Notas iniciais
Olá pessoas!! Não aguentei e vim correndo postar um cap. novo, espero de verdade que vocês gostem! obrigada as lindas da Princesa Mestiça e da Rainha da Noite pelos comentarios!! vocês não tem noção de como o retorrno de vcs é importante e me faz ter vontade de continuar a postar! então muito, muito obrigada, de verdade!! Espero que todos gostem desse aqui também, foi escrito com muito carinho, e fiquei com o coração na mão quando terminei. Boa Leitura!!

Por alguns momentos ele acreditou que já passara pelo pior. Que a perda de seu melhor amigo era a coisa mais horrível que teria que suportar. Como estava enganado.

Três dias trancafiado em uma cela suja e escura de Azkaban haviam lhe mostrado que ele ainda tinha muito que aguentar, tinha muito ao que sobreviver. Sim, sobreviver, não se podia mais se chamar aquilo de vida.

Há quem diga que o poder de um dementador é sugar a força de sua vítima, tirar-lhe a felicidade, arranca-lhe suas melhores lembranças, mas essa não é exatamente a verdade, ao menos não a verdade completa.

A horrenda criatura encapuzada não arranca as lembranças felizes de suas vitimas. Elas continuam lá, mas não são mais felizes. O dementador tem o poder de esfria-las, retirar-lhes o calor que aquece o coração de quem delas se recorda, e assim, quando a pessoa se lembra de alguma coisa que a deixava feliz, tudo que lhe vem a mente é a saudade do momento vivido, o desejo incontrolável de retornar para lá, de ter seu coração aquecido de novo.

É como se a cada vez que um capuz negro se aproxima de sua vitima, ele aspire dela não apenas um pouco de sua felicidade, mas também um pouco do verdadeiro “eu” daquela pessoa, um pouco de sua essência; deixando para trás uma casca que as poucos se torna vazia, uma concha na qual não é mais possível se ouvir o barulho das ondas do mar.

Fazia pouco tempo que Almofadinhas estava naquele lugar, e sua mente estava focada em um único objetivo: tinha que manter sua mente sã, tinha que se manter lucido, não podia sucumbir a loucura ou não teria nenhuma chance.

Já não tinha mais pensamentos felizes com os quais se confortar (os dementadores fizeram questão de retirar-lhe cada grão de felicidade no momento em que pusera os pés na prisão dos bruxos), mas essa não era mais uma coisa tão importante, não tinha ilusões de que fosse conseguir conserva-los por muito tempo mesmo... o que tinha que fazer é focar a sua mente na única coisa, ou melhor dizendo, na única pessoa que o fazia ter coragem de abrir os olhos com os raios da manha, seu afilhado, Harry.

A esperança de revê-lo, de contar a ele tudo oque realmente acontecera, de dizer que ele não ficara na casa daqueles trouxas malucos por sua concordância ou vontade, era a única forma de sentir-se ligeiramente melhor, de continuar lutando por sua sanidade. Não se tratava de um pensamento feliz, já que toda vez que pensava no garoto a dor pela perda de James e Lily assolava seu coração, e, portanto, os dementadores não podiam tirar-lhe isso.

Aquela era uma manha fria e nublada, o horizonte cinzento só fazendo com que o estado melancólico de Sirius se acentuasse. Sentia-se preso, acuado. Detestava sentir-se assim. O que mais lhe incomodava não era a prisão de seu corpo, mas sim a sua mente.

Estava preso nas lembranças ao que ocorrera a menos de 72 horas. Não conseguia despregar os olhos do corpo de James, por mais que tentasse não conseguia evitar de lembrar-se dos olhos vítreos e sem vida de seu melhor amigo. Aquilo fora tudo culpa dele, como sempre, fizera tudo errado, colocara tudo a perder. Não importava quanto tempo levasse, daria um jeito de sair daquele inferno, e ai sim, iria cometer ao menos um dos assassinatos que pesavam sob seus ombros.

Um barulho de correntes sendo arrastadas o despertou de suas lembranças e devaneios. Devagar, por conta da fraqueza que em pouco tempo tomara seu corpo pela falta de comida (os presos só tinham direito a uma refeição por dia), ele se levantou e aproximou-se das grades de sua cela.

Dois novos presos haviam chegado, e andavam lado a lado, escoltados por três dementadores. O mais próximo era um homem de estatura média que andava empertigado, ostentando um olhar altivo, como se achasse bom demais para aquele lugar, Sirius o reconheceu como Bartô Crounch Junior, pivete rico e desprezível que se auto intitulava o maior seguidor de Voldemort. Ele não pode deixar de rir ao ver aquele homem ali, tão cheio de pose, sem ter a menor noção do que o aguardava.

Ao lado de Crounch Jr estava Bellatrix Lastrange, sua detestável priminha, com certeza a pior das irmãs. Não se surpreendeu ao vê-la chegar a Azkaban. Sua prima fora uma das primeiras a se juntar a horda que Voldemort chamava de “Comensais da Morte” e pelo que se dizia, era uma das mais cruéis participantes. Isso não o espantava. Desde criança Bella demonstrava ter tendência e habilidade para ser cruel, prova disso eram os inúmeros bichos de estimação que ela teve na infância, todos morreram de formas no mínimo excêntricas.

Além dos pobres bichos de estimação, Bella tinha uma outra vitima perfeita para seus experimentos maldosos: Sirius. Perdia a conta ao tentar se lembrar quantas vezes a prima tentara envenena-lo, joga-lo da escada ou prende-lo no telhado....foi em uma dessas “travessuras” que seus poderes apareceram.

Ele estava com uns quatro anos na época. Bellatrix se aproximou dele em um daqueles horríveis jantares que sua mãe organizava quase todos os meses. A garota tinha uma ar de inocente, e ofereceu uma bala a Sirius, dizendo que queria se desculpar por ser uma prima má. Ele, uma criança ingênua e burra naqueles tempos, acreditou em cada palavra que ela disse, aceitando o doce.

Era uma bala de caramelo, embrulhada em um papel listrado de azul e verde. Sem pensar que poderia se tratar de mais uma “brincadeira” dela, abriu a bala e enfiou-a na boca, o maior erro que cometeu aquele dia.

A bala grudou em sua boca, impedindo de abri-la. Ele sentiu o peso sobre seu corpo aumentar gradativamente, sentiu que sua cabeça inchava e inchava cada vez mais, fazendo com que perdesse o equilíbrio, seu tronco e suas pernas não conseguindo suportar o peso extra. E foi ai que aconteceu. Ele desejou com todas as suas forças que sua cabeça voltasse ao normal e que ele não estivesse mais com a bala na boca, e de repente, BAM! Ele voltara ao normal. Testou abrir a boca (embora já não sentisse mais o peso da bala dentro dela) e funcionou perfeitamente.

Aquele fora um dia divertido. Ainda podia ouvir, dentro de sua mente, as gargalhadas que deu ao ver a cara de espanto de sua prima ao ver que ele estava perfeitamente normal, fora realmente hilário! O problema era que agora, toda vez que pensava nessa lembrança, o que vinha a sua mente não eram apenas as risadas, mas a bronca que ganhara de sua mãe por ridicularizar sua prima. Walburga nunca escondeu que preferia muito mais a sobrinha do que o filho mais velho.

— Olhe só mamãe, quem veio fazer companhia ao seu filhinho detestável! – resmungou Sirius entre dentes, quase divertido. Pelo menos alguns daqueles canalhas malditos teriam o mesmo fim que ele. Ao menos tinha esse consolo.

Naquele instante os novos moradores passaram pela cela do maroto. Crounch Jr não baixou os olhos, talvez achasse que Sirius não era digno de atenção, mas Bellatrix olhou no fundo dos olhos do primo, e em seguida começou a rir histericamente, um riso que se transformou rapidamente em gritos e xingamentos.

— Isso é tudo culpa sua! Seu traidor de sangue imundo!! Acabou com a nossa família! Você não é digno de usar o nome Black! Juro que um dia eu acabo com a sua raça, seu traidor imundo! E as pessoas ainda tem coragem de dizer que você era o maior seguidor do Lord das Trevas! Ora mas quanta bobagem! – ralhou ela. – Você não é nada Sirius. É só um idiota que acredita em tudo que te dizem, feito um cachorro dócil. – e recomeçou a rir, enquanto continuava o caminho até sua nova morada.

Sirius, por sua vez, afastou-se das grades de sua cela, voltando a se embrenhar no escuro. Encarar sua prima o abalara. Não por se tratar de Bellatrix ( não se importava com ela, ficava ate bem satisfeito em saber que ela pagaria por todo o mau que havia feito), mas sim elas palavras que lhe haviam sido dirigidas.

Doía-lhe admitir, mas se sentia exatamente como a prima descrevera: fraco e impotente. Bom, agora não adiantava se lamentar. Tinha que cumprir a promessa que fizera a James, e para que ela um dia se cumprisse, precisava manter sua lucidez, e se martirizar não ajudava, apenas o tornava uma presa mais fácil para os dementadores. Voltou a sua forma de cão (aquelas coisas encapuzadas não conseguiam distinguir a diferença, e assim ficava mais fácil não enlouquecer, já que era mais fácil para não pensar), enrolando-se no fundo da cela, a cabeça sob as patas dianteiras.

Almofadinhas continuou ali, apenas observando o tempo lá fora ficar cada vez mais e mais escuro quase tão negro quanto o pelo de sua forma animaga, e logo depois desabar em uma tempestade forte, que caiam do céu como pesadas lágrimas.

Notas finais
O que acharam?? Como será que Sirius vai ficar em Azkaban?? prometo postar de novo em breve! Comentem!!! estou muito ansiosa para saber a opinião de vocês!! beijokas e até o proximo capitulo!