A praia noturna é linda.
Aqui eu pertenço a ela,
mas não sei disso ainda.

Sentei-me ao mar com ela.
Conversar por enquanto.
A brisa soprou encanto.

Eu soprei feitiço.
Não que eu seja um encantador,
não sou disso,
mas há certo charme no sumiço,
e eu sou mestre nisso.

Levantei-me, era hora de ir embora
não que eu também tenha hora,
mas se a hora nunca é agora,
o momento é quem vigora.

A areia sensível atrapalhava-me o movimento.
Quanto mais rápido, mais lento.

A floresta do entorno rosnava se eu a entrasse.
Ela queria que eu não a deixasse,
que voltasse e que a mimasse.

A praia noturna é linda, mas não estou contente.
Eu pertenço ao nascente.