LRW - caçadora de demônios
3 Capítulo 3 – Ritual de selamento
Notas iniciais
Acordei com o despertador tocando às 8 horas da manhã, desnecessário acordar tão cedo num domingo. Tomei um banho e vesti uma roupa qualquer. Gaara saiu do quarto no mesmo momento que eu.
– Bom dia! – Eu disse – vamos tomar café da manhã.
– Bom dia. – ele respondeu e me seguiu até a sala, lá achei um bilhete do Nany dizendo que eles iriam voltar somente à tarde. Tomamos o café em silêncio.
– Vem, vamos para fora, temos muito o quêconversar.
Fomos para o pátio nos fundos do terreno, era um lugar lindo.
– Preste muita atenção no que eu vou te contar, ok? Não gosto de repetir. – E comecei a contar, quer dizer contei que era uma vampira, não entrei em detalhes pessoais, mas acho que ele entendeu a parte que eu podia criar marcas que eram capazes de selar demônios nas pessoas.
– Gaara, tem mais alguma pergunta que eu não tenha respondido com a minha história? – Perguntei a ele.
– Bem, mas onde é que eu entro nessa história?
– Graças ao selo que eu criei foi possível selar esse demônio dentro de você. Quero dizer, a culpa meio que é minha de você ser assim.
– A culpa não é sua, a culpa é toda do meu “pai”. Foi ele que fez isso, e mais ninguém é culpado disso. – ele disse e eu fiquei surpresa, imaginei que pelo menos ele teria um ataque assassino, eu me preparei para isso, mas nada aconteceu.
– Já que você pensa assim, vou te falar as condições para que eu te treine, tudo bem? – ele concordou com um aceno de cabeça. – Primeiro, teremos que fazer outro selo, um que ligue você a mim, para ficar mais fácil. Segundo, você terá que mudar seu jeito de ser, terá que se afastar das pessoas para o bem delas, porque você poderá perder o controle e acabar machucando alguém que você goste. Feito isso podemos começara treinar o controle de seus dons – ele concordou
– Como assim? Porque me afastar das pessoas? — indagou ele.
– Quando eu passei pelo ritual, bem, digamos que eu já estava no inferno e que nada poderia piorar, mas eu enlouqueci de verdade, pois é desconfortável, se bem que a minha ligação é com Hella, ou seja, o fluxo de poderes dela é muito grande, e isso interfere, já comigo é mais light, pois eu consigo bloquear meu fluxo. O Shiranany é a prova de que eu sou capaz de treinar alguém – Ele me olhou com um olhar interrogativo – ah, sim o Nany também é um semi-imortal, só não conta pra ele que eu te disse! E fui eu que fiz o ritual para ele, por que ou era eu ou era Hella, ele achou que comigo seria mais fácil, e foi. Mas se ele não tivesse se afastado das pessoas, ele poderia ter machucado pessoas inocentes, porque até estar feliz é muito perigoso para as pessoas que estão ao se redor, muitas vezes ele perdeu o controle, e se eu não fosse imortal estaria morta. — Falei séria, mas a verdade é que eu queria rir da minha ironia “se eu não fosse imortal, eu morreria”, não aguentei e cai na gargalhada – Hahaha! Hahaha! Gaara não me olha desse jeito, não sou retardada, só me divirto com pouco! – Me recuperei enquanto voltava ao meu normal. – Desculpa, você não deveria ter que aturar meus ataques, mas esse é o meu jeito normal.
– Não precisa se desculpar, pelo menos você tem um bom senso de humor – Gaara falou com um sorriso e eu me surpreendi, normalmente as pessoas se afastavam de mim por eu ser, digamos, um pouco extrovertida demais para o normal de uma garota.
– Obrigada por isso, as pessoas normalmente não gostam do fato de eu ser tão espontânea. Mas vamos ao que interessa, te contei a minha história e quero ouvir a sua antes de começar o ritual.
– Bem, não há muito o quê falar de mim, tenho 17 anos, a única coisa que posso te dizer é que desde pequeno as pessoas me tratavam diferente de meus irmãos, nunca entendi o porquê até o dia que meu “pai” me falou que havia selado um demônio em mim, foi nesse dia que eu me descontrolei e acabei destruindo a minha casa toda, foi quando eu fiquei conhecido como monstro. Isso aconteceu já faz quatro dias mais ou menos, eu estou sozinho desde então. – ele fechou os olhos e passou as mãos nos cabelos de forma descontraída, parecia que ele não se importava de ter saído de casa.
– Você não se importa de ter saído de casa? – perguntei.
– Nenhum pouco, estava apenas esperando o momento certo de sair de casa, sempre estive sozinho, eles nunca se importaram comigo. – ele olhou para mim, eu vi muita tristeza naquele olhar, não resisti e o abracei. Ele correspondeu, mas quando eu vi o que eu tinha feito me afastei devagar. E o olhei nos olhos.
– Me desculpe por isso, foi impulso. Eu sei exatamente como se sente — vi que ainda estávamos de mãos dadas – eu não te contei toda a minha história antes, eu cortei a parte que iria falar da minha infância. – parei de encará-lo e olhei para o céu – desde que eu nasci eu nunca fui querida pela minha família, também pudera, eu era filha bastarda de um Imperador, e naquele tempo, de todo o reino, eu tinha apenas dois amigos Rowena, que era a imperatriz, e Hiashi que era o filho mais novo e também era desprezado, por não ser como os irmãos. Então eu sei exatamente como você se sente. – Poxa, fiquei triste agora, e isso nunca tinha me afetado. Foi quando ele me abraçou, eu correspondi, nem tinha notado que eu estava tão necessitada de um abraço, ele conseguiu tirar todo o peso que eu tinha carregado por aqueles tempos – Não se preocupe – disse baixinho em seu ouvido – assim como eu, você não está mais sozinho, terá sempre a mim se precisar.
– Sabe Lavínia, você foi a primeira pessoa que se aproximou tanto de mim, normalmente as pessoas tem tanto medo, e preferem sair correndo. Eu realmente estava precisando daquele abraço, e agora vi que quem estava precisando de um abraço era você. Acertei, né? – nós ainda estávamos abraçados. Separei-me do abraço e olhei em seus olhos.
– Realmente eu estava precisando desse abraço. – sorri e passei a mão em seu rosto, Gaara fechou seus olhos ao sentir meu toque – e nem eu sabia que estava precisando. Mas agora sugiro que a gente comece o ritual – eu ainda estava com minha mão em seu rosto – senão meu irmão chega em casa e ele não aprova que eu faça esse tipo de ritual com “estranhos” — sorri de lado e tirei minha mão do rosto dele.
– Eu concordo com ele, você não me conhece, não deveria se arriscar por mim. – ele abaixou o rosto, seu olhar alegre de antes se tornou triste – apertei sua mão num sinal de conforto.
– Eu fiz uma promessa quando disse que você nunca mais estaria sozinho – sorri e ele levantou o olhar, me olhando nos olhos – acho que você merece um voto de confiança como esse. Agora vamos parar com esse sentimentalismo todo, eu confio em você independente do que meu irmão pensa, ok? Então não tem necessidade de discutir esse assunto. – me levantei e o puxei pela mão, acho que usei muita força por que nós acabamos por esbarrar e ficarmos muito próximos, parecia até aquelas cenas de filmes, onde os personagens ficam se encarando antes de se beijar...Opa, isso não pode acontecer (pelo menos não agora). Sorri de lado – Acho melhor pararmos por aqui, não sei se vou conseguir parar se seguirmos adiante. — Me afastei dele – não me leve a mal, eu apenas não posso me apaixonar agora. – ele baixou o olhar, bem legal Lavínia, feriu os sentimentos do Gaara – cheguei mais perto dele, toquei seu rosto e o fiz me olhar nos olhos – isso não é definitivo, ok? Só acho que devemos nos conhecer melhor – ele pareceu mais confortável depois do que eu disse — Mas vamos seguir com o ritual, eu vou pegar os objetos necessários e trocar de roupa, te encontro aqui em 20 minutos. Ok?
Gaara concordou e nós entramos. Peguei meu baú com os objetos necessários e me troquei. Realmente o dia seria muito longo.
Depois que eu peguei todos os itens necessários para que o ritual do selamento começasse, o iniciamos, para que conseguíssemos terminar antes do Nany chegar em casa. Entramos no porão, pois é impossível realizar esse ritual ao ar livre.
– Gaara, está pronto? – perguntei.
– Estou pronto. O que vai acontecer comigo exatamente?
– Bem, vai doer um pouco, mas é necessário que se faça essa ligação para que você consiga controlar seus dons sem ter que machucar ninguém. — Eu disse.
– Como assim “sem ter que machucar ninguém”? — Gaara perguntou
– Na forma fácil, você precisa matar umas 100 pessoas para conseguir energia suficiente para fazer essa marca sozinho, é claro que isso te condena a queimar eternamente no fogo do inferno, mas isso é só um detalhe – revirei os olhos — Vamos começar? – ele assentiu, enquanto eu fazia marcas no chão, em volta de um círculo – Sugiro que tire a camiseta – Até que ele era bem musculoso, me segurei para não falar besteira. Ele viu o rumo dos meus pensamentos e sorriu de lado, sorte que eu não posso corar, senão agora eu estaria vermelha igual tomate. Revirei os olhos — entre no círculo – ele entrou – vai doer um pouco, mas depois passa.
Eu comecei a dizer as palavras que construíam o selo, e as marcas se ativaram começando a brilhar. Após isso as marcas do chão começaram a levantar do mesmo e girar ao redor do Gaara e depois elas começaram a se unir e viraram três (eram 21 no total) e uma de cada vez começou a entrar na pele do Gaara, se unindo e virando uma única marca nas costas dele e assim terminou o ritual para fazer o selo da união. Quando eu vi, o Gaara estava desabando no chão, felizmente eu consegui segurá-lo a tempo, apoiei sua cabeça nas minhas pernas enquanto ele acordava.
– Você disse que iria doer um pouco, não disse que eu iria preferir levar um tiro na cabeça. – E sorriu de lado.
– Desculpa, você está bem agora?
– Um pouco, só me sinto meio tonto.
– Essa parte passa rápido, consegue levantar?
– Consigo sim. – E começou a se levantar, mas cambaleou quando estava em pé, eu o apoiei em meu ombro. – Tá, eu ainda não estou totalmente bem.
– Vamos para dentro. Daí nós almoçamos, você descansa e a tarde eu começo a te ensinar algumas coisas, tá bom?
– Tá legal.
Saímos do porão, ele ainda estava se apoiando em meu ombro, o ritual realmente o enfraqueceu. O ajudei a chegar a seu quarto e o deitei na cama.
– Agora são exatamente 10 horas e 30 minutos da manhã, descanse até meio dia e depois desça para almoçar. – disse enquanto eu saia do quarto – ah, e seria melhor para você que o Shiranany não visse essa marca, ele poderia não gostar e acabar descontando em você, ok?
– Lavínia, porque você fez isso? Quer dizer, porque você me ajudou? Não teria sido mais fácil para você simplesmente me matar?
– Bem, eu acho que todos nós merecemos uma segunda chance, e eu sei que você não teve culpa naquele acidente, eu mesma perdi o controle muitas vezes, e em muitas dessas vezes machuquei pessoas importantes para mim. Por isso não acho justo te matar. E quanto à parte de ser mais fácil – sorri de lado – eu nunca sigo o caminho mais fácil, você merece viver, não é um direito meu tirar sua vida. Agora descanse moleque. Ou não poderemos começar o treinamento de tarde.
– Só mais uma coisa Lavínia.
– O que?
– Obrigado.
– Ah... Não tem de quê, só não faça eu me arrepender. – E sai do quarto dele, precisava urgentemente de um banho, estava exausta, esse ritual era extremamente cansativo.
Fui à cozinha e pedi pizza, estava exausta para fazer comida.
Subi ao meu quarto e decidi que iria tomar um banho para relaxar. Depois vesti uma roupa confortável. Ouvi a campainha, era o entregador, com as pizzas que eu pedi, eu o paguei e fui chamar o Gaara.
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