Lástia: Volume 1
4 Capítulo 4: O Último suspiro da Alma.
LÁSTIA – Episódio 4
Seu cavalo parou naquele momento. Ele estava cansado e estava com sede. Fome também pode ser a palavra certa a ser aplicada naquele animal. Romulo teve piedade de seu amigo e desmontou dele. Romulo também não conseguia continuar. Sua mente estava remotamente cheia de coisas que poderiam dar a ele um derrame. Por isso, deitou debaixo de uma árvore coberta de folhas alaranjadas e repousou. Não conseguiria ter forças o suficiente para lidar com a Rainha do Norte se não dormisse. Na verdade, para lidar com ela. Acho que ele nunca conseguiria ter forças o suficiente.
{...}
Seus sonhos estavam nebulosos. Não conseguia pensar direito. Estava... em seu castelo. Estava deitado ao lado dela. Rachel. Da mulher que ele mais amava em toda a sua vida.
Ela virou-se para cima e ainda de olhos fechados disse:
— Eu te amo.
Romulo estava do lado direito de Rachel naquela cama. No entanto, ela não havia dito pra ele. Havia dito para outra pessoa que estava do lado esquerdo. Naquele mesmo momento, Romulo escorou-se na cama e viu do outro lado... ele. Seu irmão.
— Eu também te amo, querida.
Os dois então começaram a se beijarem e a se agarrarem debaixo dos cobertores. O coração de Romulo bateu forte naquele momento. Enquanto Rachel o abraçava, o irmão de Romulo, Jason, olhou para ele e sorriu maleficamente. Então, ele disse:
— Você não conseguiu me matar, irmão. Não. Ao contrário. Você apenas me deu mais forças para te banir do castelo.
Rachel então olhou para ele e gargalhou. Em seguida, Romulo sentiu um puxão o pegar pela alma. Quando ele piscou novamente, ele já estava dentro de um lugar asqueroso e horrível. Estava sentindo cheiro de fezes de animais e de seres-humanos. Não conseguia suportar aquilo. Olhou para o teto e viu morcegos cobrir a luz daquele muquifo. Estava na casa de um plebeu. Estava em Brilandia.
Quando virou-se para o lado, foi surpreendido por um corpo intacto e morto. O corpo já estava apodrecendo. O cheiro ficou mais forte naquele local. Se levantou rapidamente, e então tentou sair daquela casa. No entanto, era impossível. Quando olhou para os pés, eles estavam presos a uma corrente.
— Você! você nos deixou na miséria! – Disse uma mulher que após de falar essas palavras, deu nele uma facada. Romulo gritou e caiu no chão naquele instante. – Você irá se juntar a ele! Irá se juntar ao meu filho!
No mesmo instante, apareceu ele. Seu irmão, Jason. Ele não o deixava em paz. Na verdade, como deixaria? Romulo havia o matado, noite antes de sua coroação com uma facada no meio do peito. Romulo havia armado o assassinato. Tudo isso porquê Romulo não suportava não ser o Rei de Brilandia. Mas como ele poderia? Jason era o primogênito. Não ele. Por isso, Romulo se certificou que Jason não atrapalhasse seus planos. E quais eram seus planos? Rachel. Romulo amava Rachel e seu irmão iria se casar com ela. Por esse motivo, irado, Romulo queria tudo o que achava que era seu por direito. Queria o amor de Rachel, e o reino inteiro para si.
— Seu idiota desgraçado! – Jason o pegou pelo pescoço. – Como pôde fazer aquilo comigo? Uh? Como pôde!!!
— Me desculpe... eu... eu não queria!!
— Queria sim. Sim, você queria! Você queria ela. Queria Rachel. Mas saiba de uma coisa, Romulo. Ela nunca te amou. Ela tem nojo de você. Ela tem nojo quando você toca ela. Me entendeu?
— Pare com isso!!!!
Naquele momento, Romulo estava no alto de uma colina. Ele tinha a vista para todo o reino de Brilandia. Conseguia ver a pobreza em toda a parte. Ulisses agora estava ao seu lado. Romulo tentava não encarar na cena que veria, mas era impossível.
— Veja, Romulo! – Disse Ulisses. Ele estava montado sobre um cavalo negro. – Veja no que Brilandia se tornou por sua causa.
Lágrimas começaram a descer do rosto de Romulo. A culpa já havia o pegado em cheio. Ele se arrependia no fundo. Os anos de pobreza e miséria havia lhe ensinado a ser uma pessoa melhor. Especialmente depois da maldita praga que havia se espalhado por toda Lástia. Ele viu a morte nos olhos. E por que? Porquê ele havia a pegado. No entanto, havia se curado. Mas o mais profundo foi ver a morte de seu filho. O seu primogênito. Symon. Um jovem príncipe que completaria em breve dezesseis anos. Naquele momento, o destino havia mostrado para Romulo como ele foi cruel. Ele achava que havia pagado com a mesma moeda. No entanto, ele estava enganado. Não havia começado a pagar realmente. Aquele sonho, aquele pesadelo... era o menor de seus problemas. Era um eufemismo comparado a sua realidade que era dez mil vezes pior. Porquê o derramamento de sangue seria real. E iria começar em breve.
{...}
Ele então acordou. Acordou com o seu coração batendo rapidamente. Ele tinha certeza que morreria se ele não se acalmasse. No entanto, sua ansiedade ficaria ainda mais pior. A luz que havia no céu já não estava mais lá. As nuvens negras já haviam cobrido tudo. A floresta agora estava um breu.
Romulo então não viu seu cavalo em nenhum lugar. No entanto, viu uma névoa branca. Sim. No meio daquela escuridão, havia visto uma névoa brilhante e era totalmente branca. A névoa o guiava para a floresta adentro. Ele estava com medo de ir até porquê, sabia quem era. Era ela. Aquela que havia matado para ele o seu irmão, aquela que havia lhe amado desde o primeiro momento que havia o visto. Aquela que havia lhe tornado... o rei de Brilandia. E também era aquela que foi usada e banida por ele para cá. Para as terras do Norte. Seu nome era...
— Rainha do Norte! Sim! este é o meu nome! – Romulo havia se assustado quando ouviu aquela extrema voz.
Naquele momento, aquela névoa havia o cercado. A sua respiração parou. Ela estava o matando naquele momento. Naquele momento, ele havia visto o seu rosto.
— Como ousa voltar aqui?
Ele não conseguia respirar direito.
— Eu... preciso de sua ajuda!!! Por favor!!!
— Você sabe o que você fez, não sabe? – Ela o sufocou mais ainda. – Você me prometeu o trono de Brilandia. Disse que se eu matasse o seu irmão, você iria fazer-me a sua rainha. Que eu iria ser sua. Você me prometeu o amor, seu idiota!!! Mas em vez disso... você me traiu. Após pegar o trono de Brilandia, você me denunciou e me exilou nessa droga de lugar. Me exilou no norte. Sabe quem eu sou? Eu sou a Rainha do Norte. A rainha que nunca teve um trono. Agora... terá finalmente! Eu sei o que está acontecendo. Eu sei o que Ulisses fez com Brilandia. Ele poupou anos de meu esforço.
— Por favor, tenha misericórdia de mim!!!
— Dê adeus as suas lembranças, Romulo. Dê adeus a sua vida. Pois ela não vai mais existir. Eu finalmente consegui colocar minhas mãos em você. Agora, eu não irei te deixar ir novamente embora. Não irei!!!
— Por favor!!!
Ela então o beijou. O beijou fortemente. Naquele momento, Romulo havia morrido com o veneno da alma. Sim. A Rainha do Norte havia o matado internamente. As suas sombras havia o possuído totalmente. Naquele momento, ele estava morto. No entanto, ainda respirava e ainda pensava. Mas agora apenas a suas ordens e ao seu comando.
Fale com o autor