Laços Quebrados
18 Capítulo 18
Todos sabemos como é perder alguém. E quem ainda não teve o descontentamento de passar por tal situação, chegará o dia, em que sentirá em todo o seu ser que alguma coisa fora levada deles.
A chuva caía incessante e o vento suava raivoso, lá fora. A rua encontrava-se adormecida e apenas o som de alguns carros a percorrerem as ruas se ouvia.
O apartamento estava silencioso, frio e tudo estava quieto.
Mas ali estava ele, pensativo. Tentando encontrar a razão á muito tempo perdida em si. Não queria desistir, não queria ser fraco. Não podia! Tinha de ganhar forças.
Onde? Nela.
Pensou no seu sorriso, nos seus olhos, os seus cabelos soltos, debaixo do sol de Itália. Lembrou-se então da última noite em que a teve nos seus braços. A última noite em que a viu dormir, serena. A última noite em que a beijou.
Um sorriso formou-se nos seus lábios, molhados pelas lágrimas salgadas. Ele chorava! Queria senti-la uma única vez. Mas sabia que se tal acontecesse ele iria pedir novamente por mais uma última vez. Pois estar com ela nunca era o suficiente.
Olhou nervoso o pequeno revólver pousado na mesa á sua frente. De seguida o seu olhar pousou na folha em branco, perto do revólver.
Então escreveu. Escreveu tudo aquilo que sentia, que não podia guardar dentro de si, escreveu tudo aquilo que queria que ela soubesse e o que queria que fosse feito por ela.
…
Alice caminhava no corredor contente. Tinha chegado de Chicago e iria agora ver o seu irmão. Em frente á porta do apartamento, Alice tocou na campainha vezes e vezes seguidas e quando bateu na porta com o punho cerrado esta abriu lentamente, dando a Alice a vista de um apartamento escuro e frio.
-Edward! – Ela chamou sem ser respondida. – É a Alice, a tua irmã, caso não te lembres! – Ela riu e tirou o seu sobretudo deixando-o nas costas do sofá. – Deve ter saído. – Suspirou para si.
Alice observou o apartamento. Tudo estava às escuras e Alice ligou as luzes, deixando a sala com mais luminosidade, permitindo que ela visse a desarrumação em que o seu irmão vivia. Estranhou, pois sabia que Edward era tão ou mais obcecado do que ela por organização e limpeza.
Caminhou até á cozinha que se encontrava na mesma desarrumação da sala.
E pelo que via Alice sabia que algo se passava com o irmão.
…
Edward pegou temeroso no revólver e encostou-o á sua cabeça. As lágrimas desciam silenciosas pelo seu rosto de traços delicados e precisos. Ele olhou uma última vez para a fotografia dela em sua mão imaginando-a ali, tentando convence-lo a não fazer o que ele pretendia.
E com um último olhar na fotografia, ele fechou os olhos verdes, e um ruído seguido de um baque profundo foi ouvido por todo o apartamento.
...
Alice correu para donde o barulho pareceu ter vindo. E ao chegar á porta do quarto do irmão, ela paralisou. Nem mesmo chegou a aperceber-se das lágrimas que lhe marcavam o rosto. Porque ao vê-lo ali, deitado no chão, inerte e vazio, ela sentiu algo em si desabar.
Edward estava no chão, com os cabelos outrora de uma cor cobre, agora marcados por um tom escarlate, a sua pele parecia pálida e o seu corpo parecia tenso.
Alice aproximou-se em passos lentos até ao corpo do seu irmão. Abaixou-se e passou a sua mão nos cabelos do irmão, sentindo o líquido vermelho escuro nos seus dedos brancos.
O seu peito ardia, o seu nariz doía-lhe e os olhos queimavam assim como a sua dor dentro de si.
Na mão do seu irmão, que estava junto do peito dele, estava um papel amarrotado e salpicado com um pouco de sangue, e perto do corpo estendido, ela viu o revólver. Um espasmo de dor atravessou todo o seu corpo.
Sem saber o que fazer, ela correu, tropeçando nos próprios pés, até á sala, onde pegou o telemóvel e ligou para obter ajuda.
Notas finais
E fica uma pergunta para quem quiser responder: Alguma vez fizeram uma loucura por amor? Eu nunca! ;)
Comentem e eu irei postar o próximo capitulo em breve, apenas se tiver comentários, o que para mim é bastante importante.
Bjs, NikaCosta.
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