Lágrimas de Maroto - 1ª temporada

4 Capitulo 4 - O traidor


Notas iniciais
Olá pessoas!! Mais um capitulo pra vocês! Espero que gostem!! eu acabei de terminar, então não está exatamente revisado, por isso, me perdoem quaisquer erros de gramatica ou construção de frases. mais um agradecimento a querida da Ellryn, sempre presente nos comentários, me dando animo a continuar, haha. Obrigaada pelo carinho! Sempre imaginei como teria sido o encontro entre Almofadinhas e Rabicho depois da morte de Pontas, e ai está a minha humilde versão, haha. Realmente espero que vocês gostem!! Boa Leitura!!

Permaneceu ali por algum tempo, perdido na imensidão azul a sua volta, imerso em seus pensamentos apenas olhando para o céu, como se ali pudesse encontrar uma resposta, descobrir a direção que deveria seguir.

Lentamente, refez os passos de volta a frente da casa. Tinha que agir com rapidez se não quisesse que Harry ficasse muito tempo na companhia daqueles trouxas, tinha um velho amigo para encontrar.

Preferiu não voltar para dentro da casa que fora de seus amigos, não sabia se aguentaria ver seus corpos novamente. Teve certeza de que acabaria por se deixar levar pela dor, e perderia um tempo precioso na caça daquele que fora a chave para a morte de seu irmão.

Continuou andando pela rua, voltando ao ponto de aparatação no qual havia chegado. Enquanto andava, procurou limpar sua mente, afundar a tristeza e a solidão que sentia e se focar no objetivo que havia se imposto, deixando que apenas duas perguntas rodassem em sua cabeça: “onde estava Rabicho? Como faria para conseguir encontra-lo?”.

Decidiu começar a procurar nos lugares mais óbvios, a casa dos pais dele em Londres, Hogsmeade e o beco diagonal, sabia que Rabicho era estupido o suficiente para estar em algum destes lugares; além disso, sua forma animaga o ajudaria a se esconder com relativa facilidade.

Para a infelicidade de Pedro, no entanto, Sirius era um ótimo rastreador, principalmente quando em forma de cão. Com certeza conseguiria encontra-lo. o que faria quando esse momento chegasse, entretanto, permanecia um mistério até para si mesmo. Não sabia como reagiria ao encontrar com o verme traidor.

Pensar em Pedro fez seu estomago revirar. “Como ele pudera? Como tivera coragem de trair James e Lily? De se aliar a Voldemort?”. Sirius sempre soubera que o antigo amigo era o mais fraco do grupo (não se tratava de força física, mas sim de uma questão mental. Pedro sempre tivera dificuldade em tomar decisões, em lutar por alguma coisa, escondia-se a sombra dos amigos), mas nunca poderia imaginar que ele pudesse trai-los daquela forma tão suja, tão baixa. Até poucas horas antes, teria entregado sua vida nas mãos de Rabicho sem nem mesmo parar para pensar, e agora, olhe só onde a vida o colocara: com um amigo morto e o outro um comensal da morte que se vendera ao maior bruxo das trevas que já pisara no mundo. Mas que ótimo caminho o destino havia lhe reservado, realmente perfeito.

Dirigiu-se primeiro ao povoado bruxo, Hogsmeade. O lugar estava uma verdadeira baderna. Havia muita gente na rua principal, todos muito agitados e cochichando entre si, tão entretidos em suas próprias conversas que nem mesmo reparam em sua chegada, o que foi bom, pois assim ele poderia aproveitar para observar sem ser objeto de observações, vasculhando cada canto da aldeia em busca de seu alvo.

Preferiu realizar sua busca transformado em cão, assim chamaria menos atenção. Vasculhou cada rua do povoado bruxo, atento a cada movimento a sua volta, mas sem sorte, Rabicho não estava ali.

O próximo lugar a procurar foi o Beco Diagonal. Tal como ocorrera em Hogsmeade, o local estava apinhado de bruxos entretidos em agitadas conversas, mas a maioria das lojas pareciam estar fechadas. As únicas fachadas iluminadas eram a da sorveteria de Florean, Olivaras e o Gringotes, o banco dos bruxos.

Assim como fizera em Hogsmeade, Sirius vasculhou o beco diagonal de ponta a ponta, sem o menor sinal de Pedro. Como estava perto, decidiu verificar também a Travessa do Tranco ( um dos lugares mais prováveis para Rabicho ter se escondido, tão obvio que ele se surpreendeu por não ter pensado nisso antes) e o Caldeirão Furado, mas nada encontrou tampouco.

Quando um majestoso cão negro foi visto saindo da Travessa do Tranco, os primeiros raios de sol já haviam despontado no céu, limpando o cinza da noite anterior, e substituindo-o por um tom ameno de azul sem nuvens.

Só havia mais um lugar no qual ele poderia estar, a casa dos pais, no subúrbio trouxa de Londres. Se Rabicho não estivesse ali, Sirius ficaria sem opções de lugares para procura-lo, e teria de recorrer a alguém em busca de auxilio. Talvez procurasse Aluado.

Pensar no amigo fez seu estomago afundar. Doía-lhe o fato de ter desconfiado de Aluado. A bem da verdade, todos desconfiavam de que alguém de dentro estava passando informações para Voldemort, e por algum tempo, Sirius e James chegaram a cogitar que essa pessoa fosse Remus.

Não se tratava de desconfiança propriamente dita, mas sim de certo receio. Por conta de sua condição de lobisomem, chegara a pensar que o amigo poderia ter se aliado ao Lord das Trevas. Como fora idiota! Julgando seu amigo por uma condição que estava além do controle dele e deixando o caminho livre para que o verdadeiro traidor agisse.

Precisava pedir perdão a Remus, não fora justo com o amigo. Decidiu que o procuraria assim que terminasse o assunto com Rabicho; Aluado merecia um pedido de desculpas. Ficou imaginando se ele já sabia da tragédia que acontecera, e se sim, como havia reagido?

Foi com a mente voltada para o amigo de infância que Sirius fechou os olhos novamente, deixando que aos poucos a lembrança da casa trouxa de dois andares e um canteiro de peônias o inunda-se. Fora a casa de Pedro uma única vez, acompanhado de James e Remus. Aquela era uma ocasião especial, o aniversário de Rabicho, e os pais do menino os haviam convidado para um jantar em família.

Um jantar realmente divertido, diga-se de passagem. A família de Rabicho era muito carismática, engraçada mesmo. Será que eles tinham consciência do que o filho havia se tornado?

Quando reabriu os olhos, deu-se encarando o já conhecido canteiro de peônias. a casa dos Pettigrew estava situada em uma movimentada rua de comercio trouxa, e aquela hora da manha, as pessoas começavam a chegar para abrirem suas lojas.

O maroto olhou ao redor a procura de algum sinal de Rabicho, mas não encontrou nada. Pensando que teria mais sorte em sua forma animaga, retornou a ela, deixando que seus instintos e sentidos caninos tomassem a frente, já que não encontrara nada utilizando apenas seus sentidos de ser humano.

Já estava em sua segunda ronda pelo bairro (tinha certeza de que o antigo amigo apareceria por ali em algum momento), quando finalmente divisou uma forma baixa e roliça, saindo da casa que permanecia as escuras.

Sirius se encaminhou rapidamente ao encontro daquele que identificara como Pedro, ainda sem saber o que faria quando finalmente estivesse frente a frente com seu velho amigo. Tudo que sabia era da raiva que fervia por seu estomago, subindo a sua garganta. Todo o resto parecia ter sido engolido por esse sentimento. Era como se uma venda vermelha tivesse sido colocada em seus olhos, e tudo que ele conseguisse ver fosse o traidor que roubara a vida de seu amigo.

Estranhamente, porém, conseguiu se manter em silencio enquanto esperava que Pettigrew se virasse e o encontrar-se ali, esperou pacientemente para saber qual seria a reação dele, e também a sua própria.

O homem de compleição roliça e olhos parecidos com grandes bolas de gude se virou para sair, parecia apressado e demorou para perceber que não estava sozinho no batente da porta.

Ao avistar o grande cachorro negro que estava sentado alguns metros a sua frente, perdeu a cor, ganhando uma tonalidade transparente que em poucos segundos assumiu um tom cinza-esverdeado. Ele oscilou, desequilibrando-se e balançando para frente e para a trás feito um balanço, enquanto inutilmente retomar o controle de seus membros.

Enquanto Pedro parecia estar sofrendo de um grave problema de estomago, Sirius permanecera impassível. Durante todas aquelas horas nas quais procurara por ele, pensara no que iria sentir quando finalmente o encontrasse. Pensara que sentiria triste, que ia dar de cara com alguém em quem julgara confiar, alguém que acreditava ser seu amigo, mas o que encontrou ao cruzar seu olhar com o de Pedro foi apenas raiva e desprezo. Aquele não era seu amigo, era apenas um traidor sujo, que vendera a vida de pessoas inocentes unicamente para se salvar.

Recuperando parte de seu autocontrole, Pedro fingiu não ter visto o cachorro e recomeçou a andar, a passos largos, quase correndo.

— Como você pode? Como teve coragem? – a voz de Sirius chegou alta e clara aos ouvidos de Rabicho, que instantaneamente recomeçou a tremer.

— Ah, olá Sirius! Não tinha visto que você estava ai. – respondeu, tentando manter a voz firme, mas sem um pingo de sucesso.

— Mentiroso! – sibilou Sirius. – Você fingiu que não me viu Pedro, nós dois sabemos disso. Você não tem coragem de falar comigo não é? Não consegue nem olhar nos meus olhos, esta com medo de que eu faça algo com você, não é isso Rabicho? Esta com medo de me enfrentar porque aqui não tem ninguém mais forte ou poderoso que você para protege-lo, não é verdade? Você é mesmo um covarde!

— Não sei do que você esta falando Almofadinhas. Não tenho nada o que esconder. Só sai do esconderijo para visitar minha mãe que não esta se sentindo bem, estava voltando para lá agora mesmo. Além disso, porque eu ia querer te enfrentar, somos amigos, esqueceu? – respondeu o outro, tentando pensar em uma saída para a enrascada em que se metera. Não esperava ter que encontrar Sirius, ainda mais desprevenido.

— Amigos? Engraçado você mencionar isso, sabia? Traição não me parece coisa de amigo, você não acha? – a voz de Sirius saia em um tom ironicamente neutro, espalhando a raiva e o desprezo que o maroto sentia a cada palavra dita.

— Tra-traição? Do que exatamente você esta me acusando Sirius? Eu não traí ninguém, não sei do que você está falando. – Pedro tentou mais uma vez manter um tom de voz calmo e controlado, mas o resultado foi ainda pior, e suas palavras soaram esganiçadas, muito semelhantes a guinchos de rato.

— Não estou lhe acusando. – o tom de Almofadinhas era cortante. – estou afirmando que você entregou James e Lily a Voldemort! Por sua culpa, perdi meu irmão e minha melhor amiga! Por causa dessa sua falta de coragem e de lealdade, meu afilhado não tem mais pais e esta tendo que passar uma temporada na casa dos tios trouxas! Diga-me Pedro, está feliz agora? Espero que tenha recebido uma recompensa generosa, se é que há alguma coisa que valha a vida de seus amigos.

Rabicho não respondeu. Não conseguia pensar no que dizer. A verdade é que até aquele momento não tinha se dado conta do que fizera. Quando fora a presença do Lord das Trevas, sua mente estava acometida de um único pensamento: salvar sua própria pele. E para isso, nada melhor do que aliar-se Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado. Ele tinha certeza de que este seria o lado vencedor.

No inicio, tudo que tivera que fazer fora espionar. Informar a Voldemort sobre os passos da Ordem, mantê-lo sempre um passo a frente. Mas depois de algum tempo o Lord começara a querer mais, pedindo que ele mostrasse sua lealdade, entregando os membros da organização de Dumbledore para os braços da morte. Os últimos a serem delatados foram James e Lily. Rabicho relutara muito entrega-los, eram seus amigos desde os tempos de Hogwarts, mas o medo por sua própria vida acabara falando mais alto. Pelas palavras de Sirius, o trabalho já estava concluído, eles estavam mortos. Uma coisa, no entanto o intrigara: Sirius dissera que Harry estava na casa dos tios...mas porque o Lord das Trevas havia deixado o garoto vivo?

— O que foi? Perdeu a língua? – sibilou Sirius, a raiva ganhando terreno em sua voz.

— Sirius eu...eu sinto muito! Não queria ter delatado James e Lily, eles eram meus amigos tanto quanto eram seus, mas...o Lord das Trevas...você não tem ideia das armas que ele possui! Diga-me, o que você faria em meu lugar? – Pedro estava ficando desesperado, e enquanto falava, tentava a todo custo achar uma saída. Sabia que perderia se entrasse em um duelo contra Sirius. Ele e James sempre haviam se saído melhor com feitiços.

— Eu morreria se fosse preciso! Jamais entregaria meus amigos! E você deveria ter imaginado que um de nós viria lhe cobrar por essa traição suja Pedro! Ou você realmente pensou que a morte deles ia sair sem punição? Na certa achou que seu precioso Lord cuidaria de nós por você não é? Novamente procurando alguém que resolvesse os problemas por você. – a fúria de Sirius chegara a seu ápice. Ele já não estava mais raciocinando direito, tudo que queria era que aquele traidor imundo sofresse; que pagasse pelo que havia feito! Sem parar para pensar, puxou a varinha da manga esquerda de suas vestes e a apontou para o coração do outro.

Pela primeira vez na vida, Pedro foi mais rápido, o instinto de autopreservação aflorando em sua conduta. Precisava criar uma distração para que conseguisse escapar. Apontou sua própria varinha para o chão e exclamou: “Bombarda!” . Ouviu-se um estrondo ensurdecedor e uma grande cratera abriu-se no chão de asfalto. Aquilo lhe daria alguns segundos para escapar.

Sirius olhou para o buraco no chão, desorientado por alguns segundos. Aproveitando-se deste momento de confusão de seu oponente, e vendo que a rua estava apinhada de passantes que aquela altura haviam parado para observar o que acontecia, Rabicho enxergou uma chance de escapar.

Rapidamente, apontou sua varinha para a própria mão, realizando um encantamento sem utilizar-se das palavras. Uma dor excruciante o atingiu e ele se esforçou para não gritar. O feitiço de corte o atingiu ao mesmo tempo em que um feitiço de Sirius o atingia no peito.

Dobrou-se sobre seu dorso, inundado pela dor, os olhos lacrimejando. Tinha que agira rápido, não aguentaria mais muitos feitiços como aquele. Sirius preparou-se para desarmar Pedro. Sua vontade era de matar aquele covarde nojento, mas a morte de seus melhores amigos merecia justiça. Pensou em Harry. Se matasse Pettigrew, acabaria em Askaban e não poderia cuidar de seu afilhado. Não, tinha que leva-lo a julgamento. Ele pagaria pelo que havia feito, mas não com a morte. Não se tornaria um assassino, Pedro simplesmente não valia a pena.

Ergueu novamente a varinha em direção à forma roliça sua frente e gritou o feitiço: “Expalliarmus!” ao mesmo tempo que Rabicho brandia sua própria varinha, gritando: “Estupefaça!” . Os feitiços colidiram no meio do caminho e um clarão de luz irrompeu do contato, impedindo que os combatessem conseguissem enxergar um ao outro.

Aproveitando esse momento, Pedro virou a varinha para si mesmo e murmurou o encantamento de sua salvação. Rapidamente diminuiu de tamanho, tornando-se nada mais que um simples rato de esgoto de pelo cinzento e com um dedinho faltando, que correu para longe da destruição, deixando para trás um rastro de confusão e morte.

Notas finais
Eaiii, o que acharam?? Espero que estejam tão conectados e empolgados com a historia quanto eu estou ao escreve-la! Comentem!!! quero muuuito saber a opinião de vocês! Beijokas e até o próximo capitulo!