Finlândia. Muitos anos atrás...

Quem andasse naqueles dias pelo vilarejo, diria que fora dizimado, ou algo do tipo, de qualquer forma, ninguém se encontrava pelas ruas cheias de neve. As vezes daria para se ver alguém espreitando pela janela, só se via os olhos, curiosos, procurando ver quem estava passando por lá, mas logo se escondia, quando percebia que de fato tinha alguém lá, mas não era qualquer um.
Estavam passando por ali, pelo menos dez cavalos, magníficos, todos bem tratados, pelagem fina e impecável. Sobre eles, estavam dez cavaleiros, e no cavalo da frente, o que guiava o grupo, tinha um cavaleiro com uma garotinha de cabelos tão negros que seria impossível perdê-la na imensidão de neve que os cercava, era a décima primeira cavaleira naquele lugar. Seus olhos azuis claríssimos, examinavam cada detalhe do vilarejo. Não era permitida a presença dela em excursões, porém naquele dia, fora levada, somente ela poderia dizer onde estava o que os cavaleiros vieram procurar.
Mais cedo, a menina que descobri depois se chamar Agnes Ravanneli Lambertini, era filha do Rei, avistou um cesto de palha, era grande e fundo. Com a chegada da primavera, passava por ali procurando flores, quando avistou o tal cesto e olhando para dentro, viu três cachorrinhos todos tão negros quanto seu cabelo, aninhados juntos, mantendo-se uns aos outros aquecidos. Ela tentou levantar o cesto, porém o peso era grande, conseguiu nem mover-lo. Voltou correndo para o castelo, e lá implorou para sua mãe, Valquíria Ravanneli, resgatar os pobres cachorrinhos. No começo a mãe brigou com a menina, por ir tão longe dos muros do castelo, mas depois se sensibilizou com a insistência da filha em salvar os cachorrinhos. Assim ela mandou os dez cavaleiros, em guarda para Agnes, resgatar os bichinhos.
Chegando no local, o cesto ainda estava lá, com três cachorrinhos choramingando baixinho. O cavaleiro que guiava o grupo desceu do cavalo impecável, em seguida pegou a menina no colo e a colocou no chão. Os dois foram ver os animaizinhos no cesto. O cavaleiro quando botou-lhe os olhos, sorriu.
— Oh, pequena Agnes! — exclamou, dando uma risadinha — Não são cachorrinhos. Olhe. — ele pegou um dos bichinhos, e levantou para Agnes ver mais de perto. — São filhotes de lobo.
A menina que estava aninhada com o filhote nos braços, acariciando-lhe, ao ouvir o que o cavaleiro dissera, deu-o para ele segurar, aflita.
— Lobos são perigosos, mamãe me disse! Solte-o cavaleiro, solte-o!
O cavaleiro devolveu o filhote ao cesto. E o pegou nos braços. Os nós dos dedos vermelhos pelo peso.
— Você mesma pediu para que viéssemos princesa. Creio que se os deixarmos aqui irão morrer de fome. Não quer que isso aconteça não é?
Agnes olhou para o cesto e ponderou. Não queria que os filhotes morressem. Muito menos por causa dela. Decidiu que seus pais diriam o que fazer. Mas, olhando mais atentamente os filhotes dentro do cesto, percebeu que eram inofensivos. Dormiam tão tranquilamente que suspeitou se eram mesmo filhotes de lobo. O menorzinho deles estava com a cabeça apoiada nas patas traseiras do maior, a patinha da frente dando golpes involuntários no ar enquanto dormia.
Eles seguiram para o castelo. Quando chegaram, foi um alvoroço só. Agnes queria mostrar os pequenos para seus amigos da côrte, logo os bebês lobos acordaram, mostrando seus olhos dourados, e logo em seguida ganindo, estavam com fome ou assustados demais com tantos humanos tocando eles.
— Ah, os cachorrinhos chegaram. — Rainha Valquíria entrou no salão, com tanto barulho ela escutara de seu quarto.
— Não são cachorrinhos mamãe! São filhotes de lobo. Mas não são perigosos, olhe, Norberto está com um no colo.
Norberto era filho de uma das damas de honra. Tinha olhos castanhos e cabelos muito vermelhos. Estava com um dos filhotes nos braços, parecia cantar uma música de ninar, tentando acalmar o desesperado bichinho que tentava a todo custo fugir de seu colo.
— São pequenos ainda, querida. Logo vão crescer e, serão perigosos.
O choro da menina foi maior do que o dos filhotes. Durante dias ela tentou convencer seus pais a deixarem ela ficar com os lobos. Eles mantiveram sua decisão, firmes de que não deixariam os filhotes sob o mesmo teto que sua filha. Mas Agnes não deixaria que os filhotes fossem levados para a floresta. "E se eles não acharem a mamãe deles?" Insistira tanto que Álvaro, o rei, permitiu que a menina ficasse com um lobo. Mas somente um.
— Não é justo com os outros dois!
— Um ou nenhum, Agnes. Escolha. — o rei estava farto de tanta perturbação da menina, há dias não dava sossego. Daria o que a filha pediu. — Ele será treinado, e domesticado.
A menina escolheu o menor dos três. "Ele teria menos chance de vida na floresta". Olhou para o pequeno e ele olhou-a de volta. Por uns instantes ficaram trocando olhares silenciosos. Dera-o o nome de Lumi, "Porque encontrei-o na neve". Os outros filhotes foram soltos na floresta depois de mais crescidos. E assim nunca mais se ouviu falar dos outros dois lobinhos.
Lumi cresceu rapidamente, e conforme o planejado, fora treinado e educado para nunca, jamais machucar a princesa herdeira do trono, se tornando um amigo fiel da menina. Logo Agnes também cresceu. E seus cabelos negros e suas vestimentas totalmente negras quase sempre era confundida com a pelagem igualmente negra de Lumi, os dois correndo pelos corredores do castelo, camuflando um ao outro.

Notas finais
Agradeceria muito se você comentasse aqui em baixo. Já sabe, incentiva e tudo mais. Favorite se gostou e compartilha com os amigos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.