Laços Imperfeitos
8 Extra – As Crônicas de Rukia: a baixinha, a altona e o tapado
Notas iniciais
Extra – As Crônicas de Rukia: a baixinha, a altona e o tapado
Rukia estava estranha. Ou essa era a definição mais próxima da realidade. Era horário de aula. Ela estava sentada de forma que via claramente o exterior da escola pela janela. A expressão era aérea, tão atípica dela. O porquê disso? Ah, o amor... antes de você se sentir um pateta por ter "desenvolvido" a grave doença mental, ele é incrivelmente maravilhoso. O mundo ganha mais cores, os sabores parecem na medida, até as pessoas podem se passar por simpáticas! É, esse era o mal que assolava a Kuchiki mais nova. E Kurosaki Ichigo era a causa. Começaram a estudar juntos há um ano. Eram amigos até o momento, mas, aquela amizade meio turbulenta acabou por fazer florescer no coração da garota algo nunca sentido por ela antes.
Foi totalmente sem querer, ela jura! Se pudesse escolher, apaixonar-se-ia por Renji. As coisas seriam tão mais fáceis... Isso porque Ichigo é um mau caráter quando julgado pela aparência, e o seu irmão com certeza o julgaria pela aparência. Mas, não é assim na vida real. Ele é educado, inteligente, fofo, bonito,… e todas o querem. Uau, demorou pra sair, mas é isso mesmo. Rukia se sente insegura. Nossa, ela era até apresentável, mas realmente podia se comparar a Nell e a Inoue (pense que Ichigo é um garoto e elas têm seios)?
Tentou não pensar nisso por um tempo. Sabia que Inoue pensava em se declarar para o Kurosaki, mas ainda assim era difícil fazer valer sua personalidade cheia de atitude. Tinha que se decidir logo, ou talvez realmente perdesse o cara.
...
Ichigo estava confuso. O morango era muito esperto, sim, sim. Para algumas coisas. Coisas como estudos, esportes, videogame,… porém, essa esperteza não se aplica às garotas. Ele era uma anta quando se tratava disso. Sem exageros. O sinal para finalmente irem pra casa (ênfase no finalmente) soou. Cerca de trinta adolescentes com preguiça extrema se apressaram para guardar o material e deixar a prisão, ops, escola, em uma cena que, observada de fora, era claramente cheia de filosofia. Ichigo não ficava atrás.
Assim que pôs os pés pra fora da sala, Izumi, uma garota da sala ao lado, apareceu. Ela era bonita. Olhos e cabelos escuros, ela era um pouco mais baixa que o próprio ruivinho.
– Kurosaki-senpai,… eu posso falar com você? – Ela chamou timidamente. Ichigo estranhou. Desconfiava do que ela iria falar… e não gostou nada. De qualquer forma, era sua obrigação ouvir.
– Fala, Izumi.
– Eu... – Ela o olhou esperançosa, como se esperasse que ele adivinhasse.
– Tem a ver com os corações que você está sempre desenhando?
– Sim! – Ela sem querer aumentou o tom de voz. – Quer dizer, sim. Kurosaki-senpai, eu... – Antes que ela terminasse, Ichigo a interrompeu, segurando as mãos dela. Ele desconfiava que ela estivesse com algum grave problema ou familiar ou cardíaco. E eles eram amigos, era o dever de Ichigo agir.
– Izumi, não importa o que há com o seu coração. – Ela olhou para baixo e, se Ichigo estivesse vendo, veria que ela estava com vontade de chorar. Poxa, era apaixonada por aquele cara há tanto tempo, ele não seria tão frio, seria? Estava pronta para a rejeição, mas desse jeito não! – Pode ficar com o meu. – Eles sorriram automaticamente; ele com solidariedade e ela com a mais pura alegria.
– Eu sabia, senpai! Sabia que não era a única! – Ela jogou seus braços ao redor dele, que piscou atordoado.
– Hei, hei, Izumi... O que você está fazendo?
...
Tá... Ichigo estava se sentindo culpado. Nunca quis dar falsas esperanças à Izumi, mas nem foi de propósito! Dá um desconto! Ela sorriu tristemente depois que ele explicou o mal entendido e disse que compreendia. Ele contou também que, se não gostasse de outra, ela seria a namorada perfeita. Ela o beijou na bochecha e desejou boa sorte. Não que ele acreditasse, mas ao menos não faria ambos infelizes. Respirou aliviado quando acabou. Sem explicações, mas as altas, desde algum momento, não faziam o seu tipo.
...
Rukia estava sentada ao lado de Ichigo. Soube que Inoue não havia se declarado dessa vez, entretanto, outra garota sim. De alguma forma, ainda que não quisesse, sentiu pena da garota. Ela não era a primeira e talvez nem a última a se declarar para o Kurosaki e receber um fora épico. Mesmo que sofresse o mesmo destino cruel de Izumi, precisava tentar. Encontravam-se sentados lado a lado na margem de uma represa, uma que Ichigo sempre ia. Não se sabe o porquê, talvez para ver o pôr-do-sol, talvez para se sentir menos solitário... E ela estava com ele, sempre estaria.
– Ichigo. – Ela chamou.
– O quê?
– Eu gosto de você. – Ela simplesmente cuspiu. Uau. Foi mais fácil que o esperado.
– É, eu também gosto de você. – Ela revirou os olhos. Entendeu bem do motivo de ter sido fácil.
– Não desse jeito, idiota.
– De qual? – Ele a olhou. Ela sorriu, de alguma forma pedindo desculpas pelo o que iria fazer. Virou o corpo completamente, ficando frente a frente com o garoto. Aproximou os rostos, vendo como ele parecia sem reação. Colou os lábios. Ficaram parados naquilo por um momento. Logo aprofundaram o beijo, entendo o contato íntimo de forma que ia além do físico. Ele segurou o rosto dela entre as mãos e ela pegou os cabelos dele. Quando acabou, estavam ofegantes e perplexos.
– O que... foi isso? – Ele ainda parecia confuso.
– Um beijo, bocó.
– Eu sei o que é um beijo, nanica! O que eu quero saber, é: por que me beijou?
– Eu gosto de você! Não apenas como amiga! – Ela abanou a mão. – Ficou claro? – Rukia olhou com aquela cara que dizia “se eu tiver que explicar, você não vai ouvir, pois estará morto”. Ele apenas confirmou com um acenar de cabeça.
– E por que 'tá dizendo isso agora?
– Caso eu guardasse por mais um dia, morreria. Eu acho. – Eles sorriram. Ambos se sentiam leves, mas, imaginavam que não deveria ser assim. O clima de amigos ainda estava lá, mas havia algo a mais, também. Algo que provavelmente sempre existiu, porém, que despertou totalmente só agora.
– É bom que você tenha feito isso. Esclareceu as coisas. Eu também gosto de você.
– É claro que você gosta de mim. Eu sou eu. – Eles riram. Esse era apenas o pontapé que precisavam desde o começo.
...
Rukia suspirou com as lembranças. Certo, certo, elas eram nostálgicas, mais ainda assim. Como diabos eles eram tão melosos? Já tinham oito meses de namoro. Depois daquela tarde, demorou séculos para que Ichigo se sentisse a vontade para fazer... coisas. Uau, o primeiro “eu te amo" era recente. Demorou a namorarem oficialmente! Ichigo era muito burro com meninas para perceber que faltava o pedido. E quando ele fez, ela prontamente aceitou. Contudo, teria que ser escondido. Mas, eles não ligavam. Um dia poderiam mostrar ao mundo. Enquanto isso não acontecia, Renji ajudou tanto... É por isso que ela se sentia na obrigação de ajudar de volta. E, se dependesse dela, o chove-não-molha deles não demoraria tanto quando o dela.
{···}
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