Laços

2 Surpresas


Algumas semanas se passaram desde o noivado e Emma estava a cada dia mais feliz.

Donna manteve seus pensamentos confusos apenas para ela e tentava se mostrar animada com as novidades.

Certo dia Donna estava lendo um livro de suspense quando sua mãe chegou eufórica em casa. Emma correu para o quarto de sua mãe e lá ficou, por horas. A garota estranhou aquela conversa tão duradoura, mas como não quisesse atrapalhar, saiu para trabalhar na livraria.

Donna era tão encantada pela leitura que logo chamou a atenção do dono da livraria. A menina era uma presença constante entre as estantes da loja e tão logo já tivesse idade para trabalhar após o colégio, foi chamada para ser vendedora durante alguns dias da semana. O dinheiro não era muito, mas o prazer de ler aqueles livros enquanto trabalhava fazia tudo valer a pena.

Normalmente os clientes não paravam para comentar as histórias lidas ou sequer recomendar novas, apenas queriam encontrar os livros desejados o mais rápido possível, coisa que Donna sabia fazer com destreza. Entretanto, por mais que amasse a leitura, a garota sentia falta de falar sobre seus personagens favoritos e as aventuras mais eletrizantes, afinal, já estava guardando muitos sentimentos para si mesmas, por que deveria guardar as histórias também?

Naquele estranho dia, a livraria parecia mais vazia que o normal, o que fez com que a menina saísse do balcão e caminhasse pelas estantes. Notou uma figura diferente entre os livros e revistas.

- Você quer ajuda? — Perguntou gentilmente ao garoto que olhava para a estante de ficção científica.

- Acho que já encontrei o que estava procurando. Obrigado. — Sorriu para retribuir a gentileza da garota.

- Está bem. — Donna ia retirar-se quando foi interrompida pelo garoto.

- Gosto muito de ficção científica. E você?

- Ah... Bem, há boas histórias.

- Gosto de imaginar que poderíamos fazer coisas além da capacidade humana. Além do que é simples.

-Você fala sobre teletransportes e viagens galácticas? — Donna realmente ficou intrigada com o interesse do garoto pelas histórias.

- Estava pensando em voltar no passado e mudar o futuro.

- Mas nós podemos sempre mudar o nosso futuro, não é preciso livros de ficção científica.

- Sim, claro. Mas... e se você pudesse mudar a vida de alguém, ou até mesmo salvá-la. Você mudaria o seu futuro mudando o seu passado.

- Acho que tudo acontece por um motivo. E por mais que eu sinta vontade, eu não acho que seria certo mudar nada.

Os dois permaneceram se olhando, meditando sobre as próprias palavras.

- Você está certa. — O garoto começou a rir. — Eu nem sei por que estou importunando você. Bem, por favor me venda estes dois de ficção e eu prometo não perder mais o seu tempo.

- Imagine. Aqui estão. Volte sempre.

- Acredite, eu volto sim. — Sorriu mais uma vez e saiu lentamente.

Donna voltou para o balcão pensando ainda nas palavras do garoto. "E se eu pudesse mudar? Eu mudaria?". Lembrou então que esquecera completamente de perguntar o nome daquela figura que há pouco estava entre os livros de ficção científica.

- Mas que mal-educada Donna! Sequer perguntou o nome dele. Quem sabe ele não tem alguns livros pra me indicar? — Heeeey! Heeey!

Donna correu para a porta para ver se o menino ainda estava por perto e por sorte, ainda era possível vê-lo.

- Qual o seu nome?! — Gritou sem se preocupar com quem estava por perto.

O menino riu de longe e gritou de volta.

- Sam! — Sorriu e continuou a andar, sumindo rapidamente de vista.

Donna não sabia como poderia encontrá-lo novamente, mas ao menos sabia que o seu nome era Sam. Logo fechou a loja e voltou para casa, estranhamente feliz. Então o menino dos livros era o Sam.

Chegando em casa notou que Emma estava cozinhando junto com Anna. Ambas pareciam extremamente felizes.

- Donna! Finalmente você chegou!

- Por que estão tão empolgadas, posso saber? — A comida tinha um cheiro incrível.

- Donna, você não vai acreditar!

- Eu mal posso imaginar mãe, me conte! — Donna começava a ficar ansiosa, nunca havia visto tanto brilho nos olhos e felicidade.

- Donna, você vai ter um irmãozinho! Acredita?

Donna ficou por alguns segundos pensando sobre essas palavras, mas inexplicavelmente se sentiu feliz. Muito feliz.

- Ah mamãe! Isso é lindo. Um garotinho?

- Sim Donna. Contei a sua avó hoje cedo, ela está muito feliz também!

- É verdade Donna. Acredita que eles já escolheram até o nome?

- Escolheram? — Donna havia esquecido por um minuto que o pai da criança era Leighton. É claro que ele escolheria o nome.

- Sim Donna. Ele vai se chamar Lian. Não é bonito?

- É sim. Algum motivo especial?

- Na verdade eu confesso que foi o Leighton quem escolheu.

— E por que Lian?

- Alguns pais gostam que os filhos tenham alguma semelhança no nome. Acho que é por isso.

- Como assim? Afinal, como se chama o filho do Leighton?

A campainha tocou exatamente ao fim da pergunta e Emma levantou animada.

- Eles chegaram! E eu ainda nem terminei o jantar. Donna, pode abrir por favor?

Donna levantou-se e foi em direção a porta.

"Eles? Bom, acho que finalmente vou conhecer o garoto prodígio de quem o Leighton e a mamãe sempre falam"

Leighton surgiu radiante quando Donna abriu a porta.

- Hey Donna! Você não imagina o quão feliz eu estou! Ah, desta vez o "garotinho" veio também.

- Ah pai, não me faça passar vergonha! — O garoto estava logo atras, e sua voz era estranhamente familiar. — Eu não sou um garotinho, tá bem?

- Donna, este é o meu filho!

Donna finalmente viu o garoto e teve uma surpresa com um toque bastante agradável.

"Sam?"

- Donna, este é o Sam.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.