Laços De Flor

1 Laços de Flor


Notas iniciais
Essa one-shot foi inspirada numa música, Hana No Kusari, que traduzindo é Laços de Flor.
Não há muita história por trás da escrita, apenas escutei a música - que é tema de encerramento do anime Saint Seiya - The Lost Canvas -, e a escrevi, também como um treino para uma outra história que estou desenvolvendo.
Mas enfim, espero que gostem.

A chuva caía constantemente em seu rosto. Seu cabelo, encharcado, insistiu em ficar sobre seus olhos, mesmo com o rosto erguido, admirando aquele céu chuvoso.

Lembranças, era o que a chuva lhe trazia, mesmo contra sua vontade. Lembranças, talvez muito dolorosas, mas que ele tentava resistir. Era melhor evitar a dor, sim, essa que lhe machucava e que transformava suas mais belas lembranças em pesadelos. Olhou para baixo, para a poça formada, que refletia as estrelas que brilhavam e que insistiam se mostrar mesmo naquele tempo. A lua, esta que estava tão clara como naquele dia, o que trouxe a sua mente o rosto dela, sorridente. Lembrou-se de uma flor, mas qual a cor? Vermelha? Talvez, mas percebeu que suas lembranças estavam desbotando, perdendo a cor, como um retrato; já se passara tanto tempo afinal, tempo que sempre insiste em mudar as coisas. Fechou os olhos, queria afastar aqueles pensamentos, eles não lhes competiam mais; era assim que ele queria, pelo menos. Vã tentativa, pois ela ainda estava lá, pegando a flor que ele lhe entregava, uma bela flor por sinal, mas que havia perdido a cor. Cor... percebeu que não só a flor a havia perdido.

Tornou a abrir os olhos, e sentiu uma gota de chuva escorrer de um deles. Da chuva? Não, percebeu que não era. Então uma gota seguiu a outra, misturando-se com as que caíam do céu e paravam em seu rosto. Isso era a única coisa que gostava da chuva, ao menos ela podia disfarçar as suas gotas, estas causadas pelas lembranças que a ela própria lhe trazia.

Eternidade, uma palavra sussurrada em suas lembranças, mas quem disse? Ele? Ou foi Ela? Percebeu que foi ele mesmo, enquanto sentia as mãos delas segurar as suas com a flor no meio delas. Era aquela mesma flor que perdera a cor. Será que era tão importante lembrar-se da cor? Pelo tom que restara, ela tinha sido ao menos vermelha, ou menos próximo disso. Eram quentes as mãos dela, isso ele ainda se lembrava; sentiu-se feliz por isso.

Na vida aprendera que tudo era relação entre amor e ódio, que o equilíbrio se encontrava na mistura desses sentimentos. Achava aquilo um equívoco da parte de quem dissera tal coisa, afinal, naquela época só houve amor, um momento feliz, onde um abismo deixara de existir entre eles quando deram as mãos e juntos seguraram a flor, mas agora, sentiu-se um tolo, porque aquela lembrança agora não lhe trazia mais somente o amor. Trazia ódio. Ódio por lembrar. Ódio por não ter durado pela eternidade. Ódio, por trazer saudades. Saudades de suas mãos quentes, dos seus sorrisos, dos seus beijos. Saudades... Gostaria de evitar essas também, já que também trazia dor, dor que transformava o bom em algo ruim. Sentiu novamente as gotas saírem de seus olhos, gotas que poderiam formar um rio, sim, um rio de lágrimas que também refletiria a lua. Lua, que lembrava o rosto dela. Lembrança... Será que era tão triste ter lembranças?

Mas agora, ela não estava mais ali, a flor já não estava mais ali, tudo espalhado pelo vento, que sussurrava como canção o seu nome, que sussurrava sua voz. Vento, que espalhava as pétalas daquela flor, agora inexistente. Vento, um fantasma que trás sentimentos sem fim.

Tornou a olhar ao chão, mas um pouco mais longe de onde estava. Coincidência? Destino? Não, essas coisas não existem. Mas, estava ali, repleta de gotas. Então, pela primeira vez, desde muito tempo, percebeu que mesmo de uma forma que não queria aquilo estava sendo eterno. Eterno, em sua mente. Eterno, em seu coração. E aquela flor ali no chão, ainda em desenvolvimento, um dia iria desabrochar, e assim eram seus sonhos, suas lembranças. Eram eternas, sua oração.

Ficou um pouco aliviado. Sabia que suas lembranças ainda lhe deixariam tristes, lhe trariam dor, mas, mesmo assim, ela ainda vivia juntamente como ele, nessas lembranças de dias felizes, onde um laço foi formado com uma flor vermelha, sim, teve certeza agora, sua cor era vermelha.

E também tinha a chuva. Poderia continuar a resistir à dor e disfarçar suas lágrimas, enquanto as gotas caíam.

Quando a flor desabrochar, ela o lembrará de seus laços de flor, de sua oração, de seu sentimento eterno... Dela.

Notas finais
Bom, é isso. Espero que tenham gostado e agradeço por terem lido.
Abraços e até uma próxima. o/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!