O chapéu seletor


O trem foi diminuindo a velocidade e finalmente parou. As pessoas se empurravam para chegar à porta e descer na pequena plataforma escura. Estremeci com o ar frio da noite, uma brisa suave balançava meus cabelos.

Sobre as cabeças dos estudantes, surgiu um lampião tremulante e uma voz grave rugiu: — Alunos do primeiro ano! Primeiro ano aqui!

Um rosto grande e muito peludo abriu um sorriso vacilante em nossa direção. Ao meu lado, senti um garotinho tremer de medo, mas, de alguma forma, eu sabia que não havia um pingo sequer de maldade naquele homem.

— Vamos, venham comigo. Mais alguém do primeiro ano?

Aos escorregões e tropeços, seguimos o desconhecido por um caminho íngreme. Árvores nos cercavam de ambos os lados, cobrindo o céu noturno com seus galhos folhosos, deixando o chão pouco iluminado. Ninguém falou muito no caminho, com exceção de Lily, a menina arruivada do trem, que disparou meia dúzia de perguntas ao homem que nos conduzia.

— Qual o seu nome?

— Rubeus Hagrid, a seu dispor, senhorita.

— Sou Lily!

— É um prazer conhecê-la, Lily.

— O senhor é professor em Hogwarts?

Hagrid soltou uma risada abafada por sua enorme barba: — Não, não, sou o guardião das chaves e das terras de Hogwarts.

— Oh! O senhor é então muito importante, deve ser como um segurança do castelo, não?

— Sim, sim — gaguejou o homem em resposta —, algo assim… Vocês vão ter a primeira visão do castelo em um segundo — Hagrid gritou por cima do ombro —, logo depois dessa curva.

Ouviu-se um "oooooh" muito alto, mas entre as cabeças dos estudantes, eu não conseguia ver sequer um palmo na frente do meu nariz. Dancei nas pontas dos pés, o que causou uma risada infantil em Lupin, que, em algum momento, havia voltado para o meu lado.

— Acredite em mim, é incrível — ele me disse. Por um momento, senti inveja de suas pernas compridas.

Estar entre todas aquelas crianças era um misto de emoções, havia muito medo, muita ansiedade e muita felicidade também. Mantive as mãos enterradas nos bolsos durante todo o trajeto, tomando o cuidado de não tocar na pele de ninguém, mas ainda assim era impossível não ser inundada por sentimentos alheios.

— Só quatro em cada barco! — Hagrid disse aos berros, apontando para algo além.

Virei para Lupin, quase sem conseguir enxergá-lo através do breu denso da noite, e perguntei: — Do que ele está falando?

— Tem um lago. Acho que vamos de barco até Hogwarts…

O caminho estreito se abriu para a margem de um grande lago escuro. Conforme os alunos iam se sentando nos barquinhos, consegui finalmente ver o castelo, encarapitado no alto de um penhasco na margem oposta, as janelas cintilando contra o céu estrelado.

Havia ainda uma flotilha de barquinhos parados na água, junto à margem. Lupin e eu nos acomodamos em um dos últimos barquinhos disponíveis, junto de um menino de cabelos escuros e uma menina de bochechas redondas e de covinhas profundas.

— Todos acomodados? — gritou Hagrid, que estava em um barco só para si — Então... Vamos!

E os barquinhos saíram todos ao mesmo tempo, deslizando pelo lago que era liso como um vidro. Todos estavam silenciosos, os olhos fixos no grande castelo no alto. A construção se agigantava à medida que nos aproximávamos do penhasco em que estava situado.

— Abaixem as cabeças! — berrou Hagrid quando os primeiros barcos chegaram ao penhasco.

Os barquinhos deslizaram por um túnel escuro, que parecia nos levar para debaixo do castelo, a única iluminação do lugar era o lampião bruxuleante de Hagrid. Paramos em uma espécie de cais subterrâneo, onde desembarcamos sobre o chão de pedras.

— De quem é o boneco? — perguntou Hagrid, que verificava os barcos à medida que as pessoas desembarcavam.

Um menino, quase tão baixo quanto eu, de pele escura e olhos leitosos, se aproximou timidamente, tomando para si o que parecia ser um bonequinho de crochê.

Passamos então por uma passagem aberta na rocha, acompanhando o lampião de Hagrid, e chegamos finalmente em um gramado fofo e úmido à sombra do castelo. Subimos uma escada de pedra e nos aglomeramos em torno da enorme porta de carvalho.

— Estão todos aqui? Você aí, ainda está com o seu boneco? Ótimo!

Hagrid ergueu um punho gigantesco e bateu três vezes na porta do castelo.

A porta abriu-se com uma força sobre humana, antes de ver qualquer coisa eu pude sentir… Era como uma lufada de ar quente, que fez vibrar algo dentro de mim, algo primitivo e forte. Havia alguém na porta, mas eu não conseguia ver quem era.

— Alunos do primeiro ano — Hagrid anunciou —, Profa. Minerva McGonagall.

— Obrigada, Hagrid. Eu cuido deles daqui em diante.

Ela escancarou a porta. O saguão era tão grande que teria cabido o orfanato inteiro dentro. As paredes de pedra estavam iluminadas com archotes flamejantes, o teto era alto demais para que eu pudesse vê-lo, e uma imponente escadaria de mármore em frente levava aos andares superiores.

Acompanhamos a Profa. Minerva pelo piso de lajotas de pedra. Eu podia ouvir o murmúrio de centenas de vozes que vinham de uma porta à direita e soube imediatamente que os alunos mais velhos estavam ali. Havia tantas emoções diferentes emanando de lá que senti minha cabeça doer. Fechei os olhos com força e tentei apurar os ouvidos para ouvir as palavras de McGonagall.

— Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina. Cada casa tem sua história honrosa e cada uma produziu bruxas e bruxos extraordinários. Enquanto estiverem em Hogwarts os seus acertos renderão pontos para sua casa, enquanto os erros a farão perder…

Me distraí novamente, olhando para os colegas mais próximos de mim. Havia uma menina de rosto delicado, que mais se parecia com uma boneca, com longos e bem arrumados cachos loiros. Havia um menino de nariz reto e lábios finos, que estalava os nós dos dedos sem parar. Havia um menino de pele marrom e cabelo muitíssimo bagunçado, que exibia um sorriso confiante, mas empurrava os óculos de volta ao dorso do nariz a cada cinco segundos, como um tique nervoso.

— A Cerimônia de Seleção vai se realizar dentro de alguns minutos na presença de toda a escola. Sugiro que vocês se arrumem o melhor que puderem enquanto esperam.

O olhar de McGonagall se demorou por um instante nos cabelos bagunçados do menino de óculos e nos sapatos enlameados de uma menina. Nervosa, tentei abaixar o volume dos meus cachos.

— Voltarei quando estivermos prontos para receber vocês — disse a professora —, por favor, aguardem em silêncio.

E se retirou da sala.

— Mas como é que eles selecionam a gente para as casas? — Lily perguntou.

— Devem fazer uma espécie de teste, acho. Minha prima, Bella, tinha me dito que ela precisou enfrentar um manticora — um menino que estava próximo ao moreno de óculos disse. Ele tinha cabelos escuros, ondulados, um comprido nariz aristocrático e olhos cinzentos.

— Que idiotice — opinou Severus, o menino oleoso do trem —, é uma espécie de leitura de pensamentos, pelo que minha mãe me contou. Não precisa se preocupar, Lily, você vai se sair bem.

Se isso serviu para acalmar alguém, certamente me deixou em desespero. Iriam ler a minha mente e eu seria pega em minhas infrações às leis bruxas, provavelmente seria expulsa de Hogwarts ainda naquele dia e teria sorte se não saísse algemada...

O moreno de óculos bufou audivelmente antes de soltar: — Você se acha o espertalhão, não é, ranhoso?

Severus soltou o ar lentamente por seus lábios finos, como se tentasse se controlar, por fim, respondeu à provocação: — Por que você não fecha a sua boca grande? Sei de um feitiço muito bom para isso.

— Vá à merda.

O que aconteceu a seguir foi muito rápido. Severus saltou sobre o outro garoto, que apesar de mais baixo, era mais cheio e forte, e empurrou-o em direção às portas do salão principal. Os dois rolaram para dentro, entre as mesas da Corvinal e Lufa-Lufa. Os alunos mais velhos tentavam enxergar a confusão, alguns até mesmo subiam sobre as mesas. Gritos de incentivo surgiram e a professora McGonagall saiu em disparada até os dois meninos, enquanto Lily chorava copiosamente.

Não foi necessário um aceno de varinha sequer, bastou Minerva tocar no ombro do menino de óculos, que estava por cima, que ele se afastou de Severus. Ambos os garotos tinham pequenos cortes em todo o rosto e as lentes do óculos do moreno haviam trincado.

— Esperam a expulsão antes mesmo da seleção? — a professora rugiu, sua voz sobrepondo-se facilmente aos gritos dos alunos mais velhos, que pareciam decepcionados com o fim da briga. — O que têm na cabeça? Nunca, em toda minha vida, vi algo mais horrendo, uma demonstração de desrespeito e imoralidade para com a nossa escola! Se não desejam fazer parte de nossa história, estão livres para ir!

Os dois meninos encaravam os próprios sapatos. Severus parecia constrangido, o outro, porém, tinha um sorriso mínimo nos lábios.

O sermão da professora se estendeu por mais algum tempo, apenas iniciando a seleção quando ouviu um pedido de desculpas dos meninos, que não demonstravam nenhum arrependimento.

— Agora façam fila e me sigam — ela finalizou, torcendo os lábios finos para baixo, em desgosto.

Se havia alguma tensão antes entre nós do primeiro ano, isso agora havia sido multiplicado. Nos arrastamos pelo salão, atrás da professora, sob os olhares atentos dos professores e outros estudantes.

Foi apenas após alguns metros de caminhada que deixei meus olhos vagarem pelo esplendor do salão. Iluminado por milhares de velas que flutuavam no ar sobre quatro mesas compridas, postas com pratos e taças douradas. No outro extremo do salão havia mais uma mesa em que se sentavam os professores. As centenas de rostos que nos encaravam se pareciam com lanternas fracas à luz trêmula das velas. Misturados aqui e ali aos estudantes, fantasmas brilhavam como prata envolta em névoa.

Olhei para cima e vi um teto aveludado e salpicado de estrelas. Eu havia lido sobre isso, o salão era enfeitiçado para refletir o céu do lado de fora, porém era difícil acreditar que havia um teto ali e que o Salão Principal simplesmente não se abria para o infinito.

— Lindo… — sussurrei, admirada. As estrelas dali, do alto de um castelo escondido sobre um rochedo, em algum lugar da Escócia, pareciam muito mais brilhantes do que eu já havia visto pelas frestas do St. Jude.

Apesar de toda a beleza e luxo presentes em Hogwarts, a minha dor de cabeça aumentava a cada passo em direção ao centro do salão. Minha mente se tornou uma confusão de vozes indistintas e senti os pelos de meu corpo se arrepiando com a grande quantidade de magia acumulada naquele lugar.

A professora McGonagall colocou um banquinho de quatro pernas diante de nós. Sobre o banco ela pôs um chapéu pontudo de bruxo. O chapéu era remendado, esfiapado e sujíssimo.

Por alguns segundos fez-se um silêncio total no salão, o que aliviou as vozes em minha cabeça. Então o chapéu se mexeu, um rasgo junto à aba se abriu, como uma boca, e o chapéu começou a cantar:

Foi há muito muito tempo atrás

Um nobre guerreiro me tirou de sua cabeça

Para evitar um grande leva e trás

E que sua façanha nunca se esqueça

Uma esperta donzela me enfeitiçou

Para cuidar da próxima geração

E de aluno em aluno esse velho chapéu passou

Para fazer a grande seleção

Havia ainda um outro senhor

Esse de olhar rápido e certeiro

Cuidou de tudo com muito penhor

E foi de Hogwarts um grande pioneiro

E havia também aquela outra mulher

De olhar doce e ternura sem fim

Ela nada queria tolher

Mas a história acabou ruim

Godric, Rowena, Salazar e Helga

Um grupo como nunca se viu

Causavam uma grande felga

Mas o destino interviu

Deixaram para trás

Esse castelo como legado

Nosso futuro pode ser audaz

Mas aqui aluno algum será negado

Agora chega dessa história

Já gastei muito tempo nessa dedicatória

Me experimentem de uma vez

Antes que o jantar esfrie!

O salão explodiu em aplausos e gargalhadas, mas não acompanhei, meus olhos estavam fixos em McGonagall, que tirava de sua manga uma longa lista de nomes.

— Quando eu chamar seus nomes, vocês se sentarão no banquinho e colocarão o chapéu na cabeça, ele irá dizer qual é a sua casa. Al-Kudsi, Alim.

O menino de nariz reto e lábios finos, que estalava os dedos nervosamente antes de entrarmos no salão, deu um passo vacilante à frente. Tremendo por completo, ele se sentou e enfiou sua cabeça dentro do chapéu, até que seus olhos esverdeados desaparecessem.

Não levou mais que cinco segundos para o chapéu anunciar: — Corvinal!

A segunda mesa à esquerda explodiu em vivas e um menino, provavelmente do segundo ano, recebeu Al-Kudsi com um caloroso abraço e tapinhas nas costas.

— Al-Kudsi, Ayana — McGonagall chamou.

Uma menina alta, de nariz reto, mas lábios cheios e maçãs altas, se aproximou, muitíssimo confiante. Ela colocou o chapéu sobre o tecido estampado que cobria seus cabelos. Demorou um pouco mais do que com seu irmão, pelo menos meio minuto, até que fosse anunciado: — Corvinal!

Alim, da mesa da Corvinal, berrou de alegria enquanto a irmã se dirigia em sua direção. Ayana foi recebida de forma tão calorosa e gentil quanto seu parente.

O primeiro aluno a ir para a Sonserina foi Reginence Avery, um menino de rosto inexpressivo e olhos escuros. O chapéu mal tocou seus cabelos e logo anunciou “Sonserina”, em resposta, a mesa verde e prata explodiu em aplausos e comemorações.

Em seguida, McGonagall chamou Sirius Black, o menino de cabelos ondulados e nariz aristocrático. Ele foi até o banquinho de queixo erguido, exalando arrogância, e colocou o chapéu na cabeça. Demorou um bom tempo, pelo menos quatro minutos. Seus lábios se moviam muito rapidamente, em um diálogo silencioso com o chapéu.

Depois de algum tempo, ele abriu um enorme sorriso, confiante.

Grifinória! — o chapéu anunciou. Houve uma pequena confusão na mesa entre os alunos da Sonserina, enquanto a mesa da Grifinória, à extrema direita do salão, explodiu em vivas e aplausos, em um tom que mais se assemelhava à provocação do que à felicidade.

Black foi recebido por um aluno alto, de cabelos castanhos e barba por fazer, que exibia o distintivo de monitor chefe em suas vestes. Demorou quase um minuto até que o salão ficasse em silêncio novamente, ainda assim era possível notar a grande tensão que havia surgido entre as mesas da Grifinória e Sonserina.

Deeana Buchanan e Herbert Burke foram selecionados para a Sonserina, Amélia Bones e Brígida Byrne, porém, se tornaram integrantes da Lufa-Lufa, que aparentemente era a mesa mais calorosa do salão. Aos poucos, o tempo foi passando e os alunos iam se sentando junto às casas.

Lily Evans, a arruivada chorona do trem, foi selecionada para a Grifinória, assim como Longbottom, Lupin e o menino brigão de óculos, James Potter.

Quando McGonagall chamou Savius Sánchez, que foi selecionado para a Corvinal, engoli em seco, sabendo que minha vez se aproximava a cada segundo.

— Smith, Mary.

Meu nome ressoou pelo salão sem causar burburinho, deixando claro que eu não era de família conhecida ou de origem relevante para nenhum dos alunos. Com as pernas bambas, segui até o banquinho, rezando para não tropeçar na barra do uniforme. A última coisa que vi antes do chapéu cair sobre meus olhos foi um salão cheio de gente. Em seguida, apenas a escuridão dentro do chapéu.

Algo, então, sussurrou dentro de minha mente, uma voz grave e acolhedora, com um quê de sagacidade: — Hm… O que temos aqui? Difícil, bastante difícil… Uma inteligência considerável, devo admitir, porém mais propensa à criatividade e esperteza do que à sabedoria...

Me questionei qual seria a diferença e se o chapéu estava me chamando de burra. Em resposta, uma risada do chapéu retumbou contra as paredes do meu crânio. O chapéu explicou: — Existe uma diferença… Quando falo sobre sabedoria, me refiro à capacidade de saber quando agir, aceitar o que não é capaz de mudar, me refiro ao equilíbrio, à sensatez. Quando falo sobre esperteza, falo sobre rapidez, sagacidade e, de certo modo, a malícia de estar preparado para o pior que existe em uma pessoa, vejo muito disso em você.

Continuei em dúvida sobre o que aquilo significava. Indiferente a mim, o chapéu continuou: — A criatividade, nem sempre vista como inteligência, é a capacidade de inovar em diferentes aspectos, seja na música, na escrita, na pintura ou, até mesmo, em uma situação difícil. As pessoas se dividem muito entre fugir e lutar, os criativos, porém, conseguem encontrar uma terceira forma de contornar o problema.

Havia algum sentido, pensei. Inteligência não era apenas a capacidade de decorar frações ou devorar livros.

— Aqui há alguma coragem também — ele ponderou —, não muita… A determinação e a ousadia poderiam compensar, talvez. Mas não, não acho que se sairia bem na Grifinória. Vejo um grande potencial, isso sem dúvidas, uma grande propensão à lealdade e à honestidade… Talvez seja um pouco explosiva e… Intolerante.

Comprimi os lábios para conter um resmungo, isso definitivamente não era um elogio. A risada grave do chapéu preencheu minha mente.

— Difícil… Há um certo desprezo pelas regras, acho, você me lembra alguém que selecionei há muito tempo, uma mente brilhante, uma determinação e ambição invejáveis… Uma astúcia e uma enorme vontade de se provar, de ser diferente, assim como você… Me diga, criança, entre Sonserina e Grifinória, há alguma que você prefira?

— Hã… Não, eu acho… Pelo que li em Hogwarts, uma história as duas são ótimas casas...

— Me diga então, qual é o seu maior desejo?

Franzi o cenho e, com um quê de sarcasmo na voz, perguntei: — Você pode ler minha mente, mas não consegue ver isso?

— Prefiro que me diga com suas palavras — ele respondeu com paciência.

Mordi a língua, pensativa. Depois de alguns segundos, sussurrei: — Não sei. Realmente não sei… Talvez Hogwarts possa me ajudar a descobrir o que preciso saber sobre mim.

— Sobre você?

— Sobre… Minha história — murmurei, insegura, constrangida por tocar em algo tão pessoal que eu até mesmo evitava pensar sobre.

— Entendo — ele disse, por fim, após um segundo de silêncio — Já me decidi, criança, mas antes de anunciar, acho válido um aviso: sobre sua estranha peculiaridade, poderá encontrar algumas respostas na biblioteca.

— O que você…

SONSERINA!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.