Notas iniciais
Hola, mis amigos o/ Aqui um capítulo para vocês :) E S P E R O Q U E G O S T E M *u* ~~Boa Leitura~~

"Quanto mais alto me elevo, mais baixo afundarei

Não posso afogar meus demônios, eles sabem nadar".

— Bring Me The Horizon, Can You Feel My Heart?

Desperto com o som irritante do meu despertador. Laurent o colocou no modo mais irritante possível para poder me acordar de meu sono de pedra. Deitada, tateio meu criando-mudo em busca do bendito despertador de chiados altos. Não o acho e acabo sentando e abrindo meus olhos sonolentos para desligar o bendito, e ainda com sono graças a noite mal-dormida por ter ficado mexendo no celular — admito, sou uma viciada — deito novamente, mas minha responsabilidade fajuta cutuca minha mente e me impede de permanecer com os olhos fechados. O que não me impede de permanecer deitada na cama, exausta.

Escuto a porta abrir. Não me movo.

— Acorda! Acorda! — escuto a voz de Martin, seguidas de palminhas para facilitar a operação "Acordar Constance".

— Estou acordada. — murmuro baixinho, com a cara escondida no travesseiro. Minha voz se arrasta pela garganta.

— Ótimo! Levante, vista o uniforme, e corra para tomar seu café da manhã! E esse despertador novo é uma maravilha! Conseguiu até despertar a mim e Laurent!

Viro-me lentamente para Martin, que faz careta ao ver meu rosto de sono.

— Ele deve ter odiado, não é?

— Com certeza. Ele já está querendo martelar o seu despertador, o que não vai acontecer porque eu não vou deixar. Mas isso não vem ao caso. Menos papo, mais arrumação.

E com isso Martin sai pela porta do meu quarto. NÃO, CONSTANCE! Ele saiu pela janela! Que estupidez!, penso.

Alguns fatos importantes:

1- Eu não chamo Martin e Laurent de pais, chamo-os apenas pelo nome.

2- A relação deles é um pouco complexa. Apesar de serem um relacionamento entre dois homens, há uma quase representação de um casal normal. Martin, age, pensa e fala como uma mulher. E Laurent? Muitos nem desconfiavam que ele fosse homossexual.

3- Laurent sempre usa palavras no masculino para se referir a Martin e vice-versa, apesar de Martin só usar o feminino para referir-se a si mesmo.

Depois de vestir-me com o uniforme do SCC — Santa Clare College — que é basicamente uma saia azul que vai até os joelhos — apesar de algumas garotas subirem um pouco essa saia — uma blusa branca e um tênis preto ou branco que em meu caso, optei por um all-star preto; fui direto para a cozinha onde Martin e Laurent conversavam animadamente.

— Bom dia. — digo, cumprimentando-os com um beijo na bochecha.

— Querida, chegou na hora certa! Estávamos planejando sair esse final de semana e ir para a praia!

Olho de Martin para Laurent que revira os olhos me fazendo rir.

— É... Bem, eu tenho trabalho no Rise Cafe finais de semana.

— Sabemos disso, anjo. Acontece que Martin acordou com um sentimento de culpa falando histérico que estávamos traumatizando você por nunca termos levado você a praia e por isso quer que você pegue uma folga e venha com a gente. Estamos traumatizando você, querida?

Dou uma leve risada da situação, pego um suco de uva e sento-me na cadeira, respondendo logo depois de bebericar meu suco.

— Um, esse suco está maravilhoso; e dois, vocês me traumatizando? Nunca. E o que vocês não me levaram a praia compensaram em museus e teatros, e nunca gostei tanto assim de praia porque sempre volto mais vermelha que sei-lá-o-que.

Laurent ri e Martin me olha preocupado.

— Por favor, pega uma folga! Você quase não para em casa...

— Tudo bem, eu vou tentar.

Depois de me aprontar, prendo meus cabelos ruivos levemente ondulados que chegavam até metade de minhas costas em um rabo-de-cavalo e saio de casa, despedindo-me antes de meus pais. Coloco os fones de ouvido e ao som de Yesterday, The Beatles, pedalo com minha bicicleta até a escola.

A rua neste horário não é muito movimentada, mas ainda sim, perigosa. Moro em um lugar bem entrevado, onde há muitas drogas, furtos e arrastões, mas graças a Deus nada aconteceu comigo nunca.

Cheguei em menos de vinte minutos até o meu inferno particular. Os portões de ferro, estavam a espera de mais alguns alunos atrasados. Passo pelo portão, e estaciono a bicicleta em um lugar adequado, para logo em seguida correr para o lado de dentro do grande colégio. O lado de fora era basicamente uma ruazinha que em meio ao seu trajeto, se divide em duas em uma forma circular, e em seu meio uma estátua do primeiro dono do colégio, que já estava morto a mais de quinze anos. O resto era área gramada.

Dentro do prédio central do colégio, era onde ficavam as salas de aula, do fundamental ao ensino médio. Tudo era muito grande e exagerado. Caminho em direção a sala Edgar A. Poe. Todas as salas de SCC recebiam o nome de um grande escritor, ou de pessoas que mudaram o mundo. Chego lá, interrompendo a aula de Francês da professora Bianca Belmont, que me lança um olhar mortal, cruzando os braços até eu em passos largos, atravessar a sala e sentar em meu lugar marcado, segunda carteira, três fileiras distante da porta, ao lado da janela que tinha vista para um parquinho onde a tarde várias criancinhas brincavam a tarde.

Apesar de eu ter um pai que fala francês fluentemente, eu não chego nem perto de ser uma das melhores alunas na disciplina. E acho que é por isso que a Senhora Belmont me odeia, fora a frustração de ela ter uma quedinha por Laurent e nunca ao menos poder ser correspondida.

Um amor platônico.

Aqui em Santa Clare College, os lugares em que você é posto no início do ano, é o que você permanecerá até o fim do ano letivo. A minha frente, minha melhor amiga Cassandra Mello: ruiva, olhos âmbar, inteligente, linda, divertida, e a melhor amiga que eu poderia ter. Perdeu os pais não fazia muito tempo, e ela estava levando tudo isso muito bem até. Passou a morar com a tia, depois disso.

Ao meu lado, Keanu Mizael: cabelos castanhos claros até a nuca, olhos mais azuis que o céu em seu dia mais brilhante, inteligente, rico assim como a maior parte dos estudantes daqui, arrogante e um completo idiota. Meu arqui-inimigo de natureza. E por azar ficou ao meu lado na sala.

Atrás de mim, Isabelle Delucce: morena, olhos verdes, linda e venenosa. Isso resumi bem a criatura. Nunca se sabe do que uma pessoa como ela é capaz. Boatos vem e vão a todo momento dizendo horrores a respeito do que a garota já havia aprontado.

A professora continuou a aula tentando ignorar a minha presença.

— Atrasada. — murmura Cassandra, em tom baixo.

— Bom dia para você também. — ironizo.

A aula corre como de costume. A professora falando várias palavras estranhas fazendo biquinho enquanto no canto superior do meu livro de francês, eu desenhava qualquer coisa que me viesse a cabeça enquanto fingia estar fazendo os exercícios da matéria. Cassandra fazia todas as anotações necessárias para se lembrar de casa palavra dita pela professora. Isabelle conversava aos cochichos com sua escrava Megan Hyushi, uma garota morena de olhos puxados. Keanu estava olhando a professora de cima a baixo. A professora tem um físico invejável, e Keanu não presta.

O tempo corre. Logo chega o intervalo. E todos saem de sala, menos eu e Cassandra. Era costume nosso ficarmos na sala propositalmente para não nos misturarmos com o resto dos alunos que não vão muito com a nossa cara. Eu seria a estranha de sempre, e ela, a bolsista que não merecia estar aqui, segundo eles.

Já haviam algumas criancinhas correndo e pulando de um lado para o outro na pracinha vista da janela da sala.

— Que inveja deles. — digo sem notar.

— De quem? — escuto Cassandra perguntar.

Aponto pela janela. E ela olha para as crianças.

— Por quê?

— Ah, eles tem menos preocupações do que nós. Podem correr e se divertir assim, como se no mundo não houvesse perigo, frustrações e gente idiota e arrogante que consegue estar um passo a frente de pessoas tão boas como você.

Ela me olha pensativa.

— Vamos filtrar o que você acabou de dizer para não deixar essa conversa assumir um tom tão mórbido. Eles tem menos preocupações que nós? Óbvio! Eles ainda não conheceram o lado maligno da Matemática e sua prima dona Física, fazendo pessoas cometerem suicídio desde mil novecentos e bolinha. — começo a rir e ela me acompanha. — E eles ainda não sabem o que é viver dependendo da ajuda do Doctor Google, Mister Wikipédia e do Senhor Gabarito. É muito triste.

Ela começa a olhar para cima tentando lembrar o que eu havia acabado de falar.

— Ah, sim. Obrigada pelo elogio, eu sei que eu sou muito boa, e linda, e inteligente, e perfeita, e modesta... — ela ri. — E não há ninguém na minha frente. Eu estou no topo! — ela ri novamente e eu a acompanho.

— Nem um pouco metida você, não é?

— Ah, você sabe que eu estou brincando. Mas que é verdade, ninguém pode negar. — ela diz, brincando, eu acho.

~'~'~'~'~

Caminho em direção a saída do prédio central com Cassandra, junto com alguns alunos. Ao lado direito do prédio central, seguindo uma pequena rua, ficavam os dormitórios femininos. Já a rua a esquerda, levava aos dormitórios masculinos.

Caminho com Cassandra em direção aos dormitórios femininos. Além de ficarmos na mesma sala com carteiras juntas, dividimos um quarto, já que tudo isso era organizado por ordem alfabética. O quartos eram organizados em números. E deste modo eu e Cassandra ficamos no primeiro andar de uma construção de três longos andares. O número de nosso quarto era 37.

Os quartos eram espaçosos e possuíam uma beliche, armários e cômodas, o resto nós podíamos modificar a nosso modo, a não ser que envolvesse mudar coisas como a coloração da parede, tentar aumentar o amanho do quarto ou coisas do tipo, porque isso é totalmente proibido.

— Connie, querida, sabe o que vai acontecer hoje? — nego com a cabeça — Hoje, vamos a sala de jogos com a Malima! Sabe, todo mundo vai, é a competição de jogos de corrida, luta e outros, e é nossa chance de provar a todos que somos as meninas divertidas que sempre fomos!

— "Quantas chances desperdicei quando o que eu mais queria era provar pra todo o mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém" — cantarolo para ela um trecho de "Quase Sem Querer" da banda brasileira Legião Urbana.

— Está usando a minha música favorita contra mim? — ela me encara surpresa e dou de ombros enquanto sento na cama e começo a tirar os tênis.

Ela para em minha frente.

— Por favor, vem comigo!

— Não, meus arqui-inimigos naturais estarão lá. O que não é surpresa para ninguém, eles só sabem vadiar por aí e não fazer nada de útil para que um dia tenha seu nome escrito em uma das portas desse colégio e seja reconhecido mundialmente por seus grandes feitos que mudaram positivamente a humanidade.

Cassie revira os olhos.

— Larga de ser dramática. Grande recompensa ter o nome em uma porta de colégio misturado com tantos outros. E, por favor! Ser reconhecido mundialmente não vai fazer grande diferença quando você for para o caixão.

Dessa vez sou eu que reviro os olhos.

— Por favor! Venha comigo! Vai abandonar sua melhor amiga, sua monstra? — me finjo de ofendida e deito me na cama com um exemplar de um livro de literatura — Tudo bem, não queria ter que apelar, mas aí vou eu. Se você vier comigo eu te pago um lanche.

Olho para Cassie abismada.

— Está tentando me comprar com comida? — digo, fingindo estar horrorizada — Porque eu gosto de sorvete de flocos!

Ela sorri eufórica.

— Então vamos?

— Sim, mas o lance do sorvete de flocos é sério, okay?

Ela balança a cabeça positivamente e completamente animada.

— Que horas? — pergunto.

— As seis, te espero lá.

~'~'~'~'~

Faziam algum tempo que eu estava na biblioteca do colégio em lendo um livro que teria que apresentar nessa semana na aula de literatura. O livro estava bem interessante, sobre uma garota chamada Mary que fora assassinada pela própria irmã que fizera a jovem ingerir um fruto de Beladona, que por acaso é extremamente venenoso. O motivo do crime seria que o marido da irmã de Mary ter se apaixonado pela bela garota que agora está condenada a caminhar pela terra e descobrir quem é seu assassino, sem ao menos desconfiar da própria irmã, podendo só após disso descansar em paz.

Após terminar a leitura do livro que fora iniciada três dias antes do término, comecei a pesquisar um pouco mais sobre venenos, em alguns livros na biblioteca. Quando vou sair dali para ir para ir a bendita sala de jogos com Cassandra, vejo Keanu fechando a porta e trancando. A porta tinha uma pequena parte de vidro por onde eu pude ver um sorriso maligno e vitorioso, para em seguida balançar a chave em mãos.

— Abra isso, Mizael! — exclamo, exaltada.

— Não. — ele diz, me observando com superioridade. — Tchauzinho, Constance!

Ele acena e começa a se afastar.

— Volte aqui agora ou vou envenenar você com Cicuta!

Ele volta e ri.

— Isso foi uma ameaça? — pergunta ele, enquanto arqueia uma sobrancelha.

— Foi só um aviso.

Ele lança um olhar de curiosidade, para em seguida me lançar um desafio.

— Adoraria saber onde vai arruma isso, sabe, estou querendo envenenar uma ruiva estúpida que não sabe falar francês.

O fuzilo com o olhar.

— Tenho meus contatos. — digo simplesmente.

— Ah, lógico, só falta me dizer que você conhece um cara que conhece um cara. — ele ironiza.

Reviro os olhos e cruzo os braços.

— E se for?

Ele ri.

— Pois então use seus contatos para sair daqui.

Ele acena e vai embora me deixando gritando para que ele volte. A Sra. Glenda, responsável pela biblioteca, que por acaso devia estar aqui, anda por todo o colégio fazendo-sei-lá-o-que, mas nunca está na biblioteca. Maldição! Volto a estudar sobre venenos, para pesquisar qualquer forma de matar esse desgraçado, ao menos mentalmente já que nunca conseguiria matar alguém, por isso ir contra meus princípios.

Ele me paga.

Notas finais
Hey, Ho! ... Gostaram? Reviews, plz! Eu sou legal sabia? XoXo