Laços Imperfeitos
28 Terror em dose dupla
Notas iniciais
Capítulo vinte e um — Terror em dose dupla
Mais uma vez Renji se encontrava em um drama intenso. E o motivo era o mesmo! O que diabos daria de presente para Byakuya? Já fora um grande sacrifício no Natal, imagine agora que o aniversário do dito cujo se aproximava. Poxa, por que 31 de janeiro? Não poderia ser no meio do ano ou algo assim? Enfim, lamentar não adiantava e o pobre ruivo já havia percebido.
De qualquer forma, não perguntaria ao Kuchiki o que ele desejava ganhar, já que sabia que receberia uma resposta semelhante a do Natal. Pedir ajuda à Rukia estava fora de cogitação, a baixinha sempre vinha com piadas de mau gosto... Se bem que não eram ideias tão ruins, colocá-las-ia em prática se não tivesse a certeza de que Byakuya o mataria.
Independente de seu drama pessoal, ele e a baixinha malvada ainda tentavam planejar algo. Vamos frisar o “tentavam” já que Byakuya não ajudava nadinha. Sério!
E tudo começou alguns dias depois do aniversário da garota...
– Ei, Renji! – O ruivo a olhou sem nenhuma vontade. – Sabe que o aniversário do nii-sama ‘tá chegando, né?
– Sei.
– O que vamos fazer? – perguntou com olhos brilhantes. Na verdade, estava na cara que ela sabia que o outro não teria nenhuma boa ideia, tanto que ela nem escondeu o sorriso quando ele respondeu:
– E eu é que sei?!
– Ha, sabia que você diria isso. Então eu mesma pensei em algo... – ela deu uma pausa, para fazer um pouco de mistério. Mexeu as mãos enquanto falava, para elucidar sua ideia, como se fosse algo surpreendente e incrível. – Vamos fazer uma... festa! – Renji revirou os olhos, porém, antes que pudesse protestar, Byakuya surgiu do além apenas para estragar o planos nefastos de sua irmãzinha.
– Nem pense nisso! – declarou um tanto mal-humorado, ignorando o pulo que Rukia deu devido ao susto. – Não suporto festas, já falei com os serviçais. Será feito um bolo no dia, é mais que suficiente.
– Nii–sama, isso não tem nenhum glamour... – Fez bico e o olhou com aqueles olhos grandes e ridiculamente brilhantes.
O Kuchiki limitou-se apenas a sair do ambiente antes que a garota o convencesse, o que seria impossível, mas era melhor evitar. Enquanto isso, Renji continha o riso para não apanhar da baixinha enfezada. Bem, mas o planos dela estavam apenas começando...
...
– Sabe, Renji... – Olhou em volta para ter certeza que seu irmão não brotaria ali. – Eu 'tava pensando, já que o nii-sama não gosta de festas, poderíamos fazer um sarau!
– Isso não é um sinônimo para "festa"?
– Nossa, você sabe o que é "sinônimo". – zombou, tendo como resposta uma carranca que assustaria qualquer um, menos Rukia, óbvio. – Um sarau é algo bem chique, tem música, leitura e várias outras coisas artísticas...
– Ha, nem você sabe! Mas, parece algo que o Byakuya gostaria... – pensou alto.
– Sim, acho que o "Byakuya" gostaria. – disse maliciosa, deixando o rosto do pobre ruivo da cor dos cabelos. Pois é, havia sido traído pela mania de pensar no moreno pelo primeiro nome... Ultimamente, havia tido umas fantasias onde o chamava assim, de qualquer forma não era bom pensar naquilo na presença de Rukia, aquela garota parecia sentir o cheiro desse tipo de pensamentos. – Você já o chamou assim? Digo, pessoalmente?
Não conteve o riso. Viu? Ela sente o cheiro dessas coisas, só pode. Renji negou a contragosto, infelizmente estava bem longe de poder tratar o Kuchiki pelo primeiro nome. Um pouco de bondade se fez presente em Rukia, que decidiu voltar ao tópico principal.
– Bom, então temos que planejar esse sarau...
– Já disse, nada de festas! – a frase foi ouvida acompanhada de um leve arrepio, desde quando o moreno estava ali?
...
– Renji! – cochichou.
– Que é? – respondeu em seu tom normal.
– Fala baixo, seu besta! – sussurrou.
– 'Tá, que foi? – imitou o tom da baixinha, antes dela responder verificou se a sala estava realmente vazia.
– Eu pensei em algo para o aniversário do nii-sama. Já é no fim dessa semana e não temos tempo para nada a altura dele, mas, poderíamos fazer uma reunião!
– Reunião?
– Sim, chamamos só os amigos mais próximos. Nada muito grande, algo com uns duzentos convidados... – Renji se engasgou, sem saber se perguntava se ela era louca ou apenas ria. – Poxa, vai ser legal. Acho que ele não se incomodaria...
Byakuya atravessou a sala, dispensando apenas um aceno negativo de cabeça. Rukia se limitou a suspirar.
...
Finalmente a data tão esperada batia a porta. Seria no dia seguinte. Infelizmente, Byakuya havia estragado todas as ideias fabulosas de Rukia. Ainda assim, ela não se contentaria com "um bolo". Um cara divo, lindo e estiloso como seu nii-sama merecia muito mais! Estava começando a se descabelar quando Renji sentou ao seu lado no sofá.
– O senpai 'tá na biblioteca. Eu tive uma ideia! Senpai gosta de coisas feitas por nós mesmos, se ele quer um bolo... – falou meio rápido, ali as paredes literalmente tinham ouvidos.
– Nós o faremos! – a garota completou, animando-se. – Sabe, até que você não é tão burro...
...
Byakuya se acomodava em sua cama ridiculamente grande. Já havia impedido todos os planos envolvendo “Festas!” de sua irmã, poderia dormir em paz sabendo que não acordaria com nenhuma algazarra em sua casa. Ainda assim, havia notado que os dois pareciam realmente ter desistido de qualquer coisa. Era exatamente o que queria, mas o comportamento atual deles era um tanto despreocupado. Como se tivessem esquecido.
Bobagem!
Tentou se concentrar em algo mais útil. Tentativa que acabou saindo ao contrário do que pretendia, já que lembrou de um fato ocorrido mais cedo, envolvendo um Renji trajando somente uma pequena toalha. O garoto deveria entender que quando alguém bate na porta, você só pode responder "Entre." se estiver adequadamente vestido. Todo aquele... problema só para avisar que a casa do ruivo já estava em obras, coisa que no final nem fez.
Era absurdo e definitivamente não queria admitir que sentia certa, digamos, “atração” por Renji, mas odiava mentiras o suficiente para evitar mentir para si mesmo. De qualquer forma, se começasse a refletir sobre o que sentia por um garoto de dezessete anos, não teria sua merecida noite de sono. Refreou o pensamento e mais uma vez se acomodou melhor em sua cama, dormindo minutos mais tarde.
Infelizmente, sua desejosa noite de sono sem sonhos não se cumpriu...
...
Byakuya acordou zonzo e desorientado. Levou as mãos ao rosto, enquanto tentava se situar no tempo. Entretanto, ao aproxima-las de sua face descobriu que elas estavam... menores? Tentou não se desesperar, levantou dignamente segurando a calça de seu pijama que escorregava, além de vagar bravamente com todo o cuidado para não tropeçar nela.
O grande espelho de seu banheiro revelou a veracidade de suas suspeitas. Deus, ele havia encolhido! Bem, não "encolhido", mas, por algum motivo sobrenatural, era uma criança. Não exatamente uma criança, de acordo com vários estatutos. Parecia que voltou aos seus treze magros anos. Ele tinha todas as memórias de sua vida adolescente e adulta, entretanto. Enumerou todas as possibilidades racionais que o levariam àquela situação.
Primeira: estava louco! Descartou rapidamente essa. Segunda: estava sonhando! Parecia a mais tolerável. Terceira: estava sobre efeito de drogas... Alguém o teria drogado? Claro que não, isso era um tanto absurdo. De qualquer forma, não conseguia lembrar adequadamente da última coisa que havia feito. O que o levava a concluir que deveria ser um...
Batidas nas porta o livraram de suas teorias, caminhou com toda sua dignidade de volta ao quarto, rumo a porta. Seria Rukia? O que diria? Como explicaria aquela situação? Porém, antes que chegasse ao seu destino, a porta se abriu lentamente e uma cabeça ruiva se fez visível.
– Senpai, já acor... dou? – Deu-se conta da situação do Kuchiki no meio da frase. Arregalou os olhos e entrou no quarto alheio rapidamente, fechando a porta logo em seguida. – Senpai?
– Sou eu. – a voz meio infantil deprimiu o moreno. Renji se aproximou e se abaixou na frente dele, apresentava uma expressão um tanto... estranha. Coisa que faria Byakuya fugir rapidamente, teria o feito se o ruivo não tivesse segurado seus ombros.
– Tão fofo! – Abraçou o pequeno Kuchiki com mais força do que deveria, causando protestos desse. Diminuiu a força, mas não o soltou. – Desculpa, senpai. Não consegui me controlar... É que você está tão fofinho!
– Não diga besteiras! – Porcaria de voz, tornava patético qualquer coisa que dissesse. – Controle-se e me solte, agora.
– O senhor fica tão fofinho me dando ordens assim... – Sério? Ele estava zombando Byakuya? Definitivamente, aquele ruivo não tinha noção do perigo. – É melhor aproveitarmos antes que o outro apareça...
Quê?
Antes que o Kuchiki tivesse a chance de perguntar de quem diabos Renji estava falando, o ruivo atacou seu pescoço. Por que tinha que ter tamanha sensibilidade naquela área? Suas tentativas de se livrar do assédio eram assustadoramente patéticas. Mas, aquilo era um tanto surreal... Não o fato de ser criança, isso era absurdamente surreal, mas o fato do ruivo atacá-lo daquela forma. Geralmente ele respeitava quando dizia “não”. Na verdade, nem tanto, mas, aquele não era o seu comportamento habitual. O que deixava mais óbvio que aquilo deveria ser um...
Novas batidas na porta o tiraram de seus devaneios. Droga, agora era Rukia! Tentou se livrar do ruivo que descaradamente abria os botões de sua blusa ridiculamente larga. Como explicaria aquilo para a irmã?
– Renji, me solte! Ruki.... Hã? – A porta se abriu, interrompendo-o.
É, aquilo definitivamente era um sonho. Porque, não havia nenhuma explicação para estar diante de dois “Renjis”.
– Olha o que temos aqui! – disse malicioso. Olhando bem os dois, pareciam os dois lados de Renji... Um ficou com toda a idiotice – o que chegou primeiro – e o outro com toda a... malícia? Enfim, se a situação estava péssima, agora o horror havia literalmente duplicado.
– Saia daqui, feio, o senpai é meu! – Segurou-o fazendo birra. Sério? Parecia mais infantil do que a condição na qual Byakuya se encontrava.
– Ué, pensei que fosse nosso! E eu sou você, sua anta. – Deu um sorriso sinistro que causou arrepios no pobre Kuchiki. Qual é? Ele não se sentiria assim se não estivesse tão indefeso. Enfim, precisava fugir de alguma forma, mas o Renji bobalhão não o largava. E para piorar, o Renji malvado se aproximava sorrateiramente.
– Que seja, mas o senpai gosta mais de mim, não é? – Olhou para Byakuya com olhos esperançosos.
– Claro. – achou melhor concordar, fugir do outro seria mais fácil com a ajuda do idiota... Foi o que começou a planejar, mas o paspalho a sua frente estragou tudo ficando ridiculamente emocionado e o beijando daquele jeito irritante e irresistível que o original sempre fazia... Não, ‘pera. Sério que ele usou a palavra “irresistível” para descrever Renji?
Deveria estar sobre o efeito de drogas, era a explicação mais aceitável!
Devido aos lábios diminutos, um filete de saliva escorria da boca do pequeno Byakuya. Aquilo era errado de muitas formas! Tinha que pará-lo, mas, mal conseguia normalmente, imagine daquele jeito? E pior, as coisas ficaram realmente estranhas quando a versão das trevas de Renji começou a beijar–lhe o pescoço. Aquele ruivo tinha uma estranha atração por aquela área específica!
Quando a necessidade de ar se fez presente, o ruivo bobo se afastou sorrindo idiotamente. Colocou as mãos, uma de cada lado do rostinho de Byakuya e começou a distribuir beijos enquanto o pequeno protestava. Protestos esses que mais pareciam incentiva-lo, aparentemente ele achava aquilo “fofinho”. De qualquer modo, a principal preocupação do Kuchiki era com o outro. Ele não tinha pudores! Byakuya mal havia percebido, mas um daqueles dois já havia aberto sua camisa.
O que se seguiu àquilo foram momentos de puro horror e angustia. Não tinha forças para fugir. Em algum momento, por pior que fosse, sentiu que não queria fugir. Haviam mãos em todos os lugares, eram apenas dois pares mesmo? Onde estavam suas roupas? Ah, espalhadas pelo chão, longe de onde deveriam estar. Quando tudo não parecia poder piorar, piorou. No exato momento em que os lábios se juntaram as mãos.
Mas, o mais aterrador eram os sons que tentavam sair de todas as formas. Não, definitivamente não iria deixar aquilo acontecer, era constrangedor demais. O Renji malvado voltou a distribuir beijos por seu pescoço, chegando até sua orelha apenas para sussurrar lentamente:
– Não se contenha.
O Renji bobo se atentou ao rosto de Byakuya ao ouvir o outro falar, finalmente notando que os olhos dele estavam cheios de água. Isso por estar bravamente silenciando qualquer som que o pudesse trair. Logo parou o que fazia tão habilmente, algo nada apropriado na opinião do Kuchiki.
– Senpai, não chore! – Sorriu, tentando passar alguma segurança para ele. – Só estamos fazendo isso porque que é o que você quer. Nunca faremos algo que não queira. Nunca!
Beijou-o ternamente, voltando em seguida ao que estava fazendo. Aquilo parecia um pouco com o Renji original, mas ainda assim não queria aquilo... Não com aqueles dois estranhos que não eram o Renji de verdade.
‘Tá, definitivamente precisava acordar! Não queria pensar nesse tipo de coisa, não na véspera... de seu aniversário! Era isso, seu aniversário estava chegando. Começava a lembrar de quando foi dormir... Estava recuperando a consciência, mas antes disso o Abarai bobalhão lhe segurou a mão, sorrindo afetuoso e um tanto triste.
– 'Té mais.
Foi a última coisa que ouviu antes de abrir os olhos, de corpo trêmulo coberto por suor frio.
...
Renji e Rukia encaravam sua obra de arte.
– Cara, isso nem parece comestível... – Rukia declarou irritada.
– Mas, já é o quarto! Não dá tempo de fazer outro! Talvez o gosto esteja bom.
A garota o olhou em descrença pois, francamente, aquilo parecia horrível. Tinha medo de quando fosse o cortar a faca quebrasse e quando fossem comer, morressem engasgados. Essas possibilidades estavam muito próximas à realidade, que coisa. Olhando de longe não era tão ruim, só assustadoramente verde e meio deformado. Na imaginação da baixinha iria ficar tão perfeito... Por que o mundo era tão cruel?
– Não tem como o nii-sama gostar disso!
– Gostar do quê? – Pularam ao ouvir a voz de Byakuya, viram-se devagar tentando de todas as formas impedir que ele visse aquela coisa. – O que estão escondendo?
– Nada! – responderam ao mesmo tempo.
– Deixem-me ver. – Renji ia tentar argumentar, mas, Rukia logo se afastou do “bolo”, o que o fez imitá-la.
– Feliz aniversário. – Rukia murmurou deprimida. O Kuchiki se aproximou para examinar o que quer que fosse. Sorriu ao ver o que tinham feito, fato esse que assustou os adolescentes.
– Obrigado.
{...}
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