Lápis e Pincéis
2 1 - O tal pintor
Notas iniciais
Quero agradecer pelos reviews também, todos tão fofos, obrigada mesmo, eles são inspiradores *------------*
Mas, sem delongas...
Boa Leitura e até o próximo.
Como eu posso saber quando é amor
Eu não posso te dizer mas isso dura para sempre
Como se sente quando é amor
É algo que só se sente junto
Quando é amor
Van Halen – When It’s Love
Kouyou dirigia atento pela deserta estrada que saía de Tóquio. Dos dois lados havia apenas árvores, uma linda visão, se querem saber. O arquiteto tomava goles de café para se manter bem desperto, pois, sabia que ainda teria no mínimo mais três horas de viagem.
No entanto, a linda visão da madrugada ocupava sua mente mais do que qualquer outra coisa e Kouyou só se importava com ela. O céu estava num tom marinho e as estrelas eram lindos pontos de luz que davam a extensão um lindo acabamento.
E Kouyou tinha de admitir que aquela era a melhor parte de sua viagem. Só a visão que tinha já valia mais do que qualquer outra coisa, excetuando, claro, a parte do merecido descanso do arquiteto, que era sem dúvida nenhuma o objetivo dele.
Por um momento lembrou do tal pedido de seu chefe e já estava achando um porre ter que procurar o tal pintor. Poderia ser qualquer outro, certo?
Bem, ele sabia que não, de alguma forma. Mas, aquilo também era irrelevante, depois ele procuraria saber sobre o tal homem, que, até o momento não tinha nem se dado ao luxo de ver o nome. Claro que com toda essa boa vontade era notável sua preocupação com aquilo, certo?
Assim divagando, Kouyou continuou dirigindo por mais um tempo até notar a entrada da cidade, logo que o sol começou a surgir no horizonte e colorir o céu com seu tom berrante. O arquiteto resolveu colocar o óculos de sol e assim que adentrou a estrada de asfalto diferenciado da cidade foi até a pequena empresa que alugava as cabanas ao redor dos lagos.
- Fechado, ótimo.
Kouyou soltou um muxoxo e voltou para seu carro, procurando uma padaria mais próxima para poder tomar café. Por sorte já havia um pequeno estabelecimento aberto e o arquiteto estacionou numa das vagas, dirigindo-se para dentro do local em seguida.
Era um lugar pequeno, sem muitos atrativos. De frente para a entrada do local havia o caixa, cheio de estantes com pequenos nichos abrigando desde cigarros até doces e outras guloseimas. Do lado direito do caixa, para quem via assim que adentrava o lugar, havia uma grande janela e algumas cadeiras empilhadas, assim como uma jukebox, que dava um ar retro o lugar.
Do lado esquerdo havia um grande balcão com os atendentes, e de frente pra ele ficavam algumas mesas. Ao fundo havia os banheiros, e um outro pequeno balcão para comprar pão ficava perto da última mesa.
Tudo era em tom marrom, exceto por alguns detalhes, e Kouyou imaginou que seria assim mesmo, justamente por ser uma cidade pequena e que talvez quisesse mesmo passar esse ar mais antigo.
E bem, como teria que esperar, o arquiteto se sentou numa das mesas e logo uma atendente lhe trouxe um cardápio.
- Bom-dia, senhor, o que deseja?
Enquanto a moça retirava um bolinho com as comandas do bolso do avental, Kouyou fitou as folhas em tom amarelo queimado do cardápio, procurando o que comer. Não se demorou muito escolhendo e assim que pediu a atendente se retirou, indo até a copa e entregando para um dos balconistas.
Enquanto esperava, o arquiteto fitou pela janela a seu lado a rua. O ambiente calmo e tranqüilo assim como ele realmente tinha desejado. Mal poderia esperar pelo ar fresco e puro que suas narinas sugariam quando estivesse finalmente na cabana que havia alugado. E ele poderia passar horas a fio pensando como seria sentir a natureza em sua pele se não quisesse também viver aquilo.
Claro que teria que esperar até dez horas até que a tal empresa abrisse, então demorou o máximo que conseguiu tomando café, saindo da tal padaria às nove e meia. Aproveitou e comprou duas barrinhas pequenas de chocolate ao leite e foi comendo enquanto dirigia-se até a rua da empresa.
Por sorte chegou dez horas e o local estava começando a abrir. Permaneceu ainda alguns minutos no carro enquanto pegava os documentos necessários para locar de vez a cabana. Graças a isso deu tempo para que os funcionários se organizassem direito, e melhor que isso, foi o primeiro a chegar.
Adentrou o local e se dirigiu ao primeiro guichê, sentando-se na cadeira que havia de frente para a atendente.
- Bom-dia senhor.
- Bom-dia.
Kouyou sorriu fechado e entregou os documentos para a atendente conferir. Ela o fazia com maestria, conferindo dados no computador e nas folhas que de certa forma pareciam intermináveis. Fitou ainda com precisão os dados da cabana, e poucos minutos depois entregou uma espécie de recibo ao arquiteto.
- Ao fim desse corredor ao lado há duas portas. Entre na porta 1 e vá no guichê 10.
- Obrigado.
Kouyou levantou-se e foi até a tal porta, dirigindo-se ao guichê marcado.
- Takashima Kouyou?
- Sim. – Disse, entregando o papel para o homem, que examinou minuciosamente, pegando um chaveiro que compunha duas chaves de um painel coberto com veludo verde escuro.
- Aproveite a sua estadia. – O homem entregou a chave para o arquiteto, que sorriu amavelmente.
E apesar de estar focado em suas férias, Kouyou lembrou-se do tal pintor e pegou o papel em sua mão entregando ao homem.
- Sabe onde posso encontrar essa pessoa?
- Oh, o Shiroyama-san. Há essa hora ele deve estar tomando café em sua padaria preferida.
O homem disse o nome da padaria e Kouyou constatou que era aonde ele havia tomado café. Agradeceu novamente e saiu correndo do local onde se encontrava, adentrando seu carro e dirigindo-se de volta para a padaria.
Durante aquela uma hora que Kouyou esteve fora o lugar praticamente dobrou de pessoas. Como ele não sabia quem era o tal Shiroyama, foi até o caixa e estendeu o papel para a moça que lhe indicou a última mesa. Kouyou agradeceu e foi até lá, encontrando um homem sentado de costas para a entrada da padaria, cabelos abaixo dos ombros e negros, e uma espécie de blazer preto com texturas em dourado bem finas.
O arquiteto respirou fundo e andou até a frente da mesa, quando o homem ergueu a cabeça e o fitou, os olhos se encontrando no primeiro momento e praticamente dizendo tudo, mesmo que eles nem soubessem o nome do outro.
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