miriam e por perder qualquer esperança de ser livre. Alina não soube exatamente por quanto tempo ficou naquele estado. Ela secou as lágrimas com a manga do vestido e lembrou-se das palavras de Miriam a encorajando para ser forte. Como disse durante a discussão com seu pai, estava cansada de seguir regras e viver ali. Por uns instantes pensou que o casamento poderia ser sua libertação, mas sabia que sua vida continuaria igual com o rei Richard ou talvez até pior.

Quando era mais nova desobedecia às ordens de seu pai com o intuito de chamar a atenção dele para ela, mas isso não adiantava. Mas conforme foi crescendo foi rebelando-se e fazia apenas para provocá-lo. Só que a princesa apenas não queria ser tratada com tanto desprezo por seu próprio pai, mas ela sabia que aquilo nunca mudaria. O rei só tinha olhos para assuntos do reino.

Alina ainda sentia muita raiva e queria de alguma forma vingar-se do pai. Ela sabia que naquele momento tinha somente duas opções: continuar com aquela ideia absurda de casamento e ser uma prisioneira ou tentar de alguma forma escapar daquilo tudo. Naquele mesmo instante lembrou-se de que a garota chamada Tessa estava na masmorra do castelo e um plano começou a se formar em sua mente. Mas ela teria que encontrar alguém para ajudá-la. Talvez subornar alguma criada ou guarda fosse a melhor saída para pôr seu plano em prática.

A noite finalmente havia chegado e Alina começou a ouvir uma discussão no corredor. Primeiro ela pensou que fosse alguma criada trazendo o seu jantar, mas isso não geraria alvoroço.

— Não temos permissão de deixar ninguém entrar — conseguiu ouvir um guarda dizer — Ordens do rei.

— Pois ordeno que abra esta porta imediatamente — disse uma voz que a princesa não reconheceu.

Alina ouviu que eles discutiram mais algumas palavras até que a porta foi destrancada e demorou alguns segundos até ela reconhecer a figura que entrou do seu aposento. Afinal, fazia mais de dois anos que a garota não o via e ele havia mudado suas feições de criança para de um garoto que estava entrando na adolescência. Após finalmente reconhecê-lo praticamente correu para abraçar o seu irmão

— Eu também senti saudade, irmã — disse o rapaz sendo esmagado pelos braços de Alina.

— Ah, Henry! — exclamou a princesa- Não posso acreditar que está aqui. Mas vamos entrar. Precisa me contar tudo sobre a sua viagem e me ajudar com um plano.

O garoto a encarou confuso, mas entrou no aposento fechando a porta atrás de si.

— Em que confusão se meteu desta vez, Alina?

Notas finais
Beijinhos da Cora!