Notas iniciais
Como é uma das minhas primeiras histórias, não sei ao certo se os fatos são contados muito rapidamente. Espero que gostem (:

Antes de tudo, deixe me apresentar. Meu nome é Hannah Von Nysterroy, sei que meu sobrenome é diferente por que é russo. Acabo de fazer quinze anos, e não pense que só por que meu sobrenome é russo que sou parecida com eles. Não. Tenho cabelos pretos, meus olhos são castanhos avermelhados e minha pele é razoavelmente branca. Herdei de meu pai os olhos escuros e de minha mãe a pele clara e o cabelo preto. Eu era a exceção da família, por ter olhos escuros. Era vista como “o problema” por que todas as meninas da minha família eram dotadas de olhos extremamente azuis ou extremamente verdes. Então uma boa parte da minha infância eu fui olhada com nojo e repulsa, como se eu tivesse uma doença extremamente contagiosa.

Moro, ou melhor, morava com meus pais na parte europeia da Rússia. Antes de... de fugirmos para a Inglaterra e eles serem mortos. Não quero descrever o assassinato, por que além de pequena, foi muito a sangue frio. Fui criada por minha tia, irmã de minha mãe, na cidade próxima a Londres chamada Nortumbria. Uma das cidades mais assombradas da Inglaterra. Não me pergunte o porquê de minha tia morar lá, a única coisa que me lembro, é da casa ser extremamente grande com vários quartos e outras parafernálias que ela tinha. Era pequena quando aconteceu o assassinato de meus pais, tinha mais ou menos cinco anos.

Morei com minha tia durante cinco anos, antes dela me levar a um estúdio em Londres e literalmente me largar lá. Comecei como figurante nas séries, até ser “congratulada” a atriz coadjuvante na série de maior sucesso. E por incrível que pareça, eu tenho mais fãs do que a própria atriz principal, que na realidade é uma metidinha assim como o “namorado” dela, o ator da qual todas as meninas babam e fariam de tudo para tê-lo.

Tenho apenas duas melhores amigas aqui no estúdio. Bem, uma se chama Ariele, tem descendência italiana e é loira por si só. Os olhos estão entre um azul e um verde claro. Depende muito do lugar onde ela está ou as emoções que ela tá sentindo. Louca e adora fazer pegadinhas com as pessoas, mas tem um coração muito grande e adora animais. Ela mora a poucos quilômetros do estúdio, mas praticamente vive aqui. Já a outra, se chama Bridget. Descendência irlandesa e tem olhos castanhos claros puxados para o verde, e os cabelos são castanhos escuros e um pouco abaixo do ombro. Ama sorrir, ama animais também e principalmente é a mais animada e festeira. Ela também mora no estúdio por que os pais sempre viajam e então quase nem tem tempo para vê-la. Somos conhecidas aqui como as três mosqueteiras, por sempre fazemos tudo juntas e somos muito ligadas umas as outras.

Cinco dias antes do “acontecido”, no sábado à noite, eu havia combinado com as meninas delas dormirem no meu quarto e planejarmos alguma coisa para o próximo final de semana. Alguma festa, eu acho, iria acontecer na casa vizinha do condomínio da Ariele. Eu particularmente não estava muito a fim de ir nessa festa, já que só conheceria minhas amigas e nada mais. Então pedimos uma pizza e alguns doces, que roubamos da cozinha do estúdio, e alugamos alguns filmes: 1 de comédia romântica e 2 de terror, à la Supernatural. Como particularmente eu detesto comédia romântica, nesse meio período eu fui arrumar minhas coisas no meu camarim.

Ok, eu não estava totalmente desleixada, mas estava como ficaria em casa em um sábado normal. Minhas roupas, para mim, estavam totalmente adequadas para uma noite com as amigas em casa. Fui até o 3º andar onde fica meu camarim, e entrei. Como sempre, ninguém mexia no meu camarim sem que eu pedisse, o que era raro. Eu arrumei a bancada onde ficavam minhas poucas maquiagens e perfumes, que na maioria das vezes ficava uma bagunça e eu tinha muita preguiça de arrumar durante a semana. Pois bem, assim que estava terminando, ouço o início do toque de meu celular. Transylvania da banda McFly. Minhas amigas estavam me ligando para avisar que o filme já tinha acabado. Ou não...

- Alô?

- E ai lindinha? Tudo bom? – A voz era masculina e não totalmente grossa. E eu já sabia quem era.

- Argh. O que quer Ryan?

- Ah que jeito de falar mais agressivo Han...

- Já disse pra não me chamar assim Ryan. Mas fala o que quer de uma vez. E como conseguiu o número do meu celular?

- Calma, calma. Só queria saber... – Ele parou de falar e em seguida ouvi a porta do meu camarim bater. – O que vai fazer hoje?

- Mas essa agora... – Me virei para ele e o encarei, desligando a chamada. Ele estava encostado no batente da porta e estava de braços cruzados, apoiando um pé na parede. – Fala logo Ryan, por que eu tenho que voltar para minhas amigas.

- Ah, que pena que já tem compromisso. Mas elas não vão ligar se você demorar um pouco, não é? – Ele trancou a porta e começou a andar para perto de mim, e eu fui me afastando até encostar à parede. – Está com medo Hannah? Não precisa ter medo de mim, sabe que eu sou seu amigo...

- Prefiro que um caminhão cheio com bombas nucleares me atravesse a ser sua amiga. – Eu disse, mas agora ele tinha me prendido na parede, com as mãos em cada lado e eu não tinha saída.

- Sabe, você fica mais sexy ainda com esse sotaque russo. Mas não entendo o porquê de não gostar de mim... Isso magoa sabia? – Ele disse sussurrando em meu ouvido com um tom falso de tristeza, com isso foi se afastando do meu rosto e me encarando com malícia.

- Fala de uma vez o que quer comigo. – Eu respondi o encarando com raiva. Quem esse cara pensa que é para me tratar assim? Eu não sou uma das namoradinhas nojentas dele.

- O que eu quero? – Ele jogou a cabeça para trás e começou a rir. Então voltou a me encarar com desejo e continuou – Eu quero você.

Então avançou sobre minha boca e ferozmente sua língua ficava a procura da minha. Eu continuava a empurrá-lo para longe, mas ele mantinha as mãos fortes em minhas costas prendendo meu corpo ao dele. Então quando eu finalmente consegui me soltar dele, dei um tapa forte em seu rosto, mas ele segurou meu pulso e chegou perto do meu rosto, com o olhar em uma mistura de desejo e dor, mas o suficiente para eu perceber os detalhes do rosto dele. Os cabelos eram desgrenhados, encaracolados e castanhos escuros; os olhos castanhos puxados para o preto e a pele levemente bronzeada. Mas eu ainda não entendia o porquê das garotas babarem tanto nele. Ele mexeu a mandíbula por causa do tapa, e começou a rir novamente.

- Você acha mesmo que com esse tapa vai conseguir se livrar de mim? Não garota, agora você só me deixou mais apaixonado por você. Eu amo garotas com esse tipo de atitude...

- Desde quando você, Ryan McCall, se apaixona? Me dê licença por que tenho que voltar ao meu quarto. – Eu puxei meu braço e então me afastei dele de novo.

- Ah que isso, Han... Faz anos que você que me deixa intrigado, mas agora você cresceu e ficou muito mais sexy do que eu tinha pensado. Você me deixa louco, só por me ignorar.

- Você tem namorada Ryan! E por que diabos eu ficaria com você? – Eu disse, revirando os olhos e cruzando os braços – Ryan eu preciso ir pro meu quarto, mas que droga!

- Ok então lindinha... Dessa vez eu deixo você ir, mas também tenho um aviso.

- Qual?

Com isso ele foi até a porta e destrancou-a, piscou para mim, saiu e me deixou sozinha em meu camarim, desnorteada e me fazendo pensar em que poderia ser esse aviso. Então meu celular começou a tocar novamente e dessa vez eram as meninas avisando que o filme tinha acabado a 20 minutos e que eu já poderia subir. Então apaguei as luzes do camarim e andei até o elevador, indo diretamente para meu quarto no 11º andar.

Bridget estava na porta do meu quarto jogando no celular e quando me viu correu até mim. Ela olhou minha boca, que deveria estar inchada e meu pulso vermelho. Ela arregalou os olhos e não disse nada, apenas olhou para Ariele que estava lendo uma revista de fofocas encostada na cama. Eu neguei com a cabeça e falei que depois eu contava, ela assentiu. Cobri meu pulso e então entramos no quarto para continuarmos a noite. Mas eu não conseguia parar de pensar no que Ryan quis dizer com o aviso.