Lápis Verde

1 Capítulo 1 - Freedom


Notas iniciais
"Senta, que lá vem a história..." (RA TIM BUM, Castelo) não resisti hehe

Comentem e critiquem no final, vão fazer uma autora muito feliz :D

Rafael estava parado em frente a nova escola. Ele estava inseguro, porém animado. Aquele sentimento novo emanava dele... Recomeçar. Era o que pensava. Posso recomeçar, ser quem eu quiser aqui. Um sorriso leve e aliviado brotou em seu rosto enquanto lembrava como era bom sair de sua antiga cidade. Não que ele não gostasse de lá, Pedra Bela era pequena, mas aconchegante.

O problema era que com dezoito anos nas costas, Rafael já tinha todo seu futuro planejado, não só por seus pais, mas pela cidade inteira. Quando se há só 6.000 habitantes na cidade, todos o conhecem e acham no direito de opinar na sua vida.

Veja bem, a mãe de Rafael era Cirurgiã Chefe do único hospital da cidade e todos já o consideravam como o próximo cirurgião da família. Rafael se sentia muito pressionado por todos e a gota d'água veio quando seu pai queria que ele se juntasse com a filha do prefeito, Mariane, para ter uma família influente, poderosa. Rafael não queria nenhum relacionamento sério e muito menos forçado. Não queria ser médico, nem sequer sabia se queria fazer faculdade. Também não queria ter que atender as expectativas de ninguém e foram esses motivos que o fizeram chegar ali, na cidade grande. Apenas com a cara, a coragem e o dinheiro que seus avós depositavam em sua poupança para quando completasse seus dezoito anos, somado a economia de seus empregos de meio período que Rafael estava guardando para comprar um carro — um plano agora engavetado.

Foi numa quarta feira a noite, na mesa de jantar que Rafael tomou sua decisão, no momento em que seu pai sugeriu o acordo entre as famílias. Ele não falou nada, apenas planejou a viagem, juntou suas melhores vestes e seus objetos pessoais de estima numa pequena mala. Agora que tomou a decisão queria sair de lá o mais rápido possível. Se encontrasse muito com seus pais, ou com Anabeth, sua irmãzinha mais nova, era capaz de desistir. Amava demais aquela família e sabia que ia doer deixá-los, mas precisava. Rafael desejava ser apenas ele por um momento, desejava descobrir-se. Sempre tentou agradar a todos da melhor maneira possível, um dos motivos para se sentir muito pressionado pela família para se casar e fazer medicina. No meio disso tudo ele percebeu que se perdeu. Não sabia mais do que gostava, do que queria de sua vida. Viu, olhando para trás, a vida de um estranho, um ator. Uma pessoa boa, mas que não era feliz.

Sua passagem, marcada para sexta-feira, antes do amanhecer, marcava o inicio da busca de seu espírito. E foi isso que escreveu no bilhete que deixou a sua família. Rafael sabia que não poderia se despedir deles, seria sofrimento demais. Deixou também junto a carta, o estetoscópio de brinquedo que sua mãe lhe dera quando criança, não queria partir já com rótulos da pessoa que queriam que ele fosse. Pediu também para que a família não o procurasse e assegurou que ele iria enviar cartas contando como estava sempre que pudesse. Seu último pedido foi que cuidassem bem de Anabeth e que não deixassem que ela ficasse mimada demais com ele fora. Apesar do desespero da mãe de Rafael quando leu a carta mais tarde, pode sorrir com a preocupação e amor do filho para com sua irmã.

Nesse momento, parado em frente a escola que Mariane o recomendou — sim, eles eram amigos apesar de tudo e ela, a única que Rafael tinha confiado contar sobre seu plano, visitava muitas cidades grandes com seus pais e conhecia a região — ele questionou se estava fazendo a escolha certa. Mas agora já era tarde demais.

Estavam em meados de novembro e o ano escolar em Pedra Bela já tinha terminado. Pela movimentação da escola viu que o ano escolar ainda continuava ali. Sua vontade era simples, queria cursar o terceiro ano novamente, porque sabia da diferença de qualidade do ensino do interior para a cidade grande e ele apreciava conhecer as coisas, estudar e ler eram seus passatempos preferidos.

Como não tinha ideia do que queria para o seu futuro, optou por estudar e achar um emprego de meio período enquanto decidia a carreira que deveria seguir.

-EI! VAI FICAR PARADO AI ATÉ QUANDO? — Rafael foi tirado de seus devaneios quando sentiu uma bola de vôlei atingindo seu peito. — O dono da frase agora ia em direção a Rafael. Ele notou que era um cara bem forte, moreno de cabelos curtos e bagunçados. Cicatrizes nos braços denunciavam que talvez fosse perigoso.

-E ai? — O adolescente riu enquanto esticava a mão com a intenção de cumprimentá-lo. Rafael estendeu a sua também. — Espero que não tenha te machucado — riu novamente — Você não é daqui, é? — Rafael percebeu a tranquilidade que aquela pessoa conversava com ele, sentiu um pouco de inveja.

-N-não. — levou as mãos a nuca para coça-la involuntariamente, acanhado. — Como você sabe? Ah, me chamo Rafael — se apresentou.

-Sou Matt e eu meio que conheço a galera toda — ele riu de novo. Matt tinha o hábito de rir sem parar. — O que você veio fazer aqui logo em novembro, cara? As aulas estão para acabar... Só ano que vem, agora. — Rafael já tinha previsto isso.

-Quero garantir minha matrícula para o ano que vem e também estava com a esperança de que alguém me indicasse um apartamento simples e barato que eu possa alugar aqui perto. Cheguei hoje, na verdade. — Rafael admitiu.

Nesse momento eles ouviram gritos de pessoas frustradas com a demora de Matt para buscar a bola. Rafael notou que a classe de Matt estava no meio de uma aula de Educação Física.

-Cara, espere aqui — Matt pegou a bola que estava caída no chão — A aula já vai terminar e você pode almoçar comigo e meus amigos. Eles conhecem alguns lugares.

Rafael ficou feliz em conhecer aquele que talvez fosse seu primeiro amigo na cidade. Sempre teve medo de ser muito diferente para se relacionar com as pessoas dali. Enquanto Rafael esperava, notou a estrutura do colégio pela primeira vez. Aquele lugar tinha, facilmente, o triplo do tamanho de sua antiga escola. Sorriu.

Talvez ele não tivesse tomado a decisão errada, afinal.

Notas finais
Estou muito ansiosa para saber a opinião de vocês. Tenho certo anseio de postar originais.... ME CONTEM, POR FAVOR

Se pedirem mais eu posto!

Beijo ;*