Lágrimas de Pitanga
1 Velhas Pitangas Azedas
Manhã de quarta feira jun/2012
—Bem vindos ao vigésimo terceiro congresso de desenvolvimento sustentável
Anunciou o professor na abertura da palestra que iria abordar discussões a respeito dos danos que planeta terra vem sofrido e as devidas medidas para minimização. O congresso se passava em uma universidade do Espírito Santo chamada UES.
As 10:30 os ouvintes foram liberados e a universidade ofereceu um “cofee break” na sala de recepção. Grande parte das pessoas estavam em grupo, outras se conheceram no local, enquanto alguns estavam bem sozinhos .
—Mãe, aqui está barulhento, te ligo depois.
Desligado o celular, o garoto que falava com a mãe estava feliz por finalmente ter a chance de tomar um café. Ele possuía a pele morena, cabelos castanhos bem aparados escondidos pela boina escura que usava, seus olhos eram castanhos, a altura era mediana — por volta de 1,74- e as proporções corporais eram normais e adequadas para sua altura. A roupa usada era uma calça jeans e camisa de manga gola V igualmente escuras e sapato social bege.
—Ei você!
Após ter se servido de café, percebeu uma voz chamando por alguém e desviou o olhar apenas por reatividade a chamada, sabia que não era para ele, porém para a sua surpresa, um garoto loiro chamava-o. Foi fácil percebê-lo, pois além de ser alto, usava uma camisa laranja vibrante e chamativa, sua calça era um jeans bem claro e seus sapatos eram brancos.
—Eu quase não te reconheci.
O garoto loiro aproximou-se ainda mais, fazendo o outro ficar sem reação.
—Desculpa, eu o conheço? –Olhava-o esperando uma resposta-.
—Sou eu,o Lucas... Não lembra de mim, Ale? Nós fomos colegas de sala no ensino fundamental.
Continuou sem muita reação por alguns segundos a mais, então voltou a si.
—Oh... claro... Lucas... –Deu um sorrisinho forçado-.
—Caramba, quanta coincidência, ne? Não o reconheceria depois de tantos anos, só o reconheci por... deixa pra lá –Sorriu desconsertado-.
Alexandre, apelidado de Ale, olhou para as cicatrizes de corte nos seus próprios pulsos. Ele não soube o que responder, até que viu os inscritos da palestra retornando para a sala.
—Está na hora de voltar, foi um prazer reencontrá-lo Lucas –Falou despedindo-se seguido de um sorriso-.
—Sim, mas onde você está sentado? Tem lugar ao lado? Podemos sair pra almoçar depois –Sorria-.
—Não prestei atenção.. Mas de qualquer jeito terei que ir embora mais cedo, estou me sentindo um pouco mal então voltarei pro hotel, desculpa.
—O que você anda sentindo? Meu carro não ta longe, posso leva-lo se quiser.
Ale pôs a mão na boca com a intenção de controlar uma náusea repentina.
—Eu realmente preciso ir Lucas, desculpa!
Andou rápido e correu em seguida.
—Táxi!
Ele acenou na rua e imediatamente o táxi parou.
—Hotel Litorâneo por favor!
Em poucos minutos ele chegou ao quarto do hotel. Era um cômodo simples, harmônico e agradável, repleto de branco por toda parte: Cortina e roupa de cama. Havia um frigobar, uma tv, um guarda roupa, mesinha de estudo e um criado mudo ao lado da cama de casal. Nesse criado de mudo ele pegou um frasco de comprimido e engoliu um sem o auxílio de água. Adormeceu logo em seguida.
Ale tinha caído em sono profundo, porém o som alto do telefone do quarto acordou-o.
—Alô –Falou ainda sob efeito de sono, então ouviu o que o recepcionista do hotel tinha a dizer – Ta...
Lavou o rosto, trocou a roupa e ao chegar à recepção do hotel, foi pego de surpresa.
—O que?! –Era Lucas esperando por ele, aguardando-o com um sorriso-.
Após a surpresa ter passado, fora do hotel eles caminhavam pela praia que havia perto e conversavam.
—Eu quero muito ser um cirurgião cardio e salvar muitas vidas! Acabei de ingressar na residência–Conversava entusiasmado, então deu uma pausa – Mas já falei demais de mim... E você?
—Bem... Eu sou um cronista, formei em jornalismo faz tempo.
—Que legal! Posso ler alguma crônica sua depois?!
Ale deu um sorrisinho, era o primeiro sorriso de alegria do dia.
—Estou lançando meu livro de crônicas no próximo mês, quem sabe não te envio uma cópia autografada? O nome do livro é: “Lágrimas de Pitanga”.
—Lágrimas de pitanga? Que nome interessante... Por que esse nome?
—Leia e descubra –Sorria-.
Ale se alongou enquanto andava como uma tentativa de espantar um pouco da sonolência que o acompanhava. Ale e Lucas ficaram em silêncio, até que o loiro parou, fazendo Ale também parar.
—O que...? –Perguntou curioso-.
Repentinamente o moreno foi surpreendido com um abraço. Após o ato Ale estava perplexo sem reação.
—Por favor, Ale, me perdoe!
“São pitangas azedas, velhas, as quais fiz suco e adicionei açúcar...”
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