VICTORIANO — Sim, morenita, ele precisa entrar na gruta e sair algumas vezes, até descansar de novo.– sussurrou com ela já beijando seu peito e massageando num vai e vem que o levava ao delírio.

Inês chegou mais perto e beijando Victoriano, roçou sua intimidade molhada nele, queria provocar e ser amada. Roçou vendo que ele gemia, que fechava os olhos e abria porque ao mesmo tempo que queria desfrutar do prazer que o roçar lhe causava, também queria ver o corpo lindo dela sobre o seu.

INÊS — Me possui!– ela sussurrou.– Me possui com força, meu amor! – era um pedido de amor, era uma ordem de esposa que ele obedeceu com prazer, com muito prazer.

CINCO MESES DEPOIS:

Lá estava Inês, sorrindo com o teste de gravidez na mão para entregar a Victoriano. Desde que estavam juntos que ela queria dar a ele alegria de ser pai de novo. Não tomava os remédios desde então. Victoriano não pressionava, mas algumas vezes, Inês acordara com ele tocando sua barriga e fazendo carícias. Ele queria a ela mais que tudo, aquele amor por ela era mais forte que qualquer escolha que fizesse.

Naqueles cinco meses o namoro de Cony e Emiliano estava oficializado e feliz, os dois sempre que podia estavam passeando e se cuidando. Diana e Alejandro se encontravam fora da fazenda porque Victoriano não se agrava da presença do veterinário com sua filha, era sempre aquele ciúme de pai.

Cassandra namorava Eduardo as escondidas e mesmo que todos tentasse acertar quem era o seu amor, apenas Diana sabia. As três, como amigas que eram, estavam uma diante da outra sempre que precisavam.

E a vida seguiu cheia de surpresas e alegrias. Inês estava cada vez mais feliz ao lado de Victoriano. Tinha as alegrias de uma vida ali perto, ao toque de sua mão. Poucas coisas restavam para retirar a paz dela, apenas Loreto estava sempre ali, como algo que ela não podia esquecer. Ainda não havia contado ao filho que o pai estava vivo e sob ameaças de Loreto de contar toda verdade a Emiliano, Inês era sempre acuada por ele.

Naquela noite não foi diferente. O telefone tocou e Inês ouviu a voz de Loreto do outro lado da linha. No dia seguinte ele queria vê-la, queria conversar e estabelecer o modo como as coisas seguiriam. Loreto não se conformava com Inês estar casada com Victoriano e sentia ciúmes, raiva, tristeza.

Victoriano tinha descoberto que Débora tinha mentido sobre a gravidez depois de receber áudios contento as conversas dela e Elias, a quem ele estava indiciando por ter roubado dinheiro de sua empresa e em sua inocência, Victoriano não imaginava que Débora estava junto com ele no plano de desfalque.

Naquela noite, quando ele desejava apenas voltar para casa e beijar sua morenita, Victoriano recebeu uma ligação de Débora e foi até o apartamento onde ela vivia porque ela mentira dizendo que tinha sido enganada por Elias e que ajudaria Victoriano a destruí-lo com as provas que tinha.

Quando Victoriano chegou, aceitou apenas um copo com água e foi o suficiente para que o sonífero que nele continha o derrubasse. Desmaio sem perceber o que estava sendo tramado contra ele.

Elias e Débora o desnudaram e tiraram fotos de todo tipo dos dois nus. Vitoriano sobre Débora, Victoriano beijado por ela, Victoriano sob os lençóis e mesmo em posições que vendo as fotos seria impossível negar. Era como ter o registro verdadeiro de um encontro dos dois.

Por duas horas eles maquinaram e conseguiram criar o clima perfeito... As fotos não podiam ser contestadas, eram reais, não eram a realidade, mas eram reais.

Na fazenda todos estavam fora em um encontro de casais e apenas Inês aguardava seu amor chegar. Já passava das dez, estava esperando desde a as oito quando o filho e as consentidas tinham saído. Não quis ir com eles, embora tivessem insistido que poderiam avisar Victoriano pelo telefone.

Ela queria um momento só deles, um momento de comemoração do filho que tanto queriam, que tanto esperavam. Inês estava lá, com uma linda camisola branca, curta, com os cabelos soltos e lindos por ele. Queria ver no rosto dele refletida a felicidade de ser pai, mas sabia que poderia não ser de imediato.

Estavam brigados, como Victoriano queria que ela não falasse mais nenhuma palavra com Loreto, tinham brigado a quatro longos dias e ele a mantinha no gelo. Uma briga com palavras duras e verdades que Inês não gostava de dizer, mas eram necessárias para o equilíbrio de seu casamento.

Tinha visto Victoriano sofrer com essa distância por dias, deitado longe na cama, se movendo sem conseguir dormir por não estar aninhado a ela. Dois dias antes, a coisa se complicara porque vira, sem querer no celular dele ligações de Débora e mais uma vez tinham discutido. Inês sempre mostrava a ele que o que cobrava dela deveria ser uma regra para ela também...

Sofria ao deitar-se ao lado dela e não poder tocá-la. Inês também não queria se desculpar porque Victoriano tinha que ser compreensivo com seu problema e conservava tantas ligações daquele víbora que ela odiava.

Inês amava Emiliano mais que tudo e somente por isso se mantinha em contato com Loreto, impedindo que ele dissesse a verdade a seu filho. Queria sempre contar, mas imaginar o sofrimento que causaria a ele era terrível. Uma mãe não quer ver o filho sofrer.

Victoriano sentia o perigo com aquela cercania dos dois e mais do que apenas o ciúme que ele tinha dela, rasgado, declarado aos quatro ventos, tinha medo que Loreto voltasse a lastimar seu amor. Como o marido não tinha sabido se expressar, Inês entendia que era apenas falta de confiança dele com ela, que deveria saber que ela nunca o trocaria por ninguém.

O quarto estava cheio de flores e champanhe aguardando por ele, com ela sorrindo, para pedir desculpas com um bebê que só daria alegria aos dois. E assim, Inês andou pelo quarto, ligou para ele várias vezes, mas o telefone estava desligado. Ela mudava de posição, sentando-se cada hora em uma parte da cama, do sofá do quarto, depois foi a cozinha e as horas passando...

O dia amanheceu com Inês adormecendo somente as quatro da manhã. Os olhos dela estavam inchados de chorar e esperar por ele, vencida pelo cansaço, quando adormeceu, estava tão furiosa que se ele chegasse, ela investiria sobre ele com ódio, destruindo qualquer possibilidade de desculpas da parte dele.

LONGE DALI:

Victoriano sentiu o perfume de mulher próximo a ele e sorrindo abraçou o corpo beijando ainda de olhos fechados. Amava Inês e por fim ela o tinha perdoado porque sentia a pele nua dela colada a seu corpo naquela cama.

VICTORIANO — Hummm, morenita, bom dia...– o coração cheio de ternura ela agarrou e abriu os olhos.

Quando viu os cabelos vermelhos, não pretos como ele amava e sabia serem os de sua mulher, Victoriano saltou da cama em desespero. O que estava acontecendo? O que?

DÉBORA — Bom dia, meu amor!– ela sorriu mostrando o corpo nu e fazendo Victoriano se desesperar sem entender o que tinha acontecido.– Vem fazer mais amorzinho gostoso comigo, vem, Vitinho...

VICTORIANO — O que você fez? O que eu fiz!– ele segurava o lençol desesperado.

DÉBORA— O que fizemos?– riu dele de modo debochado.– Meu amor, como assim o que fizemos, você foi selvagem, você foi maravilhoso e foi isso que fizemos, amor! Você veio falar comigo e se lembrou que me ama!

VICTORIANO — Eu não te amo, eu amo Inês! Inês!– falou pegando suas roupas e correndo ao banheiro.

Desesperado Victoriano se vestiu, estava com a cabeça doendo, não se lembrava de nada, não conseguia se lembrar. Olhou o relógio desesperado, já passava das sete, Inês estaria em desespero sem saber dele.

Se vestiu e saiu de lá com suas coisas, abotoando a camisa e sem ouvir nem mais uma palavra de Débora. Tinha o coração na boca, o que faria? Se contasse a Inês ela não o perdoaria, se não contasse Débora daria um jeito de fazer. Sentiu o coração a mil, quis morrer, maldita hora que tinha ido naquela casa.

Ele não queria outra mulher, mas como Inês iria acreditar, estavam brigados e ela diria que ele tinha feito por vingança. Dirigiu como um louco, quando estava quase chegando em casa sentiu uma dor tão forte que achou que estava enfartando, era desespero.

Quando parou o carro sentiu os olhos ficarem turvos. Tossiu e entrou desesperado. Foi direto ao quarto onde Inês, sentada na cama o aguardava, os olhos chorosos, as mãos segurando o porta retrato deles, uma linda foto deles.

INÊS — Onde vocês estava?– a voz dela era fria e seus olhos estavam cheios de lágrimas.– Onde você dormiu, Victoriano?

Inês estava perguntando, mas tinham medo de ouvir a respostas. Queria que ele contasse algo mentiroso, que desse uma desculpa esfarrapada que não a obrigasse a ser algo que não queria.

VICTORIANO — Inês...– ele engasgou e se aproximou dela.

Inês farejou como um animal e ficando de pé o cheirou. Os olhos enxeram de lágrimas e ela identificou na hora.

INÊS — Você estava com a víbora, Victoriano, você me traiu!– ela falou com raiva dele se afastando com o coração desesperado. Sem saber o que fazer, Inês arremessou o porta retrato na parede e o olhou.

VICTORIANO — Inês, meu amor, me perdoa, eu não sei o que aconteceu, eu não me lembro...– Victoriano chorava tanto que não conseguia falar.

Ele foi até ela e a abraçou com desespero. Inês soltou-se dele e lhe empurrou com força soluçando.

INÊS — Sai daqui, Victoriano! Sai! Sai daqui e me deixa em paz!– gritava andando no quarto em desespero total.

VICTORIANO — Morenita, por favor, conversa comigo, não fica assim...– ele ajoelhou-se no chão desesperado, não podia perder Inês de novo, não podia viver sem ela. Tudo que mais amava na vida depois de suas filhas era Inês.

INÊS — Sai!– ela o enfrentou violenta gritando com o rosto completamente envermelhado.– O nosso casamento acabou!