Isabella

Passara um mês desde o dia em que tinha dito a Edward aquilo que sentia por ele. No momento senti-me aliviada, mas depois vi que ele não diria nada do que eu queria ouvir, sabia que estava a ser infantil, porém eu senti que precisava de ouvir o mesmo.

Nos dias que se seguiram, Edward e eu temos evitado um ao outro, sei que mais eu que ele. Sempre que ele estava no trabalho ele ligava para casa na esperança de provavelmente falar comigo e não o poder, e apenas a sua mensagem se ouvia. Naqueles momentos a sala era preenchida pela sua melodiosa voz e os meus olhos fechados. De noite quando ele chegava eu fazia de conta que já dormia, ouvia os passos dele a aproximarem-se do quarto onde eu agora dormia, e depois de me cobrir a porta era novamente fechada e as lágrimas não demoravam a cair em cascata pela minha face e molharem o travesseiro.

Mas houve apenas um dia que mudou todo, e o que eu mais temia aconteceu.

Edward traiu-me, na nossa casa, dentro das nossas quatro paredes e ofereceu-lhe as camisas que depois de eu me entregar a ele, tantas vezes cobriu a minha nudez.

Eu chorei. Senti o meu orgulho inflamar e a raiva apodera-se de mim. A dor tomou o meu peito só para si e ele não ligou para a minha dor.

Eu sabia que depois disso nada poderia ser como dantes. Eu tinha de mudar, deixar de me levar pelas ondas de amor que sentia por ele. Tinha que ser eu e não A Isabella, namorada de Edward Cullen.

Porém as lembranças do fatídico dia continuavam presentes como se fossem marcas físicas permanentes.

Eu tinha acabado de entrar em casa e ouvia vozes e risos na sala. Pensei ser os meus pais ou os pais de Edward, mas não havia carros na garagem, por isso estranhei. Caminhei lentamente até á sala e vi Edward em pé apenas de boxers, estranhei e quando ia-me aproximar vi-a abraçar a sua cintura, trajava apenas uma camisa que eu reconheci como sendo dele. As lágrimas já me caiam dos olhos, e a dor era tanta que um soluço saiu-me da garganta misturando-se á minha raiva e orgulho ferido. Eles olharam para trás e viram-me. O semblante de Edward passou de risonho a preocupado, envergonhado e outras coisas que não tomei atenção, a ruiva apenas se afastou dele e passou por mim a correr indo para as escadas de mármore.

Edward aproximou-se de mim e eu afastei-me.

-Não…não me toques, Cullen, não depois de tocares em outra! – Quase gritei.

Uma lágrima solitária escorreu pelo seu rosto. Eu nunca o tinha tratado pelo seu sobrenome e imaginara que lhe doía. Mas era isso que eu mais queria. Provocar-lhe dor, assim como ele me fizera.

-Desculpa Bella…eu não sabia em que pensava…

-Eu disse…disse o que sentia e tu… — Os soluços não me deixaram continuar e apenas saí da casa que um dia pensei ser de nós dois.

Antes de entrar no carro ainda o ouvi chamar por mim. Mas não voltei atrás o meu orgulho não deixaria mesmo que eu quisesse.

Edward

Isabella tinha ido embora. Na noite em que eu, a…ela desapareceu, levou as suas roupas e nunca mais ouvi falar dela. Tentei ligar-lhe, deixei mensagem, mandei e-mails e já não sabia o que fazer.

Já não senti que era o mesmo. A dor consumia-me, e eu consumia álcool na esperança de poder esquecer. Mas as horas em que estava apagado por causa da bebida não compensavam e não apagava a dor da manha seguinte. E então era como se fosse começar de novo a sentir toda aquela dor de rejeição, arrependimento, saudades… Era um ciclo do qual eu não sabia sair e cada vez mais necessitava dela para poder sair do buraco em que me sentia afundar cada vez mais. Isabella passava-me pela cabeça todo o tempo. Eu não saí de casa, não trabalhava e não sabia há quanto tempo, não comia uma refeição com direito a todo. Sentia a barba crescer mas a preguiça não me deixava cortá-la. Isabella não gostava de me ver com ela por cortar. E então era uma forma de contrariar todo o que me fazia lembrar dela. O sol já não entrava mais naquela casa, morangos muito menos, flores nem pensar e azul então muito menos.

Se me perguntassem o que, sem ser ela, eu mais sentia a falta, eu não sabia o que responder. Todo o eu respondesse, teria sempre uma leve lembrança de algum momento com ela.

A minha família tentava trazer-me de volta ao mundo. Impossível. Era assim que eu via esse desejo deles. Como eu sairia de casa quando tudo, absolutamente todo me lembrava dela. Até a mais insignificante mosca me lembrava dela.

Porém, apesar de todo eu sabia que não poderia me entregar á dor, ao arrependimento. Tinha uma vida e apesar de ela já não ser o mesmo eu devia isso á minha família.

E foi então que eu decidi viver, no automático do meu ser.

…