Laços Imperfeitos
18 Criatura ou criador?
Notas iniciais
Capítulo treze – Criatura ou criador?
– Acho melhor não fazermos isso... — Hisagi dizia a Kira pela milésima vez. — Você pode só me explicar o que eu devo fazer. Qual é? Até parece que eu sou tão burro assim!
Kira achou melhor não contrariá-lo para não ferir a já baixa autoestima do amigo. Na verdade, a ideia dele era brilhante! O loiro até ficou surpreso quando pensou em como "ajudar" (lê-se atrapalhar) Hisagi a conquistar aquele homem das cavernas... opa, o Muguruma-sensei. Kira não evitou o sorriso maldoso ao pensar no que poderia acontecer se... quando convencesse o moreno.
– Lembre-se do que o professor falou na aula! Assim vai ser mais fácil, muito mais fácil!
O pobre moreno não sabia o que fazer. Parecia tão errado aceitar aquela maluquice. Mas, Kira era muito esperto... Se ele dizia que era a melhor forma é porque era a melhor forma. De qualquer modo, não era bem esse o problema. Hisagi não queria, por livre e espontânea vontade, repetir o que aconteceu "naquela noite". Mordeu o lábio inferior enquanto tentava se decidir. Izuru já começava a se irritar com a demora... Merda! Por que o amigo tinha que ficar tão sexy com aquela expressão confusa?
– Vamos começar de uma forma simples! – propôs, atraindo a atenção de Hisagi. – Por que você não finge que eu sou ele e tenta ter uma conversa normal? Ou melhor, declare-se para mim!
O rosto de Hisagi ficou extremamente corado. Kira sorriu como sempre fazia para animá-lo. Mas, logo em seguida o sorriso desapareceu, dando lugar a uma expressão semelhante à de... Mas, que merda! Quando o loiro ficou tão bom com imitações? Tirando o fato de ser menor e muito mais magro, sua expressão estava idêntica à de Kensei. O loiro aproveitou e arrumou o cabelo, colocando-o todo para trás.
– Então, moleque, vai ficar aí calado? O que queria dizer?
Maldição, até o mesmo tom... Por mais que a voz original fosse sem comparações.
– E-eu... eu...
– Você? — Hisagi conseguia imaginar Kensei perfeitamente. Precisava falar, tinha que falar...
– Eu te amo, sempre amei... É provável que sempre vá amar!
Ficou tão envergonhado com a declaração que não conseguia olhar o jovem a sua frente. Sorte de Kira, não imaginou que fosse doer tanto ouvir aquilo. Mas, ele havia pedido e insistido. Deveria aguentar agora! Conseguiu voltar à expressão rígida e um tanto sádica que ostentava antes no momento exato em que Hisagi voltou a encara-lo.
– Ora, moleque, como pode ter tanta certeza? – O moreno tentou dizer algo, mas, Kira o impediu. – Bom, já que está tão certo, prove-me o que sente com tanto fervor.
– Co-como? – Kira lhe deu um sorriso sádico em resposta... Sério, se nada desse certo ele sempre poderia se tornar um ator!
– Sei de uma ótima forma... Você conhece bem meus métodos de ensino.
Algumas horas antes...
– E aí, moleque chorão? Não vai levantar? – Kensei disse, estendendo-lhe a mão.
Hisagi tentou conter o fluxo sanguíneo que foi diretamente para seu rosto, não que pudesse fazer algo a respeito. Então ele se lembrava? Hisagi pegou a mão estendida e foi levantado bruscamente. Precisava dizer algo, mas o que diria? Normalmente se dizia algo quando uma pessoa ajudava outra... O que era mesmo? Ah...
– O-obrigado...
– Por nada. – Recebeu um sorriso simpático em resposta, mas logo mudou para a expressão autoritária de antes. – Agora mexa esse rabo magro e volte a jogar. Andem vocês todos! Deixem de fazer corpo mole, são tão molengas assim mesmo?
Oh, Deus! Como pode ser tão insuportável? Kira tinha a impressão que seu ódio por aquele troglodita não poderia aumentar. Mas aumentava a cada instante. Ainda assim, sentia certo alívio, ele aparentava não se lembrar de Hisagi. Só aparentava mesmo! Por mais que Hisagi tenha acreditado na falta de memória do professor, o loiro não achava o mesmo.
Kira estava avaliando muito bem seu rival, mesmo tendo parte de sua atenção naquele jogo sem sentido. Ainda assim, podia notar as olhadelas furtivas que Sr. Ogro dedicava à Hisagi. Definitivamente havia algo ali e, por algum motivo, não conseguia se convencer que ele apenas estivesse estranhando a tatuagem anormal do moreno.
Por hora isso não era tão importante. O que mais importava era quando essa tortura acabaria. Os alunos se arrastavam pela quadra enquanto o tirano continuava gritando impropérios. O som irritante do sinal foi ouvido como o som mais esplendoroso de todas as eras.
– Já acabou? Vocês ainda precisavam dar uma volta na quadra... Aparentemente, o Hiroshi-sensei era muito brando com vocês.
– Hayato-sensei. – Kira o corrigiu.
– Que seja. Preparem-se, pois semana que vem vamos jogar... basquete. – Uma espécie de brilho maligno era visível nos olhos dele.
– O quê? – as reclamações foram gerais. Entretanto, apenas Kira tentou interceder pela classe. – Semana que vem deveria ser aula teórica.
– Deveria, mas não será.
– Mas o Hayato-sensei...
– Pouco me importa o que o Yasunari-sensei ensinava para vocês. – Yasu-quem? – Meus métodos são outros...
– Primeiro: é Hayato-sensei. – Kira o interrompeu. Geralmente não agia dessa foram, mas sentia como se estivesse sendo desafiado. – Segundo: não é justo que o “senhor” apareça a essa altura e mude totalmente a forma de ensino. Já estávamos acostumados com a metodologia do Hayato-sensei...
– O Takeshi-sensei se importava tanto com vocês que nem está mais aqui. Entendo que estão acostumados à outra forma de ensino. Mas, são jovens e se adaptam rápido. Eu já sou um pouco velho e não pretendo mudar meus métodos. – Kira não deixou de notar o rápido olhar que ele dispensou à Hisagi quando disse “velho” (não que ele fosse velho). – E, meu lema é: Tudo se aprende melhor na prática!
É, realmente! Kira não poderia discutir com ele. Aprender na prática, né?
Faz muito sentido!
...
Kira não agia como Kira costumava agir!
Okay, isso não soou muito bem. Mas, era a mais pura verdade.
Bom, de todas as formas que Hisagi poderia imaginar o loiro em uma situação mais, digamos, íntima, – não que ele imaginasse esse tipo de coisa. Óbvio que não! Que absurdo! – a atual não se encaixava em nenhuma delas. ’Tá, você deve estar se perguntando o que diabos eles estão fazendo.
Bem-vindo (a) ao clube! Hisagi se pergunta o mesmo até agora... Mesmo sabendo muito bem por onde Kira passava seus lábios finos... Onde raios ele havia aprendido aquele tipo de coisa? Não que Shuuhei realmente se importasse com esse detalhe, na verdade, ainda não havia pensado nesse detalhe. Só conseguia pensar no quão bom àquilo era e em como se sentia bem, mesmo que bem lá no fundo a culpa o consumisse.
Kira puxou a peça intima do moreno, a única que lhe restava,... pois o resto já repousava no chão há algum minutos. Sem tempo de envergonhar-se, Hisagi sentiu as mãos e logo após a boca do loiro em certa área que clamava por atenção. Queria impedi-lo de alguma forma, mas não conseguia... Enquanto a boca de Izuru trabalhava, o moreno pôde sentir os dedos dele seguindo até...
– Kira! – chamou ofegante.
O loiro deu-lhe atenção sem que, infelizmente, parasse seus movimentos. Droga, como falaria naquela situação?
– Ki-kira, está fazendo... errado!
O loiro, finalmente, parou o que fazia... Não sem antes dar um leve beijo na intimidade do amigo, o que deixou Hisagi ainda mais vermelho.
– O que eu estou fazendo errado? – Não imitava mais Kensei, era só Kira naquele momento.
– Por que eu tenho que... – como era o termo mesmo? – ser o gato?
– O quê?
– Poxa, sabe... O que fica por baixo! Por que tem que ser eu?
... Ahhh!
– Não é como se você tivesse que ser o “gato”. – disse o termo empregado pelo amigo em tom de deboche. Qual é? Não dava para evitar! – Mas, você viu o tamanho daquele cara? Ele não seria o “gato” de ninguém... É bom você se acostumar, não vai ser tão ruim assim. Vou ser sincero, dizem que da primeira vez dói como o inferno! Mas, depois não é tão terrível, só um pouquinho...
Kira, heroicamente, conteve-se para não rir do amigo. A cara de pavor do pobre Hisagi era umas das coisas mais engraçadas que o loiro já havia visto.
– Bom, vamos continuar... Onde eu parei? – indagou maldosamente.
Com um Hisagi ainda assustado, decidiu apenas limitar-se a beijá-lo até que o pobre se acalmasse. Os beijos calmos tornaram-se mais agressivos. O moreno, finalmente, parecia lhe responder bem. Até o ajudou a tirar a camisa e o resto das roupas que ainda vestia. Enquanto Kira se alegrava com a resposta do amigo, este se preocupava em mentalizar a imagem de Kensei. Afinal, ele era o único motivo de estar fazendo aquilo com o melhor amigo!
E por ele, aguentaria a tão terrível dor!
Kira começou a achar que o sofá de sua casa era pequeno demais para o que estavam fazendo... Mas, no final das contas, não havia planejado o que iria acontecer. Na verdade, nem havia imaginado que chegariam tão longe. Tudo tinha sido tão mal planejado, que nem notou quando Hisagi tomou o controle da situação.
Quando os lábios se separam em busca de ar, Kira pode notar a posição desfavorecedora em que se encontravam. Hisagi o prensava contra o sofá, estava quase deitado completamente por cima do loiro. O moreno puxou a mão do amigo e colocou três de seus dedos na boca, imitando o que Kira havia feito há poucos minutos em outra parte...
Oh, ele realmente faria isso?
Kira estava pasmo com a cara maliciosa do amigo, nem parecia mais o mesmo, com aqueles olhos nublados de luxúria. Mas, o espanto do loiro triplicou quando Hisagi levou sua mão úmida até sua própria entrada. Izuru sentia o rosto queimar enquanto Hisagi o fazia se acariciar naquela parte tão íntima.
Mas, apenas aquilo não era suficiente, tanto Kira quanto Hisagi sabiam disso. Logo o moreno se afastou mais, sentando-se de frente para o amigo. Puxou-o e fez com que abrisse mais as pernas.
– Coloque-os dentro! Eu quero ver...
O loiro arregalou os olhos, mas fez o que o amigo pedia. Só havia uma explicação para aquele comportamento, Hisagi estava definitivamente fora de si! Não que Kira se importasse, aquela situação era malditamente excitante.
O moreno ditava a velocidade dos movimentos de Kira, até que ele não aguentasse mais apenas aquilo... O pedido mudo do loiro foi rapidamente atendido, e logo ele não pôde mais se conter.
Os sons do ato preenchiam a pequena sala, as lágrimas quase escorriam pelos olhos do loiro. Quando perguntado se sentia alguma dor, logo negou. Sim, doía. Mas, as quase lágrimas não eram por isso... Aquela era a primeira vez que se sentia correspondido, era a primeira vez que se sentia completo! Até que tomou um choque de realidade com um único nome sussurrado por Hisagi.
– Mugu... sen... Kensei...!
Coração partido... Aquela expressão ilógica agora fazia muito sentido! E tinha razão, doía demais. Sabia que não conseguiria aguentar o choro que já quase lhe transbordava, empurrou o amigo e levantou-se rapidamente. Ainda assim, sabia que não poderia deixá-lo sem uma explicação.
– Você confundiu as coisas moleque! Não sou do tipo que fica por baixo, é melhor que se prepare para a próxima vez...
Caminhou até o banheiro com o resto de dignidade que ainda possuía. Trancou a porta, deslizando até estar sentado no chão. Tomou cuidado para não deixar nenhum som choroso ser alto o suficiente para Hisagi ouvir. Deveria tomar uma séria decisão, mas, por hora, deixou a tristeza e a raiva lhe consumir.
{...}
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