Laços

1 Prólogo


A casa que tinha perto dos rochedos era um lugar confortável e calmo, não tinha muitos vizinhos e emanava uma paz relaxante. Era perto de uma reservar florestal e uma cachoeira natural. Praticamente um local perfeito para se passar as férias de fim de ano, a não ser o pequeno detalhe que seu filho tinha morrido no dia anterior, em pleno natal.

Naquele dia pedirá ao marido que passassem o primeiro natal de Hayato, que só tinha poucos dias de vida, naquela casa de campo e só com eles dois, um pouco diferente dos costumes da família Hyuuga, onde o feriado era comemorado em uma festa social com todos os parentes e amigos. Desde muito cedo naquele dia sentia uma angustia profunda no peito, mas seu bebê estava bem e parecia muito saudável, até o badalar da meia noite.

De uma hora para outra Hayato tinha parado de respirar e ela entrara em um desespero enorme vendo seu filho perder a vida em seu colo, a pele ficando gelada de uma hora para outra e o coraçãozinho parando de bater. Aquele tinha sido um dos momentos mais triste de sua vida, via uma parte de si ir embora.

Lembrava de o marido ter chamado a ambulância, mas já estava claro que a criança tinha morrido e não tinha salvação. O médico disse que os pulmões tinham falhado, seu bebê tinha morrido dormindo.

Ela não conseguia descansar mesmo estando exausta e cansada pelo dia cheio, não tinham chegado do hospital não fazia duas horas e a cada momento que fechava os olhos ela se lembrava do filho que não vivera nem uma semana.

Imaginava a todo estante como seria quando ele crescesse ou como seria a formatura dele no colégio, ou ingressado numa faculdade. Seu primeiro passo, a primeira palavra que dissesse, nunca veria isso e aquilo quebrava seu coração em mil pedaços. Momentos que nunca iria presenciar e ainda se lembrava que não podia mais ter filhos, o parto de Hayato teve algumas complicações e ela teve hemorragia, o médico tinha dito que se tentasse mais uma gravidez poderia morrer dando a luz.

Não poderia ter filhos, nunca mais.

Levantou-se da cama e vestiu seu robe de seda vermelho, caminhou até a biblioteca da casa descalça sentindo o frio do chão naquela noite de inverno. Quando abriu a porta viu o marido sentado na poltrona perto da janela, lendo um pequeno livro. A expressão era rígida e fria como se nada tivesse acontecido, mas sabia que aquilo era só fachada, um método de esconder a tristeza que sentia.

Aproximou-se lentamente dele, sentando-se no braço da poltrona e fazendo leves afagos nos cabelos longos que ele persistia em manter, uma tradição da família que a todo homem casado os cabelos tinham que ser grandes. Desde que tinha doze anos de idade sabia que iria se casar com Hiashi, eles eram primo de segundo grau e era outra tradição os primos se casarem. Sua família era muito arcaica em alguns aspectos, principalmente quando se tratava da aparência e os genes que a linhagem Hyuuga tinha.

– Amanhã ligarei para o advogado, para resolver a papelada do enterro de Hayato. – murmurou Hiashi passando mais uma página do livro. – E também precisamos avisar a família sobre o funeral.

– Nem tínhamos falado sobre ele quando nasceu.

– Com certeza ficaram surpresos. Hayato seria um mês mais novo que Neji, Hizashi imaginava que os dois seriam ótimos amigos.

– Não duvidaria muito disso. – Hana disse, os olhos lacrimejando com a ideia da amizade deles. Seria uma recomeço e tanto para Hiashi e Hizashi, que estavam brigados há anos e a amizade dos filhos seria ótimo para aproximarem eles.

Tomo no koe ga mune ni hibiita
Namida de nijinja michi wa mienainda

Uma voz amigável ecoou no meu coração
Com lágrimas, não se enxerga o caminho

Ima get up! Miagetanda hora onaji sora
Kesshite kodoku janeenda
Subete seoikomu koto wa naisa

Levante-se agora! Olhamos para o mesmo céu
Não estamos sós
Não precisa carregar tudo

A letra saía de seus lábios como pluma voando no alto céu, entornando com uma melodia suave e calma. Tinha um pequeno costume de cantar quando se sentia muito triste ou mesmo muito feliz, expressando seus sentimentos. A mão de Hiashi se entrelaçou na da mulher, ouvindo ela cantar baixinho só para eles dois. Um confortando o outro e dando apoio.

“Lindo” uma pequena e leve voz soou.

Hana parou abruptamente a canção, olhando para Hiashi com um espanto visível no rosto. Tinha ouvido aquela voz e tinha certeza que não estava louca e naquele cômodo só tinha ela e o marido. E ele parecia também espantado com que tinha pensado ter ouvido, mesmo não demonstrando muito.

“Oh, por que parou de cantar? Eu adorei a sua voz.” novamente aquela voz soou e uma pequena luz apareceu na frente do casal. Era brilhante e exalava um conforto inebriante aos dois, como se toda a tristeza que sentiam não existisse e que só tivesse paz em seus corações.

– Mas o quê?

“Não precisa se assustar, não sou má”

– Quem é você? – Hiashi perguntou, se sentia tolo falando aquilo. Afinal, estava conversando com algo que nem via direito.

“Bem, depende. Posso ser o que quiser, um animal, uma pessoa, um ser, uma planta” falou calmamente. “Mas sou conhecida como Lua, eu realmente adorei sua voz mulher. Mas é uma pena que ela esteja recheada de tristeza. Tem algo que possa fazer por você?”

– Esse coração quebrado só poderá ser concertado se tiver meu filho novamente em meus braços. – respondeu, estava encolhida no braço da poltrona com o braço do marido rodeando sua cintura.

“Uma vez uma pessoa morta, nada poderá voltar. Sua alma já não está nesse plano.” Lua disse, sua luz cintilando mais e mais forte. “Mas posso te dar algo.”

– O quê? – perguntou incrédula da fala da outra. – Nada que me der poderá reparar a dor de uma mãe sem seu filho.

“Não, não repara. Mas pode amenizar, o risco de você ser mãe de novo é enorme e poderá morrer com isso. Mas seu desejo de ter novamente um filho nos seus braços, principalmente Hayato é grande demais. Eu posso te dar isso, alguém para cuidar.”

– Com qual preço? E com o quê em troca? – perguntou Hiashi desconfiado. – E como sabe o nome de nosso filho? Sabia que o que você está falando é muito suspeito? De repente aparece querendo nos ajudar, mesmo tendo mais milhões de família que já passou pelo que estamos passando ou pior.

“Eu sei muitas coisas meu caro, já vivo há mais de milênios e só quero algo. Os meus motivos só diz a meu respeito e se escolhi vocês não há ninguém que precisa entender o por quê. Só quero que a ame e mostre esse mundo, tenho certeza que será o suficiente.”

– Como? Do que está falando? – Hana se levantou rapidamente de onde estava se aproximando daquela luz, porém ela se afastava a menor aproximação.

“Você irá entender, tenho certeza que irão fazer uma excelente decisão. Dou a vocês um de meus bens mais precioso, cuide bem dela.” murmurou se dissipando a cada momento até não restar mais nada, levando consigo a sensação de paz.

– O que foi isso? – perguntou-se.

– Algo que deveríamos esquecer. Uma alucinação. – respondeu Hiashi se levantando de onde estava e estendendo a mão para a mulher. – Vamos dormir, amanhã teremos um longo dia.

Hana acenou com a cabeça e seguiu Hiashi até o quarto. Conhecia o marido o suficiente para entendê-lo quando esse não se sentia bem. Mas as palavras que aquilo falou não saíam de sua mente, o que ela estaria querendo dizer?

Quando finalmente conseguiu dormir a única coisa que via era escuridão e mal abriu os olhos novamente sentia todo cansaço no corpo mil vezes pior e só de imaginar o que estava para enfrentar naquele dia tinha vontade de adormecer de novo, mesmo que tivesse que ver aquela escuridão em seus sonhos.

Quando ouviu um pequeno resmungo de bebê se sobressaltou e abriu os olhos rapidamente virando em sentido de onde ouviu o barulho. Estava enrolada em uma manta de cor rosa e seus olhos olhavam curiosamente ao redor, aquele bebê era lindo e tão idêntico ao seu Hayato que não conseguia pensar em mais nada há não ser pegar aquela menina nos braços. Os cabelos tão negros como o seu, os olhos tão perolados como de toda família Hyuuga.

Hiashi se remexeu de onde estava e quando abriu os olhos e viu a imagem da esposa com uma criança no colo pensou que tudo que viveu nas última 48 horas fora apenas um sonho e não um dos dias mais infelizes da sua vida.

Notas finais
Olá pessoinhas, dizer que estou ansiosa para saber o que acham desse prólogo é pouco. Espero que tenham gostado, vou tentar postar toda semana um capítulo novo, não garanto nada, mas me esforçarei o máximo e espero o apoio de vocês. Qualquer erro por favor me avisem.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.